{"id":177644,"date":"2018-04-30T07:43:42","date_gmt":"2018-04-30T10:43:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=177644"},"modified":"2018-04-30T07:43:42","modified_gmt":"2018-04-30T10:43:42","slug":"novo-album-do-parquet-courts-vai-chegar-bem-engajadinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/novo-album-do-parquet-courts-vai-chegar-bem-engajadinho\/","title":{"rendered":"Novo \u00e1lbum do Parquet Courts vai chegar bem engajadinho"},"content":{"rendered":"<p>Como um prel\u00fadio, depois de um voo atrasado seguido de outros contratempos, eu corria pelas esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4 do Brooklyn repletas de refer\u00eancias visuais para o ateli\u00ea do guitarrista, vocalista e compositor Andrew Savage, 32 anos, da banda Parquet Courts &#8211; prestes a lan\u00e7ar o sexto \u00e1lbum Wide Awake (Rough Trade Records), no dia 18 de maio.<\/p>\n<p>No p\u00eandulo entre ser uma banda independente que veio da cena underground, cujo primeiro \u00e1lbum saiu em uma tiragem limitada de fitas cassetes, e estar se tornando conhecida mundialmente e ser frequentemente citada nas m\u00eddias americanas como uma das queridinhas do rock do Brooklyn, nada mais simb\u00f3lico do que terem trabalhado pela primeira vez com um produtor nesse registro, o not\u00f3rio Danger Mouse.<\/p>\n<p>A faixa-t\u00edtulo que soltaram recentemente, com clipe gravado em New Orleans, traz uma explos\u00e3o funky e encharcada de groove, contaminando de qualidades dan\u00e7antes a din\u00e2mica s\u00f4nica que costuma unir urg\u00eancia punk nos vocais e guitarras bem casadas com outras paisagens musicais. Prism\u00e1tico, Andrew tamb\u00e9m \u00e9 artista visual, assina a arte dos \u00e1lbuns do Parquet Courts e dirige o selo Dull Tools &#8211; pelo qual lan\u00e7ou o seu \u00e1lbum solo em outubro passado (A. Savage), e o segundo do Parquet Courts, incluindo muitos outros artistas no cast.<\/p>\n<p>Bem ao sabor do Brooklyn, o pr\u00e9dio cinza do bairro de Bed-Stuy abriga in\u00fameros ateli\u00eas e est\u00fadios de m\u00fasica ao longo de seus enormes corredores, de atmosfera industrial. Depois de outras dificuldades para localizar o QG pl\u00e1stico, Andrew veio me buscar no elevador vestindo um moletom cheio de tintas coloridas respingadas, uma touca e os seus \u00f3culos. Dentro do ateli\u00ea por onde vazava a luz do dia cinza-branco por amplas janelas, havia uma miscel\u00e2nea de desenhos, roupas penduradas que seriam pintadas, telas e apenas uma cadeira, onde me sentei. Andrew se equilibrou sobre uma grande bola azul.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio nome da banda, de pron\u00fancia complicada, reflete essa miscel\u00e2nea pl\u00e1stica: Parquet Courts tem duplos sentidos, mas remete a padr\u00f5es geom\u00e9tricos de pisos, ou de tribunais. &#8220;Leva \u00e0 ideia de quadras de basquete que podem ter esses pisos, ent\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia bem americana&#8221;, diz ele. E para minha surpresa, nesse momento ele saca uma cuia e bombilha e come\u00e7a a sorver o seu mate &#8211; \u00e0 la chimarr\u00e3o! &#8211; &#8220;trouxe da Argentina&#8221;, conta.<\/p>\n<p>A atitude s\u00e9ria e cool \u00e9 quebrada por um raro sorriso e empolga\u00e7\u00e3o quando ele fala sobre essa primeira turn\u00ea pela Am\u00e9rica do Sul, e o quanto a banda curtiu S\u00e3o Paulo quando tocaram no festival The Art of Heineken, no topo do Museu de Arte Contempor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo (MAC-USP), no ano passado. Ele diz que aceitariam prontamente convites para voltar. A partir de maio, o grupo d\u00e1 a partida em uma agitada agenda de shows para promover o novo \u00e1lbum nos Estados Unidos, Europa, Jap\u00e3o e Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Nos tr\u00e2nsitos entre as esferas do underground e do mainstream, pergunto se o trabalho com Danger Mouse teria contribu\u00eddo na dire\u00e7\u00e3o das pistas de dan\u00e7a, como aponta a faixa-t\u00edtulo. De modo bastante diverso dos sons mais &#8220;garageiros&#8221;, e t\u00e3o viscerais quanto mel\u00f3dicos, do \u00faltimo \u00e1lbum Human Performance, de 2016. &#8220;N\u00e3o teve nada a ver porque t\u00ednhamos o \u00e1lbum composto antes que ele chegasse; a natureza funky do disco, essas linhas de baixo j\u00e1 estavam l\u00e1 antes. Cada \u00e1lbum deveria conter o seu pr\u00f3prio testemunho, o seu pr\u00f3prio som, e desta vez eu queria fazer um trabalho mais r\u00edtmico.&#8221; Eles se isolaram em um deserto do Texas para a grava\u00e7\u00e3o, em tr\u00eas semanas, no est\u00fadio Sonic Ranch.<\/p>\n<p>&#8220;Foi gravado de forma muito semelhante aos discos anteriores, com a diferen\u00e7a que desta vez t\u00ednhamos uma pessoa de fora ali, o Brian (Danger Mouse), que podia nos mostrar eventuais v\u00edcios de composi\u00e7\u00e3o e que temos como m\u00fasicos que tocam juntos h\u00e1 oito anos e que n\u00e3o conseguir\u00edamos perceber de dentro.&#8221;<\/p>\n<p>Depois de uma recusa a comentar sobre outras m\u00fasicas do \u00e1lbum, Andrew concorda em mostrar faixas in\u00e9ditas, e d\u00e1 o play em Violence. Mais um petardo funky, com baixo pulsante no primeiro plano, vocais nervosos, em uma ambi\u00eancia que lembra o som de James Brown &#8211; quase um punk funk, entrecortado por outras texturas sonoras, como um solo com timbre que lembra Theremin. Algo como uma celebra\u00e7\u00e3o raivosa, m\u00fasica para dan\u00e7ar com letra consciente.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos temas que quer\u00edamos explorar nas letras deste \u00e1lbum era a dualidade entre alegria e raiva. Muitas s\u00e3o em rea\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 acontecendo nos Estados Unidos agora e nos \u00faltimos dois anos, com a administra\u00e7\u00e3o Trump, quantidades enormes de viol\u00eancia que vemos, corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, fala, convicto, refor\u00e7ando que vale a pena estar engajado e de olhos bem abertos neste momento em que ele acredita que h\u00e1 uma mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva dos jovens americanos para acreditar em algo, reunirem-se em protestos. &#8220;Dizendo &#8216;eu estou bem acordado&#8217;, o que se est\u00e1 dizendo \u00e9 que se est\u00e1 engajado com o que est\u00e1 acontecendo hoje, e que se est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o, que se tem uma opini\u00e3o. Pode ser considerado tanto algo festivo como um aviso para as pessoas que n\u00e3o querem que estejamos acordados.&#8221;<\/p>\n<p>As m\u00fasicas novas continuam tocando e a pr\u00f3xima tem uma pegada dub e quase psicod\u00e9lica em alguns trechos. E um respingo punk, cuja inspira\u00e7\u00e3o Andrew faz quest\u00e3o de refor\u00e7ar. &#8220;As paredes dos g\u00eaneros musicais est\u00e3o caindo. O hip hop, por exemplo, est\u00e1 absorvendo influ\u00eancias de outros estilos, e isso vai continuar acontecendo, at\u00e9 o ponto que as pessoas parem de notar distin\u00e7\u00f5es de g\u00eanero ou que a gente tenha uma maneira totalmente nova para descrever a m\u00fasica.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como um prel\u00fadio, depois de um voo atrasado seguido de outros contratempos, eu corria pelas esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4 do Brooklyn repletas de refer\u00eancias visuais para o ateli\u00ea do guitarrista, vocalista e compositor Andrew Savage, 32 anos, da banda Parquet Courts &#8211; prestes a lan\u00e7ar o sexto \u00e1lbum Wide Awake (Rough Trade Records), no dia 18 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":177646,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-177644","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":177647,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177644\/revisions\/177647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}