{"id":177661,"date":"2018-04-30T15:12:33","date_gmt":"2018-04-30T18:12:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=177661"},"modified":"2018-04-30T15:12:33","modified_gmt":"2018-04-30T18:12:33","slug":"lixo-coletado-no-rio-de-janeiro-revela-habitos-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lixo-coletado-no-rio-de-janeiro-revela-habitos-e-desafios\/","title":{"rendered":"Lixo coletado no Rio de Janeiro revela h\u00e1bitos e desafios"},"content":{"rendered":"<p>O mundo j\u00e1 declarou guerra ao pl\u00e1stico, mas o Brasil ainda n\u00e3o entrou nessa briga para valer. Estudo realizado pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), estatal da Prefeitura do Rio encarregada da coleta do lixo e da varri\u00e7\u00e3o nas ruas, revela que o uso do pl\u00e1stico na cidade vem aumentando desde os anos 80, quando as primeiras an\u00e1lises sobre a sucata residencial foram feitas. Feito inicialmente para ajudar a log\u00edstica da empresa, o levantamento revela as mudan\u00e7as de h\u00e1bito da sociedade.<\/p>\n<p>\u201cEm 1981, quando fizemos um levantamento piloto do lixo residencial, o porcentual de pl\u00e1stico era de somente 6,5%, contra 42% de papel\u201d, aponta o pesquisador S\u00e9rgio Cordeiro, que trabalha no Centro de Pesquisas Aplicadas da Comlurb. \u201cMas, ao longo do tempo, as embalagens pl\u00e1sticas, as PETs, tudo isso foi aumentando muito, substituindo papel e vidro.\u201d<\/p>\n<p>A an\u00e1lise come\u00e7ou a ser feita anualmente em 1995, quando revelou que o porcentual de papel e papel\u00e3o no lixo dom\u00e9stico era de 24% contra 15% de pl\u00e1stico. No ano passado, j\u00e1 se constatou uma invers\u00e3o total desta tend\u00eancia: foram 14% de papel contra 24% de pl\u00e1stico. O maior volume de res\u00edduos dom\u00e9sticos, tradicionalmente, \u00e9 de mat\u00e9ria org\u00e2nica, com um porcentual que se mant\u00e9m est\u00e1vel ao longo dos anos em torno dos 50%.<\/p>\n<p>Pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Ellen MacArthur divulgada no ano passado fez um grave alerta. Se o uso de pl\u00e1stico continuar aumentando na atual propor\u00e7\u00e3o em todo o mundo, em 2050 haver\u00e1 mais pl\u00e1stico que peixes nos oceanos. Anualmente, de 5 milh\u00f5es a 13 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico s\u00e3o jogadas nos mares. O material entra na cadeia alimentar de aves marinhas, peixes e outros organismos.<\/p>\n<p>Frutos do mar. Cientistas da Universidade de Ghent, na B\u00e9lgica, revelaram outro dado aterrador em pesquisa recente: quem costuma comer frutos do mar ingere at\u00e9 11 mil pequeninos fragmentos de pl\u00e1stico por ano. O dado levou a Autoridade de Seguran\u00e7a Alimentar da Europa a fazer um alerta sobre a qualidade dos alimentos e a sa\u00fade humana e a pedir mais estudos sobre o tema.<\/p>\n<p>Iniciativas j\u00e1 adotadas no Brasil, como restringir a oferta de sacolas pl\u00e1sticas nos mercados e estimular o uso de bolsas n\u00e3o descart\u00e1veis para as compras, parecem ainda n\u00e3o ter surtido o efeito esperado.<\/p>\n<p>\u201cD\u00e1 para notar claramente o aumento\u201d, atesta Alencar Lucio de Oliveira Sobrinho, que h\u00e1 dez anos trabalha na separa\u00e7\u00e3o do lixo para pesquisa. \u201cNos bairros mais nobres o uso \u00e9 um pouco menor, mas nas comunidades \u00e9 ainda muito grande. H\u00e1 um vasto trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o ainda a ser feito.\u201d<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise da pesquisadora Bianca Quintaes, gerente do Centro de Pesquisas da Comlurb, ainda vai demorar at\u00e9 que essa conscientiza\u00e7\u00e3o fa\u00e7a parte do cotidiano do brasileiro. \u201cAinda estamos muito atrasados nisso\u201d, atesta Bianca. \u201cAlgumas lojas come\u00e7aram a reduzir as embalagens pl\u00e1sticas, mas estamos muito atr\u00e1s de pa\u00edses como a Alemanha, por exemplo, em que h\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o do fabricante sobre o produto que gera\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Comportamento &#8211;\u00a0<\/strong>Os estudos sobre o lixo come\u00e7aram a ser realizados pela Comlurb com o intuito de ajudar na log\u00edstica da empresa. Mapeando que tipo de lixo \u00e9 mais comum em determinadas \u00e1reas, a empresa consegue otimizar a escolha de carros, o n\u00famero de garis e a tecnologia a ser empregada. Com o tempo, no entanto, os estudos se revelaram importantes fontes de dados comportamentais da sociedade.<\/p>\n<p>\u201cA gente notou logo quando a crise bateu mais forte no Pa\u00eds h\u00e1 alguns anos, porque o n\u00famero de garrafas de u\u00edsque no lixo do pessoal dos bairros mais ricos diminuiu muito\u201d, contou Alencar. \u201cPor outro lado, aumentou o lixo org\u00e2nico deles, mostrando que estavam comendo mais em casa e menos nos restaurantes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Canudinho &#8211;\u00a0<\/strong>\u00a0Na guerra mundial contra o pl\u00e1stico, o canudinho conquistou rapidamente o posto de maior vil\u00e3o quando um v\u00eddeo gravado em 2015, no litoral da Costa Rica, viralizou na internet. S\u00e3o minutos de agonia at\u00e9 que ambientalistas conseguem retirar um canudo preso na narina de uma tartaruga marinha.<\/p>\n<p>Estima-se que somente os americanos usem \u2013 e descartem \u2013 500 milh\u00f5es de canudos pl\u00e1sticos por dia. Cada um leva pelo menos 500 anos para se decompor na natureza. No EUA, v\u00e1rias cadeias de fast-food anunciaram o banimento dos canudos. O Brasil n\u00e3o disp\u00f5e de estat\u00edstica semelhante, mas especialistas relatam que o uso tamb\u00e9m \u00e9 bem alto por aqui.<\/p>\n<p>Estudo feito este ano pela Comlurb na praia de Copacabana revelou uma grande quantidade de canudos pl\u00e1sticos descartados na areia. A an\u00e1lise foi feita com o lixo coletado entre os Postos 5 e 6, num trecho de um quil\u00f4metro da praia, no dia 3 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O trabalho revelou que o pl\u00e1stico foi o componente de maior incid\u00eancia (24,5%) do lixo praiano. L\u00e1 estavam garrafas PET, copos de guaran\u00e1 natural e mate e, para surpresa dos pesquisadores, os canudos. Eles eram 8,9% do total de pl\u00e1stico ou 3% de todo o lixo retirado no trecho.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, a gente ainda n\u00e3o percebe uma mudan\u00e7a significativa do comportamento da popula\u00e7\u00e3o na praia\u201d, constatou o presidente da Comlurb, Tarqu\u00edmio de Almeida, que trabalha h\u00e1 40 anos na companhia. \u201cA \u00fanica altera\u00e7\u00e3o que vemos \u00e9 o aumento da quantidade de lixo nos meses mais quentes e uma redu\u00e7\u00e3o nos mais frios.\u201d<\/p>\n<p>O estudo feito na praia de Copacabana revelou ainda outro dado preocupante. Do total de pl\u00e1stico retirado das areias, 4,15% eram pequenas embalagens pl\u00e1sticas, conhecidas como pinos, usadas para embalar coca\u00edna. Segundo especialistas, um indicativo claro de que a praia vem sendo usada como ref\u00fagio para o uso da droga. \u201cForam mais de 200 encontradas em apenas um quil\u00f4metro de praia\u201d, revelou a gerente do Centro de Pesquisas da Comlurb, Bianca Quintaes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo j\u00e1 declarou guerra ao pl\u00e1stico, mas o Brasil ainda n\u00e3o entrou nessa briga para valer. Estudo realizado pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), estatal da Prefeitura do Rio encarregada da coleta do lixo e da varri\u00e7\u00e3o nas ruas, revela que o uso do pl\u00e1stico na cidade vem aumentando desde os anos 80, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177662,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-177661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177661"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":177674,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177661\/revisions\/177674"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}