{"id":179059,"date":"2018-05-13T10:22:55","date_gmt":"2018-05-13T13:22:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=179059"},"modified":"2018-05-13T18:24:33","modified_gmt":"2018-05-13T21:24:33","slug":"acidentes-de-transito-voltam-a-manchar-ruas-de-sangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/acidentes-de-transito-voltam-a-manchar-ruas-de-sangue\/","title":{"rendered":"Acidentes de tr\u00e2nsito voltam a manchar ruas de sangue"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil voltou a registrar aumento no n\u00famero de mortes relacionadas ao tr\u00e2nsito. Em 2017, foram 41.151 v\u00edtimas de acidentes envolvendo ve\u00edculos automotores, ante 33.547 em 2016, uma alta de 23%. O dado, obtido com exclusividade pelo Estado via DPVAT (seguro obrigat\u00f3rio de autom\u00f3veis), interrompe uma sequ\u00eancia de cinco anos na queda da letalidade nas ruas, avenidas e estradas do Pa\u00eds. A \u00faltima alta, observada em 2012, havia sido de 5% &#8211; um salto para 60.752 \u00f3bitos na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Com isso, a viol\u00eancia do tr\u00e2nsito provocou um impacto econ\u00f4mico de R$ 199 bilh\u00f5es no ano passado, ou 3,04% do Produto Interno Bruto (PIB) do Pa\u00eds. O valor corresponde ao que seria gerado pelo trabalho das v\u00edtimas, caso n\u00e3o tivessem se acidentado, segundo dados do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (Cpes), \u00f3rg\u00e3o da Escola Nacional de Seguros. O fator que mede a perda da capacidade produtiva \u00e9 chamado de Valor Estat\u00edstico da Vida (VEV), ou seja, o quanto cada brasileiro \u00e9 capaz de produzir em vida.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do DPVAT, o n\u00famero de mortes em 2017 seguiu na contram\u00e3o das estat\u00edsticas totais com cobertura do seguro, que registra apenas os casos com \u00f3bitos e sequelas permanentes. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o volume de acidentes caiu pela metade, saindo de 763,4 mil em 2014 para 384 mil no ano passado.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o, para especialistas, \u00e9 que a \u00faltima recess\u00e3o econ\u00f4mica afetou as vendas e reduziu o fluxo de autom\u00f3veis nas ruas &#8211; o que colaborou para a redu\u00e7\u00e3o dos acidentes. Com menos dinheiro no bolso, o brasileiro inflou a frota de motocicletas, mais baratas e, ao mesmo tempo, mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Assim, ao longo do ano passado, 90,5% das v\u00edtimas do tr\u00e2nsito estavam na fase economicamente ativa e mais de 74% dos acidentes envolveram motocicletas, fazendo com que 59% dos acidentados fossem os pr\u00f3prios condutores. &#8220;Nossa experi\u00eancia nesse ramo aponta que a moto, quando envolvida em um acidente, tem potencial de gravidade maior e, algumas vezes, as cidades n\u00e3o est\u00e3o preparadas para lidar com a expans\u00e3o desse modal&#8221;, aponta o superintendente de Sinistros da Seguradora L\u00edder, Arthur Fr\u00f3es, respons\u00e1vel pelo DPVAT.<\/p>\n<p>O professor Carlos Alberto Bandeira Guimar\u00e3es, do Departamento de Transportes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concorda. Para ele, a quest\u00e3o tamb\u00e9m envolve a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o. &#8220;Nas cidades do interior, nos Estados do Norte e Nordeste, \u00e9 comum ver cenas de pessoas dirigindo motocicleta de chinelos, sem capacete, \u00e0s vezes at\u00e9 sem documento de habilita\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O especialista aponta que as maiores varia\u00e7\u00f5es observadas nos acidentes de 2017, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, foram no Nordeste e no Centro-Oeste, com alta de 30% no n\u00famero de casos fatais ou com invalidez permanente. A Regi\u00e3o Sudeste apresentou um crescimento de 23%, com destaque para dois Estados &#8211; Rio de Janeiro (34%) e S\u00e3o Paulo (20%).<\/p>\n<p>&#8220;A motocicleta, apesar de passar a imagem de ser um ve\u00edculo mais simples, exige a carteira A e, na realidade, demanda muito mais t\u00e9cnica para ser conduzida. Mas \u00e9 comum ver moto passando entre os corredores de carros, cruzando passarelas de pedestre, na contram\u00e3o. E um acidente leve de motocicleta pode ter consequ\u00eancias graves. N\u00e3o tem medidas (obras vi\u00e1rias) que resolvam isso.&#8221;<\/p>\n<p>Diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Tr\u00e1fego, Dirceu Rodrigues Alves destaca que essa falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o acontece em \u00e1reas com uma alta densidade de motos. &#8220;Temos a\u00ed a facilidade da aquisi\u00e7\u00e3o dessas motocicletas. \u00c9 um ve\u00edculo mais barato, de grande mobilidade e muita utilidade em v\u00e1rias \u00e1reas: de tocar o gado a fazer com\u00e9rcio. E h\u00e1 oferta muito grande nessas regi\u00f5es (Norte, Nordeste e Centro-Oeste).&#8221;<\/p>\n<p>Garupa &#8211; No Recife, a t\u00e9cnica em enfermagem Maria Augusta Bezerros, de 26 anos, conhece bem a hist\u00f3ria. Em junho do ano passado, ela sa\u00eda de uma festa na garupa do ent\u00e3o marido quando passaram em um cruzamento com o sem\u00e1foro amarelo. Um carro em alta velocidade bateu na lateral da moto.<\/p>\n<p>Maria Augusta passou tr\u00eas meses no hospital e ainda hoje sofre com as consequ\u00eancias do acidente. &#8220;Quebrei a t\u00edbia, a f\u00edbula e fiquei com sequelas: tendinite, artrite, artrose, derrame na circula\u00e7\u00e3o e um pequeno cisto no tornozelo esquerdo&#8221;, conta. A pernambucana recebeu R$ 4,5 mil do seguro DPVAT. Atualmente, impossibilitada de trabalhar, recebe aux\u00edlio-doen\u00e7a e, segundo ela, o laudo m\u00e9dico pede aposentadoria por invalidez.<\/p>\n<p>&#8220;A motocicleta, que \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o de muitos transtornos no tr\u00e2nsito, est\u00e1 tirando de circula\u00e7\u00e3o uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa&#8221;, afirma a economista do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (Cpes) Nat\u00e1lia Oliveira. &#8220;Ainda n\u00e3o temos uma consci\u00eancia para a utiliza\u00e7\u00e3o desse ve\u00edculo. Faltam educa\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e respeito&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo estudo do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Componentes para Ve\u00edculos Automotores (Sindipe\u00e7as), o Pa\u00eds tinha 13,2 milh\u00f5es de motos em circula\u00e7\u00e3o no ano passado, 39% mais que h\u00e1 oito anos, em 2009.<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio da Cidades n\u00e3o se pronunciou sobre o estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil voltou a registrar aumento no n\u00famero de mortes relacionadas ao tr\u00e2nsito. Em 2017, foram 41.151 v\u00edtimas de acidentes envolvendo ve\u00edculos automotores, ante 33.547 em 2016, uma alta de 23%. 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