{"id":179079,"date":"2018-05-14T00:05:20","date_gmt":"2018-05-14T03:05:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=179079"},"modified":"2018-05-14T07:07:58","modified_gmt":"2018-05-14T10:07:58","slug":"safra-recorde-pode-colocar-brasil-como-maior-produtor-de-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/safra-recorde-pode-colocar-brasil-como-maior-produtor-de-soja\/","title":{"rendered":"Safra recorde pode colocar Brasil como maior produtor de soja"},"content":{"rendered":"<p>A colheita da safra de soja 2017\/18 chega ao fim nos campos brasileiros com recorde de produ\u00e7\u00e3o. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume colhido deve atingir 116,9 milh\u00f5es de toneladas, ap\u00f3s registrar 114,1 milh\u00f5es na safra anterior. Algumas consultorias, como a C\u00e9leres, estimam uma produ\u00e7\u00e3o ainda maior, de 117,8 milh\u00f5es. A expectativa \u00e9 de que, j\u00e1 na pr\u00f3xima safra, pela primeira vez, o Brasil possa ultrapassar os Estados Unidos como maior produtor mundial do gr\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produ\u00e7\u00e3o americana nesta safra, de 119,5 milh\u00f5es de toneladas, ainda foi maior que a do Brasil, mas a previs\u00e3o para 2018\/19 \u00e9 de que ela deve recuar para 116,4 milh\u00f5es de toneladas. &#8220;Para o Brasil, ainda n\u00e3o temos estimativa, porque esta safra s\u00f3 se inicia em setembro. De toda forma, a produ\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos foram muito pr\u00f3ximas. Com qualquer deslize clim\u00e1tico ou produtivo dos EUA, o Brasil poder\u00e1 ser o l\u00edder&#8221;, avalia Enilson Nogueira, analista de mercado da C\u00e9leres.<\/p>\n<p>Segundo ele, o maior volume de soja da nossa hist\u00f3ria resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de clima e tecnologia. &#8220;As chuvas desde o plantio at\u00e9 fevereiro vieram com bastante for\u00e7a, ajudando as lavouras a atingirem o potencial tecnol\u00f3gico esperado. Como est\u00e3o cada vez com mais tecnologia aplicada, o crescimento na produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o surpreende.&#8221;<\/p>\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Ant\u00f4nio Galvan, o Pa\u00eds tem potencial para ser o maior produtor mundial de soja j\u00e1 nas pr\u00f3ximas safras, mas enfrenta gargalos. &#8220;Temos mais \u00e1reas para expans\u00e3o do que eles, podendo plantar a soja em pastagens degradadas, por\u00e9m precisamos corrigir nossos problemas de log\u00edstica. Estamos na parte mais distante da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e sofremos o impacto do alto custo do combust\u00edvel no frete&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>O Estado \u00e9 o maior produtor de soja do Pa\u00eds, mas tem um custo alto para escoar a produ\u00e7\u00e3o. &#8220;H\u00e1 trechos de rodovias que n\u00e3o foram conclu\u00eddos e outros que est\u00e3o com o asfalto deteriorado. Levar a soja at\u00e9 a hidrovia, no norte, est\u00e1 t\u00e3o caro quanto descer com ela para os portos do sul. O frete est\u00e1 saindo entre R$ 250 e R$ 270 a tonelada&#8221;, diz Galvan. Apesar disso, segundo ele, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel para o produtor. &#8220;Com a soja a R$ 65 (a saca de 60 kg), como est\u00e1 hoje, o produtor come\u00e7a a ter renda Melhor que no ano passado, quando vendemos a R$ 53&#8221;. Ele acredita que, em parte, o bom pre\u00e7o se deve \u00e0 quebra de produ\u00e7\u00e3o na Argentina. &#8220;Eles tiveram problemas clim\u00e1ticos severos e colheram muito pouco.&#8221;<\/p>\n<p>Conforme Nogueira, a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar ante o real teve influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da soja brasileira &#8211; na \u00faltima sexta-feira, a moeda americana fechou a R$ 3,60. Esse n\u00e3o foi, por\u00e9m, o \u00fanico fator, segundo ele. Al\u00e9m da quebra da produ\u00e7\u00e3o argentina, a poss\u00edvel taxa\u00e7\u00e3o chinesa \u00e0 soja americana, como retalia\u00e7\u00e3o \u00e0s barreiras propostas pelos americanos aos produtos chineses, favoreceu o gr\u00e3o do Brasil. &#8220;De um m\u00eas para c\u00e1, aproveitando a janela de pre\u00e7os remuneradores, o produtor vendeu mais de 10% do volume da safra. Em Paranagu\u00e1, no dia 7, a saca foi negociada a R$ 87, 4% acima do m\u00eas passado e quase 25% sobre o mesmo dia de 2017 &#8220;, disse.<\/p>\n<p>Mesmo diante de uma produ\u00e7\u00e3o maior, o cen\u00e1rio de demanda interna e externa, com redu\u00e7\u00e3o na oferta global, \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, segundo ele. A C\u00e9leres estima embarques recordes de 70 milh\u00f5es de toneladas, 3% maior que na safra 2016\/17. O interesse externo pela soja brasileira poder\u00e1 diminuir a disponibilidade do gr\u00e3o no segundo semestre, sustentando a boa cota\u00e7\u00e3o. &#8220;A valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no mundo, frente ao fortalecimento da economia americana e dos esperados aumentos de juros por l\u00e1, dever\u00e1 continuar contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o no Brasil durante 2018&#8221;, disse Nogueira.<\/p>\n<p>Rainha &#8211; No Estado de S\u00e3o Paulo, a soja passou a reinar absoluta nos campos de produ\u00e7\u00e3o que se estendem pelo Vale do Paranapanema, no sudoeste paulista. A entrada da soja na regi\u00e3o de Cap\u00e3o Bonito, tradicional produtora de feij\u00e3o, causou uma transforma\u00e7\u00e3o que ainda impressiona o produtor Leomir Baldissera. As fazendas t\u00eam frotas de m\u00e1quinas modernas e est\u00e3o pontuadas pelos conjuntos de silos. &#8220;A agricultura aqui era de alguns picos altos e muitos baixos, pois a batata, o milho e o feij\u00e3o s\u00e3o assim. A soja veio e deu estabilidade, se adaptou bem \u00e0 regi\u00e3o, ocupou quase todos os espa\u00e7os. Hoje, ela \u00e9 a rainha das lavouras&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O produtor destaca a boa adapta\u00e7\u00e3o da oleaginosa numa regi\u00e3o em que a cultura \u00e9 de sequeiro &#8211; que dispensa a irriga\u00e7\u00e3o. &#8220;Nessa regi\u00e3o, a terra \u00e9 muito boa e as chuvas s\u00e3o bem definidas. \u00c9 poss\u00edvel fazer duas culturas e meia por ano, o que n\u00e3o se consegue no Centro-Oeste.&#8221; Ele conta que a regi\u00e3o n\u00e3o tem \u00e1reas para expans\u00e3o das lavouras, por isso o agricultor usa a renda para investir em tecnologia. &#8220;Muitos adotaram a agricultura de precis\u00e3o, que permite identificar manchas de solo mais fracas e fazer a corre\u00e7\u00e3o. Com isso, o produtor padroniza a lavoura e sabe quanto vai produzir. Aqui, o produtor est\u00e1 sempre na ponta em tecnologia.&#8221;<\/p>\n<p>Apenas na \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o da Cooperativa Agr\u00edcola de Cap\u00e3o Bonito, os 20 produtores colheram 1,1 milh\u00e3o de sacas (66 mil toneladas), com produtividade m\u00e9dia de 72 sacas por hectare e picos de at\u00e9 85 sacas\/ha, uma da mais altas do Brasil. Com a expectativa de bons pre\u00e7os, o produtor n\u00e3o teve muita pressa para vender, segundo o administrador Luiz Carlos Mariotto. &#8220;Ainda temos 27 mil toneladas em estoque, 42% do que entrou. No in\u00edcio da safra, o pre\u00e7o estava baixo e o produtor preferiu segurar&#8221;, disse. Na regi\u00e3o, nesta sexta-feira, a soja era vendida a R$ 78,50 a saca, pre\u00e7o livre para o produtor. Em janeiro, a saca estava a R$ 65.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pelo setor comercial de cereais, Fernando Nascimento, acredita que a cultura chegou para mudar o perfil agr\u00edcola da regi\u00e3o. &#8220;A soja \u00e9 o gr\u00e3o do momento no mundo, tanto para consumo direto como para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal. S\u00f3 a China vai consumir este ano 118 milh\u00f5es de toneladas, que \u00e9 tudo o que o Brasil vai produzir.&#8221; Ele diz que, por conta dessa depend\u00eancia, os chineses ampliaram muito a presen\u00e7a no Pa\u00eds, adquirindo tradings e se colocando em posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas. &#8220;Eles chegaram sem alarde e j\u00e1 est\u00e3o nos portos de Santos e de Paranagu\u00e1.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A colheita da safra de soja 2017\/18 chega ao fim nos campos brasileiros com recorde de produ\u00e7\u00e3o. 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