{"id":179861,"date":"2018-05-20T09:28:55","date_gmt":"2018-05-20T12:28:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=179861"},"modified":"2018-05-20T09:59:19","modified_gmt":"2018-05-20T12:59:19","slug":"americanos-ficaram-de-olho-na-bomba-nuclear-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/americanos-ficaram-de-olho-na-bomba-nuclear-brasileira\/","title":{"rendered":"Americanos ficaram de olho na bomba nuclear brasileira"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) usou sat\u00e9lites para espionar o programa espacial brasileiro e o complexo industrial militar do Pa\u00eds entre 1978 e 1988. Documentos desclassificados pelo governo americano em dezembro de 2016 mostram an\u00e1lises de fotos a\u00e9reas das instala\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, da base de lan\u00e7amentos de foguetes em Natal (RN) e do campo de provas de armamentos da Serra do Cachimbo, onde a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) constru\u00eda um po\u00e7o que poderia ser usado em testes de artefatos nucleares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sat\u00e9lites, os pap\u00e9is mostram que os adidos de defesa e a embaixada americana dispunham de uma rede de informantes que permitiu aos Estados Unidos saber detalhes das negocia\u00e7\u00f5es secretas entre Brasil e Ar\u00e1bia Saudita e as vendas de blindados e foguetes para o regime de Saddam Hussein, no Iraque, e para a L\u00edbia, governada ent\u00e3o por Muamar Kadafi.<\/p>\n<p>Os americanos temiam que, por meio dessas vendas, a tecnologia ocidental fosse parar nas m\u00e3os da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Tinham ainda restri\u00e7\u00f5es \u00e0s entregas a na\u00e7\u00f5es hostis aos Estados Unidos. Mas tamb\u00e9m enxergavam uma vantagem: o equipamento brasileiro podia roubar dos russos mercados inacess\u00edveis a Washington.<\/p>\n<p>Produzido pelo Centro Nacional de Interpreta\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica, o relat\u00f3rio &#8220;Alcance de M\u00edsseis: Instala\u00e7\u00f5es M\u00edsseis Estrat\u00e9gicos SSM (M\u00edssil Terra-Terra)&#8221; lista dez locais de interesse da espionagem americana. O primeiro a ser fotografado foi a Base A\u00e9rea de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n<p>Na mesma cidade, os sat\u00e9lites registraram o Centro T\u00e9cnico Aeroespacial (CTA) e a f\u00e1brica da Avibr\u00e1s, que participava dos projetos de foguetes militares. Na vizinha Santa Branca, outra \u00e1rea da Avibr\u00e1s foi vigiada, assim como uma f\u00e1brica de explosivos em Piquete \u2013 os americanos pensavam que ali seria feito o combust\u00edvel s\u00f3lido do foguete meteorol\u00f3gico Sonda IV e do VLS (Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Sat\u00e9lites).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de novembro de 1982 usa fotos da Base A\u00e9rea de Natal e de sua \u00e1rea de lan\u00e7amento de foguetes e do campo de teste de arma do Cachimbo. Os americanos previam que, em 1988, o Pa\u00eds teria condi\u00e7\u00f5es de lan\u00e7ar o VLS \u2013 ele s\u00f3 seria lan\u00e7ado em 1997 e seria abandonado ap\u00f3s explodir em 2003 na Base A\u00e9rea de Alc\u00e2ntara (MA), deixando 21 mortos.<\/p>\n<p>Em 1.\u00ba de outubro de 1982, os americanos fotografaram um prot\u00f3tipo do Sonda IV. Ele podia atingir mil quil\u00f4metros de altitude e levar uma carga de 300 quilos. Pelas coordenadas geogr\u00e1ficas da foto \u00e9 poss\u00edvel saber que ela foi feita sobre S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. Em 27 de mar\u00e7o de 1984, documento relatava a constru\u00e7\u00e3o da torre de lan\u00e7amento do Sonda IV, em Natal. Para os americanos &#8220;o Sonda IV podia ser adaptado para transportar armas&#8221;, o que nunca aconteceu.<\/p>\n<p>Os sat\u00e9lites americanos tamb\u00e9m espionaram a Engesa, maior ind\u00fastria de armamentos brasileira. Fabricante dos blindados Cascavel e Urutu, ela pretendia produzir o tanque pesado Os\u00f3rio. Em 25 de agosto de 1978, o sat\u00e9lite identificou pela primeira vez na f\u00e1brica em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos oito Urutus e um Cascavel. O Brasil passou a vender esses blindados a pa\u00edses como L\u00edbia, Iraque e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Em 1980 e em 1984 a CIA produziria relat\u00f3rios acusando o Pa\u00eds de n\u00e3o se importar com o destino final das armas vendidas. Segundo eles, blindados Cascavel foram repassados pela L\u00edbia aos rebeldes da Frente Polis\u00e1rio, que lutavam pela independ\u00eancia do Saara Ocidental (territ\u00f3rio ocupado hoje pelo Marrocos), e a rebeldes do Chade.<\/p>\n<p>No papel de 1984, os americanos analisavam as vulnerabilidades da ind\u00fastria b\u00e9lica brasileira. A principal delas, segundo a CIA, era depender de vendas externas. Qualquer corte de compras podia ser letal para ao setor.<\/p>\n<p>O documento secreto via risco de vazamentos de tecnologia para pa\u00edses hostis do Terceiro Mundo e para Moscou. O Brasil j\u00e1 teria despertado a aten\u00e7\u00e3o dos russos, mas n\u00e3o estaria preparado para proteger seus segredos. Tamb\u00e9m informava que o governo brasileiro vetara as vendas para Cuba e Coreia do Norte.<\/p>\n<p>As vendas da ind\u00fastria b\u00e9lica a pa\u00edses \u00e1rabes eram apontadas pelos americanos como a causa de o Brasil votar contra os Estados Unidos e Israel nas Na\u00e7\u00f5es Unidas. Por fim, o documento revelava um segredo: o Brasil teria feito um acordo secreto em janeiro de 1984 de US$ 2 bilh\u00f5es para desenvolver e produzir o tanque Os\u00f3rio para a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>S\u00f3 tr\u00eas meses depois os dois governos tornariam p\u00fablico protocolo de coopera\u00e7\u00e3o militar, assinado em Bras\u00edlia pelo ministro da defesa saudita, o pr\u00edncipe Sultan Bin Abdulaziz. Em 1989, os governos anunciariam a produ\u00e7\u00e3o do Al Fahad, a vers\u00e3o saudita do Os\u00f3rio, que acabou n\u00e3o se concretizando \u2013 os sauditas compraram o tanque americano Abrams. Os Estados Unidos estavam certos: a quebra do acordo com os \u00e1rabes foi letal \u00e0 Engesa, que faliu em 1993.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) usou sat\u00e9lites para espionar o programa espacial brasileiro e o complexo industrial militar do Pa\u00eds entre 1978 e 1988. 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