{"id":180098,"date":"2018-05-22T17:35:42","date_gmt":"2018-05-22T20:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=180098"},"modified":"2018-05-22T17:36:06","modified_gmt":"2018-05-22T20:36:06","slug":"onu-rejeita-pedido-para-interferir-por-liberdade-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/onu-rejeita-pedido-para-interferir-por-liberdade-de-lula\/","title":{"rendered":"ONU rejeita pedido para interferir por liberdade de Lula"},"content":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Direitos Humanos da ONU rejeitou o pedido do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva para que seja solto no Brasil, como parte de medidas cautelares solicitadas por seus advogados. O caso nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 encerrado e uma avalia\u00e7\u00e3o completa de sua situa\u00e7\u00e3o, iniciada desde meados de 2016, continua a ser realizada.<\/p>\n<p>O governo brasileiro ter\u00e1 mais seis meses para responder a uma s\u00e9rie de perguntas formuladas pela ONU. Mas uma decis\u00e3o, segundo a entidade, ficar\u00e1 apenas para 2019. &#8220;O Comit\u00ea de Direitos Humanos n\u00e3o conceder\u00e1 medidas cautelares no caso de Lula da Silva&#8221;, declarou a porta-voz de Direitos Humanos da ONU, Julia Gronnevet.<\/p>\n<p>Uma resposta positiva por parte da ONU significaria, na avalia\u00e7\u00e3o da entidade, apertar o bot\u00e3o de &#8220;pausa&#8221; num processo em andamento para que eventuais viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos fossem avaliadas. Nesse caso, os riscos de um dano irrepar\u00e1vel n\u00e3o foram constatados.<\/p>\n<p>Uma eventual decis\u00e3o de recomendar medidas urgentes ocorreria por conta da avalia\u00e7\u00e3o dos peritos da ONU de que a pris\u00e3o lhe impediria de exercer plenamente seus direitos pol\u00edticos. Mas o apelo n\u00e3o foi atendido.<\/p>\n<p>Olivier de Frouville, um dos membros do Comite da ONU, explicou que a avalia\u00e7\u00e3o concluiu que &#8220;n\u00e3o houve um dano irrepar\u00e1vel&#8221; com a pris\u00e3o de Lula. &#8220;Tomamos medidas cautelas quando h\u00e1 um risco de dano irrepar\u00e1vel&#8221;, explicou. &#8220;Olhando para o pedido dos advogados de defesa e para a situa\u00e7\u00e3o presente, consideramos que, neste momento, n\u00e3o existe esse risco&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Um dos danos irrepar\u00e1veis, segundo ele, seria a perda de direitos civis ou pol\u00edticos por conta de uma a\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o est\u00e1vamos convencidos de que isso era o caso&#8221;, disse. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 risco pessoal claro ainda&#8221;, apontou, alertando que o &#8220;estado presente \u00e9 ainda muito incerto&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com Frouville, o Comit\u00ea enviou uma carta ao governo brasileiro comunicando a decis\u00e3o. Mas tamb\u00e9m alertando que o estado n\u00e3o poder\u00e1 tomar medidas que sejam incompat\u00edveis com o trabalho do Comit\u00ea e nem no caso de Lula.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos continuar atentos sobre o que ocorre nesse caso e, claro, os advogados de defesa tem o direito de voltar ao Comit\u00ea para pedir medidas cautelas caso tenham novas informa\u00e7\u00f5es&#8221;, indicou. &#8220;Mas, neste ponto, o Comit\u00ea n\u00e3o v\u00ea risco de dano irrepar\u00e1vel&#8221;, indicou.<\/p>\n<p>Uma esperan\u00e7a entre aliados de Lula era de que a ONU seguisse a mesma decis\u00e3o que j\u00e1 havia tomado em um caso que consideravam semelhante. Em mar\u00e7o, ela atendeu a um pedido similar de pol\u00edticos catal\u00e3es, presos nos \u00faltimos meses. A ONU recomendou, por exemplo, que o deputado independentista Jordi Sanches, fosse liberado para que pudesse participar de elei\u00e7\u00f5es. Mas o estado espanhol ignorou a recomenda\u00e7\u00e3o da ONU.<\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00e3o &#8211; Mesmo sem atender ao pedido dos advogados de Lula, a ONU continua a avaliar o caso e juntar em um mesmo processo a quest\u00e3o da admissibilidade e seu m\u00e9rito. Mas alerta que dificilmente teria uma posi\u00e7\u00e3o final antes de 2019, depois, portanto, das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>A queixa de Lula foi levada ao Comit\u00ea de Direitos Humanos Na\u00e7\u00f5es Unidas em julho de 2016, pelo advogado Geoffrey Robertson. A den\u00fancia central era de que Moro estaria sendo parcial no julgamento do ex-presidente. Em outubro daquele ano, as equipes legais da ONU aceitaram dar in\u00edcio ao exame.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o lidamos com o m\u00e9rito do caso&#8221;, explicou Frouville. &#8220;Isso vai ser feito se o caso for aceito&#8221;, disse. De acordo com ele, o estado brasileiro recebeu seis meses de prazo para responder a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es. &#8220;Nesse momento, n\u00e3o h\u00e1 ainda uma decis\u00e3o sobre a admissibilidade do caso&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Depois disso, a defesa de Lula ainda tem mais quatro meses para dar uma resposta aos coment\u00e1rios do Brasil. Se o obst\u00e1culo da admissibilidade for superado, o Comit\u00ea ent\u00e3o avaliar\u00e1 seu m\u00e9rito<\/p>\n<p>Yuval Shany, um dos 18 peritos do Comit\u00ea, explicou ao Estado no m\u00eas passada que o caso ainda est\u00e1 sendo avaliado no que toca sua admissibilidade. Para que o caso seja tratado em seu m\u00e9rito, por\u00e9m, ele aponta que primeiro h\u00e1 que se decidir se os rem\u00e9dios locais foram esgotados ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 podemos lidar com o caso se isso foi totalmente resolvido pela Justi\u00e7a dom\u00e9stica. O sr. Lula sugeriu que as injusti\u00e7as s\u00e3o tais, que n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dios locais efetivos para ele no Brasil&#8221;, explicou Shany. &#8220;O estado (brasileiro) contesta isso. Portanto, precisamos primeiro decidir sobre essa quest\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Na fase inicial de a avalia\u00e7\u00e3o de uma queixa, n\u00e3o se avaliava o conte\u00fado do caso. Mas somente se a ONU tem o direito ou n\u00e3o de examinar e fazer suas recomenda\u00e7\u00f5es. Em 2017, o governo brasileiro deu respostas \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o caso, alegando que todas as institui\u00e7\u00f5es do estado est\u00e3o &#8220;funcionando&#8221; e que os direitos do ex-presidente foram preservados.<\/p>\n<p>Defesa &#8211; Para comentar a decis\u00e3o da ONU, os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, que defendem Lula, divulgaram a seguinte nota sobre o assunto.<\/p>\n<p>&#8220;Recebemos hoje (22\/05) do Comit\u00ea de Direitos Humanos da ONU, com satisfa\u00e7\u00e3o, decis\u00e3o que confirma que o \u00f3rg\u00e3o internacional est\u00e1 formalmente investigando as viola\u00e7\u00f5es contra garantias fundamentais do ex-Presidente Lula que apresentamos em comunicado individual protocolado em julho de 2016. A admissibilidade do comunicado e o m\u00e9rito ser\u00e3o julgados conjuntamente. Trata-se do primeiro comunicado individual feito por um brasileiro \u00e0quele \u00f3rg\u00e3o internacional&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p>&#8220;O Comit\u00ea tamb\u00e9m admitiu julgar o caso \u00e0 luz do artigo 25 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos, que assegura a todo cidad\u00e3o a possibilidade de participar &#8216;sem restri\u00e7\u00f5es infundadas&#8217; o direito de &#8216;votar e ser eleito em elei\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, aut\u00eanticas, realizadas por sufr\u00e1gio universal e igualit\u00e1rio por voto secreto, que garantam a manifesta\u00e7\u00e3o da vontade dos eleitores&#8217;, diante de aditamento que apresentamos em 06\/04\/2018. O governo brasileiro ter\u00e1 6 meses para apresentar defesa sobre o m\u00e9rito do comunicado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na pe\u00e7a protocolada em julho de 2016, foram listadas diversas viola\u00e7\u00f5es ao Pacto de Direitos Pol\u00edticos e Civis, adotado pela ONU, praticadas pelo juiz e pelos procuradores da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato de Curitiba contra Lula, seus familiares e advogados. Esse Pacto prev\u00ea, dentre outras coisas: (a) prote\u00e7\u00e3o contra pris\u00e3o ou deten\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria (Artigo 9\u00ba); (b) direito de ser presumido inocente at\u00e9 que se prove a culpa na forma da lei (Artigo 14); (c) prote\u00e7\u00e3o contra interfer\u00eancias arbitr\u00e1rias ou ilegais na privacidade, fam\u00edlia, lar ou correspond\u00eancia e contra ofensas ilegais \u00e0 honra e \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o (Artigo 17); e, ainda, (d) do direito a um julgamento independente e imparcial (Artigo 14)&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;As evid\u00eancias apresentadas no comunicado se reportam, dentre outras coisas: (i) \u00e0 priva\u00e7\u00e3o da liberdade por cerca de 6 horas imposta a Lula em 4 de mar\u00e7o de 2016, por meio de uma condu\u00e7\u00e3o coercitiva sem previs\u00e3o legal; (ii) ao vazamento de materiais sigilosos para a imprensa e \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es interceptadas, inclusive entre Lula e seus advogados; (iii) a diversas medidas cautelares autorizadas injustificadamente; e, ainda, (iv) ao fato de o juiz Sergio Moro haver assumido em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, em 29\/03\/2016, o papel de acusador, imputando crimes a Lula por doze vezes, al\u00e9m de antecipar ju\u00edzo de valor sobre assuntos pendentes de julgamento na 13\u00aa. Vara Federal Criminal de Curitiba&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Comit\u00ea de Direitos Humanos da ONU tamb\u00e9m decidiu que por ora n\u00e3o ir\u00e1 conceder uma medida liminar em favor de Lula, tal como requerido em 06\/04, mas alertou as autoridades brasileiras de que \u00e9 incompat\u00edvel com as obriga\u00e7\u00f5es assumidas pelo Brasil no Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos qualquer ato de obstru\u00e7\u00e3o &#8220;que impe\u00e7a ou frustre a an\u00e1lise pelo Comit\u00ea [da ONU] de um comunicado alegando viola\u00e7\u00e3o ao Tratado, ou que afirme que a express\u00e3o dos entendimentos do Comit\u00e9 \u00e9 fr\u00edvola e f\u00fatil&#8221;, finalizam os advogados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Direitos Humanos da ONU rejeitou o pedido do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva para que seja solto no Brasil, como parte de medidas cautelares solicitadas por seus advogados. 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