{"id":180181,"date":"2018-05-23T08:43:36","date_gmt":"2018-05-23T11:43:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=180181"},"modified":"2018-05-23T08:43:36","modified_gmt":"2018-05-23T11:43:36","slug":"hamilton-de-holanda-comanda-turma-que-revolucionou-o-choro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/hamilton-de-holanda-comanda-turma-que-revolucionou-o-choro\/","title":{"rendered":"Hamilton de Holanda comanda turma que revolucionou o choro"},"content":{"rendered":"<p>Eles n\u00e3o usam ternos nem sapatos bicolor. De m\u00e3os velozes e cabelos desajustados, seus instrumentos, em algum momento, ir\u00e3o inevitavelmente provocar um inc\u00eandio. Cem anos depois do nascimento de Jacob do Bandolim, 120 depois da apari\u00e7\u00e3o de Chiquinha Gonzaga, uma gera\u00e7\u00e3o de pensamento longe do convencional revira do ritmo dos p\u00e9s \u00e0s harmonias da cabe\u00e7a o primeiro g\u00eanero instrumental urbano do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Incendi\u00e1rios pelo gosto que alimentam no virtuosismo, comp\u00f5em e repassam obras para criar um &#8220;hard choro&#8221; de grande impacto. Hamilton de Holanda e seu bandolim de dez cordas, duas a mais do que as convencionais, s\u00e3o, ao lado do violonista ga\u00facho Yamand\u00fa Costa, dos maiores respons\u00e1veis pelo revigoramento que o g\u00eanero experimenta h\u00e1 pelo menos dez anos.<\/p>\n<p>Carioca criado em Bras\u00edlia, 42 anos, seus \u00e1lbuns come\u00e7am a sair em 1997 e, muitos deles premiados, j\u00e1 passam dos 25. Ao aproximar muitas vezes o choro do jazz e abrir m\u00e3o de formatos cl\u00e1ssicos, abriu caminho para nomes como os tamb\u00e9m bandolinistas Henrique Ara\u00fajo e Fabio Per\u00f3n, os violonistas Gian Correa e Cain\u00e3 Cavalcante e o clarinetista Al\u00ea Ribeiro. &#8220;O choro n\u00e3o teve tempo de ir para fora do Pa\u00eds. Quando isso poderia acontecer, a bossa nova explodiu&#8221;, fala Hamilton, lembrando que muitas bossas tamb\u00e9m s\u00e3o choro, como a seminal Chega de Saudade, de Tom e Vinicius.<\/p>\n<p>Hamilton imprimiu em sua carreira uma produ\u00e7\u00e3o intensa de \u00e1lbuns e projetos. Ele lan\u00e7a nesta sexta, na Casa Natura, o primeiro de quatro \u00e1lbuns que v\u00e3o homenagear o centen\u00e1rio de Jacob do Bandolim. Jacob 10ZZ, gravado com Guto Wirtti no baixo ac\u00fastico e Thiago da Serrinha na percuss\u00e3o, vem com temas que, por vezes, aproximam a linguagem do maior bandolinista do choro \u00e0 do jazz. Alvorada, Nostalgia, Remelexo, elas v\u00e3o revelando como o fraseado de Jacob j\u00e1 era criado fora de caixas da pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os outros discos que fecham o ano Jacob ser\u00e3o Jacob Bossa, com piano no acompanhamento; Jacob Baby, com temas mais lentos e um contraponto de cavaquinho; e Jacob Black, com um centro forte de percuss\u00e3o e o &#8220;viol\u00e3o afro&#8221; de Rafael dos Anjos. O tema Assanhado vai estar nos quatro discos, ganhando uma linguagem diferente em cada um.<\/p>\n<p>O entendimento do choro como uma linguagem tamb\u00e9m jazz\u00edstica, um tabu entre representantes mais tradicionalistas, parece ser uma marca entre os nomes jovens. &#8220;Jacob tem o jazz, mas n\u00e3o \u00e9 jazz o tempo todo. De qualquer forma, s\u00e3o m\u00fasicas muito pr\u00f3ximas, com essa mistura de Europa e \u00c1frica e essa predisposi\u00e7\u00e3o para ser uma m\u00fasica de momento, feita ali na hora&#8221;, diz Hamilton.<\/p>\n<p>Iza\u00edas, do grupo Iza\u00edas e seus Chor\u00f5es, pode estar na outra ponta. Ele fala com respeito dos mais novos, mas pontua diferen\u00e7as. Um seguidor da escola cl\u00e1ssica, ele e seu regional apresentam no s\u00e1bado (26) um concerto na Casa Tupi or not Tupi para tamb\u00e9m mostrar a obra de Jacob. Ao seu lado estar\u00e3o os m\u00fasicos do grupo camer\u00edstico Quintal Brasileiro, um quinteto de dois violinos, viola, violoncelo e contrabaixo.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as de rumo? Iza\u00edas, 81 anos, que tocou com o pr\u00f3prio Jacob, j\u00e1 viu muitas. &#8220;O pr\u00f3prio Jacob, ao fazer temas como Remelexo e Assanhado, j\u00e1 vinha com um p\u00e9 na linguagem do jazz.&#8221; A velocidade e outros virtuosismos, para ele, quando bem executados, fazem parte da interpreta\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas \u00e9 preciso tomar cuidado com a sensibilidade, \u00e9 o que est\u00e1 faltando na m\u00fasica de hoje. As pessoas querem tocar de forma mais contagiante, e tenho certeza de que essa forma agrada mais \u00e0 plateia. S\u00f3 n\u00e3o podemos deixar de sentir o luar&#8221;, ele fala, para emendar depois de um segundo. &#8220;Bem, n\u00e3o sei se algu\u00e9m ainda fala de luar?&#8221;<\/p>\n<p>Z\u00e9 Garcez, violonista das seis cordas, atuante em n\u00facleos de choro mais tradicionais ao lado de Luizinho Sete Cordas e Euclides Marques, ele v\u00ea perdas e ganhos no novo ponto colocado na linha hist\u00f3rica do choro. &#8220;Poucos grupos usam hoje um viol\u00e3o de seis cordas, e isso muda a postura do viol\u00e3o de sete em um grupo.&#8221; Garcez acredita que o viol\u00e3o agora fraseia mais e n\u00e3o investe tanto nas perguntas e respostas cl\u00e1ssicas do g\u00eanero. &#8220;Ele vem mais misturado ao jazz.&#8221; A harmonia, os acordes, no entanto, se libertaram de qualquer amarra. &#8220;H\u00e1 um ganho na harmonia. Ela ficou mais complexa, ganhou mais disson\u00e2ncias.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c0 parte das duas frentes, Hamilton de Holanda lembra que o choro atingiu a condi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica cl\u00e1ssica, ensinada em partituras por conservat\u00f3rios e universidades do Pa\u00eds. Seus discos comprovam que nada \u00e9 por acaso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles n\u00e3o usam ternos nem sapatos bicolor. De m\u00e3os velozes e cabelos desajustados, seus instrumentos, em algum momento, ir\u00e3o inevitavelmente provocar um inc\u00eandio. 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