{"id":180311,"date":"2018-05-24T08:41:13","date_gmt":"2018-05-24T11:41:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=180311"},"modified":"2018-05-24T08:43:34","modified_gmt":"2018-05-24T11:43:34","slug":"grupos-no-facebook-sao-suspeitos-de-incitar-suicidio-de-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grupos-no-facebook-sao-suspeitos-de-incitar-suicidio-de-jovens\/","title":{"rendered":"Grupos no Facebook s\u00e3o suspeitos de incitar suic\u00eddio de jovens"},"content":{"rendered":"<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\">\n<p>A morte tr\u00e1gica de um adolescente de 15 anos, que morava em Goi\u00e1s e se enforcou em fevereiro deste ano, deu o alerta para a Pol\u00edcia Civil do Estado sobre a atua\u00e7\u00e3o de um grupo online de incentivo ao suic\u00eddio nas redes sociais. Outras mortes de adolescentes, que teriam sido encorajadas pelos mesmos perfis online, tamb\u00e9m s\u00e3o investigadas. De acordo com os investigadores, os casos estariam relacionados a dois grupos de Facebook cujos nomes, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, optamos omitir.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Uma das p\u00e1ginas foi retirada do ar, a outra continua ativa, apesar de j\u00e1 ter sido temporariamente removida ap\u00f3s den\u00fancias. Ambas s\u00e3o apontadas como respons\u00e1veis por incentivar jovens a atentar contra a pr\u00f3pria vida. Induzimento ao suic\u00eddio \u00e9 crime previsto pelo C\u00f3digo Penal brasileiro: quando o resultado da indu\u00e7\u00e3o \u00e9 a morte de algu\u00e9m, o acusado pode pegar at\u00e9 6 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com as investiga\u00e7\u00f5es, as duas p\u00e1ginas de Facebook possuem o mesmo administrador, um perfil supostamente pertencente a um brasileiro. Juntas, chegaram a somar mais de 43 mil membros. A primeira, que segue ativa, possui, atualmente, 25,6 mil membros.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes dos grupos que incentivam suic\u00eddios se apresentam como adolescentes de diversos Estados, entre eles S\u00e3o Paulo, Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Amazonas. H\u00e1 tamb\u00e9m administradores em outras regi\u00f5es do Brasil, que n\u00e3o foram reveladas pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Por meio de desafios, cuja miss\u00e3o final \u00e9 atentar contra a pr\u00f3pria vida, participantes dos grupos teriam sido induzidos ao suc\u00eddio.<\/p>\n<p>As tarefas s\u00e3o repassadas aos adolescentes por meio de grupos de WhatsApp, para os quais s\u00e3o convidados os participantes dos grupos de Facebook que se interessam pelos desafios. &#8220;Nesta segunda fase, somente aqueles que recebem um link de convite podem entrar. \u00c9 mais complicado termos informa\u00e7\u00f5es sobre esses grupos, porque s\u00e3o fechados&#8221;, afirma a delegada Sabrina Leles, da Delegacia Estadual de Repress\u00e3o aos Crimes Cibern\u00e9ticos (DERCC) de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Entre os desafios est\u00e3o: invas\u00e3o a redes sociais e computadores de terceiros, dissemina\u00e7\u00e3o de fake news e automutila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Os grupos dizem que o objetivo deles \u00e9 fazer piada, contar hist\u00f3rias e apoiar uns aos outros. No entanto, temos provas que mostram que o objetivo \u00e9 criminoso&#8221;, diz a delegada.<\/p>\n<p><strong>O jogo<\/strong> &#8211; Os desafios t\u00eam in\u00edcio quando os jovens s\u00e3o chamados para participar dos jogos. Na maioria dos casos, os convites s\u00e3o feitos por meio de mensagens privadas no Facebook, motivadas pela participa\u00e7\u00e3o em p\u00e1ginas pertencentes aos grupos na rede social. Os respons\u00e1veis por convidar os adolescentes s\u00e3o os moderadores ou administradores dos grupos, que t\u00eam a miss\u00e3o de atrair o maior n\u00famero poss\u00edvel de jovens.<\/p>\n<p>Segundo a Pol\u00edcia Civil, os grupos investigados t\u00eam como figura mais importante o curador, cujo nome n\u00e3o ser\u00e1 divulgado. Abaixo dele est\u00e3o os administradores e depois os moderadores. Cada um possui fun\u00e7\u00f5es no jogo, que variam da coopta\u00e7\u00e3o de jovens \u00e0 invas\u00e3o de computadores.<\/p>\n<p>Um adolescente que participou do grupo relatou \u00e0 Pol\u00edcia Civil que os organizadores se tornam \u00edntimos dos participantes, perguntam sobre quest\u00f5es familiares e relacionamentos amorosos.<\/p>\n<p>&#8220;Eles pegam nos pontos fracos dos participantes. Dizem que a fam\u00edlia n\u00e3o os ama e que os amigos n\u00e3o gostam deles. Depois de um tempo, come\u00e7am a incutir a ideia de que ningu\u00e9m gosta do adolescente de verdade e, por isso, seria melhor ele acabar com o sofrimento e se matar, porque todo mundo morre no final. Aconselham o adolescente a &#8216;adiantar o processo'&#8221;, relata Leles.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><div style=\"width: 986px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8031\/production\/_101271823_suicidio3.jpg\" alt=\"Print de conversa entre membros do grupo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Print de conversa de WhatsApp de ex-membro do grupo mostra suposto incentivo ao suic\u00eddio.<\/p><\/div><\/figure>\n<p>Antes de aceitar participar dos desafios, os jovens s\u00e3o informados de que a \u00faltima fase \u00e9 o suic\u00eddio. Tr\u00eas adolescentes, que participaram do jogo, confirmaram \u00e0 pol\u00edcia que sabiam da etapa na qual teriam que atentar contra a pr\u00f3pria vida. Um deles disse ter tentado se matar duas vezes, para cumprir a fase final, por\u00e9m foi socorrido por parentes.<\/p>\n<p>O fato de o jovem conhecer as etapas do jogo antes de inici\u00e1-lo \u00e9 a principal diferen\u00e7a entre os desafios e o jogo virtual Baleia Azul &#8211; que tamb\u00e9m estimula adolescentes a tirar a pr\u00f3pria vida -, diz a Pol\u00edcia Civil. &#8220;No Baleia Azul, o curador se apossava de informa\u00e7\u00f5es da vida \u00edntima do adolescente. O jovem era obrigado a participar, mediante amea\u00e7a de que seria punido caso n\u00e3o conclu\u00edsse os desafios. Nos grupos atuais, os adolescentes participam porque, em tese, querem&#8221;, pontua a delegada.<\/p>\n<p>Professora de Psiquiatria da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia da Faculdade de Medicina da USP, Sandra Scivoletto afirma que o adolescente que participa desse tipo de desafios possui, geralmente, algumas dificuldades em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo e a seu c\u00edrculo social, como inseguran\u00e7a e problemas de autoimagem.<\/p>\n<p>&#8220;Eles aceitam esses desafios para fortalecer a autoestima. N\u00e3o podemos dizer, pois ainda faltam estudos, que haja uma pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio. Mas podemos afirmar que a participa\u00e7\u00e3o nesses desafios envolve adolescentes com problemas anteriores na vida real, n\u00e3o apenas no mundo virtual&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>Os desafios &#8211;\u00a0<\/strong>Logo que aceitam entrar no jogo, os participantes s\u00e3o colocados em um grupo de WhatsApp. Nele, os administradores ou moderadores distribuem os desafios. Uma das tarefas \u00e9 a invas\u00e3o de computadores. A pr\u00e1tica ocorre por meio de um v\u00edrus, vendido pelos administradores, com o qual seriam capazes de invadir sistemas e perfis em redes sociais.<\/p>\n<p>Entre as miss\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o apagar perfis de Facebook, indicados pelos administradores; implantar fake news, por meio de perfis invadidos; buscar novos membros para os desafios e participar de ataques a p\u00e1ginas nas redes.<\/p>\n<p>Os ataques funcionam por meio de coment\u00e1rios ofensivos em p\u00e1ginas de conhecidos do participante ou a perfis de famosos. Eles costumam reunir diversos membros dos grupos investigados e n\u00e3o se restringem \u00e0queles que estariam participando dos desafios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><div style=\"width: 986px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/172C5\/production\/_101271949_suicidio2.jpg\" alt=\"Print de conversa em aplicativos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Conversas em aplicativos est\u00e3o entre itens utilizados pela pol\u00edcia para investigar grupo de est\u00edmulo ao suic\u00eddio.\u00a0<\/p><\/div><\/figure>\n<p>Outro desafio proposto pelos l\u00edderes do grupo \u00e9 a automutila\u00e7\u00e3o. O participante deve cortar parte do pr\u00f3prio corpo e enviar imagens do sangramento. \u00c0 Pol\u00edcia Civil, a ex-namorada do adolescente que se suicidou em Goi\u00e1s disse que o jovem tinha passado a se cortar pouco antes de cometer suic\u00eddio. Duas semanas antes da morte do rapaz, os pais notaram os cortes em seu bra\u00e7o. &#8220;Ele disse que tinha se machucado em nossa ch\u00e1cara. Como n\u00e3o t\u00ednhamos motivo para pensar que ele estivesse mentindo, acreditamos&#8221;, relata o gerente comercial Onilton Pires, pai do adolescente.<\/p>\n<p>Cada etapa cumprida pelo participante representa mais prest\u00edgio entre os administradores. &#8220;Eles v\u00e3o se tornando importantes na hierarquia desse grupo&#8221;, diz a delegada.<\/p>\n<p>A fase do suic\u00eddio \u00e9 considerada, para o grupo, o \u00e1pice do desafio. &#8220;Os administradores orientam passo a passo como obter coragem&#8221; para o ato, diz a delegada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><div style=\"width: 986px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3E2D\/production\/_101271951_print10.jpg\" alt=\"Print de conversa entre membros do grupo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Print de conversa de supostos grupos de incentivo ao suic\u00eddio.<\/p><\/div><\/figure>\n<p><strong>As investiga\u00e7\u00f5es &#8211;\u00a0<\/strong>A descoberta sobre os grupos de incentivo ao suic\u00eddio se deu ap\u00f3s Onilton Pires relatar \u00e0 Pol\u00edcia Civil um fato que causou estranheza no vel\u00f3rio de seu filho: diversos adolescentes desconhecidos acompanharam a cerim\u00f4nia e fizeram fotos no local. Alheios ao luto da fam\u00edlia, eles n\u00e3o demonstravam tristeza. Conforme as investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Civil, o objetivo deles era mostrar aos administradores do jogo que o jovem realmente havia se suicidado.<\/p>\n<p>Outro fato que tamb\u00e9m despertou desconfian\u00e7a na pol\u00edcia foi o suic\u00eddio de J\u00falio (nome fict\u00edcio), de 13 anos, tamb\u00e9m em Goi\u00e1s, no mesmo dia em que o filho de Onilton se matou. O garoto se jogou do 26\u00ba andar do pr\u00e9dio da av\u00f3. A fam\u00edlia dele tamb\u00e9m procurou a Pol\u00edcia Civil. Por\u00e9m, as investiga\u00e7\u00f5es comprovaram que J\u00falio n\u00e3o participava dos desafios. &#8220;Ele tinha amplo acesso \u00e0 internet e havia manifestado vontade de se matar, mas n\u00e3o participava dos grupos&#8221;, conta a delegada Sabrina Leles.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao filho de Onilton Pires, a Pol\u00edcia Civil assegura que ficou comprovada a participa\u00e7\u00e3o do jovem nos grupos e que eles efetivamente incentivaram seu suic\u00eddio. Para tal constata\u00e7\u00e3o, as investiga\u00e7\u00f5es analisaram o computador do adolescente. O aparelho havia sido formatado por ele antes de morrer e todos os dados foram apagados. O fato chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pais do jovem, que disseram que ele n\u00e3o costumava excluir as informa\u00e7\u00f5es do computador.<\/p>\n<p>Alguns itens foram recuperados pela Pol\u00edcia Civil, entre eles uma carta de despedida do jovem. &#8220;Em um trecho, ele dizia que n\u00e3o era para os pais se preocuparem, porque ele n\u00e3o havia participado de nenhum jogo de internet. Isso causou estranheza, porque a fam\u00edlia disse que nunca o questionou sobre esse assunto. Era aquela coisa da psicologia invertida: &#8216;vou dizer que n\u00e3o participo, para eles n\u00e3o pensarem isso&#8217;. Mas, no fundo, ele participava, sim&#8221;, diz a delegada.<\/p>\n<p>No quarto do jovem tamb\u00e9m havia um pen drive com um v\u00edrus capaz de invadir sistemas e redes sociais, al\u00e9m de implantar fake news. Os amigos do jovem disseram \u00e0 pol\u00edcia que ele comprou o v\u00edrus do curador de uma das p\u00e1ginas, por pouco mais de R$ 400, para cumprir parte das etapas do jogo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><div style=\"width: 986px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14BB5\/production\/_101271948_delegadasabrina.jpg\" alt=\"Delegada Sabrina Leles\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Delegada Sabrina Leles, da Delegacia Estadual de Repress\u00e3o aos Crimes Cibern\u00e9ticos (DERCC) de Goi\u00e1s, \u00e9 respons\u00e1vel pelas investiga\u00e7\u00f5es sobre os grupos de Facebook.<\/p><\/div><\/figure>\n<p>Por meio das poucas conversas resgatadas do computador, a pol\u00edcia identificou Marcelo*, de 18 anos. Ele teria sido o intermedi\u00e1rio dos contatos entre o jovem morto e os administradores dos grupos pr\u00f3-suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Marcelo tamb\u00e9m participava do jogo. Por\u00e9m, disse ter desistido dos desafios porque n\u00e3o queria se matar. Em depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Civil, o jovem declarou acreditar que o amigo foi influenciado a participar do jogo e a p\u00f4r fim \u00e0 pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Para Onilton, no entanto, Marcelo teria sido o respons\u00e1vel por convencer o garoto a participar do jogo. &#8220;N\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que ele influenciou meu filho a entrar nisso. Meu filho era muito corajoso, ent\u00e3o ele deve ter mostrado como funcionavam os desafios, para convenc\u00ea-lo&#8221;, diz o pai.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de responder pelo crime de incentivo ao suic\u00eddio, que prev\u00ea pris\u00e3o de dois a seis anos, se o ato for consumado, os administradores das duas p\u00e1ginas podem tamb\u00e9m responder por tentativas de suic\u00eddio que resultem em les\u00e3o corporal grave. Nesse caso, a pena pode variar de um a tr\u00eas anos de reclus\u00e3o. Como os investigados s\u00e3o menores de idade, a condena\u00e7\u00e3o e cumprimento da pena devem seguir diretrizes do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. Conforme a Pol\u00edcia Civil, nenhum jovem foi apreendido at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Por meio de comunicado publicado em sua p\u00e1gina no Facebook, os administradores da p\u00e1gina ainda ativa negaram a realiza\u00e7\u00e3o dos desafios suicidas. Para eles, tais informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o &#8220;puro sensacionalismo da m\u00eddia&#8221;. &#8220;Menosprezamos tal conduta [de incentivo ao suic\u00eddio]. Consideramos um ato horr\u00edvel. Buscamos ser uma fam\u00edlia e ajudar a todos que precisam&#8221;, diz trecho do texto disponibilizado no grupo.<\/p>\n<p>A delegada Sabrina Leles frisa que h\u00e1 provas suficientes para determinar o elo entre o grupo e o jogo que incentiva o suic\u00eddio. &#8220;Eles n\u00e3o v\u00e3o confessar isso no Facebook, onde qualquer um pode ver. Esse incentivo acontece de modo individual. Tudo o que foi levantado pela Pol\u00edcia Civil tem como base provas e declara\u00e7\u00f5es colhidas nas investiga\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Conforme Leles, as apura\u00e7\u00f5es apontaram ainda que outros grupos de Facebook tamb\u00e9m teriam incentivado suic\u00eddios de adolescentes. &#8220;Os casos est\u00e3o sendo investigados&#8221;, explica.<\/p>\n<p><strong>Outras mortes &#8211;\u00a0<\/strong>Os suic\u00eddios de duas adolescentes de Goi\u00e1s s\u00e3o investigados pela Pol\u00edcia Civil, que suspeita que elas tamb\u00e9m possam ter sido incentivadas pelo grupo ainda ativo. As jovens moravam no munic\u00edpio de Rio Verde. Uma delas, de 14 anos, se jogou do quinto andar do pr\u00e9dio de sua escola, em 7 de mar\u00e7o. Semanas depois, a outra garota, de 13 anos, se enforcou no quintal de casa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><div style=\"width: 986px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B35D\/production\/_101271954_getty.jpg\" alt=\"Adolescente cabisbaixa\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Pol\u00edcia Civil de Goi\u00e1s investiga se outros suic\u00eddios de adolescentes est\u00e3o envolvidos com grupo de redes sociais.<\/p><\/div><\/figure>\n<p>&#8220;Elas tinham, entre os amigos no Facebook, pessoas que seriam respons\u00e1veis por buscar novos membros para esses jogos. Mas s\u00f3 ao fim das investiga\u00e7\u00f5es saberemos se elas tamb\u00e9m foram influenciadas&#8221;, comenta a delegada.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do grupo pode ter extrapolado fronteiras. A Pol\u00edcia Civil investiga o suic\u00eddio de uma adolescente brasileira, de 15 anos, que morava no Pa\u00eds Basco, regi\u00e3o da Espanha.<\/p>\n<p>De acordo com Leles, n\u00e3o \u00e9 descartada a possibilidade de que as mortes de outros jovens tenham sido motivadas pelo grupo. &#8220;N\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de investigar outros casos agora. Uma das dificuldades \u00e9 que as investiga\u00e7\u00f5es que envolvem quest\u00f5es virtuais devem ocorrer o quanto antes, ap\u00f3s a situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Quero que eles sejam presos &#8211;\u00a0<\/strong>Desde que o filho ca\u00e7ula se matou, Onilton Pires tem se perguntado o porqu\u00ea de o adolescente ter participado do grupo. &#8220;Ele era um filho muito estudioso, atencioso e n\u00e3o dava problemas para a gente. Ele n\u00e3o costumava sair muito e passava a maior parte de seu tempo em frente ao computador. Nunca passou pela nossa cabe\u00e7a que ele tivesse pensamentos suicidas&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Ele conta que o filho se tornou mais introvertido e passou a dialogar menos com os pais nas duas semanas antes de morrer. &#8220;A minha esposa disse a ele que ele estava diferente. Ele respondeu que estava do mesmo jeito. Mas a gente via que ele estava mais triste e calado. O meu filho sempre foi muito extrovertido. Por isso, t\u00ednhamos decidido que ir\u00edamos procurar acompanhamento psicol\u00f3gico para ele, mas n\u00e3o deu tempo&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>O pai costuma se perguntar sobre as atitudes que poderia ter tomado para evitar que o filho atentasse contra a pr\u00f3pria vida. &#8220;Talvez eu devesse ter tirado um dia para sentar ao lado dele no computador. Eu achei que com tudo o que proporcionava, estava protegendo ele do mundo. Mas na verdade, eu estava dando o acesso a ele ao mundo&#8221;, declara.<\/p>\n<p>A psiquiatra Sandra Scivoletto afirma que \u00e9 fundamental que os pais acompanhem as atividades dos filhos na internet e evitem o uso excessivo das redes sociais. &#8220;O uso inadequado dificulta acompanhar o que o filho vive e o que faz. Por isso, \u00e9 importante os pais estarem pr\u00f3ximos. \u00c9 necess\u00e1rio conhecer um pouco mais sobre o mundo virtual dos jovens&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s perguntas sem respostas sobre o filho, Onilton e a mulher, Cleide Pires, torcem que os envolvidos no grupo de incentivo ao suic\u00eddio sejam presos. &#8220;\u00c9 o m\u00ednimo que esperamos. Tenho certeza de que se eles forem presos, a situa\u00e7\u00e3o vai ser um pouco mais moralizada. As pessoas perderam o senso do perigo da internet e o limite&#8221;, assevera.<\/p>\n<p>Onilton e Cleide t\u00eam buscado formas de seguir adiante, desde que perderam o filho. Nas pr\u00f3ximas semanas, devem se mudar da casa em que viviam com o jovem. Para eles, a resid\u00eancia lembra o filho a todo instante. &#8220;A gente sabe que essa dor pela perda nunca vai passar, mas espero que ao menos amenize, para que possamos aprender a viver com ela.&#8221;<\/p>\n<p>Em nota, o Facebook informou que &#8220;manter as pessoas seguras \u00e9 a nossa maior prioridade e n\u00e3o permitimos conte\u00fado que promova ou incentive automutila\u00e7\u00e3o ou\u00a0suic\u00eddio na plataforma. Temos parcerias com organiza\u00e7\u00f5es como o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) e a SaferNet Brasil para auxiliar pessoas enfrentando dificuldades, e oferecemos recursos como um portal sobre preven\u00e7\u00e3o de suic\u00eddio e de bullying para apoiar\u00a0as pessoas na nossa comunidade. Tamb\u00e9m usamos tecnologia de intelig\u00eancia artificial para detectar sinais em postagens que possam incluir pensamentos suicidas, para que possamos oferecer suporte e, em situa\u00e7\u00f5es emergenciais, notificar as autoridades&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte tr\u00e1gica de um adolescente de 15 anos, que morava em Goi\u00e1s e se enforcou em fevereiro deste ano, deu o alerta para a Pol\u00edcia Civil do Estado sobre a atua\u00e7\u00e3o de um grupo online de incentivo ao suic\u00eddio nas redes sociais. 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