{"id":180412,"date":"2018-05-25T08:48:26","date_gmt":"2018-05-25T11:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=180412"},"modified":"2018-05-25T08:48:26","modified_gmt":"2018-05-25T11:48:26","slug":"familia-dos-dinossauros-ganha-novo-membro-e-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/familia-dos-dinossauros-ganha-novo-membro-e-brasileiro\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia dos dinossauros ganha novo membro; e brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros acabam de acrescentar mais um personagem ao escasso elenco de esp\u00e9cies que figuram nos primeiros cap\u00edtulos da hist\u00f3ria evolutiva dos dinossauros. E de relev\u00e2ncia mundial. Batizado de Bagualosaurus agudoensis, ou &#8220;lagarto bagual de Agudo&#8221;, ele viveu h\u00e1 230 milh\u00f5es de anos, onde hoje fica o Rio Grande do Sul. Tinha mais de 2,5 metros de comprimento e, a julgar pelos dentes, se alimentava de folhas.<\/p>\n<p>&#8220;Ele \u00e9 parecido com o que se espera de outros dinossauros primitivos, mas com algumas inova\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas na estrutura do cr\u00e2nio, especialmente nos dentes, que sugerem que tinha uma dieta quase 100% herb\u00edvora&#8221;, explica o paleont\u00f3logo Fl\u00e1vio Pretto, da Universidade Federal de Santa Maria, que descreveu o f\u00f3ssil para sua tese de doutorado. &#8220;\u00c9 um dos dinos mais antigos do mundo.&#8221;<\/p>\n<p>Descoberto em 2007, em um barranco \u00e0 beira de um a\u00e7ude, em uma propriedade rural de Agudo (a 240 km de Porto Alegre), o f\u00f3ssil ficou mais de cinco anos guardado em um arm\u00e1rio do Laborat\u00f3rio de Paleovertebrados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a tutela do professor Cesar Schultz. &#8220;Estava s\u00f3 esperando algu\u00e9m para estud\u00e1-lo, e acabou caindo na minha m\u00e3o&#8221;, comemora Pretto. \u00c9 comum f\u00f3sseis passarem anos guardados em cole\u00e7\u00f5es at\u00e9 serem estudados de fato por algum especialista &#8211; n\u00e3o apenas no Brasil, mas no mundo todo. \u00c9 o que se costuma chamar, carinhosamente, de &#8220;paleontologia de gaveta&#8221;.<\/p>\n<p>A descoberta tem relev\u00e2ncia mundial, pois h\u00e1 muito poucos f\u00f3sseis de dinossauros desse per\u00edodo, no in\u00edcio do Tri\u00e1ssico, que foi quando os dinossauros come\u00e7aram a se multiplicar e se diversificar pelo planeta. Os \u00fanicos lugares no mundo onde foram encontrados s\u00e3o justamente no interior do Rio Grande do Sul e no noroeste da Argentina.<\/p>\n<p>&#8220;O que sugere que esses bichos surgiram provavelmente em algum lugar pr\u00f3ximo daqui&#8221;, afirma Pretto. &#8220;Todo mundo que quiser estudar a origem dos dinossauros tem de vir para c\u00e1, olhar os nossos f\u00f3sseis.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Todo o resto \u00e9 mais novo, ou mais fragmentado&#8221;, diz o paleont\u00f3logo Max Langer, da Universidade de S\u00e3o Paulo em Ribeir\u00e3o Preto, que tamb\u00e9m assina a descri\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil, ao lado de Pretto e Schultz.<\/p>\n<p>O Bagualosaurus \u00e9 a s\u00e9tima esp\u00e9cie de dinossauro do Tri\u00e1ssico descoberta no Rio Grande do Sul. Ele pertence \u00e0 linhagem dos saur\u00f3podes, aqueles r\u00e9pteis gigantescos, de cabe\u00e7a pequena (a dele tinha apenas 13 cent\u00edmetros) e pesco\u00e7o comprido, que mais tarde produziria esp\u00e9cies com mais de 50 metros de comprimento. Comparado a esses animais &#8220;tit\u00e2nicos&#8221; do Jur\u00e1ssico e do Cret\u00e1ceo, ele era pequeno, mas se tratava de um bicho grande para a \u00e9poca. Outros dinos que conviveram com ele mal chegavam a 1,5 metro de comprimento.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditam, at\u00e9, que ele j\u00e1 tinha tamanho suficiente para competir por alimento com os herb\u00edvoros dominantes daquela \u00e9poca, que eram os rincossauros e os cinodontes (precursores dos mam\u00edferos). Foi s\u00f3 depois que esses outros grupos desapareceram, por volta de 220 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, que os dinossauros se tornaram, de fato, a fauna dominante do planeta.<\/p>\n<p>Dieta &#8211; O fato de o Bagualosaurus j\u00e1 ter uma denti\u00e7\u00e3o bem adaptada ao consumo de vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente importante para a hist\u00f3ria evolutiva dos dinossauros. Pretto explica que todos os saur\u00f3podes t\u00eam duas caracter\u00edsticas em comum: o gigantismo e o herbivorismo. &#8220;Mas n\u00e3o sabemos exatamente o que veio primeiro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O Bagualosaurus sugere que a dieta de folhas surgiu primeiro, e pode ter sido a fonte de energia para o gigantismo. O estudo est\u00e1 publicado no Zoological Journal of the Linnean Society.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros acabam de acrescentar mais um personagem ao escasso elenco de esp\u00e9cies que figuram nos primeiros cap\u00edtulos da hist\u00f3ria evolutiva dos dinossauros. E de relev\u00e2ncia mundial. Batizado de Bagualosaurus agudoensis, ou &#8220;lagarto bagual de Agudo&#8221;, ele viveu h\u00e1 230 milh\u00f5es de anos, onde hoje fica o Rio Grande do Sul. 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