{"id":180612,"date":"2018-05-27T09:19:49","date_gmt":"2018-05-27T12:19:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=180612"},"modified":"2018-05-27T12:49:59","modified_gmt":"2018-05-27T15:49:59","slug":"forca-de-caminhoneiros-deixa-o-governo-temer-mais-fraco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/forca-de-caminhoneiros-deixa-o-governo-temer-mais-fraco\/","title":{"rendered":"For\u00e7a de caminhoneiros deixa o governo Temer mais fraco"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo ap\u00f3s o governo federal ser alvo de cr\u00edticas no combate \u00e0 crise de abastecimento gerada pela greve dos caminhoneiros, o cientista pol\u00edtico Murillo Arag\u00e3o afirma que a gest\u00e3o de Michel Temer n\u00e3o foi inviabilizada pela mobiliza\u00e7\u00e3o. Arag\u00e3o se especializou em tra\u00e7ar cen\u00e1rios pol\u00edticos para empres\u00e1rios e banqueiros. Ele reconhece, no entanto, que o governo est\u00e1 debilitado e fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Para Arag\u00e3o, o fato de a paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros causar transtornos para a vida da popula\u00e7\u00e3o deve evitar que a mobiliza\u00e7\u00e3o se alastre por outros setores. Na opini\u00e3o do cientista pol\u00edtico, o governo precisa trabalhar rapidamente, restabelecer a ordem e dar uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. &#8220;(Tudo) vai depender de como o Planalto conduzir os pr\u00f3ximos dias.&#8221;<\/p>\n<p>A seguir, os principais trechos da entrevista<\/p>\n<p><strong>Como a greve dos caminhoneiros afeta o governo Temer?<\/strong><\/p>\n<p>O governo hoje tem uma agenda que fica cada vez mais limitada, \u00e0 medida que chegamos a julho (quando come\u00e7a a corrida eleitoral). Essa crise pode afetar a imagem do governo. Se as pr\u00f3ximas pesquisas trouxerem um aumento na desaprova\u00e7\u00e3o, o governo fica com limita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Evidente que \u00e9 um governo fraco, em fim de mandato, com baixa popularidade. Um problema como esse n\u00e3o inviabiliza a governabilidade, mas prejudica. O governo n\u00e3o est\u00e1 inviabilizado, mas est\u00e1 limitado, na medida em que esse problema fique na agenda. S\u00f3 existir\u00e1 (risco) se as manifesta\u00e7\u00f5es contaminarem outros setores e a quest\u00e3o se tornar generalizada. Claro que existe uma insatisfa\u00e7\u00e3o represada, diferente da insatisfa\u00e7\u00e3o que existia com a Dilma. Ela teve uma insatisfa\u00e7\u00e3o mobilizada, o Temer tem uma insatisfa\u00e7\u00e3o desmobilizada. O problema da governabilidade se tornar\u00e1 s\u00e9rio mesmo se a insatisfa\u00e7\u00e3o for mobilizada.<\/p>\n<p><strong>E existe essa chance de contaminar outros setores?<\/strong><\/p>\n<p>Existe, mas acho dif\u00edcil de ocorrer. Sinto que essa manifesta\u00e7\u00e3o em si tem um efeito colateral muito grande. N\u00e3o \u00e9 como, por exemplo, uma paralisa\u00e7\u00e3o de professores. Fica sem aula, os alunos podem at\u00e9 gostar, as m\u00e3es v\u00e3o ficar chateadas, mas n\u00e3o afeta a sobreviv\u00eancia das pessoas. Essa contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil, porque sinto que a sociedade, ainda que esteja insatisfeita com o governo, n\u00e3o quer dar for\u00e7a a um movimento que vai paralisar a vida das pessoas.<\/p>\n<p><strong>Depois dos epis\u00f3dios da semana passada, que mostraram um distanciamento cada vez maior entre o Planalto e os presidentes da C\u00e2mara e do Senado, como fica a rela\u00e7\u00e3o do governo com o Congresso?<\/strong><\/p>\n<p>A base j\u00e1 est\u00e1 dividida, porque o Centr\u00e3o se divide entre pelo menos quatro candidaturas postas. Cada uma delas tem uma vis\u00e3o de futuro diferente, e isso se reflete na rela\u00e7\u00e3o com o governo. Ent\u00e3o, n\u00e3o acredito que afete muito mais. O perigo \u00e9 realmente se o tema degringolar de tal forma que gere impossibilidade de o governo continuar a existir como tal. N\u00e3o acredito que isso aconte\u00e7a, mas em pol\u00edtica todo c\u00e1lculo deve ser feito.<\/p>\n<p>Se for apresentada uma nova den\u00fancia contra o presidente Temer, ela pode passar?<\/p>\n<p>Depende. Acho que n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico. Mas, sem d\u00favida, o governo est\u00e1 mais limitado politicamente, talvez (descartar uma eventual den\u00fancia) d\u00ea mais trabalho. Tem de ver a conjuntura, a natureza da pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O governo ainda tem chance de aprovar algum projeto importante no Congresso?<\/strong><\/p>\n<p>Tem. Ainda se pode votar a reonera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 importante para o governo. Pode ser que n\u00e3o venha da forma que o governo quer, mas seria muita inoc\u00eancia achar que o Congresso aprovaria do jeitinho que o governo quer. O Congresso age hoje com uma certa autonomia, com independ\u00eancia. Tamb\u00e9m vejo que podem prosseguir algumas quest\u00f5es, como o projeto de lei das telecomunica\u00e7\u00f5es e eventualmente avan\u00e7ar alguma coisa relacionada \u00e0 Eletrobr\u00e1s. Esses avan\u00e7os podem ficar pendentes para depois das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Com que ferramentas o governo poderia contar para sair dessa crise?<\/strong><\/p>\n<p>Ele tem a m\u00e1quina, recursos, or\u00e7amento, tem o poder de iniciativa. Pode fazer coisas que mitiguem um pouco a impopularidade. Tem ainda todo um instrumental. O que \u00e9 certo dizer \u00e9 que o governo n\u00e3o acaba. S\u00f3 se houver alguma coisa muito grave. Vai depender de como o Planalto conduzir os pr\u00f3ximos dias<\/p>\n<p><strong>Qual vai ser o maior desafio do presidente para solucionar a crise atual?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios. O primeiro \u00e9 aplicar a lei e a ordem, com disciplina, sem viol\u00eancia desnecess\u00e1ria, acidentes de percurso. O segundo ponto \u00e9 que isso ocorra de forma r\u00e1pida, de maneira que se normalize minimamente o fornecimento de combust\u00edvel no Pa\u00eds. O terceiro fator \u00e9 que o governo tenha uma abordagem de comunica\u00e7\u00e3o eficiente, que seja capaz at\u00e9 de sobrepor a m\u00e1 vontade da m\u00eddia em gera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ele.<\/p>\n<p><strong>Essa crise pode afetar as pretens\u00f5es eleitorais do pr\u00e9-candidato do MDB, Henrique Meirelles?<\/strong><\/p>\n<p>Afeta. Mas a elei\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai tomar uma cara no fim de junho, ou em julho. E o Brasil \u00e9 um pa\u00eds que tem eventos dram\u00e1ticos que somem (da mem\u00f3ria das pessoas). Voc\u00ea lembra daquelas rebeli\u00f5es de pres\u00eddios? Isso s\u00f3 ser\u00e1 grave para o Meirelles caso (a crise) prossiga.<\/p>\n<p><strong>Como fica o legado de Temer nas elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>A defesa desse legado vai depender da condi\u00e7\u00e3o de ter um candidato vi\u00e1vel ao lado dele e de uma discreta melhora da popularidade, pelo menos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo ap\u00f3s o governo federal ser alvo de cr\u00edticas no combate \u00e0 crise de abastecimento gerada pela greve dos caminhoneiros, o cientista pol\u00edtico Murillo Arag\u00e3o afirma que a gest\u00e3o de Michel Temer n\u00e3o foi inviabilizada pela mobiliza\u00e7\u00e3o. Arag\u00e3o se especializou em tra\u00e7ar cen\u00e1rios pol\u00edticos para empres\u00e1rios e banqueiros. 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