{"id":180758,"date":"2018-05-29T08:13:25","date_gmt":"2018-05-29T11:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=180758"},"modified":"2018-05-29T08:13:25","modified_gmt":"2018-05-29T11:13:25","slug":"um-velho-trio-desfeito-volta-a-cantar-junto-muito-tempo-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/um-velho-trio-desfeito-volta-a-cantar-junto-muito-tempo-depois\/","title":{"rendered":"Um velho trio, desfeito, volta a cantar junto muito tempo depois"},"content":{"rendered":"<p>M\u00fasica e acaso ligam Edu Lobo, Marcos Valle e Dori Caymmi h\u00e1 mais de 50 anos. Garotos, Edu e Marcos, ex-colegas no tradicional Col\u00e9gio Santo In\u00e1cio, se esbarraram num \u00f4nibus, na zona sul do Rio. Edu levava um viol\u00e3o. Marcos logo contou que tamb\u00e9m tocava o instrumento, e que convivia com o filho do meio de Dorival Caymmi. Apresentados, formaram um trio de curta dura\u00e7\u00e3o. A amizade e a admira\u00e7\u00e3o m\u00fatuas estavam seladas para a posteridade.<\/p>\n<p>Cada um seguiu seu caminho: Edu viria a se tornar um dos grandes nomes da MPB p\u00f3s-festivais; Marcos &#8211; com o irm\u00e3o, Paulo S\u00e9rgio Valle &#8211; despontou como expoente da segunda gera\u00e7\u00e3o da bossa nova; Dori virou arranjador solicitado, al\u00e9m de compositor, com uma parceria monumental com Paulo C\u00e9sar Pinheiro.<\/p>\n<p>Dos anos 1960 para c\u00e1, houve colabora\u00e7\u00f5es aqui e ali, mas s\u00f3 em 2016 eles dividiram um palco. Foi a semente do CD que lan\u00e7am agora, Edu, Dori &amp; Marcos (Biscoito Fino), cada um cantando can\u00e7\u00f5es dos outros dois. O encontro foi num show por ocasi\u00e3o dos 50 anos da carreira de Marcos, com a cantora norte-americana Stacey Kent, parceira em dois CDs. Edu e Dori participaram como convidados.<\/p>\n<p>Foi Edu quem sugeriu: eles deveriam fazer um CD em trio, agora realizado com uma banda de craques (Crist\u00f3v\u00e3o Bastos, Jorge Helder, Mauro Senise&#8230;) A depender das agendas, o p\u00fablico pode esperar apresenta\u00e7\u00f5es dos tr\u00eas senhores de 74 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Nenhum canta m\u00fasica pr\u00f3pria, o que eu acho um grande barato. Gravamos as m\u00fasicas dos outros dois do seu jeito, dando a sua cara. N\u00e3o pensamos em \u2018m\u00fasica de trabalho\u2019: a gente escolheu o que gosta mais, o que acha mais bonito&#8221;, diz Edu, que registrou, de Dori, Na Ribeira Deste Rio (poema de Fernando Pessoa) e Velho Piano (com PC Pinheiro); de Marcos e Paulo S\u00e9rgio Valle, O Amor \u00c9 Chama e Viola Enluarada.<\/p>\n<p>Marcos resgatou Saveiros (Dori\/Nelson Motta), Alegre Menina (Dori\/Jorge Amado), Canto Triste (Edu\/Vinicius de Moraes) e Corrida de Jangada (Edu\/Capinan). Dori, Bloco do Eu Sozinho (Marcos\/Ruy Guerra), Passa por Mim (Marcos\/Paulo S\u00e9rgio Valle), Na Ilha de Lia no Barco da Rosa (Edu\/Chico Buarque) e Dos Navegantes (Edu\/PC Pinheiro).<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, Marcos se lembra de detalhes do tal esbarr\u00e3o no \u00f4nibus Os rapazes se chamaram pelos sobrenomes, como faziam na escola aos &#8220;onze ou doze anos&#8221;: ele era Kostenbader; Edu, G\u00f3es Lobo. Ao formar o trio, brincaram que poderiam batizar de &#8220;Filhos de pais famosos&#8221;. A piada era que o pai de Marcos era advogado, ao passo que Caymmi e Fernando Lobo j\u00e1 eram reconhecidos compositores.<\/p>\n<p>Bossa nova &#8211; &#8220;Por meio deles, entrei nas rodas de m\u00fasica, fui conhecendo as pessoas. \u00cdamos \u00e0 casa do Lula Freire, do Caymmi, Ary Barroso, Vinicius (de Moraes). Assim, conheci Roberto Menescal, todo mundo da bossa nova, e as coisas decolaram para mim. Era dif\u00edcil entrar nas rodas. O viol\u00e3o rodava e voc\u00ea tinha que tocar alguma coisa boa. Se n\u00e3o tivesse qualidade, n\u00e3o era chamado na pr\u00f3xima vez&#8221;, rememora Marcos.<\/p>\n<p>Os caminhos dos meninos de 1943 se cruzaram no festival de 1966, quando Dori ganhou dos demais com Saveiros, defendida pela irm\u00e3, Nana &#8211; Marcos participou com O Amor \u00e9 Chama, e Edu, com Canto Triste. Passados 52 anos, as tr\u00eas faixas est\u00e3o no CD. Em 1968, Dori arranjaria Viola Enluarada; em 2003, ele gravou com Edu Choro Bandido (Edu\/Chico) no CD Contempor\u00e2neos, que tinha tamb\u00e9m Viola.<\/p>\n<p>Edu, Dori &amp; Marcos n\u00e3o \u00e9 um projeto novo. &#8220;As escolhas das m\u00fasicas foram espont\u00e2neas. Eu, por exemplo, n\u00e3o gosto de samba muito alegre, sou ruim da cabe\u00e7a e doente do p\u00e9, e fui nas mais lentas&#8221;, brinca Dori. &#8220;H\u00e1 muito tempo que a gente fala desse disco. Convivemos com Tom Jobim, Vinicius, Jo\u00e3o Gilberto, Dolores Duran, uma influ\u00eancia que gerou uma m\u00fasica diversificada, e com liga\u00e7\u00e3o profunda com o que \u00e9 o Brasil. Somos os tr\u00eas virginianos, de estilos diferentes (Dori \u00e9 de 26 de agosto; Edu \u00e9 de 29 de agosto; Marcos, de 14 de setembro). Tr\u00eas meninos irreverentes, que vieram da mesma \u00e1rvore.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00fasica e acaso ligam Edu Lobo, Marcos Valle e Dori Caymmi h\u00e1 mais de 50 anos. Garotos, Edu e Marcos, ex-colegas no tradicional Col\u00e9gio Santo In\u00e1cio, se esbarraram num \u00f4nibus, na zona sul do Rio. Edu levava um viol\u00e3o. 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