{"id":181089,"date":"2018-05-31T10:56:00","date_gmt":"2018-05-31T13:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=181089"},"modified":"2018-05-31T10:56:00","modified_gmt":"2018-05-31T13:56:00","slug":"cantora-elza-soares-ilumina-sonoridade-em-novo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cantora-elza-soares-ilumina-sonoridade-em-novo-disco\/","title":{"rendered":"Cantora Elza Soares ilumina sonoridade em novo disco"},"content":{"rendered":"<div class=\"n--noticia__state\">\n<p>Prestes a deixar a turn\u00ea de\u00a0A Mulher do Fim do Mundo, criada a partir do disco hom\u00f4nimo lan\u00e7ado em 2015 e respons\u00e1vel por coloc\u00e1-la, definitiva e tardiamente, como uma das principais vozes do Pa\u00eds,\u00a0Elza Soares\u00a0despediu-se do \u00e1lbum. Conta ela, ao telefone, rec\u00e9m-chegada a S\u00e3o Paulo, que conversou com o trabalho, como se fosse uma entidade com vida pr\u00f3pria. \u201cPedi permiss\u00e3o a ele\u201d, explica a cantora de 87 anos. \u201cFoi algo muito importante na minha vida, ent\u00e3o, precisava fazer isso. Agradeci, disse que ele havia sido incr\u00edvel. Falei que iria encost\u00e1-lo ali um pouquinho. Foi bonito.\u201d<\/p>\n<p>O \u00e1lbum, vencedor do Grammy Latino de melhor disco de MPB em 2016, foi o primeiro trabalho de\u00a0Elza Soares\u00a0com m\u00fasicas in\u00e9ditas. \u201cFoi um presente\u201d, ela lembra, ao ser apresentada ao material reunido pelo produtor\u00a0Guilherme Kastrup, parceiro mantido por perto nesse novo momento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"n--noticia__content content\">\n<p>E\u00a0Elza, agora, segue em frente. Caminha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, depois de um \u00e1lbum denso, de introspec\u00e7\u00e3o e um discurso bastante assertivo. No in\u00edcio deste m\u00eas, ela lan\u00e7ou\u00a0Deus \u00c9 Mulher, novamente com m\u00fasicas in\u00e9ditas. Na escolha est\u00e9tica do \u00e1lbum,\u00a0Elza\u00a0explica que buscou por mais claridade. O \u00e1lbum ter\u00e1 seus shows de estreia realizados a partir desta quinta-feira, 31, no teatro do Sesc Vila Mariana. A mini temporada segue todos os dias at\u00e9 domingo, 3. Todos os ingressos, aproximadamente 2.480, esgotaram rapidamente \u2013 uma dica de amigo: por vezes, \u00e9 poss\u00edvel encontrar algum desistente momentos antes da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sucessor de A Mulher do Fim do Mundo tamb\u00e9m marca a chegada de\u00a0Elza\u00a0ao elenco de artistas da gravadora Deck e foi a partir do convite deles que\u00a0Elza\u00a0passou a matutar sobre qual seria o pr\u00f3ximo passo ap\u00f3s o tal \u201capocalipse\u201d retratado no disco. Procurou por\u00a0Kastrup\u00a0e passaram a trabalhar, novamente, com o que foi chamado de \u201cn\u00facleo criativo\u201d de A Mulher&#8230;, formado por jovens atuantes e bastante prol\u00edferos da cena de m\u00fasica paulistana,\u00a0Marcelo Cabral,\u00a0Kiko Dinucci,\u00a0Rodrigo Campos\u00a0e\u00a0Romulo Fr\u00f3es.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, em janeiro, em contato com a reportagem,\u00a0Kastrup\u00a0explicava que o repert\u00f3rio inicial de 60 can\u00e7\u00f5es j\u00e1 havia sido cortado para 20 e, depois, para as 11 definitivas. Na \u00e9poca, eles trabalhavam no que chamavam de cobertura das m\u00fasicas em S\u00e3o Paulo, no Red Bull Studios, localizado no centro da cidade, e, por fim, em fevereiro, seria a vez de\u00a0Elza\u00a0gravar as vozes finais no Est\u00fadio Tambor, no Rio de Janeiro. A mixagem ficou por conta do norte-americano Scotty Hard, que recentemente trabalhou com Tulipa Ruiz no disco mais recente dela, o\u00a0Tu\u00a0(2017), e a masteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 assinada por Felipe Tichauer, o mesmo de\u00a0A Mulher&#8230;, em Miami.<\/p>\n<p>Kastrup dizia, ali no in\u00edcio do ano, que\u00a0Deus \u00c9 Mulher\u00a0seria um passo adiante na est\u00e9tica libert\u00e1ria, perturbadora e impiedosa do \u00e1lbum anterior. Nele, a voz de\u00a0Elza\u00a0se esparramava \u00e1spera, como uma faca propositalmente mal afiada para rasgar em vez de cortar. Encontrava as feridas de uma sociedade t\u00e3o fr\u00e1gil e defeituosa. Falava, ali, de viol\u00eancia dom\u00e9stica ao racismo. A hist\u00f3ria de\u00a0Elza, ao longo dos seus 87, \u00e9 de tombos e reerguimentos.<\/p>\n<p>Com\u00a0A Mulher&#8230;,\u00a0ela diz, encontrou seu prop\u00f3sito musical. \u201cFoi quando percebi o que eu deveria fazer. Entendi que esse seria o caminho\u201d, explica. \u201cMudou tudo. Encontrei uma brecha para dizer aquilo que eu sentia. Coisas que vinham desde a minha inf\u00e2ncia. Era uma menina pobre e negra. Foi muito dif\u00edcil chegar at\u00e9 aqui. Mas Deus estava sempre presente na minha vida. E est\u00e1 at\u00e9 hoje. Quando veio\u00a0A Mulher do Fim do Mundo, eu entendi como se Ele dissesse: \u2018\u00c9 por aqui\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Elza segue: \u201cEnt\u00e3o (para \u2018Deus \u00c9 Mulher\u2019), busquei um trabalho que acessasse cada um. Que fosse sobre mulheres, sobre negros, sobre o mundo gay. S\u00e3o os temas que precisam ser falados. N\u00e3o queria perder qualquer um desses discursos. Meu medo, na verdade, de deixar algo escapar. Mas acho que demos sorte de seguir com essas mesmas palavras\u201d.<\/p>\n<p>Deus \u00c9 Mulher segue com um discurso semelhante ao antecessor, justamente por isso. Novamente,\u00a0Elza\u00a0e\u00a0Kastrup\u00a0re\u00fanem um time de compositores de peso para esse trabalho. A come\u00e7ar pelo paulistano\u00a0Douglas Germano, que assinou\u00a0Maria da Vila Matilde (Porque Se a da Penha \u00e9 Brava, Imagine a da Vila Matilde), a premiada faixa de\u00a0A Mulher&#8230;\u00a0No novo trabalho, tem\u00a0O Que Se Cala\u00a0e\u00a0Credo.<\/p>\n<p>A primeira delas, escolhida para abrir o disco, tem no seu discurso, a for\u00e7a dessa\u00a0Elza Soares\u00a0reerguida, forte, incisiva. Diz o refr\u00e3o, que soa como uma esp\u00e9cie de retrato da artista: \u201cMil na\u00e7\u00f5es moldaram minha cara Minha voz uso pra dizer o que se cala \/ Ser feliz no v\u00e3o, no triz, \u00e9 for\u00e7a que me embala \/ O meu pa\u00eds \u00e9 meu lugar de fala\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto\u00a0Elza\u00a0canta, as guitarras de\u00a0Dinucci\u00a0e\u00a0Campos, principalmente, fazem a ponte est\u00e9tica entre\u00a0A Mulher do Fim do Mundo\u00a0e\u00a0Deus \u00c9 Mulher, dan\u00e7ando nervosas, enquanto abrem caminho para a chegada das percuss\u00f5es do grupo Os Capoeiras e do quarteto de sopros integrante do Bixiga 70.<\/p>\n<p>Com isso, a transi\u00e7\u00e3o, de um \u00e1lbum para o outro, \u00e9 leve. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o diferente daquela sentida ao dar o play em A Mulher do Fim do Mundo pela primeira vez. A primeira m\u00fasica do disco,\u00a0Cora\u00e7\u00e3o do Mar, um poema de\u00a0Oswald de Andrade\u00a0musicado por\u00a0Jos\u00e9 Miguel Wisnik, era uma pancada s\u00f3 com a voz da\u00a0Elza. Em um exerc\u00edcio de entendimento, ao se ouvir os dois \u00e1lbuns em sequ\u00eancia, A Mulher&#8230; soa como estar, \u00e0 noite, diante de uma janela, a testemunhar o mundo em ru\u00ednas e caos. J\u00e1 a chegada de\u00a0Deus \u00c9 Mulher\u00a0\u00e9 o sol nascente, a iluminar o que restou, ru\u00ednas ou n\u00e3o. Como o nascer de um dia claro, o \u00e1lbum sugere o renascimento a partir dessa figura divina e feminina.<\/p>\n<p>\u201cO mundo est\u00e1 precisando de colo de m\u00e3e\u201d, explica\u00a0Elza. \u201c\u00c9 muito ego\u00edsmo&#8230; Aqui eu quero falar de amor, de sexo.\u201d Alinhada a isso, a artista segue com suas lutas em forma de can\u00e7\u00f5es. Fala sobre sexo e tes\u00e3o sem medo (como em Eu Quero Comer Voc\u00ea), debate a ancestralidade (Exu nas Escolas).<\/p>\n<p>\u201cMas queria tamb\u00e9m ter mais mulheres neste disco\u201d, ela explica. O time inclui composi\u00e7\u00f5es de\u00a0Alice Coutinho (que teve duas m\u00fasicas dela, em parceria com\u00a0Fr\u00f3es\u00a0selecionadas),\u00a0 Tulipa Ruiz\u00a0(a faixa\u00a0Banho) e\u00a0Mari\u00e1 Portugal\u00a0(Um Olho Aberto). Ao final da entrevista, Elza faz uma despedida carinhosa, mas que tamb\u00e9m poderia ser confundida como a s\u00edntese do seu novo trabalho. \u201cMuito obrigada. Muito respeito. Deus \u00e9 mais. Deus \u00e9 mulher. Um beij\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>OU\u00c7A\u00a0DEUS \u00c9 MULHER:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" id=\"680097089\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Kw9ke8zt7XA?enablejsapi=1&amp;origin=https%3A%2F%2Fcultura.estadao.com.br\" width=\"100%\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-8104086_128=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a deixar a turn\u00ea de\u00a0A Mulher do Fim do Mundo, criada a partir do disco hom\u00f4nimo lan\u00e7ado em 2015 e respons\u00e1vel por coloc\u00e1-la, definitiva e tardiamente, como uma das principais vozes do Pa\u00eds,\u00a0Elza Soares\u00a0despediu-se do \u00e1lbum. 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