{"id":181284,"date":"2018-06-02T18:55:54","date_gmt":"2018-06-02T21:55:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=181284"},"modified":"2018-06-02T19:01:16","modified_gmt":"2018-06-02T22:01:16","slug":"obra-da-copa-de-2014-segue-inacabada-e-sem-previsao-de-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/obra-da-copa-de-2014-segue-inacabada-e-sem-previsao-de-fim\/","title":{"rendered":"Obra da Copa de 2014 segue inacabada e sem previs\u00e3o de fim"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Os canteiros de obras abandonados em meio \u00e0s principais avenidas de Cuiab\u00e1 e V\u00e1rzea Grande representam resqu\u00edcios daquele que era para ser o maior legado da Copa do Mundo de 2014 para Mato Grosso, o Ve\u00edculo Leve sobre Trilhos (VLT).<\/p>\n<p>Anunciado pelo ent\u00e3o governador do Estado, Silval Barbosa (na \u00e9poca no MDB), como o melhor meio de locomo\u00e7\u00e3o para torcedores que fossem aos jogos sediados na capital mato-grossense, o VLT nunca chegou a transportar passageiros.<\/p>\n<p>O Estado investiu, at\u00e9 o momento, R$ 1,066 bilh\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do meio de transporte, que est\u00e1 paralisada. Somente 30% das obras f\u00edsicas foram executadas at\u00e9 hoje. Envolto em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o e alvo de opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, o VLT tornou-se a obra incompleta mais cara da Copa no Brasil.<\/p>\n<p>A duas semanas de mais um Mundial de futebol, desta vez na R\u00fassia, a constru\u00e7\u00e3o, marcada por um enredo que mistura promessas frustradas, uma sequ\u00eancia de atrasos, corrup\u00e7\u00e3o e brigas na Justi\u00e7a, nem sequer tem previs\u00e3o para ser retomada.<\/p>\n<p class=\"story-body__crosshead\"><strong>Aposta alta<\/strong> &#8211; Em 2009, pouco ap\u00f3s o an\u00fancio da cidade como uma das sedes da Copa, era dado como certo que a obra de mobilidade urbana seria o Bus Rapid Transit (BRT) \u2013 sistema de \u00f4nibus r\u00e1pidos. O meio de transporte era visto como o mais adequado, em custos e benef\u00edcios, para a regi\u00e3o metropolitana de Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p>Em 2011, por\u00e9m, logo ap\u00f3s ser eleito governador de Mato Grosso, Silval Barbosa mudou os planos e determinou a constru\u00e7\u00e3o do VLT. As obras foram or\u00e7adas em R$ 1,2 bilh\u00e3o \u2013 posteriormente, o valor subiu para R$ 1,4 bilh\u00e3o \u2013, cerca de R$ 700 milh\u00f5es a mais do que o estimado com o BRT.<\/p>\n<p>Tratava-se ent\u00e3o da terceira obra de infraestrutura para o evento mais cara do pa\u00eds. \u00c0 frente, estavam apenas a constru\u00e7\u00e3o do BRT carioca, que custou R$ 1,6 bilh\u00e3o, e a reforma do Aeroporto Internacional de Guarulhos, avaliada em R$ 2,3 bilh\u00f5es, ambas entregues antes do evento.<\/p>\n<p>Para o engenheiro civil Miguel Miranda, doutor em transporte, o Ve\u00edculo Leve sobre Trilhos tornou-se um problema dif\u00edcil de ser solucionado.<\/p>\n<p>&#8220;O VLT come\u00e7ou errado e vai dar errado at\u00e9 o fim. \u00c9 um projeto de modal incompat\u00edvel com o custo de manuten\u00e7\u00e3o. Ele tem uma capacidade muito maior que a da cidade. Para a regi\u00e3o metropolitana de Cuiab\u00e1, o ideal seria o BRT&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o projeto, o modal deveria ter duas linhas \u2013 uma delas ligando o aeroporto ao Centro Pol\u00edtico Administrativo, onde est\u00e3o concentrados os Poderes do Estado. A outra levaria do bairro Coxip\u00f3 ao Porto, regi\u00e3o tradicional de Cuiab\u00e1. Ao todo, seriam 22 quil\u00f4metros de trilhos. No trajeto, foram planejadas 33 esta\u00e7\u00f5es de embarque e desembarque, al\u00e9m de tr\u00eas terminais de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estimativa era de que o ve\u00edculo transportasse 160 mil pessoas por dia \u2013 segundo estimativa do IBGE, toda a regi\u00e3o metropolitana tem cerca de 1 milh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<p>Os recursos para as obras vieram do Estado, que obteve empr\u00e9stimo na Caixa Econ\u00f4mica Federal. Hoje, o governo diz pagar parcelas de aproximadamente R$ 13,9 milh\u00f5es mensais, valor que inclui juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"story-body__crosshead\"><strong>Atrasos sucessivos &#8211;<\/strong> Ap\u00f3s licita\u00e7\u00e3o, as obras ficaram a cargo do Cons\u00f3rcio VLT, formado pelas empresas CR Almeida, Santa B\u00e1rbara, CAF Brasil Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Magna Engenharia Ltda e Astep Engenharia Ltda.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o foi iniciada em junho de 2012. Os 280 vag\u00f5es do ve\u00edculo, divididos em 40 composi\u00e7\u00f5es, come\u00e7aram a chegar \u00e0 cidade em novembro do ano seguinte. A expectativa era de que as obras fossem conclu\u00eddas em mar\u00e7o de 2014 e que o ve\u00edculo estivesse em circula\u00e7\u00e3o antes do in\u00edcio da Copa.<\/p>\n<p>Meses antes do megaevento, no entanto, a constru\u00e7\u00e3o havia avan\u00e7ado pouco. Diante disso, o governo estadual chegou a cobrir os canteiros de obras com grama para, segundo a gest\u00e3o da \u00e9poca, melhorar o aspecto visual das avenidas no per\u00edodo em que a capital sediaria quatro jogos do Mundial.<\/p>\n<p>Silval Barbosa sabia desde meados de 2013 que o modal n\u00e3o estaria em funcionamento durante a Copa, mas continuou dizendo que as obras estavam dentro do cronograma. Apenas nos primeiros meses de 2014 ele confirmaria que o ve\u00edculo n\u00e3o ficaria pronto antes do Mundial \u2013 prometeu, ent\u00e3o, que a inaugura\u00e7\u00e3o ocorreria at\u00e9 o fim daquele ano.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2014, o Estado concedeu um aditivo de 12 meses para a conclus\u00e3o da obra e implanta\u00e7\u00e3o do modal. Mas em meados do mesmo ano, o cons\u00f3rcio passou a enviar of\u00edcios ao governo informando que os repasses estavam atrasados. Mais tarde, notificou a gest\u00e3o de que pararia as obras caso os pagamentos n\u00e3o fossem feitos.<\/p>\n<p>Diante do imbr\u00f3glio, Silval determinou ele mesmo a paralisa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o antes de deixar o governo. Desde ent\u00e3o, elas nunca mais avan\u00e7aram. Apenas nove quil\u00f4metros de trilhos haviam sido implantados, e os vag\u00f5es permanecem no estacionamento onde foram colocados desde que chegaram a Mato Grosso, sob os cuidados do Cons\u00f3rcio VLT.<\/p>\n<p>Segundo o atual governo, comandado por Pedro Taques (PSDB), os ve\u00edculos ainda est\u00e3o novos e em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o. Mas para especialistas, como o engenheiro civil Miguel Miranda, eles representar\u00e3o mais custos caso o modal seja de fato conclu\u00eddo. &#8220;Em dois anos, pelo menos a parte eletroeletr\u00f4nica dever\u00e1 ser quase toda reformada&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"story-body__crosshead\"><strong>Longa negocia\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> O atual governador de Mato Grosso era um ferrenho cr\u00edtico \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do VLT. Mas nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, que acabaria vencendo, prometeu conclu\u00ed-lo em sua gest\u00e3o. Em janeiro seguinte, ao assumir o cargo, determinou a abertura de negocia\u00e7\u00f5es com o Cons\u00f3rcio VLT para a retomada das obras.<\/p>\n<p>Em abril do mesmo ano, o contrato acabou suspenso pela Justi\u00e7a por causa da falta de entendimento entre as partes. Durante as negocia\u00e7\u00f5es, o cons\u00f3rcio apresentou quatro propostas diferentes de reajuste entre abril de 2015 e dezembro de 2016 \u2013 os valores foram de R$ 993 milh\u00f5es, R$ 1,04 bilh\u00e3o, R$ 1,494 bilh\u00e3o e, por \u00faltimo, R$ 977 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em agosto de 2015, o governo obteve autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Federal para contratar uma auditoria independente para investigar o contrato e apontar o valor correto para a retomada. Um dos entraves nas negocia\u00e7\u00f5es eram as cinco a\u00e7\u00f5es judiciais movidas pelo Estado contra o cons\u00f3rcio, incluindo processos por improbidade administrativa e pedindo indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o do ano passado, as duas partes finalmente chegaram a um acordo. Ficou determinado que as obras seriam retomadas tr\u00eas meses depois e conclu\u00eddas em 24 meses, sob o valor de R$ 922 milh\u00f5es, sendo R$ 327,2 milh\u00f5es referentes a passivos do contrato original \u2013 com isso, o VLT teria um custo final de R$ 1,988 bilh\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Estado deveria extinguir as a\u00e7\u00f5es judiciais que envolvessem o Cons\u00f3rcio VLT.<\/p>\n<p>Mas o novo acordo acabaria n\u00e3o indo adiante. Os Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estadual e Federal apontaram diversas irregularidades no contrato e determinaram a suspens\u00e3o do acordo.<\/p>\n<p>Procurado, o Cons\u00f3rcio VLT informou que est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Estado para chegar a uma concilia\u00e7\u00e3o. O grupo de empresas informou que est\u00e1 impedido de falar sobre a quest\u00e3o, pois o caso est\u00e1 na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;O Cons\u00f3rcio segue \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades, como sempre o fez, para quaisquer esclarecimentos que vise o objetivo p\u00fablico maior e leg\u00edtimo: a retomada e conclus\u00e3o das obras do VLT, para uso da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, disse, em nota.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o incerta &#8211;\u00a0<\/strong>Diante do impasse com o Cons\u00f3rcio VLT, n\u00e3o h\u00e1 data para que uma nova licita\u00e7\u00e3o seja lan\u00e7ada. O secret\u00e1rio-adjunto de obras do VLT, Jos\u00e9 Piccolli Neto, prefere n\u00e3o estipular um prazo de entrega do servi\u00e7o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Se come\u00e7ar a construir hoje, o prazo para terminar seria, no m\u00e1ximo, de 24 meses. E depois teria o tempo para entrar em opera\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o sabemos quando ser\u00e1 lan\u00e7ada a nova licita\u00e7\u00e3o, mas esperamos que seja o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que, caso entre em funcionamento, o modal seja gerido por meio de parceria p\u00fablico-privada (PPP). Cada passagem deve custar o mesmo valor cobrado nos \u00f4nibus de Cuiab\u00e1, R$ 3,80.<\/p>\n<p>Segundo Piccolli, o Estado prefere n\u00e3o divulgar quanto deve custar a conclus\u00e3o da obras. &#8220;Como estamos em um processo de licita\u00e7\u00e3o, isso pode ficar como par\u00e2metro para colocarem esse valor como base&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 importante destacar que o valor das obras iniciais inclu\u00eda o fornecimento de trem, de trilhos, de cabos, de postes e de subesta\u00e7\u00f5es. Esses equipamentos j\u00e1 est\u00e3o todos no canteiro de obras. Voc\u00ea n\u00e3o precisa comprar nada. O que precisamos agora \u00e9 de m\u00e3o de obra. \u00c9 montar. Al\u00e9m disso, as esta\u00e7\u00f5es, os centros de comando, os viadutos j\u00e1 est\u00e3o prontos.&#8221;<\/p>\n<p>Piccolli garante que a possibilidade de o Estado desistir do VLT e retomar a ideia de construir o BRT, como j\u00e1 chegou a ser cogitado por Taques, n\u00e3o faz parte dos planos do governo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos, ali, mais de 300 milh\u00f5es de euros em equipamentos. N\u00e3o somos loucos de deix\u00e1-los parados. Estamos procurando fazer um neg\u00f3cio com seriedade e responsabilidade. N\u00e3o queremos fazer lamban\u00e7a igual foi feito anteriormente, n\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mas, na avalia\u00e7\u00e3o do engenheiro Miguel Miranda, o alto custo poder\u00e1 levar o Estado a desistir do modal.<\/p>\n<p>&#8220;Com corre\u00e7\u00f5es cambiais, reajustes e itens que ainda faltam ser pagos, como desapropria\u00e7\u00f5es, a obra n\u00e3o sai por menos de R$ 2,1 bilh\u00f5es. Ou seja, o pre\u00e7o inicial aumentou, praticamente, 70%. Quem \u00e9 o governador que vai ter coragem de tirar esse projeto do papel e fazer isso a esse pre\u00e7o?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os canteiros de obras abandonados em meio \u00e0s principais avenidas de Cuiab\u00e1 e V\u00e1rzea Grande representam resqu\u00edcios daquele que era para ser o maior legado da Copa do Mundo de 2014 para Mato Grosso, o Ve\u00edculo Leve sobre Trilhos (VLT). 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