{"id":181538,"date":"2018-06-05T17:24:00","date_gmt":"2018-06-05T20:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=181538"},"modified":"2018-06-05T17:24:00","modified_gmt":"2018-06-05T20:24:00","slug":"universidade-e-punida-apos-casos-de-racismo-nos-jogos-juridicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/universidade-e-punida-apos-casos-de-racismo-nos-jogos-juridicos\/","title":{"rendered":"Universidade \u00e9 punida ap\u00f3s casos de racismo nos Jogos Jur\u00eddicos"},"content":{"rendered":"<p>A Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) foi suspensa dos Jogos Jur\u00eddicos Estaduais de 2019, ap\u00f3s casos de racismo durante uma competi\u00e7\u00e3o esportiva no \u00faltimo fim de semana. A universidade tamb\u00e9m perdeu o t\u00edtulo de campe\u00e3-geral e foi acionada para identificar os alunos envolvidos e promover educa\u00e7\u00e3o antirracista na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios ocorreram durante a edi\u00e7\u00e3o dos jogos em Petr\u00f3polis, na Regi\u00e3o Serrana, e tornaram-se p\u00fablicos depois de relatos de alunos nas redes sociais. De acordo com os relatos, os alvos eram os atletas negros e negras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Cat\u00f3lica de Petr\u00f3polis (UCP).<\/p>\n<p>No in\u00edcio da competi\u00e7\u00e3o, no s\u00e1bado (2), a campanha Jogos sem Racismo, que atua junto com a organiza\u00e7\u00e3o do Jogos Jur\u00eddicos, havia cobrado um posicionamento mais rigoroso, depois que uma casca de banana foi arremessada contra um atleta da UCP pela delega\u00e7\u00e3o da PUC-Rio. A puni\u00e7\u00e3o foi uma multa de R$ 500 e a suspens\u00e3o da torcida de um jogo, como exemplo, mas n\u00e3o adiantou. Os casos se agravaram no domingo, quando os coletivos universit\u00e1rios negros se uniram.<\/p>\n<p>Nesse dia, ap\u00f3s um jogo de basquete, a delega\u00e7\u00e3o da PUC-Rio imitou macacos para ofender estudantes da Uerj. Na final do handebol feminino, uma atleta da UFF foi chamada de macaca por outra universit\u00e1ria da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica. Nas redes sociais, um universit\u00e1rio conta que estudantes ficaram ainda mais revoltados quando \u201cuma menina da PUC vira para a gente e diz: Olha o meu rosto, voc\u00ea acha mesmo que vou ser presa?&#8221;.<\/p>\n<p>Os fatos est\u00e3o sendo apurados pela 105\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia, em Petr\u00f3polis. A Pol\u00edcia Civil pede que as v\u00edtimas registrem ocorr\u00eancia para posterior abertura de inqu\u00e9rito sobre os fatos.<\/p>\n<p><strong>Racismo recorrente &#8211;\u00a0<\/strong>Os casos levaram os coletivos de estudantes negros Patrice Lumumba, da Uerj; Ca\u00f3, da UFF; e Cl\u00e1udia Silva Ferreira, da Faculdade de Direito da UFRJ, a se posicionarem. Eles cobraram uma s\u00e9rie de medidas atendidas pela organiza\u00e7\u00e3o, como a suspens\u00e3o da PUC-Rio das competi\u00e7\u00f5es do ano que vem, a perda do t\u00edtulo de campe\u00e3-geral e exigiram ainda que, durante o afastamento, a universidade cat\u00f3lica fa\u00e7a um \u201cintenso trabalho de did\u00e1tica antirracista\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos, ao menos, que essa dor descomunal se revele uma oportunidade para que todas as Faculdades de Direito repensem suas pr\u00e1ticas\u201d, afirmou a Jogos sem Racismo, em nota.<\/p>\n<p>Uma das integrantes da campanha Mahara Vieira disse que os epis\u00f3dios levaram a questionamentos sobre a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o no Direito. Em tom de desabafo, ela lamentou o desfecho da competi\u00e7\u00e3o. \u201cFoi muito forte. Toda uma delega\u00e7\u00e3o aos prantos. A gente n\u00e3o conseguia comemorar. Viemos para nos divertir, todos n\u00f3s, de todas as faculdades, mas n\u00e3o foi isso o que aconteceu, n\u00e3o foi assim que acabou. Ach\u00e1vamos que isso (o racismo) estava sendo superado, mesmo que de forma lenta e gradual, mas parece que houve retrocesso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Alunos negros da PUC &#8211;\u00a0<\/strong>Formado por estudantes negros e negras da PUC-Rio, o Coletivo Nuvem Negra fez um ato hoje (6) no Centro Acad\u00eamico do Direito, fixando cartazes, para visibilizar o ocorrido no fim de semana e exigindo medidas concretas. Um dos organizadores, o aluno Leonne Gabriel, disse que a PUC-Rio tem, na teoria, um discurso humanista. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica, n\u00e3o acolhe alunos da mesma forma. \u201cA universidade tem alunos negros, por uma s\u00e9rie de pol\u00edticas afirmativas, mas n\u00e3o faz uma campanha de igualdade racial sequer\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Nuvem Negra, enfrentar o racismo na institui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade. \u201cNa medida em que institui\u00e7\u00f5es de ensino superior como a PUC-Rio se mostram incapazes de tomar medidas efetivamente antirracistas, elas n\u00e3o apenas banalizam as viol\u00eancias no cotidiano da educa\u00e7\u00e3o superior como ainda legitimam o racismo que estrutura as institui\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas para al\u00e9m dos muros da universidade\u201d, afirmou, nas redes sociais.<\/p>\n<p>O coletivo vem defendendo que a PUC incorpore disciplinas que tratem das rela\u00e7\u00f5es etnorraciais de estudos africanos, al\u00e9m de contratar mais professores pretos e pardos.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, a PUC-Rio reencaminhou nota elaborada ontem informando que instalar\u00e1 comiss\u00e3o disciplinar para apurar o que aconteceu e identificar os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cPermanecemos fieis ao pioneirismo na promo\u00e7\u00e3o da diversidade e da igualdade racial, pois foi a PUC-Rio o ber\u00e7o dos pr\u00e9-vestibulares comunit\u00e1rios para negros e carentes, a primeira institui\u00e7\u00e3o particular brasileira a instituir pol\u00edtica de acesso e perman\u00eancia de alunos negros e carentes, mediante concess\u00e3o de bolsas de estudo, aux\u00edlio financeiro para custeio de despesas de bolsistas e a primeira institui\u00e7\u00e3o a oferecer disciplina na gradua\u00e7\u00e3o sobre a\u00e7\u00f5es afirmativas\u201d, diz a nota.<\/p>\n<p>A Uerj, tamb\u00e9m em nota enviada \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, repudiou os casos e se colocou ao lado dos alunos atacados. \u201cConsiderando que racismo \u00e9 crime, n\u00e3o podemos nos furtar de exigir a devida investiga\u00e7\u00e3o desses fatos e rigorosa puni\u00e7\u00e3o, devendo ser assegurada ampla defesa\u201d, declarou, lembrando que a institui\u00e7\u00e3o foi pioneira na implanta\u00e7\u00e3o das cotas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) foi suspensa dos Jogos Jur\u00eddicos Estaduais de 2019, ap\u00f3s casos de racismo durante uma competi\u00e7\u00e3o esportiva no \u00faltimo fim de semana. 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