{"id":181832,"date":"2018-06-08T08:39:56","date_gmt":"2018-06-08T11:39:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=181832"},"modified":"2018-06-08T08:39:56","modified_gmt":"2018-06-08T11:39:56","slug":"pressionado-por-caminhoneiros-governo-revoga-tabela-de-frete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pressionado-por-caminhoneiros-governo-revoga-tabela-de-frete\/","title":{"rendered":"Pressionado por caminhoneiros, governo revoga tabela de frete"},"content":{"rendered":"<p>Pressionado de ambos os lados, por empres\u00e1rios e caminhoneiros, o governo federal foi obrigado na quinta-feira, 7, a revogar a nova vers\u00e3o da tabela do pre\u00e7o m\u00ednimo do frete 4 horas ap\u00f3s publicar a resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No fim da noite de quinta, o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, se reuniu com os representantes dos caminhoneiros, que estavam insatisfeitos com as mudan\u00e7as promovidas na tabela anterior. De acordo com a revis\u00e3o feita pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o pre\u00e7o do frete seria reduzido em m\u00e9dia em 20%.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o com o ministro foi gravada pelos caminhoneiros, que j\u00e1 articulavam pelos grupos de WhatsApp uma nova paralisa\u00e7\u00e3o a partir de segunda-feira, dia 11. No v\u00eddeo, a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, o ministro afirma que os representantes reclamaram de alguns pontos da resolu\u00e7\u00e3o e que, por isso, uma nova reuni\u00e3o foi marcada para esta sexta-feira, 8, \u00e0s 9h na ANTT para rediscutir o tema.<\/p>\n<p>&#8220;O Minist\u00e9rio dos Transportes e a ANTT decidiram tornar a resolu\u00e7\u00e3o sem efeito para que amanh\u00e3 (esta sexta-feira) as lideran\u00e7as possam ir \u00e0 ag\u00eancia discutir a quest\u00e3o e a metodologia da tabela para ser publicada novamente&#8221;, disse o ministro aos representantes.<\/p>\n<p>Segundo ele, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer uma tabela fact\u00edvel e que represente o custo do transporte de carga no Brasil. Portanto, essa resolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 revogada e a tabela antiga volta a valer at\u00e9 que a ANTT publique uma nova vers\u00e3o.<\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00e3o &#8211; Na reuni\u00e3o, os caminhoneiros se queixaram de um ponto da resolu\u00e7\u00e3o que exclui do tabelamento os ve\u00edculos que precisam de Autoriza\u00e7\u00e3o Especial de Tr\u00e1fego (AET). Nessa categoria, est\u00e3o grandes caminh\u00f5es de nove eixos usados pelo agroneg\u00f3cio. Esse ponto dever\u00e1 ser suprimido da nova resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do movimento tamb\u00e9m pediram explica\u00e7\u00f5es sobre a f\u00f3rmula de c\u00e1lculo do frete. Na quinta-feira pela manh\u00e3, eles estiveram na ANTT e l\u00e1 os t\u00e9cnicos explicaram como funcionaria. Mas, \u00e0 noite, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o, eles ainda tinham d\u00favidas e interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas sobre o tema.<\/p>\n<p>A tabela do pre\u00e7o m\u00ednimo \u00e9 considerada a grande vit\u00f3ria dos caminhoneiros nos \u00faltimos tempos e nenhum profissional da categoria est\u00e1 disposto a abrir m\u00e3o dos benef\u00edcios prometidos pelo governo para interromper a greve. A principal muni\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros para pressionar o governo \u00e9 uma nova paralisa\u00e7\u00e3o &#8211; e eles est\u00e3o dispostos e articulados para novos protestos.<\/p>\n<p>Do outro lado, no entanto, o governo enfrenta a forte press\u00e3o do setor produtivo, em especial do agroneg\u00f3cio, que depende do transporte rodovi\u00e1rio. Na quinta-feira, mesmo depois da nova resolu\u00e7\u00e3o, as empresas continuavam insatisfeitas. Elas consideraram o corte &#8211; em m\u00e9dia de 20% &#8211; insuficiente e amea\u00e7am dar in\u00edcio a uma avalanche de a\u00e7\u00f5es judiciais.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a depois que um produtor de sal de Mossor\u00f3 (RN) conseguiu liminar suspendendo a tabela. O juiz federal substituto Orlan Donato Rocha, da 8.\u00aa Vara Federal, apontou &#8220;flagrante inconstitucionalidade&#8221; na medida.<\/p>\n<p>&#8220;O governo est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o complicada, pois qualquer que seja a decis\u00e3o haver\u00e1 conflito. Se a tabela for mantida, os empres\u00e1rios v\u00e3o reclamar; se cair, os caminhoneiros v\u00e3o protestar&#8221;, explicou o presidente da Uni\u00e3o dos Caminhoneiros (Unicam), Jos\u00e9 Araujo, mais conhecido como China. Para o representante do Comando Nacional dos Transportes (CNT), Ivar Schmidt, o governo voltou atr\u00e1s porque percebeu o risco que corria de uma nova paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na quinta, ap\u00f3s anunciar a nova vers\u00e3o da tabela, o ministro declarou que o governo confiava que n\u00e3o haveria novas manifesta\u00e7\u00f5es por causa da mudan\u00e7a da mesma, pois considerava que n\u00e3o haveria preju\u00edzos para nenhuma das partes.<\/p>\n<p>A MP tabelando o frete causou constrangimento nos escal\u00f5es t\u00e9cnicos do governo. Segundo fontes do Minist\u00e9rio dos Transportes e da ANTT, ningu\u00e9m era favor\u00e1vel a essa medida, por entender que a regra engessaria pre\u00e7os para os usu\u00e1rios, prejudicando a concorr\u00eancia no setor de transportes de cargas.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que o governo, completamente surpreendido com os desdobramentos da paralisa\u00e7\u00e3o, tomou uma decis\u00e3o \u00e0 queima-roupa, sem analisar criteriosamente todos os seus efeitos, por conta da press\u00e3o da categoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pressionado de ambos os lados, por empres\u00e1rios e caminhoneiros, o governo federal foi obrigado na quinta-feira, 7, a revogar a nova vers\u00e3o da tabela do pre\u00e7o m\u00ednimo do frete 4 horas ap\u00f3s publicar a resolu\u00e7\u00e3o. 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