{"id":182407,"date":"2018-06-14T08:38:44","date_gmt":"2018-06-14T11:38:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=182407"},"modified":"2018-06-14T08:39:19","modified_gmt":"2018-06-14T11:39:19","slug":"forca-do-movimento-negro-rap-racismo-periferia-etc-etc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/forca-do-movimento-negro-rap-racismo-periferia-etc-etc\/","title":{"rendered":"For\u00e7a do movimento negro, rap, racismo, periferia etc etc"},"content":{"rendered":"<p>Mano Brown, 48, e Criolo, 43, t\u00eam diferentes jeitos de expressar suas ideias. Enquanto o primeiro \u00e9 mais direto e objetivo, o segundo prefere estabelecer met\u00e1foras e f\u00e1bulas para externar sua linha de racioc\u00ednio. Fato \u00e9 que a dupla, mesmo com maneiras t\u00e3o antag\u00f4nicas de externar os pensamentos, mostra bastante entrosamento dentro e fora dos palcos.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos discos de Criolo e Brown, inclusive, dialogam muito bem. Criolo lan\u00e7ou o elogiado Espiral de Ilus\u00e3o (2017), que homenageia o samba dos anos 40 e 50. J\u00e1 Brown surpreendeu a todos com o heterog\u00eaneo Boogie Naipe (2016).<\/p>\n<p>&#8220;Quem conhece o Mano sabe que ele tamb\u00e9m tem o samba no cora\u00e7\u00e3o. Isso acabou dando vida ao Boogie Naipe. O Mano me contou que as primeiras experi\u00eancias musicais dele foram com o pandeiro. Acho que cada um pegou sua por\u00e7\u00e3o de aud\u00e1cia e coragem&#8221;, lembra Criolo. &#8220;Eu gosto de fazer tudo com prazer e devo\u00e7\u00e3o. Rap, para mim, \u00e9 religi\u00e3o&#8221;, conta Brown.<\/p>\n<p>No repert\u00f3rio, cl\u00e1ssicos das carreiras solos de Criolo e Mano Brown, al\u00e9m de hits dos Racionais MC\u2019s. Ponta de Lan\u00e7a Africano (Umbabarauma), can\u00e7\u00e3o original de Jorge Ben Jor e regravada por Mano Brown em 2010, tamb\u00e9m ser\u00e1 tocada no show. A faixa foi produzida por Zegon e Daniel Ganjaman, um dos diretores musicais do espet\u00e1culo ao lado de Duani Martins.<\/p>\n<p>Recentemente, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou a lista de obras obrigat\u00f3rias para o vestibular 2020 da institui\u00e7\u00e3o. Entre as novidades, est\u00e1 a inclus\u00e3o do \u00e1lbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em 1997, Sobrevivendo foi o segundo \u00e1lbum da banda e cont\u00e9m cl\u00e1ssicos como Cap\u00edtulo 4, Vers\u00edculo 3, Di\u00e1rio de um Detento, T\u00f4 Ouvindo Algu\u00e9m me Chamar, Rapaz Comum, Jorge da Capad\u00f3cia e F\u00f3rmula M\u00e1gica da Paz<\/p>\n<p>No vestibular, a obra far\u00e1 parte do g\u00eanero poesia. Os candidatos ter\u00e3o que ler na \u00edntegra as letras das 12 m\u00fasicas que comp\u00f5em o trabalho. &#8220;Fiquei espantado e recebi a not\u00edcia de maneira positiva. Era um mundo t\u00e3o diferente do de agora. A gente era t\u00e3o jovem. Eu tinha 28 anos quando o disco saiu e estava procurando meus caminhos, o meu norte. Me recordo de cada arranjo, batida e letra. Analisando o \u00e1lbum 20 anos depois, vejo que \u00e9 um disco muito pesado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Acredito muito na for\u00e7a das palavras. Hoje, eu pensaria duas vezes antes de fazer algo assim Mas, naquele momento, era meio que uma prioridade. Naquela \u00e9poca (1996, 1997 e 1998), o Cap\u00e3o Redondo foi tri campe\u00e3o do mundo em n\u00famero de homic\u00eddios. Eu sempre achei que o Brasil era cego e surdo. Tem coisas naquele disco que s\u00e3o muito \u00f3bvias para quem \u00e9 da periferia. Eu particularmente n\u00e3o me assustava nenhum pouco com aquilo. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o via coisas que eram muito f\u00e1ceis de serem vistas. Isso \u00e9 muito assustador. O Criolo, por exemplo, via o que estava acontecendo. Ele mesmo poderia ter escrito este disco. O Sobrevivendo no Inferno era aquilo mesmo: um rapaz comum falando da vida, um pobre tentando romper a barreira de pobreza e do anonimato&#8221;, relata Brown.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica<\/strong> &#8211; Sentados sob um banco r\u00fastico de madeira em uma simp\u00e1tica casa na regi\u00e3o de Pinheiros, na zona oeste da cidade, Criolo e Brown falam abertamente sobre pol\u00edtica. Para dois dos mais importantes nomes do rap nacional, o cen\u00e1rio atual nunca foi t\u00e3o nebuloso e incerto. &#8220;A gente vive sob uma sombra. A maior ferramenta do Estado \u00e9 o medo. Eles criaram essa situa\u00e7\u00e3o de que falar sobre pol\u00edtica \u00e9 algo chato. Todos deveriam aprender sobre pol\u00edtica logo na inf\u00e2ncia. Nossos parlamentares est\u00e3o aprovando todas as leis antipovo na calada da madrugada. Isso \u00e9 grave&#8221;, lembra Criolo.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, mais do que nunca, as pessoas precisam recuperar a confian\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 PT, PSDB, Santos ou Corinthians. Eu n\u00e3o posso pensar s\u00f3 em tirar vantagem. O brasileiro est\u00e1 esperando a pol\u00edcia chegar. Ele pensa que todos s\u00e3o ladr\u00f5es, como se isso fosse a solu\u00e7\u00e3o. Vivemos uma mar\u00e9 de baixa estima, que, por si s\u00f3, j\u00e1 faz um mal do caramba. Eu s\u00f3 vejo solu\u00e7\u00e3o se o Lula for presidente. Assim, os avan\u00e7os na parte social v\u00e3o poder continuar. Se o Brasil n\u00e3o fizer justi\u00e7a, isso aqui vai virar um Mad Max. Eu vi a vida das pessoas se transformarem no governo Lula. As pessoas passaram a se enxergar diferentemente de como elas se enxergavam. N\u00e3o s\u00f3 o negro, mas o branco. De baixo do meu bigode. Eu vi as mudan\u00e7as acontecendo. Da\u00ed voc\u00ea vai me perguntar: &#8216;o qu\u00ea?&#8217; E eu vou responder: \u2018tudo\u2019. Principalmente a vis\u00e3o que o negro tinha dele mesmo. A periferia era conservadora e preconceituosa. Falar que o governo Lula n\u00e3o mudou a vida dessas pessoas \u00e9 mentira&#8221;, destaca Brown.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mano Brown, 48, e Criolo, 43, t\u00eam diferentes jeitos de expressar suas ideias. Enquanto o primeiro \u00e9 mais direto e objetivo, o segundo prefere estabelecer met\u00e1foras e f\u00e1bulas para externar sua linha de racioc\u00ednio. 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