{"id":182416,"date":"2018-06-14T08:51:20","date_gmt":"2018-06-14T11:51:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=182416"},"modified":"2018-06-14T08:51:20","modified_gmt":"2018-06-14T11:51:20","slug":"sem-caminhoes-silos-ficam-abarrotados-de-graos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sem-caminhoes-silos-ficam-abarrotados-de-graos\/","title":{"rendered":"Sem caminh\u00f5es, silos ficam abarrotados de gr\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>Dentro de um galp\u00e3o de armazenamento de gr\u00e3os em Cristalina (GO), a 120 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, cerca de 370 mil sacas de soja aguardam, sem previs\u00e3o, a chegada dos 700 caminh\u00f5es que levar\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 os portos do Sudeste. A espera se repete nas dezenas de silos que se espalham pelo munic\u00edpio, onde a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a greve dos caminhoneiros n\u00e3o acabou. As carretas est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 quem se disponha a contratar o servi\u00e7o, nem data para que isso ocorra.<\/p>\n<p>O acordo que o governo firmou com os caminhoneiros para acabar com paralisa\u00e7\u00e3o de 11 dias que provocou uma crise de abastecimento no Pa\u00eds pode ter minimizado parte da crise, mas alimentou outra. Entre os produtores rurais, o clima \u00e9 de indigna\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m quer pagar pelo tabelamento do pre\u00e7o m\u00ednimo do frete.<\/p>\n<p>As tradings de gr\u00e3os, que compram a produ\u00e7\u00e3o das fazendas e transportam a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 os portos, j\u00e1 compraram tudo o que est\u00e1 nos estoques, mas com base nos valores antigos do frete. Agora, com a indefini\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, essas empresas se negam a retirar a produ\u00e7\u00e3o para n\u00e3o terem preju\u00edzos. Sob press\u00e3o, o governo j\u00e1 editou duas vers\u00f5es da tabela. A primeira atendeu aos caminhoneiros, mas revoltou o agroneg\u00f3cio, que fala em aumentos de at\u00e9 150% nos pre\u00e7os. A segunda procurou aliviar o custo dos produtores, mas contrariou os caminhoneiros. O governo a revogou Uma terceira vers\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o desde o fim da semana passada.<\/p>\n<p>&#8220;Elas preferem pagar o produtor para estender o tempo de estoque da produ\u00e7\u00e3o nos galp\u00f5es do que bancar o que os caminhoneiros est\u00e3o pedindo&#8221;, diz o produtor rural Al\u00e9cio Mar\u00f3stica. &#8220;O resultado \u00e9 que todo o setor est\u00e1 parado, com galp\u00f5es abarrotados e sem previs\u00e3o de retirada dessa produ\u00e7\u00e3o. Viramos ref\u00e9ns de uma situa\u00e7\u00e3o absurda.&#8221;<\/p>\n<p>Nas fazendas e centros de produ\u00e7\u00e3o, cada dia \u00e9 uma agonia. O que agora tira o sono dos produtores \u00e9 o in\u00edcio da safrinha de milho, que come\u00e7a daqui a uma semana, no dia 20 de junho. &#8220;Estamos sem saber o que fazer. Daqui a uma semana come\u00e7a a chegar a safrinha do milho. Se essa produ\u00e7\u00e3o de hoje n\u00e3o sair, n\u00e3o teremos onde por mais nada. Vai travar tudo de uma vez&#8221;, afirma Emilton Kennedy.<\/p>\n<p>Nos dias de paralisa\u00e7\u00f5es dos caminhoneiros, o produtor rural Luiz Carlos Figueiredo entrou em desespero, depois de perder 30 mil litros de leite por dia. Hoje, vive o drama de n\u00e3o ter onde colocar a safrinha do milho. &#8220;Tivemos que jogar todo o leite na terra. Irrigamos a planta\u00e7\u00e3o com o leite perdido. Perdemos ainda 20 caminh\u00f5es com milhares de caixas de ovos. Foi R$ 1 milh\u00e3o de preju\u00edzo&#8221;, diz ele. &#8220;Agora, estou com 70% da produ\u00e7\u00e3o de soja trancada no armaz\u00e9m, porque ningu\u00e9m consegue fechar o pre\u00e7o do frete.&#8221;<\/p>\n<p>Perec\u00edveis &#8211; O drama log\u00edstico n\u00e3o afeta s\u00f3 a colheita de soja e milho. Em Cristalina, boa parte da produ\u00e7\u00e3o de 2,5 milh\u00f5es de toneladas por ano est\u00e1 atrelada ao plantio de batata, cenoura, alho, cebola e tomate, uma cesta de 50 tipos de produtos.<\/p>\n<p>Nessa lista de perec\u00edveis, a maioria n\u00e3o pode ficar sequer uma semana em estoque. Depois de sair da terra, \u00e9 um dia para ser beneficiada e ir direto para o caminh\u00e3o e seu destino final.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de sentir esse pre\u00e7o do frete, que n\u00e3o se define, meu produto est\u00e1 desvalorizado agora, porque ficamos 20 dias sem entregar e agora h\u00e1 muita oferta no mercado&#8221;, diz Jo\u00e3o Gruber, que produz batatas em uma \u00e1rea de 680 hectares de Cristalina. &#8220;Depois de o nosso pre\u00e7o explodir nos dias da greve, agora caiu absurdamente. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel, porque meu produto n\u00e3o pode esperar. Ele tem que sair, mesmo se for com preju\u00edzo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro de um galp\u00e3o de armazenamento de gr\u00e3os em Cristalina (GO), a 120 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, cerca de 370 mil sacas de soja aguardam, sem previs\u00e3o, a chegada dos 700 caminh\u00f5es que levar\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 os portos do Sudeste. 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