{"id":182609,"date":"2018-06-16T06:55:21","date_gmt":"2018-06-16T09:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=182609"},"modified":"2018-06-16T06:55:21","modified_gmt":"2018-06-16T09:55:21","slug":"informacao-e-o-comeco-para-a-quebra-de-estigmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/informacao-e-o-comeco-para-a-quebra-de-estigmas\/","title":{"rendered":"Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o come\u00e7o para a quebra de estigmas"},"content":{"rendered":"<p>Esque\u00e7a todos os estere\u00f3tipos que voc\u00ea conhece sobre pessoas com esquizofrenia. Loucura, agressividade e saliva\u00e7\u00e3o excessiva, embora fa\u00e7am parte, n\u00e3o s\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e caracter\u00edstica da doen\u00e7a. Com tratamento adequado, o paciente pode superar o problema e aprender a conviver com ele, trabalhar, ter fam\u00edlia e viver de maneira satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A quebra de estigmas come\u00e7a com a forma como nos referimos ao indiv\u00edduo. &#8220;As pessoas s\u00e3o muito mais complexas, importantes e relevantes do que a doen\u00e7a que elas t\u00eam&#8221;, afirma o psiquiatra Ary Gadelha, professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (EPM\/UNIFESP) e coordenador do Programa de Esquizofrenia (PROESQ) da mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados sobre esquizofrenia no Brasil s\u00e3o escassos, mas, com base em n\u00fameros internacionais, estima-se que a doen\u00e7a afete de 800 mil a 1,4 milh\u00e3o de pessoas. A incid\u00eancia \u00e9 maior em homens, uma rela\u00e7\u00e3o de 1,5 pacientes para uma mulher.<\/p>\n<p><strong>Sintomas<\/strong> &#8211; Considerada uma s\u00edndrome, visto que n\u00e3o h\u00e1 apenas um fator que a defina, a doen\u00e7a tem como sintomas mais comuns os del\u00edrios e as alucina\u00e7\u00f5es. &#8220;Del\u00edrio \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o do pensamento. Por exemplo: a pessoa sente-se perseguida, mas a intensidade \u00e9 t\u00e3o grande que ela tem certeza absoluta, mesmo que ao redor n\u00e3o haja dados que justifiquem aquilo&#8221;, explica o psiquiatra.<\/p>\n<p>Sobre a agressividade, o especialista afirma que ela se d\u00e1 justamente por conta do del\u00edrio. Ao se sentirem amea\u00e7adas, elas podem reagir dessa forma. &#8220;N\u00e3o \u00e9 espont\u00e2neo, pelo contr\u00e1rio: elas evitam contato com as pessoas porque acham que podem ser v\u00edtimas de uma persegui\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 a alucina\u00e7\u00e3o envolve algum dos cinco sentidos, geralmente o auditivo, em que se ouvem vozes em tom amea\u00e7ador. &#8220;E aqui fica evidente a necessidade de tratamento. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que algu\u00e9m que se sinta perseguido ou escute vozes o tempo inteiro consiga viver bem&#8221;, afirma Gadelha.<\/p>\n<p>Dificuldade de expressar emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, falta de vontade ou de tomar decis\u00f5es e aus\u00eancia completa ou pobreza na fala tamb\u00e9m podem surgir nos portadores da s\u00edndrome. Esse sintomas, no entanto, &#8220;s\u00e3o mais dif\u00edceis de entender e n\u00e3o respondem t\u00e3o bem \u00e0s medica\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma o psiquiatra.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a envolve ainda desorganiza\u00e7\u00e3o do pensamento ou comportamental, preju\u00edzos na aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria ou fun\u00e7\u00f5es motoras, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es de humor e ansiedade. Os sintomas depressivos existem como parte da s\u00edndrome quando, por exemplo, a pessoa acha que outros pensam algo negativo sobre ela, o que afeta a autoestima.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong> &#8211; Assim como nos casos de depress\u00e3o bipolar, a identifica\u00e7\u00e3o da esquizofrenia \u00e9 totalmente cl\u00ednica e por exclus\u00e3o. Isso quer dizer que o m\u00e9dico, ao se deparar com os sintomas mais comuns, deve primeiro eliminar outras causas.<\/p>\n<p>Del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es, por exemplo, podem ser decorrentes de uso de medica\u00e7\u00e3o, drogas ou bebidas alco\u00f3licas e at\u00e9 mesmo por tumor ou doen\u00e7a infecciosa. Os exames s\u00e3o utilizados apenas para excluir essas poss\u00edveis causas.<\/p>\n<p>Ao notar o conjunto de sintomas, \u00e9 preciso se atentar \u00e0 dura\u00e7\u00e3o deles, que \u00e9 de pelo menos seis meses, e saber se prejudicam ou alteram o funcionamento da pessoa de alguma forma. &#8220;Dada a complexidade da doen\u00e7a, a gente olha com ressalva quando surgem testes [para identificar esquizofrenia]&#8221;, pontua Ary Gadelha. Segundo o especialista, 80% dos pacientes n\u00e3o voltam \u00e0s suas atividades anteriores.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica<\/strong> &#8211; Um grande estudo gen\u00e9tico sobre esquizofrenia, feito com mais de cem mil pessoas no mundo, encontrou 108 regi\u00f5es do genoma humano associadas \u00e0 doen\u00e7a. Al\u00e9m dos mais de mil genes relacionados \u00e0 s\u00edndrome, fatores ambientais tamb\u00e9m contribuem para desencade\u00e1-la.<\/p>\n<p>Mas nada ocorre de um dia para o outro. &#8220;A carga gen\u00e9tica e do ambiente atuam ao longo do tempo, desenvolve uma trajet\u00f3ria cerebral alterada, fazendo com que no final da adolesc\u00eancia a pessoa tenha maior vulnerabilidade para desenvolver psicose&#8221;, explica Gadelha.<\/p>\n<p>No caso da esquizofrenia, qualquer pessoa que sofre um acidente ou faz uso de subst\u00e2ncia pode ter psicose. &#8220;Pela carga gen\u00e9tica, ela pode ter tend\u00eancia a liberar mais dopamina de uma forma fora de contexto ou desproporcional. E v\u00e1rias coisas modulam a dopamina, como estresse e uso de subst\u00e2ncias. Se eu estimulo a libera\u00e7\u00e3o em um indiv\u00edduo que j\u00e1 \u00e9 vulner\u00e1vel, isso pode ser um gatilho [para a esquizofrenia]. A exposi\u00e7\u00e3o a evento traum\u00e1tico tamb\u00e9m pode desencadear [a doen\u00e7a]&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre o tema para jornalistas nesta semana, o psiquiatra mostrou o depoimento em v\u00eddeo de uma mulher com esquizofrenia. B\u00e1rbara foi v\u00edtima de um assalto e, depois disso, passou a apresentar sintomas de psicose.<\/p>\n<p><strong>A tal da dopamina<\/strong> &#8211; Esse neurotransmissor tem v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, entre elas o controle do movimento, da aten\u00e7\u00e3o e da sensa\u00e7\u00e3o de prazer. Nas pessoas com esquizofrenia, ocorre produ\u00e7\u00e3o excessiva e libera\u00e7\u00e3o desregulada dessa subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Se liberar muita dopamina fora de contexto, \u00e9 como se ligasse o alarme de inc\u00eandio, voc\u00ea olha para o lado e n\u00e3o tem nada. \u00c9 como se o c\u00e9rebro alertasse que tem algo, mas esse algo n\u00e3o est\u00e1 presente&#8221;, explica Gadelha. Pela necessidade de dar sentido a essa altera\u00e7\u00e3o, a pessoa come\u00e7a a ter del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aqui vale uma observa\u00e7\u00e3o: a dopamina \u00e9 liberada quando se usa alguma droga porque, de certa forma, causa prazer. As alucina\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m fazem parte do momento, desencadeadas pelos motivos descritos anteriormente.<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong> &#8211; Os antipsic\u00f3ticos s\u00e3o os medicamentos usados por pessoas com esquizofrenia. O psiquiatra explica que eles atuam bloqueando o receptor de dopamina de modo a evitar que o excesso atue. Um dos desafios, segundo ele, \u00e9 ter um rem\u00e9dio que bloqueie a subst\u00e2ncia apenas o suficiente para evitar o sintoma, mas n\u00e3o excessivamente para prejudicar a pessoa em outros sentidos.<\/p>\n<p>Outro problema das medica\u00e7\u00f5es s\u00e3o os efeitos colaterais. Os de primeira gera\u00e7\u00e3o induzem sintomas como rigidez nos movimentos e saliva\u00e7\u00e3o em excesso, associados a altas doses do rem\u00e9dio. Os de segunda gera\u00e7\u00e3o provocam menos efeitos colaterais, mas atuam no ganho de peso.<\/p>\n<p>Uma subst\u00e2ncia lan\u00e7ada no Brasil nesta semana evita ambos os problemas. A lurasidona \u00e9 um antipsic\u00f3tico at\u00edpico de segunda gera\u00e7\u00e3o com baixos efeitos colaterais comprovados por estudos cient\u00edficos. Ela tamb\u00e9m \u00e9 indicada para epis\u00f3dios depressivos associados ao transtorno bipolar.<\/p>\n<p>Os medicamentos, por\u00e9m, atuam apenas no controle dos sintomas, necess\u00e1rio para que haja conv\u00edvio social satisfat\u00f3rio. Mas n\u00e3o \u00e9 o fim. Outra parte do tratamento inclui a supera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, promovida continuamente com uma equipe multiprofissional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do apoio da fam\u00edlia e da boa rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dico e paciente, praticar exerc\u00edcio f\u00edsico, fazer terapia ocupacional, psicoterapia ou mesmo ter uma atividade remunerada fazem parte dessa supera\u00e7\u00e3o. No PROESQ, do qual Ary Gadelha \u00e9 coordenador, h\u00e1 um programa de emprego apoiado para pessoas com esquizofrenia. Desde 2014, o paciente com transtorno mental, que tem dificuldades persistentes, pode se qualificar para a lei de cota da iniciativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esque\u00e7a todos os estere\u00f3tipos que voc\u00ea conhece sobre pessoas com esquizofrenia. Loucura, agressividade e saliva\u00e7\u00e3o excessiva, embora fa\u00e7am parte, n\u00e3o s\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e caracter\u00edstica da doen\u00e7a. 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