{"id":182631,"date":"2018-06-16T09:42:47","date_gmt":"2018-06-16T12:42:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=182631"},"modified":"2018-06-16T09:42:47","modified_gmt":"2018-06-16T12:42:47","slug":"juizes-estao-proibidos-de-abordagem-politica-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/juizes-estao-proibidos-de-abordagem-politica-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Ju\u00edzes est\u00e3o proibidos de abordagem pol\u00edtica nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<p>O Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) proibiu magistrados de fazer ataques pessoais a candidatos, lideran\u00e7as pol\u00edticas ou partidos &#8220;com a finalidade de descredenci\u00e1-los perante a opini\u00e3o p\u00fablica, em raz\u00e3o de ideias ou ideologias de que discorde&#8221; nas redes sociais. A decis\u00e3o assinada pelo corregedor do CNJ e ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), Jo\u00e3o Ot\u00e1vio Noronha, provocou rea\u00e7\u00e3o de entidades da magistratura.<\/p>\n<p>Quatro delas condenaram o provimento do corregedor &#8211; a Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (Anamatra), a Associa\u00e7\u00e3o dos Ju\u00edzes para Democracia (AJD) e a Uni\u00e3o Nacional dos Ju\u00edzes Federais (Unajuf) &#8211; e uma informou que vai pedir esclarecimentos: Associa\u00e7\u00e3o dos Ju\u00edzes Federais do Brasil (Ajufe). Al\u00e9m de apontar censura aos magistrados, as associa\u00e7\u00f5es consideram que o texto do CNJ pode permitir persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a ju\u00edzes.<\/p>\n<p>&#8220;A liberdade de express\u00e3o dos ju\u00edzes e ju\u00edzas deve ser garantida para que o sistema jur\u00eddico funcione de modo adequado no Estado democr\u00e1tico&#8221;, disse a ju\u00edza Laura Rodrigues Benda, da AJD. Para a ela, a resolu\u00e7\u00e3o pode servir de instrumento de controle ideol\u00f3gico de magistrados. Posi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 do juiz federal Eduardo Cubas, da Unajuf. &#8220;N\u00e3o tenho a menor d\u00favida de que o provimento constitui uma censura aos magistrados.&#8221;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do CNJ acontece depois de o \u00f3rg\u00e3o receber representa\u00e7\u00f5es contra magistrados sobre manifesta\u00e7\u00f5es em redes sociais. Esse foi o caso que envolveu a desembargadora Mar\u00edlia Castro Neves. Em mar\u00e7o, ap\u00f3s o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio, ela postou no Facebook not\u00edcia falsa que vinculava a v\u00edtima ao crime organizado. Antes, publicara coment\u00e1rios contra uma professora com s\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p>&#8220;Isso vem crescendo muito na magistratura. Esse tipo de comportamento est\u00e1 come\u00e7ando a se exagerar. Voc\u00ea n\u00e3o deve confiar num juiz que est\u00e1 escrevendo bobagem em rede social. Juiz tem de ter credibilidade&#8221;, disse o ministro Noronha.<\/p>\n<p>Para o futuro corregedor nacional de Justi\u00e7a, ministro Humberto Martins, do STJ, a norma reproduz o que a Lei Org\u00e2nica da Magistratura (Loman) j\u00e1 disp\u00f5e. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 inova\u00e7\u00e3o na ordem jur\u00eddica.&#8221; O conselheiro Henrique \u00c1vila, do CNJ, concorda e acredita que o texto s\u00f3 detalha e reproduz, na linguagem e &#8220;no est\u00e1gio tecnol\u00f3gico atuais&#8221;, o que j\u00e1 est\u00e1 previsto na Constitui\u00e7\u00e3o e na Loman. &#8220;N\u00e3o haver\u00e1 qualquer dificuldade de aplica\u00e7\u00e3o, pois a esmagadora maioria dos magistrados observa seus deveres sem necessidade de lembretes, mas o provimento foi necess\u00e1rio porque aqui e ali se tem visto abusos em manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e at\u00e9 pol\u00edticas de magistrados.&#8221;<\/p>\n<p>Para dois conselheiros do CNJ ouvidos reservadamente, o provimento d\u00e1 &#8220;um rumo \u00e0 falta de regulamenta\u00e7\u00e3o do tema&#8221;. &#8220;O magistrado n\u00e3o \u00e9 um cidad\u00e3o igual ao outros&#8221;, disse um conselheiro. &#8220;N\u00e3o cabe, portanto, proselitismo pol\u00edtico.&#8221;<\/p>\n<p>O assunto dividiu, no entanto, ministros de tribunais superiores Para um deles, o provimento &#8220;chega tarde&#8221; e juiz &#8220;n\u00e3o \u00e9 analista pol\u00edtico nem comentarista esportivo, tampouco pode ser visto como porta-voz de grupos ideol\u00f3gicos&#8221;. Um segundo ministro achou &#8220;desnecess\u00e1rio o provimento, completamente fora de hora e considerou ruim a edi\u00e7\u00e3o do texto de forma monocr\u00e1tica&#8221;. Um terceiro considerou &#8220;adequada&#8221; a medida. Para o presidente da se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Marcos da Costa, &#8220;todos devem cumprir a lei, inclusive os ministros do STF&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo. Parte dos desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ-SP) defendeu a medida. &#8220;N\u00e3o se pode tirar foto com pol\u00edtico depois de ele ter sua pris\u00e3o decretada, como uma colega fez&#8221;, afirmou o desembargador Dami\u00e3o Cogan, que apoia o provimento do CNJ. Ele se refere \u00e0 desembargador Kenarik Boujikian, que se manifestou no Facebook a favor da concess\u00e3o do habeas corpus no STF ao ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava Jato.<\/p>\n<p>A desembargadora Ivana Davi disse que as redes sociais trazem uma realidade nova, mas os magistrados devem a cumprir a lei. &#8220;\u00c9 preciso bom senso.&#8221; Outros desembargadores tamb\u00e9m se manifestaram no Facebook sobre Lula. Ivan Sartori escreveu: &#8220;Como magistrado, suplico aos ministros do STF que rechacem o habeas corpus de Lula&#8221;. Amaro Thom\u00e9 afirmou: &#8220;Militontos querem fazer missa para incluir pinga e torresmo no card\u00e1pio de pres\u00eddio em Curitiba.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) proibiu magistrados de fazer ataques pessoais a candidatos, lideran\u00e7as pol\u00edticas ou partidos &#8220;com a finalidade de descredenci\u00e1-los perante a opini\u00e3o p\u00fablica, em raz\u00e3o de ideias ou ideologias de que discorde&#8221; nas redes sociais. 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