{"id":182681,"date":"2018-06-17T05:39:51","date_gmt":"2018-06-17T08:39:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=182681"},"modified":"2018-06-17T05:39:51","modified_gmt":"2018-06-17T08:39:51","slug":"apos-homofobia-casal-de-empresarias-cria-rede-de-apoio-a-gays","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/apos-homofobia-casal-de-empresarias-cria-rede-de-apoio-a-gays\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s homofobia, casal de empres\u00e1rias cria rede de apoio a gays"},"content":{"rendered":"<p>Nesta semana, circulou pelas redes sociais a publica\u00e7\u00e3o de uma empresa de doces do Rio de Janeiro em que as propriet\u00e1rias s\u00e3o v\u00edtimas de homofobia por parte de uma cliente. Com a repercuss\u00e3o, elas receberam muitas mensagens solid\u00e1rias, mas tamb\u00e9m de mais preconceito, e foram motivadas a criar uma rede de apoio a LGBTs.<\/p>\n<p>&#8220;Nos sentimos no dever de acolher todos que viram em n\u00f3s uma representa\u00e7\u00e3o e continuar dando espa\u00e7o, visibilidade para a causa. Est\u00e1 come\u00e7ando, estamos pensando, estruturando. Queremos postar relatos, fazer encontros, palestras, falar sobre tema, educar, mudar comportamentos, fazer com que todos reflitam, sejam emp\u00e1ticos. Queremos amar sem julgamentos, sem limita\u00e7\u00f5es, n\u00e3o queremos sofrer por ser quem somos&#8221;, explicou ao E+ Enayle Fontes, de 27 anos.<\/p>\n<p>Foi ela quem atendeu, via mensagem, uma cliente que queria falar com o respons\u00e1vel pela Brigadel\u00e2ndia, empresa criada em mar\u00e7o do ano passado por ela e pela noiva Natal\u00ed Ferreira, de 30 anos. A cliente tinha ido at\u00e9 o Brigadom\u00f3vel, carrinho no qual elas vendem os produtos no bairro Campos El\u00edseos, e tinha uma &#8216;sugest\u00e3o&#8217; para fazer.<\/p>\n<p>&#8220;Fui l\u00e1! Os doces s\u00e3o divinos, a &#8216;mo\u00e7a&#8217; que me atendeu foi muito simp\u00e1tica tamb\u00e9m, uma de cabelo curto. Mas fui com uma amiga e confesso que fiquei constrangida, minha amiga \u00e9 da igreja e n\u00e3o ficou confort\u00e1vel em ser atendida por ela. Acabou ficando aborrecida comigo, pois j\u00e1 dei alguns doces de voc\u00eas para ela&#8221;, escreveu a cliente.<\/p>\n<p>Enayle n\u00e3o entendeu o que foi relatado, mas confessou ao E+ que j\u00e1 esperava algum tipo de preconceito. &#8220;A Natal\u00ed sofre muito preconceito, mas em geral um preconceito velado. As pessoas nem sempre chegam ofendendo, \u00e0s vezes s\u00f3 nos tratam mal, nos atendem com rispidez, olham com repulsa, fazem piada, s\u00e3o v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>Segundo ela, as duas j\u00e1 publicaram no Facebook casos de preconceito contra elas, &#8220;mas foi a primeira vez que a Brigadel\u00e2ndia foi alvo, nosso trabalho, nossa empresa&#8221;.<\/p>\n<p>A cliente, ent\u00e3o, continuou explicando seu ponto. &#8220;Olha, n\u00e3o quero ofender sua funcion\u00e1ria. N\u00e3o tenho nada contra, mas como sua empresa trabalha com os mais diversos tipos de pessoas, n\u00e3o acho que passe uma boa imagem uma sapat\u00e3o atendendo. Acho que deveria selecionar melhor quem vai ficar cara a cara com seus clientes&#8221;.<\/p>\n<p>Como mostra a conversa, Enayle n\u00e3o quis contestar o que a pessoa disse, mas se manifestou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher a qual a cliente se referia. &#8220;Quanto \u00e0 Natal\u00ed, a mo\u00e7a (sem aspas) simp\u00e1tica que te atendeu, ela n\u00e3o \u00e9 minha funcion\u00e1ria. \u00c9 s\u00f3cia igualit\u00e1ria da Brigadel\u00e2ndia, al\u00e9m de ser minha noiva e um ser humano maravilhoso. Sendo assim, ela continuar\u00e1, sim, cara a cara com os clientes, pois esta \u00e9 a cara da nossa empresa: diversidade, respeito, amor&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Tr\u00eas minutos depois, a cliente respondeu: &#8220;Esperar o que de duas mulecas, que n\u00e3o sabem nada da vida. Continuem vendendo doce mesmo, n\u00e3o v\u00e3o conseguir nada al\u00e9m disso com essa escolha que fizeram&#8221;, e acrescentou que elas teriam uma cliente a menos. As empres\u00e1rias compartilharam os prints da conversa no perfil da Brigadel\u00e2ndia, que at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem tinha 31 mil rea\u00e7\u00f5es e mais de 8,6 mil compartilhamentos. Nos coment\u00e1rios, o casal recebeu mensagens de apoio e, embora tivessem perdido uma cliente, estavam ganhando outros mais.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a \u00fanica publica\u00e7\u00e3o em rede social que sobreviveu. Ao longo da semana, o Facebook excluiu as fotos do perfil de cada uma delas e do Instagram da empresa. A justificativa \u00e9 de n\u00e3o cumprimento das regras. &#8220;Nunca tivemos um post exclu\u00eddo, nem no nosso perfil pessoal nem no da Brigadel\u00e2ndia. Acredito que tenham denunciado demais, o que s\u00f3 prova que ainda existem muitas pessoas que, apesar de n\u00e3o exteriorizar, n\u00e3o querem nos ver na sociedade&#8221;, acredita Enayle. Motivadas por uma amiga envolvida na causa LGBT, elas criaram outro perfil no Instagram chamado Brigadeiro de Letrinhas.<\/p>\n<p><strong>O neg\u00f3cio<\/strong> &#8211; A Brigadel\u00e2ndia nasceu em mar\u00e7o de 2017 depois que a Enayle foi demitida do \u00faltimo emprego ap\u00f3s sofrer ass\u00e9dio. &#8220;Nesse per\u00edodo, a Natal\u00ed come\u00e7ou a sofrer preconceito no novo trabalho, a dona da loja alegava que o jeito que ela se vestia n\u00e3o passava seriedade para os clientes e que os que n\u00e3o concordavam com a orienta\u00e7\u00e3o sexual dela n\u00e3o frequentariam mais a loja&#8221;, explicou Enayle.<\/p>\n<p>A noiva dela j\u00e1 fazia doces e ela cresceu vendo a m\u00e3e fazer bolo para vender. &#8220;Inclusive foi assim que ela sustentou a mim e meus irm\u00e3os, \u00e9 uma grande inspira\u00e7\u00e3o&#8221;, declara. Quando faziam faculdade, Enayle de Psicologia e Natal\u00ed de Economia, elas pensavam em trabalhar na \u00e1rea, mas depois dos epis\u00f3dios, resolveram montar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&#8220;Criamos a Brigadel\u00e2ndia para nos libertar e colocamos como meta faz\u00ea-la prosperar. N\u00e3o vendemos doce s\u00f3 para ter uma renda extra, trabalhamos com o que gostamos e numa empresa pensada com muito amor&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Por conta do ass\u00e9dio que sofreu h\u00e1 dois anos e do processo que moveu contra o homem, Enayle n\u00e3o pensa em registrar a ocorr\u00eancia atual na delegacia, embora Natal\u00ed tenha cogitado a ideia. &#8220;At\u00e9 hoje esse processo est\u00e1 na minha vida, \u00e9 algo pesado, me atrelou a este homem. N\u00e3o quero passar por isso novamente. Depois que aquela revolta inicial passou e come\u00e7amos a receber outras mensagens, a Natal\u00ed percebeu que o desgaste n\u00e3o valia a pena. Decidimos ent\u00e3o, neste caso, dar amor a quem esta destilando \u00f3dio&#8221;, disse Enayle.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana, circulou pelas redes sociais a publica\u00e7\u00e3o de uma empresa de doces do Rio de Janeiro em que as propriet\u00e1rias s\u00e3o v\u00edtimas de homofobia por parte de uma cliente. 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