{"id":183167,"date":"2018-06-26T00:10:18","date_gmt":"2018-06-26T03:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=183167"},"modified":"2018-06-26T21:43:52","modified_gmt":"2018-06-27T00:43:52","slug":"eleicao-e-uma-piada-e-vai-valer-tirar-sarro-com-candidatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/eleicao-e-uma-piada-e-vai-valer-tirar-sarro-com-candidatos\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma piada e vai valer tirar sarro com candidatos"},"content":{"rendered":"<p>O plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por unanimidade, trechos da reforma eleitoral de 2009 que impediam as emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o de fazer trucagem, montagem ou s\u00e1tiras com candidatos durante o per\u00edodo eleitoral. Esses dispositivos estavam suspensos liminarmente pelo plen\u00e1rio da Corte desde setembro de 2010.<\/p>\n<p>O julgamento de m\u00e9rito da quest\u00e3o foi iniciado nesta quarta-feira, 20, quando cinco ministros se manifestaram pela inconstitucionalidade dos dispositivos questionados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Emissoras de R\u00e1dio e TV (Abert). Votaram hoje os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aur\u00e9lio Mello, Celso de Mello e C\u00e1rmen L\u00facia.<\/p>\n<p>O consenso entre os integrantes da Corte \u00e9 de que a lei, que restringe a atividade humor\u00edstica nos tr\u00eas meses que antecedem as elei\u00e7\u00f5es, fere a liberdade de express\u00e3o e o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Presidente da Suprema Corte, C\u00e1rmen L\u00facia formou o 11\u00ba e \u00faltimo voto para derrubar os dispositivos. Para a ministra, o que se pretendeu na lei foi impedir, a possibilidade de questionamentos ou contesta\u00e7\u00f5es por meio do humor.<\/p>\n<p>&#8220;Aprendi que liberdade \u00e9 express\u00e3o, o que n\u00e3o se pode expressar \u00e9 carente de liberdade. Censura \u00e9 a morda\u00e7a da liberdade, quem gosta de censura \u00e9 ditador&#8221;, disse a ministra. &#8220;A cr\u00edtica \u00e1cida mant\u00e9m-nos alertas para as possibilidades de aperfei\u00e7oamento&#8221;, continuou C\u00e1rmen.<\/p>\n<p>O decano da Corte fez um voto contundente em defesa da liberdade de express\u00e3o e do humor. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 pessoas nem sociedades livres sem liberdade de express\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mostrando-se inaceit\u00e1vel qualquer delibera\u00e7\u00e3o estatal cuja implanta\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o, importe no controle do pensamento cr\u00edtico&#8221;, disse Celso.<\/p>\n<p>Para o ministro, o humor e o riso assumem relevante import\u00e2ncia na democracia, porque constituem &#8220;papel de poderoso instrumento de rea\u00e7\u00e3o popular&#8221;. &#8220;O humor como causa e o riso como consequ\u00eancia, notadamente como corrosivo, s\u00e3o instrumentos de desconstru\u00e7\u00e3o de ordem autorit\u00e1ria impregnada de corrup\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou o decano.<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o da v\u00e9spera, o ministro Alexandre de Moraes, relator da a\u00e7\u00e3o, afirmou que a lei traz o &#8220;tra\u00e7o marcante da censura pr\u00e9via, com seu car\u00e1ter preventivo e abstrato&#8221;. &#8220;A lei pretende interditar o conte\u00fado que se pretende futuramente expressar. Aqui n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 exerc\u00edcio de futurologia, como tamb\u00e9m, mais grave, o excesso de paternalismo, de querer o poder p\u00fablico escolher o que o indiv\u00edduo e, no caso, o cidad\u00e3o pode ouvir, pode ver, o que ele pode ou n\u00e3o ter acesso&#8221;, disse Moraes.<\/p>\n<p>No entendimento do ministro, quem n\u00e3o quer ser criticado ou satirizado deve ficar em casa. &#8220;N\u00e3o seja candidato, n\u00e3o se ofere\u00e7a ao p\u00fablico, n\u00e3o se ofere\u00e7a para exercer cargos pol\u00edticos, essa \u00e9 uma regra que existe desde que o mundo \u00e9 mundo&#8221;, frisou.<\/p>\n<p>Ao votar nesta quarta, o ministro Lewandowski destacou que a pr\u00e1tica da democracia \u00e9 &#8220;indissol\u00favel&#8221; \u00e0 liberdade de express\u00e3o e necessariamente associada ao pluralismo de ideias e de vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>Gilmar Mendes, que tamb\u00e9m votou por derrubar as proibi\u00e7\u00f5es, aproveitou o momento para criticar as fake news. &#8220;N\u00f3s temos casos de not\u00edcias fraudulentas que prejudicaram candidatura. Tudo isso pode ocorrer no processo eleitoral e exige de n\u00f3s um escrut\u00ednio muito severo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas reprodutoras de televis\u00e3o nos Estados est\u00e3o em m\u00e3os de fam\u00edlias de pol\u00edticos. Cada pol\u00edtico tem um direcionamento, e pode ocorrer algum abuso. Nada exclui essa possibilidade, ou que uma orienta\u00e7\u00e3o editorial leve a fazer um notici\u00e1rio massivamente contra um determinado candidato. E aqui h\u00e1 o relevante direito de resposta. \u00c9 preciso ter muito cuidado com essa tem\u00e1tica, nem proibir e nem dizer que aqui \u00e9 o campo em que tudo \u00e9 permitido, porque de fato isto pode ser decisivo para o processo eleitoral&#8221;, ponderou Gilmar.<\/p>\n<p>O presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, afirmou hoje que as disputas eleitorais exigem maior apre\u00e7o da liberdade de express\u00e3o e pensamento, &#8220;cen\u00e1rio que recomenda uma interven\u00e7\u00e3o minimalista do poder judici\u00e1rio nas manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do debate eleitoral&#8221;. Pr\u00f3xima presidente do TSE, a ministra Rosa Weber destacou ontem que &#8220;processo eleitoral n\u00e3o \u00e9 Estado de s\u00edtio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Se podem as emissoras de r\u00e1dio, fora do per\u00edodo eleitoral, produzir e veicular charges, s\u00e1tiras e programas humor\u00edsticos que envolvam partidos pol\u00edticos, pr\u00e9-candidatos e autoridades em geral, tamb\u00e9m podem faz\u00ea-lo no processo eleitoral&#8221;, concluiu a ministra, que assume o comando do TSE em meados de agosto.<\/p>\n<p>Em seu voto, o ministro Lu\u00eds Roberto Barroso afirmou que a liberdade de express\u00e3o deve ter posi\u00e7\u00e3o preferencial, porque o Brasil tem em seu passado &#8220;uma hist\u00f3ria de desrespeito \u00e0 liberdade de express\u00e3o&#8221; e porque a livre circula\u00e7\u00e3o de ideias, informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es \u00e9 &#8220;pressuposto para o exerc\u00edcio de muitos outros direitos fundamentais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A liberdade de express\u00e3o \u00e9 um pressuposto da democracia, n\u00e3o \u00e9 garantia de verdade, n\u00e3o \u00e9 garantia de justi\u00e7a. E tamb\u00e9m concordo com ministro Alexandre de Moraes: quem se disp\u00f5e a vir para espa\u00e7o p\u00fablico tem que aceitar com uma certa resigna\u00e7\u00e3o a cr\u00edtica construtiva, destrutiva, bem informada, desinformada de democracia, de quem tem interesses bem afetados&#8221;, observou Barroso, que ser\u00e1 vice-presidente do TSE durante as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por unanimidade, trechos da reforma eleitoral de 2009 que impediam as emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o de fazer trucagem, montagem ou s\u00e1tiras com candidatos durante o per\u00edodo eleitoral. Esses dispositivos estavam suspensos liminarmente pelo plen\u00e1rio da Corte desde setembro de 2010. 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