{"id":183351,"date":"2018-06-23T07:55:04","date_gmt":"2018-06-23T10:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=183351"},"modified":"2018-06-23T07:55:04","modified_gmt":"2018-06-23T10:55:04","slug":"kboco-rompe-com-cidade-grande-e-mostra-ruptura-em-sua-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/kboco-rompe-com-cidade-grande-e-mostra-ruptura-em-sua-arte\/","title":{"rendered":"Kboco rompe com cidade grande e mostra ruptura em sua arte"},"content":{"rendered":"<p>Depois de 13 anos morando em S\u00e3o Paulo, o artista goiano Kboco resolveu voltar, h\u00e1 dois, para o seu Estado natal e montar um ateli\u00ea na cidade de Cavalcante, em meio \u00e0 Chapada dos Veadeiros. Mesmo reconhecendo a import\u00e2ncia do mercado na cidade grande, ele percebeu que seu trabalho estava perdendo espontaneidade, o que serviu como um alerta.<\/p>\n<p>&#8220;Quando estava com um ateli\u00ea nos Jardins, tudo aquilo era mais produto, a mercadoria vinha primeiro&#8221;, relembra o artista em entrevista ao Estado, na montagem de sua nova exposi\u00e7\u00e3o, Sert\u00e3o Expandido, no Museu Afro Brasil, em S\u00e3o Paulo, que ser\u00e1 aberta ao p\u00fablico neste s\u00e1bado, 23. \u00c9 a primeira mostra individual da obra de Kboco em cinco anos, desde que resolveu come\u00e7ar o processo de distanciamento pessoal dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado \u00e9 muito bom, mas chega uma hora que vira uma pris\u00e3o, voc\u00ea fica numa zona de conforto. Como passava a maior parte do tempo criando sozinho no est\u00fadio, n\u00e3o aproveitava a vida cosmopolita da cidade&#8221;, ele explica. &#8220;Fiquei mais sens\u00edvel para coisas que j\u00e1 gostava, como a terra, planta e a alimenta\u00e7\u00e3o.&#8221; Com suas viagens pelo mundo, Kboco percebeu o valor do regional. &#8220;O mundo inteiro est\u00e1 usando a mesma roupa, comendo a mesma comida. No meu Estado tem um bioma que s\u00f3 existe l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Kboco ficou conhecido no mundo da arte contempor\u00e2nea por suas influ\u00eancias urbanas, da cultura do hip-hop e do skate, com tinta acr\u00edlica. Mesmo com a mudan\u00e7a para o interior, o artista acredita que essas influ\u00eancias n\u00e3o v\u00e3o desaparecer do seu trabalho. Ele afirma que n\u00e3o mudou para se isolar, e sim para experimentar novas t\u00e9cnicas e retomar a espontaneidade. &#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o da multidisciplinaridade, o que significa atuar e vivenciar v\u00e1rios campos do conhecimento, como algu\u00e9m urbano da cidade passa f\u00e9rias na praia ou na natureza&#8221;, compara. &#8220;Agora \u00e9 o contr\u00e1rio, vivo na natureza e saio para &#8216;cosmopolitar&#8217; na cidade grande.&#8221;<\/p>\n<p>A multidisciplinaridade, como o pr\u00f3prio artista explica, tem a ver com o fato de que Kboco usa t\u00e9cnicas e influ\u00eancias variadas. E a exposi\u00e7\u00e3o no Museu Afro \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o disso. A mostra re\u00fane trabalhos recentes do goiano, que, segundo ele, servem como ruptura, num caminho de aperfei\u00e7oamento da sua nova arte rural. &#8220;Como tem muita informa\u00e7\u00e3o, vai ter hora em que vou atirar para todos os lados&#8221;, brinca. &#8220;Mas tenho que lapidar, por isso \u00e9 uma ruptura. O que tenho para falar ainda n\u00e3o est\u00e1 100% equalizado.&#8221;<\/p>\n<p>S\u00e3o pinturas em acr\u00edlico, assemblages e esculturas. A diversidade vem tamb\u00e9m nas cores e materiais &#8211; o artista d\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o especial aos pap\u00e9is, vindos de todo o mundo, e utiliza selos e at\u00e9 mesmo embalagens de sabonete. Na exposi\u00e7\u00e3o, o artista faz tamb\u00e9m algumas interven\u00e7\u00f5es. Uma escada da sala, no pr\u00e9dio projetado por Oscar Niemeyer, ganha novas cores. Kboco, inclusive, n\u00e3o esconde a anima\u00e7\u00e3o de trabalhar em cima da obra do g\u00eanio da arquitetura. O artista selecionou ainda diversos objetos que encontrou no museu e no Parque do Ibirapuera. A exposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 fica pronta com a colabora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o que a abriga. \u00c9 algo, inclusive, que ele pretende trabalhar melhor no futuro.<\/p>\n<p>Por conta de tanta diversidade em seu trabalho, apesar de suas principais influ\u00eancias, ele foge do r\u00f3tulo de artista urbano. &#8220;Quando voc\u00ea trabalha com a multidisciplinaridade, mais de uma t\u00e9cnica e uma vis\u00e3o, sempre vai ter essa quest\u00e3o&#8221;, ele acredita. &#8220;Quando tentam me rotular, sempre d\u00e1 algum problema. Pegam por um lado, mas deixam escapar por outro. Mas a fun\u00e7\u00e3o do artista \u00e9 essa, tem de tentar romper padr\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Para a curadora da exposi\u00e7\u00e3o, Maria Hirszman, mesmo com a grande mudan\u00e7a em sua vida, Kboco mant\u00e9m sua preocupa\u00e7\u00e3o com o ecletismo e o preciosismo da forma. A mostra, escreve ela em seu texto, &#8220;demonstra sua capacidade de gerar novos sentidos a partir da contraposi\u00e7\u00e3o de diferentes refer\u00eancias&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de 13 anos morando em S\u00e3o Paulo, o artista goiano Kboco resolveu voltar, h\u00e1 dois, para o seu Estado natal e montar um ateli\u00ea na cidade de Cavalcante, em meio \u00e0 Chapada dos Veadeiros. 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