{"id":183417,"date":"2018-06-24T10:50:39","date_gmt":"2018-06-24T13:50:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=183417"},"modified":"2018-06-24T10:50:39","modified_gmt":"2018-06-24T13:50:39","slug":"acordo-com-alemanha-vai-permitir-volta-da-ararinha-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/acordo-com-alemanha-vai-permitir-volta-da-ararinha-azul\/","title":{"rendered":"Acordo com Alemanha vai permitir volta da ararinha-azul"},"content":{"rendered":"<p>A saga de reintrodu\u00e7\u00e3o da ararinha-azul na caatinga brasileira vai come\u00e7ar com uma travessia atl\u00e2ntica. Cinquenta aves da esp\u00e9cie &#8211; extinta na natureza h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas &#8211; dever\u00e3o migrar em breve da Alemanha para o Brasil, para compor a popula\u00e7\u00e3o que vai repovoar o sert\u00e3o baiano com essas simp\u00e1ticas araras a partir de 2019.<\/p>\n<p>O acordo para que isso aconte\u00e7a dever\u00e1 ser assinado nesta segunda-feira, 25, pelo ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, numa reuni\u00e3o na B\u00e9lgica, onde est\u00e3o quatro das 158 ararinhas-azuis existentes hoje no mundo &#8211; todas elas em cativeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos cada vez mais pr\u00f3ximos do momento de elas chegarem em casa&#8221;, disse Ugo Vercillo, diretor do Departamento de Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo de Esp\u00e9cies do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Descoberta no in\u00edcio do s\u00e9culo 19 pelo naturalista alem\u00e3o Johann Baptist von Spix, e exclusiva da caatinga brasileira, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii)teve sua popula\u00e7\u00e3o dizimada pela captura e tr\u00e1fico de animais silvestres. O \u00faltimo exemplar conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000, e at\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe se morreu ou foi capturado por algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os poucos exemplares que restaram em cole\u00e7\u00f5es particulares v\u00eam sendo usados para reproduzir a esp\u00e9cie em cativeiro. Quase todos no exterior.<\/p>\n<p>Naturalmente rara, a &#8220;spix&#8221; s\u00f3 existia originalmente numa pequena regi\u00e3o do interior de Juazeiro e Cura\u00e7\u00e1, no norte da Bahia, onde o governo federal criou no in\u00edcio deste m\u00eas duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o: o Ref\u00fagio de Vida Silvestre e a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental da Ararinha-Azul, destinadas \u00e0 reintrodu\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Um centro de reprodu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo no local para receber as 50 araras da Alemanha e produzir os filhotes que ser\u00e3o liberados na natureza.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia das aves deve ocorrer no primeiro trimestre de 2019 &#8211; uma vez que o centro estiver pronto &#8211; e as primeiras solturas poder\u00e3o ser feitas a partir da\u00ed. &#8220;At\u00e9 2022 esperamos ter a ararinha-azul reintroduzida com sucesso na natureza&#8221;, diz a veterin\u00e1ria Camile Lugarini, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), e respons\u00e1vel pelo Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para Conserva\u00e7\u00e3o da ararinha-azul.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 um processo cauteloso. As primeiras solturas ser\u00e3o feitas em conjunto com maracan\u00e3s (Primolius maracana), uma outra esp\u00e9cie, com h\u00e1bitos semelhantes aos da ararinha &#8211; ambas, por exemplo, utilizam ocos de caraibeira (ip\u00ea-amarelo) para fazer seus ninhos. Antes de desaparecer, o \u00faltimo macho de &#8220;spix&#8221; chegou a formar par com uma f\u00eamea de maracan\u00e3.<\/p>\n<p>Pesquisadores do ICMBio, em parceria com a popula\u00e7\u00e3o local, v\u00eam estudando o comportamento das maracan\u00e3s para aprender mais sobre a esp\u00e9cie e, com base nisso, planejar a libera\u00e7\u00e3o e o monitoramento das ararinhas que est\u00e3o por vir.<\/p>\n<p>&#8220;Acredito que muito do que estamos aprendendo com as maracan\u00e3s servir\u00e1 para a ararinha-azul&#8221;, aposta Camile.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o das \u00e1reas protegidas era essencial, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio arrumar a casa para receber as araras, ressalta ela. A paisagem \u00e9 muito impactada pela cria\u00e7\u00e3o de cabras, que interferem com a cobertura vegetal da qual as aves dependem para fazer seus ninhos e se alimentar.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a &#8211; As 50 aves que vir\u00e3o ao Brasil est\u00e3o sob a guarda da Associa\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o de Papagaios Amea\u00e7ados (ACTP), uma organiza\u00e7\u00e3o privada sem fins lucrativos que hoje mant\u00e9m 90% das ararinhas-azuis em cativeiro do mundo &#8211; ap\u00f3s o fechamento de uma institui\u00e7\u00e3o no Catar, que transferiu seu plantel para Berlim no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma responsabilidade enorme&#8221;, disse Martin Guth, presidente da ACTP, que pagar\u00e1 pelo novo centro de cria\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o na Bahia.<\/p>\n<p>Produzir as aves n\u00e3o ser\u00e1 problema, garante o diretor cient\u00edfico da associa\u00e7\u00e3o, Cromwell Purchase, que est\u00e1 ansioso para iniciar a reintrodu\u00e7\u00e3o. &#8220;Todas as pe\u00e7as est\u00e3o come\u00e7ando a se encaixar, do jeito que a gente sonhava. \u00c9 fant\u00e1stico.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A saga de reintrodu\u00e7\u00e3o da ararinha-azul na caatinga brasileira vai come\u00e7ar com uma travessia atl\u00e2ntica. 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