{"id":183586,"date":"2018-06-26T06:47:40","date_gmt":"2018-06-26T09:47:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=183586"},"modified":"2018-06-26T06:49:19","modified_gmt":"2018-06-26T09:49:19","slug":"uso-de-energia-solar-no-campo-cresce-com-usinas-flutuantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uso-de-energia-solar-no-campo-cresce-com-usinas-flutuantes\/","title":{"rendered":"Uso de energia solar no campo cresce com usinas flutuantes"},"content":{"rendered":"<p>O meio rural atingiu 15,8 megawatts de utiliza\u00e7\u00e3o operacional de energia solar fotovoltaica. Essa marca atual significa que este tipo de fonte cresceu nove vezes em 2017 e neste ano j\u00e1 dobrou o uso dessa tecnologia no campo.<\/p>\n<p>\u201cOs agricultores descobriram a energia solar fotovoltaica. S\u00e3o eles os respons\u00e1veis por levar o alimento do campo para as \u00e1reas urbanas, e passam, agora, a tamb\u00e9m ter uma complementa\u00e7\u00e3o de renda, gerando energia el\u00e9trica para abastecer \u00e1reas urbanas e reduzir os seus gastos especificamente\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o presidente-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia,.<\/p>\n<p>Segundo o presidente, essa \u00e9 uma novidade interessante, porque a demanda tem se espalhado em diversos segmentos. \u201cO meio rural tem a\u00e7udes usando energia solar fotovoltaica flutuante em Goi\u00e1s. Tem projetos mais tradicionais de bombeamento e irriga\u00e7\u00e3o em Minas Gerais, quando come\u00e7a o dia, o piv\u00f4 \u00e9 ligado e quando some o sol ele deixa de irrigar a planta\u00e7\u00e3o. Tem ind\u00fastria de sorvete no Cear\u00e1. O per\u00edodo que vende mais sorvete \u00e9 no ver\u00e3o e a\u00ed pode tamb\u00e9m gerar energia para garantir energia nesta esta\u00e7\u00e3o do ano quando gastam mais para refrigerar o sorvete. No ver\u00e3o, eles gastam muito mais energia por conta da refrigera\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, casa bem com a sazonalidade deles, com o custo tamb\u00e9m \u00e9 bem positiva essa sinergia\u201d, contou Sauaia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do custo mais baixo, outra vantagem apontada por Rodrigo Sauaia para o uso desta tecnologia no campo \u00e9 a de ela ser mais limpa. \u201cMuitos desses produtores rurais, \u00e0s vezes para levar irriga\u00e7\u00e3o para uma \u00e1rea produtiva distante da rede el\u00e9trica, tinham que levar um gerador a diesel barulhento e poluente no meio da planta\u00e7\u00e3o para gerar e poder irrigar. Era p\u00e9ssimo para o meio ambiente, caro para o produtor, mas ele precisava fazer isso. Agora, pode fazer isso com o sol, com um sistema m\u00f3vel e com energia limpa e sem combust\u00edvel, sem dor de cabe\u00e7a para o produtor\u201d, observou.<\/p>\n<p><strong>Usinas flutuantes<\/strong> &#8211; O engenheiro Orestes Gon\u00e7alves J\u00fanior, da empresa F2 Brasil, foi o respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o de um sistema de energia solar fotovoltaica flutuante em a\u00e7udes da Fazenda Figueiredo, produtora de leite, em Cristalina, Goi\u00e1s. Para o engenheiro, a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de a\u00e7ude amplia a conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e d\u00e1 melhor destina\u00e7\u00e3o a terras que estejam impactadas. Segundo ele, o uso das placas flutuantes permite ainda ao produtor aproveitar mais a propriedade e manter o solo para as planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEle n\u00e3o est\u00e1 tirando parte agricult\u00e1vel para botar uma usina. A flutuante libera a \u00e1rea usada para a solar, para continuar fazendo desenvolvimento econ\u00f4mico da atividade do agroneg\u00f3cio e, por outro lado, reduz a evapora\u00e7\u00e3o que \u00e9 um ativo, hoje, importante. Como est\u00e1 faltando muita \u00e1gua, principalmente, em algumas regi\u00f5es como a do Rio S\u00e3o Francisco, se consegue ter algo em torno de 20% a mais de \u00e1gua por ano. Deixa de tirar \u00e1gua dos rios, ou tem melhor produtividade na irriga\u00e7\u00e3o dele fazendo reduzir a evapora\u00e7\u00e3o. \u00c9 econ\u00f4mico, ambiental e ao mesmo tempo em maior volume de \u00e1gua nos a\u00e7udes\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Orestes Gon\u00e7alves J\u00fanior destacou ainda que o produtor tem mais uma forma de lucrar com a solar flutuante em a\u00e7ude, que pode ser usado por mais de um produtor da regi\u00e3o. Mais uma alternativa para o produtor \u00e9 usar os a\u00e7udes para desenvolver projetos de piscicultura.<\/p>\n<p><strong>Financiamentos<\/strong> &#8211; A energia solar tamb\u00e9m tem se mostrado um bom neg\u00f3cio para os produtores de agricultura familiar. O presidente da Absolar destacou as linhas de financiamento que o consumidor passou a ter para fazer a instala\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. Ele contou que, no Paran\u00e1, um produtor familiar de leite est\u00e1 refrigerando o produto com a energia do sol, depois de conseguir um financiamento por meio do Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf), que neste caso, tem juros variando entre 2,5% a 5,5% ao ano.<\/p>\n<p>Para o per\u00edodo de julho de 2018 a junho de 2019, o BNDES informou que os juros s\u00e3o de at\u00e9 4,6% e a aquisi\u00e7\u00e3o do equipamento deve estar vinculada a uma atividade econ\u00f4mica. \u201cA dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria ainda ser\u00e1 publicada pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional\u201d, completou o BNDES em resposta \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Para as pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas que queiram instalar projetos de energia solar fotovoltaica, o banco abriu linhas de financiamento no Programa Fundo Clima para 80% dos itens financi\u00e1veis, podendo chegar a R$ 30 milh\u00f5es a cada 12 meses por benefici\u00e1rio. Para renda anual de at\u00e9 R$ 90 milh\u00f5es, o custo \u00e9 de 0,1% ao ano com a remunera\u00e7\u00e3o do BNDES de 0,9% ao ano. Na renda anual acima de R$ 90 milh\u00f5es, o custo tem o mesmo percentual, mas a remunera\u00e7\u00e3o do BNDES \u00e9 de 1,4% ao ano.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o de custos<\/strong> &#8211; Na vis\u00e3o do presidente da Absolar, a redu\u00e7\u00e3o de custos para a instala\u00e7\u00e3o de um sistema de energia fotovoltaica tem sido um atrativo para o aumento de consumidores neste tipo de fonte. \u201cEm dois anos, a tecnologia barateou em 25%. Nos \u00faltimos dez anos, a energia solar fotovoltaica ficou entre 60 a 80% mais barata, com isso hoje em dia j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel na maior parte do Brasil gerar e produzir a sua pr\u00f3pria energia atrav\u00e9s do sol do seu telhado e no solo do que comprar a energia da rede, por exemplo. N\u00e3o por acaso, o que mais leva as pessoas a investirem em energia solar fotovoltaica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pelo meio ambiente, mas pela economia no bolso que a tecnologia traz\u201d.<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; O presidente da Absolar comentou que o setor come\u00e7ou 2017 com mais ou menos 90 megawatts de energia solar fotovoltaica operando na matriz el\u00e9trica brasileira e terminou o ano com 1.145 megawatts, o que segundo ele, representa crescimento de mais de 11 vezes no per\u00edodo. \u201cS\u00e3o poucos os setores na nossa economia que crescem mais de 11 vezes em um \u00fanico ano. Essa \u00e9 a velocidade exponencial que a fonte solar fotovoltaica est\u00e1 acelerando neste momento\u201d.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 fechar 2018 com cerca 2.400 megawatts e, assim, o setor vai mais do que dobrar e, permitir ao Brasil subir no ranking mundial da energia solar fotovoltaica. Atualmente o pa\u00eds est\u00e1 entre os 25 a 30, principais pa\u00edses em energia solar fotovoltaica.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, a distribuidora Light informou que, at\u00e9 maio de 2018, foram registradas 1.036 unidades de consumidores que utilizam a energia bidirecional, o que representa um crescimento de 150% nos \u00faltimos dois anos (2016-2018). Em cr\u00e9ditos, segundo a empresa, durante o m\u00eas de abril deste ano, os consumidores obtiveram 300 Kwh com recursos da fonte solar fotovoltaica. No caso da Light, a maior concentra\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios est\u00e1 nas zonas Sul e Oeste da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Setor p\u00fablico<\/strong> &#8211; Na \u00e1rea p\u00fablica, os projetos tamb\u00e9m est\u00e3o se desenvolvendo. O presidente da Absolar lembrou que a sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Bras\u00edlia, instalou um sistema de energia solar fotovoltaica no telhado. Al\u00e9m disso, o Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME) \u00e9 o primeiro pr\u00e9dio do governo federal a receber este tipo de fonte.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o primeiro pr\u00e9dio da Esplanada dos Minist\u00e9rios com energia solar fotovoltaica. Abastece de 5% a 7% da demanda el\u00e9trica do pr\u00e9dio\u201d, completando que, diante do impedimento de tr\u00e1fego a\u00e9reo na regi\u00e3o por quest\u00e3o de seguran\u00e7a, s\u00f3 foi poss\u00edvel instalar o sistema em uma parte do telhado, j\u00e1 que o transporte de placas utilizadas no sistema ficou restrito.<\/p>\n<p>A assinatura do termo de coopera\u00e7\u00e3o com o minist\u00e9rio foi em 2015 e o t\u00e9rmino da instala\u00e7\u00e3o ocorreu no fim de 2016. O projeto-piloto desenvolvido pelo setor custou R$ 500 mil e o governo federal n\u00e3o precisou pagar nada.<\/p>\n<p>\u201cO governo n\u00e3o tirou nenhum centavo do bolso, mas tamb\u00e9m n\u00e3o recebeu nenhum centavo nosso. Recebeu o sistema com o compromisso de que ele fosse aberto \u00e0 sociedade brasileira para que ela pudesse acompanhar e entender. Tem uma TV no t\u00e9rreo que mostra em tempo real o quanto o sistema est\u00e1 produzindo de energia e subindo d\u00e1 para fazer a visita\u00e7\u00e3o do sistema\u201d, disse. Rodrigo Sauaia espera que outros minist\u00e9rios tamb\u00e9m desenvolvam projetos semelhantes.<\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; Para o executivo, um dos fatores que permitiram a expans\u00e3o do setor foram os leil\u00f5es que o governo federal tem realizado desde 2014. \u201cFoi um leil\u00e3o em 2014, dois em 2015, um em 2017 e agora um em 2018. Os projetos que foram contratados l\u00e1 em 2014 e 2015 come\u00e7aram a entrar em opera\u00e7\u00e3o, por isso, esse salto grande que tivemos no mercado\u201d.<\/p>\n<p>O crescimento de projetos em resid\u00eancias, com\u00e9rcios, ind\u00fastrias, pr\u00e9dios p\u00fablicos e produtores rurais tamb\u00e9m contribu\u00edram para a evolu\u00e7\u00e3o do setor. \u201cEsse mercado representou cerca de 15% no final do ano do que t\u00ednhamos instalado no pa\u00eds. Ele est\u00e1 distribu\u00eddo ao redor de todos os estados brasileiros em pequenos sistemas junto aos consumidores em todo o Brasil\u201d, disse, ressaltando, que esses consumidores se beneficiam com os cr\u00e9ditos de energia para abater o consumo no futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meio rural atingiu 15,8 megawatts de utiliza\u00e7\u00e3o operacional de energia solar fotovoltaica. 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