{"id":183703,"date":"2018-06-27T05:55:39","date_gmt":"2018-06-27T08:55:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=183703"},"modified":"2018-06-27T05:55:43","modified_gmt":"2018-06-27T08:55:43","slug":"administradora-de-grupo-condenada-por-nao-retirar-ofensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/administradora-de-grupo-condenada-por-nao-retirar-ofensa\/","title":{"rendered":"Administradora de grupo condenada por n\u00e3o retirar ofensa"},"content":{"rendered":"<p>Um administrador de grupo no WhatsApp pode ser responsabilizado pelas coisas faladas l\u00e1? Segundo decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo a resposta \u00e9 sim, e o ac\u00f3rd\u00e3o vem causando muita controv\u00e9rsia no mundo jur\u00eddico por abrir um precedente potencialmente perigoso e que pode causar inseguran\u00e7a jur\u00eddica no meio digital.<\/p>\n<p>No ac\u00f3rd\u00e3o un\u00e2nime proferido pelo desembargador Soares Levada, da 34\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado, ele determinou a condena\u00e7\u00e3o de R$ 3 mil em danos morais para a administradora de um grupo de WhatsApp que n\u00e3o coibiu ofensas contra um membro. &#8220;R\u00e9 que, na qualidade de criadora do grupo, no qual ocorreram as ofensas, poderia ter removido os autores das ofensas, mas n\u00e3o o fez, mostrando ainda ter-se divertido com a situa\u00e7\u00e3o por meio de emojis de sorrisos com os fatos&#8221;, escreveu o juiz.<\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, a ju\u00edza Andrea Schiavo, da 1\u00aa Vara C\u00edvel de Jaboticabal, deu improced\u00eancia para a a\u00e7\u00e3o e pontuou que a jovem n\u00e3o postou qualquer mensagem ou deboche praticando bullying. De acordo com os autos, a jovem, que era menor de idade na \u00e9poca, criou o grupo de WhatsApp em 2014 com o objetivo de combinar com seus amigos de assistir em sua casa jogos da Copa do Mundo. No entanto, ocorreram ofensas contra um dos membros, chamado de &#8220;bicha, veado, gay, garoto especial, bichona&#8221;, entre outros xingamentos.<\/p>\n<p>Soares Levada concordou com a argumenta\u00e7\u00e3o, afirmando que a jovem de fato n\u00e3o participou diretamente das ofensas, mas reverteu a decis\u00e3o em favor do autor com a argumenta\u00e7\u00e3o de que como administradora do grupo ela deveria ter agido para evitar o bullying e remover as pessoas que falaram as ofensas. &#8220;Ou seja, no caso dos autos, quando as ofensas, que s\u00e3o incontroversas, provadas via notarial, e s\u00e3o graves, come\u00e7aram, a r\u00e9 poderia simplesmente ter removido quem ofendia e\/ou ter encerrado o grupo. Quando o encerrou, ao criar outro grupo o teor das conversas permaneceu o mesmo, como as transcri\u00e7\u00f5es juntadas aos autos, cuja autenticidade n\u00e3o \u00e9 questionada, demonstram \u00e0 saciedade&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o veio baseada no artigo 186 do C\u00f3digo Civil, que estabelece puni\u00e7\u00f5es em casos de danos morais por atos il\u00edcitos. &#8220;Aquele que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato il\u00edcito&#8221;, diz o artigo. O relator tamb\u00e9m afirma que a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais simb\u00f3lica do que poderia ser. &#8220;Claro que entendia muito bem o significado dos xingamentos e as alus\u00f5es \u00e0 sexualidade do coautor, mas sua pouca idade deve ser levada em conta para que o valor fixado seja muito mais simb\u00f3lico, muito mais de advert\u00eancia para o futuro do que uma puni\u00e7\u00e3o severa, com peso econ\u00f4mico desproporcional&#8221;, finaliza a senten\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Controv\u00e9rsia<\/strong> &#8211; O ac\u00f3rd\u00e3o proferido neste caso deixou a comunidade jur\u00eddica de cabelos em p\u00e9 por se tratar de fato in\u00e9dito e que pode abrir precedente para que outros administradores de grupos no WhatsApp sejam responsabilizados judicialmente por coisas que aconte\u00e7am no ambiente virtual. &#8220;A decis\u00e3o \u00e9 bem controversa&#8221;, diz ao E+ o advogado Caio C\u00e9sar de Oliveira, do escrit\u00f3rio Opice Blum Advogados. &#8220;A princ\u00edpio um administrador de grupo de WhatsApp n\u00e3o tem responsabilidade civil por atos ou ofensas cometidas por um integrante do grupo. At\u00e9 mesmo porque, esse controle \u00e9 invi\u00e1vel&#8221;, continua.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje n\u00e3o nos preocupamos com a administra\u00e7\u00e3o de um grupo, pois a regra \u00e9 que o administrador n\u00e3o responde civilmente por atos de terceiros. Ser\u00e1 que no futuro todos os grupos dever\u00e3o ter seu pr\u00f3prio &#8220;termo de uso&#8221; ou as suas regras para esse tipo de situa\u00e7\u00e3o ou ser\u00e1 que os administradores v\u00e3o ter que criar uma cl\u00e1usula dizendo que n\u00e3o se responsabilizam por conte\u00fado vinculado por terceiros?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>&#8220;Em regra, quem deve ser responsabilizado \u00e9 o autor da ofensa uma vez que o administrador do grupo n\u00e3o tem essa fun\u00e7\u00e3o de &#8220;fiscalizador&#8221;. Se todos os membros do grupo forem administradores, eles respondem solidariamente?&#8221;, pontua o advogado. Ele tamb\u00e9m afirma que o ac\u00f3rd\u00e3o, ao estabelecer a indeniza\u00e7\u00e3o como forma de advert\u00eancia pode abrir margem para um recurso alegando que a r\u00e9 foi punida por um fato inexistente.<\/p>\n<p>Oliveira acha que as chances da decis\u00e3o ser reformada novamente em caso de recursos para o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF) s\u00e3o razo\u00e1veis. &#8220;Acredito que um eventual recurso para os tribunais superiores seriam no sentido de que a administradora n\u00e3o teria sido a respons\u00e1vel pelo danos ocasionados ao autor da a\u00e7\u00e3o, bem como que ela, como administradora do grupo, n\u00e3o teria essa fun\u00e7\u00e3o de moderadora e, por tal motivo, n\u00e3o deveria ter o dever de indenizar&#8221;, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um administrador de grupo no WhatsApp pode ser responsabilizado pelas coisas faladas l\u00e1? 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