{"id":184595,"date":"2018-07-06T07:37:43","date_gmt":"2018-07-06T10:37:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=184595"},"modified":"2018-07-06T07:37:43","modified_gmt":"2018-07-06T10:37:43","slug":"seca-se-espalha-e-todo-mundo-espera-socorro-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/seca-se-espalha-e-todo-mundo-espera-socorro-do-ceu\/","title":{"rendered":"Seca se espalha e todo mundo espera socorro do C\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Diferentemente do que se costuma imaginar, os epis\u00f3dios de escassez de chuvas n\u00e3o est\u00e3o restritos ao Nordeste. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o bem distribu\u00eddos por todo o Pa\u00eds. Mesmo assim, a maioria dos munic\u00edpios brasileiros (59%) n\u00e3o apresenta nenhum instrumento voltado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de desastres naturais e apenas 14,7% tinham no ano passado um plano espec\u00edfico de conting\u00eancia e\/ou preven\u00e7\u00e3o \u00e0 seca.<\/p>\n<p>\u00c9 o que mostram as pesquisas Perfil dos Munic\u00edpios Brasileiros (Munic) e Perfil dos Estados Brasileiros (Estadic) 2017 divulgadas nesta quinta-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). &#8220;Pensando sob o ponto de vista do abastecimento das cidades, o semi\u00e1rido do Nordeste tem a situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00f4nica. Mas temos diversas outras regi\u00f5es em que estamos no limite da press\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o oferta versus demanda&#8221;, diz o superintendente de planejamento de recursos h\u00eddricos da Ag\u00eancia Nacional das \u00c1guas (ANA), S\u00e9rgio Ayrimoraes.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00e1rias regi\u00f5es metropolitanas est\u00e3o pressionadas, porque cresceram, e os investimentos n\u00e3o vieram para que a oferta de \u00e1gua fosse adequada \u00e0 demanda&#8221;, ressalta o superintendente. Ele aponta ainda conflitos pela \u00e1gua em v\u00e1rios locais, como na \u00e1rea do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Segundo a publica\u00e7\u00e3o do IBGE, entre 2013 e 2017 praticamente a metade dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros (48,6%) registrou algum epis\u00f3dio de seca. A maior parte se concentra no Nordeste, mas h\u00e1 munic\u00edpios enfrentando escassez de chuva em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;No Sudeste ou no Sul, n\u00e3o temos aquela imagem cl\u00e1ssica da seca, do rebanho sem alimento, da planta\u00e7\u00e3o seca&#8221;, avalia a coordenadora de popula\u00e7\u00f5es e indicadores sociais do IBGE, V\u00e2nia Maria Pacheco. &#8220;Mas nessas regi\u00f5es temos epis\u00f3dios de seca, como os que resultaram, por exemplo, na recente crise h\u00eddrica em S\u00e3o Paulo e no Rio.&#8221;<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez que o IBGE aborda a quest\u00e3o das secas no \u00e2mbito das administra\u00e7\u00f5es municipais e estaduais. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 s\u00e9rie hist\u00f3rica a acompanhar. Mas, de uma forma geral, segundo V\u00e2nia, os desastres ambientais avaliados nas pesquisas (al\u00e9m da seca, enchente, eros\u00e3o e deslizamento) est\u00e3o bem distribu\u00eddos pelo pa\u00eds. Embora a seca seja o problema mais comum, 31% dos munic\u00edpios registraram casos de alagamentos, 27,2% de enxurradas, 19,6% de eros\u00e3o e 15% de deslizamentos.<\/p>\n<p>At\u00e9 o m\u00eas passado, o governo federal reconhecia situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia pela seca em 184 cidades de Minas, Bahia, Para\u00edba, Piau\u00ed, Cear\u00e1, Goi\u00e1s e Par\u00e1. Entre os Estados, pela d\u00e9cima vez consecutiva, o governo do Rio Grande do Norte renovou, em junho, o estado de emerg\u00eancia provocado pela escassez h\u00eddrica. Segundo levantamento do Executivo, a cada ano de estiagem os preju\u00edzos \u00e0 economia giram em torno de R$ 4,3 bilh\u00f5es. Dos 167 munic\u00edpios potiguares, 134 est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, reconhecida pelo governo federal.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, o Castanh\u00e3o, maior a\u00e7ude do Estado, est\u00e1 com apenas 8,07% de sua capacidade. Mas esteve pior em fevereiro, com 2,08%, quando atingiu o volume morto.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Paulo<\/strong> &#8211; A escassez de chuva j\u00e1 \u00e9 sentida na vida de muitos moradores do interior paulista. Em Santa Cruz das Palmeiras faz uma semana que a \u00e1gua chega \u00e0s torneiras e \u00e9 cortada com hora marcada. Na cidade, o racionamento come\u00e7ou no dia 28. &#8220;Estamos deixando para fazer as tarefas de casa \u00e0 noite&#8221;, afirma a aposentada Maria Aparecida do Ros\u00e1rio. O motivo \u00e9 que todos os dias, das 8 \u00e0s 16 horas, o fornecimento de \u00e1gua \u00e9 interrompido. &#8220;\u00c9 complicado, atrapalha a vida da gente.&#8221;<\/p>\n<p>A falta de \u00e1gua tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7a a ser sentida em munic\u00edpios vizinhos e o motivo \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o no \u00edndice pluviom\u00e9trico. Medi\u00e7\u00f5es do Centro de Pesquisas Meteorol\u00f3gicas e Clim\u00e1ticas Aplicadas \u00e0 Agricultura (Cepagri) apontam que a regi\u00e3o teve chuvas abaixo da m\u00e9dia nos primeiros seis meses deste ano. E a situa\u00e7\u00e3o pode se complicar ainda mais porque o per\u00edodo de estiagem vai at\u00e9 setembro.<\/p>\n<p>Com base no monitoramento que a ag\u00eancia faz sobre a oferta de \u00e1gua para cada regi\u00e3o, a ANA criou um aplicativo de celular que informa ao usu\u00e1rio a situa\u00e7\u00e3o da bacia em que ele est\u00e1. Uma das ideias \u00e9 que essas informa\u00e7\u00f5es possam ser usadas pelos eleitores para terem conhecimento da real situa\u00e7\u00e3o de cada \u00e1rea e possam cobrar propostas adequadas dos candidatos nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. \/<\/p>\n<p><strong>&#8216;Ponto de ruptura&#8217;<\/strong> &#8211; O recrudescimento dos epis\u00f3dios de escassez de chuva em todo o Pa\u00eds \u00e9 acompanhado por cientistas, como o climatologista Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEA-USP). &#8220;No Nordeste, onde sempre houve seca, a situa\u00e7\u00e3o se tornou mais cr\u00edtica; e, agora, h\u00e1 eventos de seca mais frequentes at\u00e9 na Amaz\u00f4nia.&#8221;<\/p>\n<p>A grande seca do Nordeste, que come\u00e7ou em 2013 e s\u00f3 agora come\u00e7a a ceder, \u00e9 a mais longa e mais intensa j\u00e1 registrada na regi\u00e3o desde o in\u00edcio das medi\u00e7\u00f5es, de acordo com Carlos Nobre.<\/p>\n<p>A seca ocorrida no Sudeste, entre 2014 e 2015, com impacto severo nos reservat\u00f3rios de \u00e1gua, tamb\u00e9m \u00e9 a maior e mais abrangente j\u00e1 ocorrida na regi\u00e3o. E at\u00e9 o norte do Esp\u00edrito Santo, onde raramente havia seca, registra eventos recorrentes desde 2013.<\/p>\n<p>&#8220;Na Amaz\u00f4nia, onde as secas n\u00e3o eram comuns, onde se registrava um epis\u00f3dio a cada 15 anos, a escassez de chuva se intensificou&#8221;, explica Nobre, que estuda a regi\u00e3o. &#8220;De repente, foram tr\u00eas grandes secas (2005, 2010 e 2015\/6) em apenas 11 anos Podemos estar perto de um ponto de ruptura, em que a esta\u00e7\u00e3o seca se torna a mais longa&#8221;, observa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferentemente do que se costuma imaginar, os epis\u00f3dios de escassez de chuvas n\u00e3o est\u00e3o restritos ao Nordeste. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o bem distribu\u00eddos por todo o Pa\u00eds. Mesmo assim, a maioria dos munic\u00edpios brasileiros (59%) n\u00e3o apresenta nenhum instrumento voltado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de desastres naturais e apenas 14,7% tinham no ano passado um plano espec\u00edfico de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":127230,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-184595","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184595"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":184596,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184595\/revisions\/184596"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/127230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}