{"id":184805,"date":"2018-07-08T09:49:14","date_gmt":"2018-07-08T12:49:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=184805"},"modified":"2018-07-08T09:49:46","modified_gmt":"2018-07-08T12:49:46","slug":"quer-ser-o-lula-la-da-sua-campanha-custa-pocuo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quer-ser-o-lula-la-da-sua-campanha-custa-pocuo\/","title":{"rendered":"Quer ser o &#8216;Lula l\u00e1&#8217; da sua campanha? Custa pouco"},"content":{"rendered":"<p>Todo candidato que encontra o publicit\u00e1rio Paulo de Tarso pede um &#8220;Lula L\u00e1&#8221; de presente. J\u00e1 com o alfaiate Jos\u00e9 Raimundo de Castro, o pedido \u00e9 por uma varia\u00e7\u00e3o arrebatadora de &#8220;Ey, Ey, Eymael&#8221;. A sina desses homens \u00e9 a de responder pela cria\u00e7\u00e3o de dois dos jingles de campanha mais impactantes (ou grudentos) da hist\u00f3ria recente. Embora n\u00e3o tenham embalado vit\u00f3rias eleitorais (&#8220;Lula L\u00e1&#8221; \u00e9 de 1989, elei\u00e7\u00e3o vencida por Fernando Collor de Mello), eles se transformaram em marcas definitivas de seus respectivos &#8220;musos&#8221;. Ou seja: valem muito.<\/p>\n<p>Profissionais do marketing estimam que um hit-chiclete pode custar at\u00e9 R$ 200 mil em uma campanha presidencial de grande porte. Ainda assim, o mercado do jingle \u00e9 bastante el\u00e1stico. N\u00e3o \u00e9 raro encontrar compositores oferecendo gratuitamente seus servi\u00e7os (de olho em contratos futuros) ou produtoras prometendo entregar jingles em 24 horas, direto no WhatsApp do contratante, por m\u00f3dicos R$ 499,99.<\/p>\n<p>O mercado do jingle baratinho floresce nas elei\u00e7\u00f5es para o Legislativo de cidades do interior. Na maioria dos casos, s\u00e3o m\u00fasicas j\u00e1 prontas, feitas com uma colagem de clich\u00eas: &#8220;candidato do povo&#8221;, &#8220;mulher guerreira&#8221;, &#8220;o que \u00e9 bom tem que continuar&#8221;, &#8220;a nossa esperan\u00e7a e l\u00e1 l\u00e1 l\u00e1&#8221;. A varia\u00e7\u00e3o de ritmos vai do pop rom\u00e2ntico at\u00e9 o forr\u00f3 p\u00e9 de serra.<\/p>\n<p>Por R$ 999, a produtora baiana Jingles do Brasil entrega em 72 horas um single in\u00e9dito, com letra totalmente criada a partir do briefing do candidato ou de sua equipe. &#8220;J\u00e1 aconteceu de um pol\u00edtico pedir um jingle xingando o advers\u00e1rio, chamando o outro de safado no refr\u00e3o&#8221;, afirmou o dono da produtora, Paulo Geovane Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Segundo Elvis Dalastra, da On Produ\u00e7\u00f5es, que atua em Santa Catarina, os valores s\u00e3o baixos porque &#8220;se ganha na quantidade&#8221;. Muitas vezes, as produtoras de jingles s\u00e3o subcontratadas por ag\u00eancias de propaganda &#8220;que pedem 10, 15 jingles de uma s\u00f3 vez&#8221;. &#8220;Ou seja, a maior parte do dinheiro fica com as ag\u00eancias de propaganda e n\u00e3o com as produtoras de jingles&#8221;, disse Dalastra.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, um jingle para candidaturas ao Legislativo saem por R$ 10 mil a R$ 12 mil. Na produtora N\u00facleo de Cria\u00e7\u00e3o, os s\u00f3cios Lawrence Shum e Marcelo Pacheco costumam n\u00e3o incentivar o uso de par\u00f3dias. &#8220;Apesar de ser de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o, pode passar uma imagem de que o candidato n\u00e3o \u00e9 original e, pior, que est\u00e1 roubando a ideia de outro&#8221;, afirmou Pacheco.<\/p>\n<p><strong>Vale?<\/strong> &#8211; Ser\u00e1 que o jingle em 2018 ter\u00e1 o mesmo peso de outras elei\u00e7\u00f5es ou as campanhas poderiam olhar com mais carinho para produtoras de baixo or\u00e7amento? &#8220;M\u00fasica \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o na campanha. Ela \u00e9 importante na medida em que a m\u00fasica \u00e9 importante na vida das pessoas&#8221;, disse o publicit\u00e1rio Chico Malfitani, que criou o jingle de Eduardo Suplicy em 1985. Para ele, o problema \u00e9 o tempo menor dos programas eleitorais. &#8220;Com menos tempo de TV, fica dif\u00edcil passar uma mensagem. Imagina se Frank Sinatra tivesse apenas 15 segundos para cantar New York, New York&#8221;.<\/p>\n<p>Publicit\u00e1rio e coautor de Brilha uma estrela (o &#8220;Lula l\u00e1&#8221;, em parceria com Hilton Acioli), Paulo de Tarso vai pela mesma linha &#8220;Eu pensaria duas vezes antes de investir muito dinheiro &#8211; principalmente porque o tempo de hor\u00e1rio eleitoral \u00e9 restrito e acredito que n\u00e3o haver\u00e1 tempo para longos clipes.&#8221;<\/p>\n<p>Se o problema for dinheiro, as campanhas ainda podem optar por encontrar artistas e produtores que fa\u00e7am o trabalho para &#8220;criar portf\u00f3lio&#8221;. O caso de L\u00e1zaro do Piau\u00ed \u00e9 exemplar. Em 2006, ele criou o Deixa o homem trabalhar para a reelei\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente Lula.<\/p>\n<p>O jingle foi escolhido pelo pr\u00f3prio Lula. &#8220;Ele me ligou e perguntou quanto seria. Eu disse que era presente e pronto&#8221;, disse. Esse &#8220;presente&#8221; rendeu ao artista uma carreira bem paga no mercado de jingles. &#8220;Depois, fiz m\u00fasica para Dilma Rousseff, Fernando Collor, M\u00e3o Santa e outros&#8221;, disse. O \u00fanico \u00f4nus, segundo ele, \u00e9 &#8220;receber e-mail de eleitor brigando depois que o pol\u00edtico \u00e9 preso&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Reciclagem<\/strong> &#8211; Se n\u00e3o tiver quem fa\u00e7a de gra\u00e7a, o jeito \u00e9 dar uma roupagem nova a um velho jingle. O octogen\u00e1rio Jos\u00e9 Raimundo de Castro, dono de uma alfaiataria na Galeria do Rock, em S\u00e3o Paulo, e autor do chiclete mais grudento dos \u00faltimos tempos (&#8220;Ey, ey, Eymael, um democrata crist\u00e3o&#8230;&#8221;), j\u00e1 pensa em transformar o seu hino em um samb\u00e3o, para ficar mais &#8220;pegado&#8221;. &#8220;Acho que tem tudo para cair no gosto do povo.&#8221; Em 1985, quando comp\u00f4s o jingle para Jos\u00e9 Maria Eymael, o trabalho saiu quase de gra\u00e7a, por pre\u00e7o de custo e &#8221; totalmente na amizade&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo candidato que encontra o publicit\u00e1rio Paulo de Tarso pede um &#8220;Lula L\u00e1&#8221; de presente. J\u00e1 com o alfaiate Jos\u00e9 Raimundo de Castro, o pedido \u00e9 por uma varia\u00e7\u00e3o arrebatadora de &#8220;Ey, Ey, Eymael&#8221;. A sina desses homens \u00e9 a de responder pela cria\u00e7\u00e3o de dois dos jingles de campanha mais impactantes (ou grudentos) da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":184806,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[],"class_list":["post-184805","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vota-brasilia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184805"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184805\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":184808,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184805\/revisions\/184808"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}