{"id":184983,"date":"2018-07-10T00:41:04","date_gmt":"2018-07-10T03:41:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=184983"},"modified":"2018-07-10T07:46:02","modified_gmt":"2018-07-10T10:46:02","slug":"mensagem-de-paz-tem-mais-forca-do-que-a-de-raiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mensagem-de-paz-tem-mais-forca-do-que-a-de-raiva\/","title":{"rendered":"&#8216;Mensagem de paz tem mais for\u00e7a do que a de raiva&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Sorrindo nervosa e ajeitando os cabelos com as m\u00e3os, Islaine Medeiros, de 17 anos, ainda n\u00e3o acreditava que tinha conseguido falar sobre a vida na sua escola para um de seus maiores \u00eddolos. Enquanto esperava na fila para tirar uma foto com aquela que chama de &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221;, a menina de Alagoinhas (BA) perguntava se algu\u00e9m tamb\u00e9m havia filmado o encontro.<\/p>\n<p>A &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221; de Islaine n\u00e3o \u00e9 atriz ou cantora, mas a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que participou nesta segunda-feira, 9, de um debate sobre educa\u00e7\u00e3o no audit\u00f3rio do Ibirapuera, zona sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O evento, organizado pelo Ita\u00fa Unibanco, era fechado para convidados: a maioria alunos de escolas p\u00fablicas e ativistas de projetos educacionais. Mas, do lado de fora, fam\u00edlias tentavam lugar para suas filhas acompanharem a mais jovem vencedora do pr\u00eamio Nobel da Paz, em 2014.<\/p>\n<p>&#8220;Ela \u00e9 como uma artista. O talento dela \u00e9 a coragem, a for\u00e7a, a forma como enxerga a educa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Islaine, que conheceu a hist\u00f3ria de Malala h\u00e1 poucas semanas, quando ganhou na escola o livro da paquistanesa, baleada pelo grupo extremista Talib\u00e3 aos 15 anos por se manifestar contra a proibi\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o para mulheres.<\/p>\n<p>Malala contou que veio ao Brasil para &#8220;achar meios&#8221; de garantir educa\u00e7\u00e3o para 1,5 milh\u00e3o de meninas no Pa\u00eds que est\u00e3o fora da escola. &#8220;S\u00e3o meninas que est\u00e3o tendo o seu direito negado, como ocorreu comigo. Quero, junto com voc\u00eas, encontrar formas de garantir que tenham acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, que significa dar condi\u00e7\u00f5es a elas de saber ler e escrever e tamb\u00e9m de sonhar&#8221;, afirmou a ativista. A maior parte das jovens fora da escola, ressaltou, s\u00e3o as negras, ind\u00edgenas e de fam\u00edlias pobres<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos que todas as meninas estejam na escola, mas n\u00e3o podemos parar a\u00ed. Quem est\u00e1 estudando n\u00e3o pode ter medo, ser intimidada, desmotivada ou desmoralizada. Essas meninas t\u00eam o direito de estudar, n\u00e3o podem ser for\u00e7adas a trabalhar, casar ou ter filhos&#8221;, diz Malala. A solu\u00e7\u00e3o para o problema no Brasil, defende, est\u00e1 nas pr\u00f3prias comunidades afetadas.<\/p>\n<p>N\u00edvea Reis, de 16 anos, era outra das jovens emocionadas, ao fim do evento. Ela conseguiu contar a Malala sobre o projeto que desenvolve em sua cidade, Andrequic\u00e9 (MG). N\u00edvea e outros amigos est\u00e3o alfabetizando idosos do munic\u00edpio e buscam apoio da prefeitura para conseguir mais verba. &#8220;\u00c0s vezes parece imposs\u00edvel fazer com que nossas ideias virem realidade. Ao conhecer a hist\u00f3ria da Malala e, ao ouvir falar agora sobre a sua vida, me fez ver que n\u00e3o posso desistir. Quero ser forte e corajosa como ela&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Apesar de ser vista como hero\u00edna, Malala fez quest\u00e3o de refutar o t\u00edtulo logo no in\u00edcio do debate. &#8220;Tantas colegas que estudavam comigo queriam levantar a voz e se manifestar. N\u00e3o era diferente delas. A minha voz s\u00f3 p\u00f4de ser ouvida porque eu tenho pais que s\u00e3o especiais e sempre me apoiaram.&#8221;<\/p>\n<p>Malala lembra que a repercuss\u00e3o da sua hist\u00f3ria fez com que a sua m\u00e3e, impedida de ir ao col\u00e9gio aos 6 anos, pudesse iniciar os estudos. &#8220;\u00c9 o contr\u00e1rio do que acontece na maioria das casas, mas sou eu que leio para a minha m\u00e3e. E \u00e9 uma experi\u00eancia maravilhosa&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Para a ativista, a educa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria para mulheres precisa entrar na pauta das elei\u00e7\u00f5es porque desenvolve economias e democracias. &#8220;A igualdade pressup\u00f5e tamb\u00e9m responsabilidades iguais e queremos compartilhar isso com eles.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Mensagem<\/strong> &#8211; No final do evento, Malala quis responder perguntas das jovens e a maioria demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Pa\u00eds &#8220;Sei que h\u00e1 muita insatisfa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o esque\u00e7am nunca que a voz de voc\u00eas t\u00eam poder enorme de provocar mudan\u00e7as&#8221;. E finalizou contando que nunca teve vontade de se vingar daqueles que a balearam, porque descobriu na sua voz o melhor revide.<\/p>\n<p>&#8220;A melhor vingan\u00e7a que encontrei foi ir atr\u00e1s de educar todas as meninas e meninos do mundo, incluindo os filhos daqueles que me atacaram. Uma mensagem de paz tem muito mais for\u00e7a do que uma de raiva&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorrindo nervosa e ajeitando os cabelos com as m\u00e3os, Islaine Medeiros, de 17 anos, ainda n\u00e3o acreditava que tinha conseguido falar sobre a vida na sua escola para um de seus maiores \u00eddolos. 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