{"id":185917,"date":"2018-07-20T18:02:42","date_gmt":"2018-07-20T21:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=185917"},"modified":"2018-07-20T20:25:15","modified_gmt":"2018-07-20T23:25:15","slug":"rio-ganha-as-telas-falando-sobre-o-fracasso-da-upps","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rio-ganha-as-telas-falando-sobre-o-fracasso-da-upps\/","title":{"rendered":"Rio ganha as telas enfocando o fracasso de UPPs"},"content":{"rendered":"<p>Em um beco da \u00fanica favela sem tiroteios do Rio de Janeiro, um policial e um traficante conversam e riem juntos. Mas quando o diretor grita &#8220;A\u00e7\u00e3o!&#8221;, tudo muda. E a cena come\u00e7a a ser mais veross\u00edmil.<\/p>\n<p>Estamos nas filmagens do longa que pretende retratar um dos principais dramas da cidade: o fracasso da pacifica\u00e7\u00e3o das favelas. A tranquilidade que reina nesta tarde na Tavares Bastos parece realmente fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a sede do temido Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (Bope) da Pol\u00edcia Militar no alto da comunidade, ali n\u00e3o se ouvem tiros e n\u00e3o se veem traficantes passando com fuzis nem confrontos com a pol\u00edcia. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 crian\u00e7as mortas por balas perdidas.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 t\u00ednhamos esta comunidade para gravar sem tem que ter algum tipo de acordo com traficantes ou mil\u00edcias. Se n\u00e3o fosse a Tavares, ter\u00edamos que filmar tudo em est\u00fadio&#8221;, disse Caio Cobra, o diretor do filme.<\/p>\n<p>As c\u00e2maras, as luzes e o ex\u00e9rcito de assistentes de produ\u00e7\u00e3o nem mesmo chateiam os vizinhos dessa humilde favela, que frequentemente se torna cen\u00e1rio de filmes e s\u00e9ries.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eles querem falar de viol\u00eancia, eles n\u00e3o falam de Bras\u00edlia, n\u00e3o falam das grandes quadrilhas, dos grandes bandidos que acabaram gerando isso aqui, s\u00f3 falam do produto final, que somos n\u00f3s&#8221;, queixa-se Cesar Machado, um morador de 66 anos, enquanto observa a filmagem ao sair da padaria.<\/p>\n<p><strong>Um debate delicado &#8211;\u00a0<\/strong>Escrito pelo mesmo roteirista de &#8220;Tropa de Elite&#8221;, o ex-capit\u00e3o do Bope Rodrigo Pimentel, este filme exp\u00f5e, pelo olhar dos policiais, o desmoronamento das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP), lan\u00e7adas em 2008, em meio a uma grande expectativa popular com a perspectiva da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Ol\u00edmpicos de 2016.<\/p>\n<p>A protagonista \u00e9 uma jovem policial que acredita profundamente nesse projeto como uma sa\u00edda para a viol\u00eancia, mas que ver\u00e1 seu sonho desparecer em um Rio imerso em uma crise econ\u00f4mica e em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um filme que fala sobre o momento do Rio de Janeiro atual, um momento depois de toda aquela expectativa da Copa do Mundo, dos Jogos Ol\u00edmpicos. Todos os dias nos jornais do Rio de Janeiro tem not\u00edcias de moradores baleados, de policiais mortos. Eu achava muito urgente, muito necess\u00e1rio que o cinema brasileiro fizesse esse filme contando o drama dessas pessoas&#8221;, conta Pimentel.<\/p>\n<p>Para compreender a complexidade dos personagens principais, cinco policiais assessoraram a equipe e alguns at\u00e9 ganharam um pequeno papel.<\/p>\n<p>&#8220;O policial tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima da viol\u00eancia e sua vers\u00e3o quase sempre foi desdenhada, ocultada pelo cinema brasileiro&#8221;, diz o ex-capit\u00e3o \u00e0 AFP.<br \/>\nO tema \u00e9 complexo em um estado com dados aterradores de homic\u00eddios (cerca de 6.500 em 2017), e com uma pol\u00edcia que n\u00e3o tem meios adequados para combater o crime organizado e sofre com constantes atrasos salariais.<\/p>\n<p>Os agentes do Rio s\u00e3o os que mais morrem no Brasil, mas s\u00e3o tamb\u00e9m os que mais matam. Em 2017 mais de 130 policiais foram assassinados e nesse ano esse n\u00famero j\u00e1 passa dos 60. Por outro lado, 1.150 pessoas foram mortas em a\u00e7\u00f5es policiais no ano passado, segundo dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A equipe insiste que este ser\u00e1 um filme &#8220;equilibrado&#8221;.\u00a0&#8220;O filme n\u00e3o toma nenhuma frente, n\u00e3o tem uma bandeira, n\u00e3o \u00e9 panflet\u00e1rio. Ele n\u00e3o defende um lado ou o outro. Ele exp\u00f5e uma ferida que est\u00e1 aberta e deixa ao espectador entender de que lado ele est\u00e1&#8221;, disse o ator Marcos Palmeira, que vive o chefe da UPP, na entrevista coletiva de apresenta\u00e7\u00e3o do filme.<\/p>\n<p>&#8220;O que mais desejo \u00e9 que esse filme gere discuss\u00e3o, que n\u00e3o gere polariza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o gere mais \u00f3dio, mas que gere reflex\u00e3o&#8221;, disse Bianca Comparato, a protagonista.<\/p>\n<p><strong>Marielle, presente &#8211;\u00a0<\/strong>Como contraponto \u00e0 trama policial, ser\u00e1 importante o papel da irm\u00e3 da protagonista, uma fervorosa defensora de direitos humanos negra, muito cr\u00edtica \u00e0 viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>&#8220;Quando li o roteiro, pensei \u00e9 a Marielle, \u00e9 uma voz da Marielle&#8221;, disse emocionada a atriz Dandara Mariana, referindo-se \u00e0 vereadora Marielle Franco, nascida na favela da Mar\u00e9 e assassinada a tiros em mar\u00e7o, em um caso que comoveu o Brasil e o mundo.<\/p>\n<p>A atriz contou que, para construir o personagem, conversou com pessoas pr\u00f3ximas a Marielle, e que, inspirada nela, fez algumas modifica\u00e7\u00f5es no texto.<\/p>\n<p>O filme foi apresentado \u00e0 imprensa com o t\u00edtulo de &#8220;Interven\u00e7\u00e3o&#8221;, depois da decreta\u00e7\u00e3o, em fevereiro, da pol\u00eamica interven\u00e7\u00e3o federal na \u00e1rea de seguran\u00e7a, enquanto setores da ultra-direita pedem uma &#8220;interven\u00e7\u00e3o militar&#8221; que ponha ordem no Brasil.<\/p>\n<p>No entanto, ficou claro na apresenta\u00e7\u00e3o que esse t\u00edtulo n\u00e3o conta com a aceita\u00e7\u00e3o un\u00e2nime do elenco e por isso os produtores se comprometeram a buscar um novo nome antes da estreia, prevista para o dia 15 de novembro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um beco da \u00fanica favela sem tiroteios do Rio de Janeiro, um policial e um traficante conversam e riem juntos. 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