{"id":186068,"date":"2018-07-22T10:19:34","date_gmt":"2018-07-22T13:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=186068"},"modified":"2018-07-22T12:26:16","modified_gmt":"2018-07-22T15:26:16","slug":"candidatos-podem-negar-mas-reformas-virao-no-proximo-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/candidatos-podem-negar-mas-reformas-virao-no-proximo-governo\/","title":{"rendered":"Candidatos podem negar, mas reformas vir\u00e3o no pr\u00f3ximo governo"},"content":{"rendered":"<p>Com a corrida eleitoral indefinida, h\u00e1 quem questione se reformas estruturais &#8211; como a da Previd\u00eancia &#8211; sair\u00e3o do papel, dependendo do resultado das urnas. Para Christopher Garman, diretor para Am\u00e9ricas da consultoria de risco pol\u00edtico Eurasia, no entanto, as reformas vir\u00e3o com qualquer vencedor. &#8220;O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 se vamos ter reforma, mas qu\u00e3o ampla ela ser\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>As reformas n\u00e3o dependem, portanto, de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato preferido do mercado financeiro. Por\u00e9m, o apoio do Centr\u00e3o deu \u00e0 candidatura tucana uma chance de sobreviv\u00eancia. &#8220;Se o Centr\u00e3o tivesse ido com o Ciro Gomes (PDT) ou rachado, teria criado uma din\u00e2mica perversa de que a classe pol\u00edtica tinha uma falta de confian\u00e7a na campanha dele (Alckmin).&#8221;<\/p>\n<p>Veja trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>O mercado reagiu bem \u00e0 not\u00edcia de apoio do Centr\u00e3o ao Alckmin. Esse apoio partid\u00e1rio e o consequente tempo de TV podem alavancar sua candidatura?<\/strong><\/p>\n<p>Conseguir o apoio foi importante para ele, mas foi menos no sentido de alavancar e mais no de evitar um passo para tr\u00e1s. A campanha do Alckmin corria s\u00e9rio perigo. Est\u00e1vamos enxergando uma crise de confian\u00e7a entre os partidos que tradicionalmente seriam parceiros de Alckmin, que viam ele patinando nas pesquisas. Eles tamb\u00e9m estavam olhando Jair Bolsonaro e reconhecendo que era uma candidatura que dificilmente dava para trabalhar, dado que h\u00e1 promessa de cortar minist\u00e9rios e nomear generais para gabinetes. A\u00ed os partidos flertaram com Ciro. Se o Centr\u00e3o tivesse ido com o Ciro ou rachado, teria criado uma din\u00e2mica muito perversa de que a classe pol\u00edtica tinha uma falta de confian\u00e7a na campanha dele (Alckmin). Na medida em que Alckmin reverteu o quadro, evitou uma deteriora\u00e7\u00e3o da qual a campanha esteve muito pr\u00f3xima. Agora, o tempo de TV o mant\u00e9m no jogo.<\/p>\n<p><strong>E quais ser\u00e3o os desafios?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o dois desafios: Jair Bolsonaro (PSL) e \u00c1lvaro Dias (Podemos). Bolsonaro est\u00e1 na frente do Alckmin no Estado de S\u00e3o Paulo e o \u00c1lvaro Dias tem apoio no Sul. A pergunta \u00e9: tempo de TV \u00e9 suficiente para derrubar Bolsonaro? Achamos que n\u00e3o. O perfil do Alckmin \u00e9 dif\u00edcil nessa disputa. H\u00e1 um desencanto com lideran\u00e7as pol\u00edticas. O tema de corrup\u00e7\u00e3o virou muito importante. Mesmo que Alckmin se saia bem no quesito de experi\u00eancia administrativa, ele se sai mal por ser visto como pol\u00edtico tradicional. Mais importante que tempo de TV \u00e9 quais candidatos se encaixam com o perfil da demanda. Hoje, Bolsonaro parece se encaixar.<\/p>\n<p><strong>A Eurasia dava 25% de chance de um reformista vencer as elei\u00e7\u00f5es. Esse apoio do Centr\u00e3o muda a probabilidade?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o. A gente at\u00e9 havia diminu\u00eddo essa probabilidade de 25% para 20% na expectativa de que Alckmin n\u00e3o teria apoio do Centr\u00e3o. Hoje estamos com 20%, mas vi\u00e9s de alta.<\/p>\n<p><strong>Como fica o panorama para os outros candidatos?<\/strong><\/p>\n<p>Quem mais perde \u00e9 o Ciro. Ele est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel, porque tem base de apoio no Nordeste e, quando a candidatura do PT entrar em jogo, \u00e9 o que tem mais a perder, porque est\u00e1 surfando nos eleitores do Lula. A chance que ele tinha era compensar essa vulnerabilidade com tempo de TV dos partidos do Centr\u00e3o. Ele perdeu essa oportunidade.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que, na negocia\u00e7\u00e3o com Alckmin, uma alternativa para o financiamento de sindicatos chegou a ser demandada pelo Centr\u00e3o. A reforma trabalhista est\u00e1 amea\u00e7ada?<\/strong><\/p>\n<p>Alguns ajustes devem ser feitos, mas acho dif\u00edcil ter uma maioria no Congresso para rever os principais pontos. Os partidos de centro apoiaram a reforma. Se Alckmin for eleito, as principais vertentes da reforma devem ficar de p\u00e9.<\/p>\n<p><strong>A Eurasia aposta que as reformas v\u00e3o continuar independentemente de quem ganhar. Isso vale tamb\u00e9m para o PT? O sr. j\u00e1 comentou que, se Lula indicar um nome, essa pessoa pode crescer rapidamente.<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com a candidatura do PT, se vingar, deve avan\u00e7ar alguma reforma. Lideran\u00e7as do partido criticam a reforma desse governo, mas o custo de oportunidade de n\u00e3o fazer a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 muito grande. No governo Dilma Rousseff, o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa j\u00e1 estava formando uma proposta de reforma. De l\u00e1 para c\u00e1, a situa\u00e7\u00e3o fiscal se deteriorou ainda mais. Na nossa vis\u00e3o, o PT, chegando ao poder, vai colocar uma reforma na mesa, n\u00e3o t\u00e3o ambiciosa como seria uma do Alckmin. A dificuldade do PT \u00e9 que entraria um ambiente mais polarizado. Ent\u00e3o a capacidade de construir uma coaliz\u00e3o no Congresso fica dif\u00edcil. O que achamos \u00e9 que o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 se vamos ter uma reforma, mas qu\u00e3o ampla ela ser\u00e1.<\/p>\n<p><strong>No caso de vit\u00f3ria do Bolsonaro, essa dificuldade no Congresso tamb\u00e9m pode ocorrer, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 se o PT entraria com uma reforma mais modesta de cara. O Bolsonaro talvez viesse com uma mais ambiciosa, mas a dificuldade \u00e9 que ele entraria com uma rea\u00e7\u00e3o mais conflituosa com o Congresso. O caminho seria mais tortuoso e pol\u00eamico, mas, mesmo assim, algum tipo de acordo acaba saindo.<\/p>\n<p><strong>Como dever\u00e3o ser abordados temas como reforma previdenci\u00e1ria e ajuste fiscal na campanha?<\/strong><\/p>\n<p>O \u00fanico candidato que detalhou a proposta da reforma da Previd\u00eancia \u00e9 o Ciro. Mas a narrativa pol\u00edtica de conciliar uma reforma com a popula\u00e7\u00e3o contra a classe pol\u00edtica \u00e9 um ganho que o governo Temer est\u00e1 dando para os candidatos. Encontrou-se a narrativa da reforma, com um discurso de justi\u00e7a social. Na campanha, talvez n\u00e3o haja detalhes de proposta, mas todos v\u00e3o bater no combate aos privil\u00e9gios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a corrida eleitoral indefinida, h\u00e1 quem questione se reformas estruturais &#8211; como a da Previd\u00eancia &#8211; sair\u00e3o do papel, dependendo do resultado das urnas. 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