{"id":186464,"date":"2018-07-27T08:11:17","date_gmt":"2018-07-27T11:11:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=186464"},"modified":"2018-07-27T08:11:17","modified_gmt":"2018-07-27T11:11:17","slug":"calendario-2019-torna-mulheres-sujeito-em-vez-de-objeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/calendario-2019-torna-mulheres-sujeito-em-vez-de-objeto\/","title":{"rendered":"Calend\u00e1rio 2019 torna mulheres sujeito em vez de objeto"},"content":{"rendered":"<p>Foi um ano carregado o da Pirelli. Afinal, o atraente calend\u00e1rio, que fez sua fama retratando mulheres nuas e semi nuas com aura de express\u00e3o art\u00edstica e exclusividade, vem se reposicionando h\u00e1 cerca de quatro anos como uma afirma\u00e7\u00e3o do fotografia socialmente consciente.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou em 2015, quando Annie Leibovitz foi chamada para repensar a edi\u00e7\u00e3o 2016 do calend\u00e1rio e decidiu elencar uma sele\u00e7\u00e3o de mulheres de alto desempenho, incluindo a diretora Ava DuVernay e a filantropa Agnes Gund, retratadas quase completamente vestidas para refletir o emergir de um novo tipo de \u201chero\u00edna\u201d.<\/p>\n<p>A ele se seguiu um calend\u00e1rio com retratos de celebridades de todas as idades por Peter lindbergh, entre elas Helen Mirren, ent\u00e3o com 71, em sua gl\u00f3ria sem retoques, do jeito que elas s\u00e3o. Tim Walker fotografou o pr\u00f3ximo, reimaginando \u201cAlice no Pa\u00eds das Maravilhas\u201d com um elenco totalmente afro-americano, incluindo o stylist respons\u00e1vel, Edward Enninful, o primeiro afro-americano editor da Vogue inglesa.<\/p>\n<p>Esta semana a resposta foi, ao menos em parte, revelada. \u201cN\u00e3o queria levar um monte de modelos para a praia e pedir para elas tirarem a parte de cima de suas roupas\u201d, diz Albert Watson, o fot\u00f3grafo escoc\u00eas de 75 anos por tr\u00e1s do calend\u00e1rio 2019.<\/p>\n<p>Watson \u00e9 um dos mais elogiados criadores de imagem de sua gera\u00e7\u00e3o, t\u00e3o famoso por suas capas de Vogue quanto por seus retratos de Hitchcock com um ganso de gravata borboleta e Tupak Shakur com uma arma. \u201cParecia antigo\u201d, ele fala. \u201cEstava mais interessado em contar hist\u00f3rias de quatro mulheres diferentes.\u201d E faz isso usando fotografoia e linguagem de cinema.<\/p>\n<p>O assunto desta vez \u00e9 em torno de sonhadoras. O problema \u00e9: elas n\u00e3o s\u00e3o o tipo de sonhadoras atuais que a inclina\u00e7\u00e3o da Pirelli por t\u00f3picos quentes podem fazer voc\u00ea pensar.<\/p>\n<p>Quatro mini cr\u00f4nicas descrevem personagens perseguindo suas paix\u00f5es &#8211; n\u00e3o as da carne, mas as da alma. Elas incluem Misty Copeland, diretora do American Ballet Theater (ABT), como uma aspirante a dan\u00e7arina que vive com seu namorado aspirante a bailarino, interpretado pelo solista do ABT Calvin Royal III, e que faz pole dance para pagar as contas.<\/p>\n<p>Tem Laetitia Casta, a modelo e atriz francesa, como uma aspirante a pintora, que repousa ao lado do namorado, encarnado pelo dan\u00e7arino ucraniano Sergei Polunin em um antigo est\u00fadio em ru\u00ednas. A atriz Julia Garner, de Ozark, \u00e9 uma aspirante a fot\u00f3grafa bot\u00e2nica. E tem Gigi Hadid como uma herdeira desmotivada ao lado do colega de terno preto encarnado pelo estilista Alexander Wang.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio, que inclui m\u00faltiplas fotos para cada hist\u00f3ria e que \u00e9 bem maior do que seriam as 12 p\u00e1ginas padr\u00e3o, tem n\u00edvel e valores de produ\u00e7\u00e3o envolvidos dignos dos que foram consagrados em tr\u00eas livros de fotos do calend\u00e1rio (sendo The Calendar: 50 Years and More, da editora Taschen, o mais recente deles).<\/p>\n<p>Os cen\u00e1rios deste ano s\u00e3o fantasticamente luxuriantes: um jardim em Miami com l\u00edrios maduros e vegeta\u00e7\u00e3o verdejante; um apartamento no topo de arranha-c\u00e9u, com carpete de pel\u00facia, e vista noturna sobre Nova York, um est\u00fadio em tons de s\u00e9pia banhado em um romantismo decadente.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 provoca\u00e7\u00e3o de nudez, entretanto h\u00e1 alguns momentos atmosf\u00e9ricos de lingerie (e aparentemente Copeland foi t\u00e3o convincente no seu pole dancing que, ao fim da sess\u00e3o, o dono da loca\u00e7\u00e3o perguntou se ela estaria dispon\u00edvel para contrata\u00e7\u00e3o). O movimento e o torpor e o fasc\u00ednio de se perder em busca da realiza\u00e7\u00e3o art\u00edstica s\u00e3o palp\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas este \u00e9 um novo tempo e essas s\u00e3o hist\u00f3rias velhas. H\u00e1 um tipo de nostalgia &#8211; cerca de 95% das roupas eram vintage, Watson disse &#8211; que sufoca a imagem e a distorce frente \u00e0 urg\u00eancia social que o assunto pede e que em nos \u00faltimos anos vem ajudando o calend\u00e1rio a se atualizar e, de certa forma, expiar a lasc\u00edvia de seu passado.<\/p>\n<p>Talvez seja imposs\u00edvel manter aquele tipo de momentum. Inquestionavelmente, a mudan\u00e7a arriscava parecer oportunista, como uma grande companhia pegando carona no assunto do momento apenas por marketing.<\/p>\n<p>Certamente, a maneira como a Pirelli concebeu o calend\u00e1rio, h\u00e1 tantos anos atr\u00e1s, significava que ela nunca controlaria totalmente o produto final. O que faz com que fot\u00f3grafos famosos, como Watson, emprestem sua credibilidade para um tipo de apresenta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o necessariamente os atrairia (um calend\u00e1rio de mulheres para uma empresa de pneus, sendo reducionista), \u00e9 o fato de a Pirelli dar a eles as carta branca criativamente falando.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio pode ser muito bem vindo, como eles em geral s\u00e3o, um item de colecionador. As mulheres que ele apresenta agora s\u00e3o mais sujeito do que objeto, o que \u00e9 algum avan\u00e7o. Mas ainda uma mudan\u00e7a sutil. E o tempo para tal sutileza est\u00e1, francamente, passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi um ano carregado o da Pirelli. Afinal, o atraente calend\u00e1rio, que fez sua fama retratando mulheres nuas e semi nuas com aura de express\u00e3o art\u00edstica e exclusividade, vem se reposicionando h\u00e1 cerca de quatro anos como uma afirma\u00e7\u00e3o do fotografia socialmente consciente. 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