{"id":187225,"date":"2018-08-04T08:08:22","date_gmt":"2018-08-04T11:08:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=187225"},"modified":"2018-08-04T08:08:22","modified_gmt":"2018-08-04T11:08:22","slug":"monica-e-menino-maluquinho-desbravam-a-montanha-magica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/monica-e-menino-maluquinho-desbravam-a-montanha-magica\/","title":{"rendered":"M\u00f4nica e Menino Maluquinho desbravam a Montanha M\u00e1gica"},"content":{"rendered":"<p>Eles se encontraram pela primeira vez h\u00e1 58 anos. Mauricio de Sousa queria muito ter um gibi. Ziraldo j\u00e1 tinha A Turma do Perer\u00ea. Mauricio arrumou a mala com algumas roupas e seu material de desenho e pegou um trem de Bauru para S\u00e3o Paulo e depois para o Rio. Era l\u00e1 que ficavam as editoras que publicavam quadrinhos e o desenhista em in\u00edcio de carreira queria ver se Ziraldo o ajudava a entrar em sua editora para planejarem uma nova revista.<\/p>\n<p>&#8220;Eu me hospedei num hoteleco vagabundo do cais. Ziraldo me recebeu muito bem. Era um mo\u00e7o simp\u00e1tico, agrad\u00e1vel, foi carinhoso com o colega, mas me passou uma not\u00edcia que n\u00e3o foi legal. Ele disse que adoraria, mas que a editora n\u00e3o era dele e o grupo estava atravessando uma crise financeira e n\u00e3o podiam pensar em lan\u00e7ar mais nada&#8221;, relembra hoje, aos 83, Mauricio de Sousa. Ele ficou desanimado, e ent\u00e3o Ziraldo contou que queria fazer tiras nos jornais dos Di\u00e1rios Associados e perguntou se ele consideraria fazer as tiras do Perer\u00ea.<\/p>\n<p>Voltou para o hotel, fez uma meia d\u00fazia de tiras e voltou com o material embaixo do bra\u00e7o na esperan\u00e7a de agradar a Ziraldo. Agradou, e ouviu dele que conversaria com o pessoal dos Di\u00e1rios Associados e daria not\u00edcias.<\/p>\n<p>Um trem para S\u00e3o Paulo, outro para Bauru. Ao chegar l\u00e1 descobriu que sua filha tinha nascido. &#8220;Quando a M\u00f4nica nasceu, eu estava pedindo um emprego para Ziraldo&#8221;, ri, hoje. Batizou a garota sem sonhar que ela viraria sua personagem e ficou esperando a resposta de Ziraldo. &#8220;Esperei, esperei, esperei. E estou esperando at\u00e9 hoje. O Ziraldo n\u00e3o conseguiu interessar o pessoal e, pior ainda, ele perdeu as tiras&#8221;, ri mais ainda.<\/p>\n<p>&#8220;Perdi. Essas tiras foram as \u00fanicas coisas que perdi na vida. Uma tristeza profunda&#8221;, lamenta Ziraldo, 85 anos. &#8220;Hoje, elas valeriam R$ 1 milh\u00e3o&#8221;, brinca.<\/p>\n<p>Muita coisa aconteceu entre aquela tentativa frustrada de uma parceria e o reencontro dos dois neste s\u00e1bado, 4, na Bienal do Livro de S\u00e3o Paulo. Ziraldo escreveu uma centena de livros que foram lidos por diversas gera\u00e7\u00f5es de brasileiros &#8211; e estrangeiros tamb\u00e9m. E criou o inesquec\u00edvel Menino Maluquinho. Mauricio de Sousa, tr\u00eas anos depois daquele encontro, criou a M\u00f4nica, sua personagem mais famosa, e, ao longo dos anos, sua turma s\u00f3 cresceu.<\/p>\n<p>Dois dos personagens mais importantes da literatura brasileira, que fizeram muita crian\u00e7a gostar de ler, se encontram pela primeira vez num outro livro: MMMMM &#8211; M\u00f4nica e Menino Maluquinho na Montanha M\u00e1gica. Uma hist\u00f3ria mirabolante criada por Manuel Filho e ilustrada pelos dois artistas que ser\u00e1 lan\u00e7ada neste s\u00e1bado, 4, na Bienal do Livro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Um crossover h\u00e1 muito esperado pelos f\u00e3s dos autores e das hist\u00f3rias e que deixou os amigos felizes e saudosos &#8211; &#8220;do tempo em que Ziraldo tinha cabelinho preto e eu n\u00e3o tinha barriga&#8221;, como brinca Mauricio.<\/p>\n<p>Mirabolante &#8211; Mauricio de Sousa e Ziraldo j\u00e1 trabalharam juntos antes, mas num projeto que em nada se assemelha ao crossover de seus ic\u00f4nicos personagens em MMMMM &#8211; M\u00f4nica e Menino Maluquinho na Montanha M\u00e1gica. Tempos atr\u00e1s, Mauricio escreveu O Reizinho no Castelo Perdido e Ziraldo ilustrou. E ent\u00e3o eles trocaram de posi\u00e7\u00e3o em O Maior An\u00e3o do Mundo. Nos dois casos, os personagens eram in\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Agora a hist\u00f3ria \u00e9 outra e envolve uma terceira pessoa. Manuel Filho leu tudo o que Ziraldo escreveu e de t\u00e3o f\u00e3 que era da Turma da M\u00f4nica mandou, aos 8 anos, uma carta para o gibi do Cebolinha, que foi publicada. O tempo passou, ele virou escritor e agora, aos 50, foi o escolhido pela Melhoramentos e Mauricio de Sousa Produ\u00e7\u00f5es para criar o enredo que marca o encontro entre M\u00f4nica e o Menino Maluquinho. &#8220;At\u00e9 me arrepia pensar nisso Sa\u00ed do gibizinho para a capa do livro com os dois mestres&#8221;, conta o autor para a reportagem.<\/p>\n<p>Sua hist\u00f3ria \u00e9 mirabolante. Os dois personagens, cada um no seu canto, depois de devorarem barras e barras de chocolate encontram o t\u00e3o procurado bilhete dourado que os levar\u00e1 para uma aventura na Montanha M\u00e1gica. Eles podem levar quatro amigos. L\u00e1, tudo come\u00e7a com uma partida de futebol. Tem um drone, que \u00e9 um dos personagens e faz gincanas com as crian\u00e7as. Num determinado momento M\u00f4nica e Menino Maluquinho s\u00e3o engolidos pela montanha, se perdem da turma e cada um vive a sua aventura. O livro vai se modificando. Tem hora que come\u00e7a, tem hora que recome\u00e7a e tem hora que volta, como explica o autor. No meio da narrativa, aparece uma HQ.<\/p>\n<p>H\u00e1 refer\u00eancias liter\u00e1rias a todo instante e a hist\u00f3ria tem v\u00e1rias camadas de entendimento. O leitor vai ter contato com personagens e autores que j\u00e1 conhece ou com quem ainda vai se deparar: Alice, Dorothy, Tom Sawyer, Luluzinha, Em\u00edlia, Perer\u00ea, Pluft, Feiurinha, Zez\u00e9, Thomas Mann&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Gosto de dizer que esse livro foi um livro escrito por algu\u00e9m que \u00e9 meio maluquinho ou que levou uma coelhada na cabe\u00e7a&#8221;, brinca Manuel.<\/p>\n<p>Ziraldo se reconheceu justamente nessas refer\u00eancias inclu\u00eddas pelo autor &#8211; que tamb\u00e9m homenageou Flicts, do cartunista, na capa de MMMMM. E reconheceu o estilo de Mauricio de Sousa no enredo de aventura. &#8220;Nunca fa\u00e7o hist\u00f3rias longas, enredadas. Eu estiquei e o Mauricio encurtou&#8221;, diz Ziraldo.<\/p>\n<p>Dois artistas com estilo diferente, uma legi\u00e3o de leitores e com muito respeito e admira\u00e7\u00e3o um pelo outro.<\/p>\n<p>&#8220;O Mauricio \u00e9 muito criativo e um desenhista extraordin\u00e1rio que acabou virando um imp\u00e9rio. Vendeu na Europa, no Jap\u00e3o; \u00e9 um \u00eaxito. E eu fiquei fazendo a minha historinha&#8221;, comenta Ziraldo. &#8220;Ele tinha esse projeto de vida: fazer uma ind\u00fastria de hist\u00f3rias em quadrinhos. Acho que o meu era sair na enciclop\u00e9dia &#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Mauricio de Sousa diz, sobre o amigo, que ele e sua &#8220;turma&#8221; transitam numa \u00e1rea muito diferente. At\u00e9 come\u00e7ar a envelhecer seus personagens para acompanhar os leitores que tamb\u00e9m estavam crescendo, seu universo era mesmo o da hist\u00f3ria infantil. Para ele, a proposta filos\u00f3fica tamb\u00e9m \u00e9 diferente na obra dos dois. &#8220;Ziraldo \u00e9 para um leitor com uma outra cabe\u00e7a, mas felizmente os nossos leitores se d\u00e3o bem. A pegada do Ziraldo \u00e9 um pouquinho mais avan\u00e7ada nos temas. A minha \u00e9 mais ing\u00eanua, mais roceira aqui, simplesinha ali&#8221;, define Mauricio. E completa: &#8220;Ziraldo \u00e9 mais intelectualizado. A viv\u00eancia na \u00e1rea pol\u00edtica fez com que ele tivesse um jeito de tratar as coisas de um modo diferente do meu. Ele \u00e9 mais cobrador e eu sou mais tranquilo&#8221;.<\/p>\n<p>E como veem os personagens que se encontram agora? &#8220;Mauricio \u00e9 muito craque. Todos os seus personagens t\u00eam temperamento&#8221;, diz Ziraldo que, olhando para tr\u00e1s, para o menino que foi, n\u00e3o se identifica exatamente com ningu\u00e9m da Turma da M\u00f4nica &#8211; e volta a elogiar o desenhista. &#8220;Meus personagens s\u00e3o meus amigos de inf\u00e2ncia. Eu fiquei em Caratinga e o Mauricio abriu espa\u00e7o para o mundo. Ele estava mais certo do que eu. Ele \u00e9 o sucesso e o meu Perer\u00ea acabou.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O Menino Maluquinho \u00e9 o moleque t\u00edpico brasileiro, que tem liberdade, \u00e9 ousado, inteligente, esperto. \u00c9 o moleque que eu gostaria de ter sido.&#8221; N\u00e3o foi? &#8220;Fui caipir\u00e3o. Fui Chico Bento&#8221;, responde, e ri.<\/p>\n<p>A conversa continua neste s\u00e1bado, 4, na Bienal do Livro, quando a dupla conta ao p\u00fablico outros detalhes sobre o aguardado crossover. Come\u00e7a \u00e0s 15h, na Arena Cultural, e segue com aut\u00f3grafos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles se encontraram pela primeira vez h\u00e1 58 anos. Mauricio de Sousa queria muito ter um gibi. Ziraldo j\u00e1 tinha A Turma do Perer\u00ea. Mauricio arrumou a mala com algumas roupas e seu material de desenho e pegou um trem de Bauru para S\u00e3o Paulo e depois para o Rio. 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