{"id":188035,"date":"2018-08-12T09:23:27","date_gmt":"2018-08-12T12:23:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=188035"},"modified":"2018-08-12T14:40:51","modified_gmt":"2018-08-12T17:40:51","slug":"cerveja-artesanal-gana-espaco-na-mesa-e-paladar-do-fregues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cerveja-artesanal-gana-espaco-na-mesa-e-paladar-do-fregues\/","title":{"rendered":"Cerveja artesanal ganha espa\u00e7o na mesa e no paladar do fregu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>O sucesso internacional de um estilo de cerveja cuja f\u00f3rmula foi desenvolvida no Brasil \u00e9 respons\u00e1vel pelo bom momento vivido pelas cervejarias artesanais no pa\u00eds. Desenvolvida por produtores de Santa Catarina a partir de um dos mais tradicionais estilos da Alemanha, a Berliner Weisse, a chamada Catharina Sour \u00e9 a primeira receita tipicamente brasileira inclu\u00edda no cat\u00e1logo da Beer Judge Certification Program (BJPC).<\/p>\n<p>Considerada uma das principais organiza\u00e7\u00f5es mundiais de certifica\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes cervejeiros, a BJPC publica um guia de estilos da bebida que serve de par\u00e2metro para os produtores caseiros, artesanais e industriais. Com o reconhecimento da Catharina Sour, fabricantes de todo o mundo poder\u00e3o inscrever seus produtos em concursos que julgam a qualidade da bebida.<\/p>\n<p>O servidor p\u00fablico brasiliense F\u00e1bio Bakker tamb\u00e9m n\u00e3o consegue viver exclusivamente do neg\u00f3cio aberto com outros dois amigos, mas afirma j\u00e1 ter outras compensa\u00e7\u00f5es. \u201cA atividade ainda n\u00e3o me sustenta, mas quando me perguntam o que eu fa\u00e7o, me identifico como cervejeiro. Porque isso \u00e9 algo que fa\u00e7o por gosto, que est\u00e1 associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o artesanal, \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos, sabores e da cultura local\u201d, declarou Bakker, que, por forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 engenheiro florestal.<\/p>\n<p>Para lan\u00e7ar a marca Criolina (nome de uma conhecida festa de Bras\u00edlia, produzida por um dos s\u00f3cios) em 2015, Bakker e os amigos investiram cerca de R$ 150 mil. Tamb\u00e9m come\u00e7aram como \u201cciganos\u201d, ou seja, terceirizando a produ\u00e7\u00e3o para outros microfabricantes. Hoje, est\u00e3o em 43 pontos de venda do Distrito Federal, al\u00e9m de Goi\u00e2nia (GO), Palmas (TO), al\u00e9m de uma rede de supermercados. Com o sucesso, planejam investir mais R$ 800 mil para equipar o galp\u00e3o onde j\u00e1 realizam eventos com todo o equipamento necess\u00e1rio para produzir em parceria com outras marcas. Os amigos j\u00e1 empregam sete pessoas.<\/p>\n<p>\u201cTemos ambi\u00e7\u00e3o de ampliar nossa produ\u00e7\u00e3o, fazer parcerias com outras fabricantes ciganas\u201d, anunciou Bakker, garantindo que a recente crise econ\u00f4mica n\u00e3o chegou a prejudicar os planos da Criolina. \u201cH\u00e1 sustos, l\u00f3gico, mas isso \u00e9 comum a todo tipo de empreendimento. O mercado das cervejas especiais ainda \u00e9 incipiente e tem um enorme potencial de crescimento. E pode se aproveitar dessa mudan\u00e7a de padr\u00e3o de consumo, da curiosidade de uma parcela dos consumidores que, hoje, est\u00e1 mais atenta \u00e0 proced\u00eancia daquilo que consome. A cerveja artesanal rompe com a ideia do globalismo e valoriza o sabor local\u201d, acrescentou o cervejeiro.<\/p>\n<p>Em 2016, uma das primeiras cervejarias brasileiras a apostar na f\u00f3rmula, a Blumenau, faturou uma medalha de prata no Pr\u00eamio Internacional de Cerveja da Austr\u00e1lia, uma das mais importantes competi\u00e7\u00f5es da atualidade.<\/p>\n<p>\u201cTemos registro de mais de 50 r\u00f3tulos batizados com esse estilo. J\u00e1 h\u00e1 produtores de Catharina Sour no Canad\u00e1, nos Estados Unidos, na Argentina\u201d, disse o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, explicando que, preservadas as principais caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas e sensoriais da f\u00f3rmula original, cada produtor tem liberdade para \u201cbrincar e experimentar\u201d novas misturas, o que favorece a diversidade de sabores. Tanto que j\u00e1 h\u00e1 Catharina Sour com adi\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3, jabuticaba, p\u00eassego, manga, entre outras frutas.<\/p>\n<p>Levemente \u00e1cida e com acentuado sabor de frutas que pode lembrar um espumante, a Catharina Sour come\u00e7ou a ser testada comercialmente entre os anos de 2014 e 2016, quando as microcervejarias e importadoras j\u00e1 se destacavam por conquistar crescente espa\u00e7o no mercado cervejeiro nacional. Esse mercado, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria da Cerveja (CervBrasil), s\u00f3 fica atr\u00e1s da China e dos Estados Unidos quando considerada a produ\u00e7\u00e3o das grandes fabricantes brasileiras. De acordo com a entidade, a produ\u00e7\u00e3o nacional total j\u00e1 ultrapassa os 14,1 bilh\u00f5es de litros anuais.<\/p>\n<p>O segmento das chamadas cervejas especiais (artesanais, importadas e `premium\u00b4) cresceu em consequ\u00eancia dos bons resultados da economia brasileira em anos recentes, principalmente entre consumidores das classes A e B, que, conforme lembra Lapolli, experimentaram uma mudan\u00e7a no padr\u00e3o de consumo que favoreceu diversos segmentos. O Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estima que, entre 2012 e 2014, as cervejas especiais ampliaram sua fatia de mercado de 8% para 11%.<\/p>\n<p>O n\u00famero de cervejarias artesanais em atividade \u00e9 incerto. Respons\u00e1vel por autorizar o funcionamento desses empreendimentos, o Minist\u00e9rio da Agricultura n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o entre o porte das empresas. No fim de 2017, havia 679 cervejarias registradas no minist\u00e9rio \u2013 n\u00famero 37,7% superior aos 493 registros de 2016.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, o n\u00famero de cervejarias cresceu bastante e continua crescendo, apesar da crise. Claro que, em um cen\u00e1rio mais favor\u00e1vel, poder\u00edamos ter alcan\u00e7ado resultados ainda melhores\u201d, comentou Lapolli, acrescentando que o desafio do segmento \u00e9 tentar \u201cdemocratizar\u201d o consumo do produto artesanal. O que, segundo ele, demanda mais investimentos e um olhar diferenciado por parte do Poder P\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, nossos pre\u00e7os ainda n\u00e3o s\u00e3o acess\u00edveis a todos os consumidores. Principalmente devido \u00e0 falta de escala da produ\u00e7\u00e3o artesanal e ao desconhecimento por parte de nosso p\u00fablico potencial. Mas, principalmente, devido \u00e0s regras tribut\u00e1rias que n\u00e3o diferenciam um grande fabricante e um produtor artesanal industrial, cobrando de ambos os mesmos cerca de 50% em tributos\u201d, disse o presidente da Abracerva. A entidade tem atuado junto aos poderes Executivo e Legislativo, tentando obter uma aten\u00e7\u00e3o especial do Poder P\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cTemos alguns projetos tramitando no Congresso Nacional que visam \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria. E at\u00e9 hoje n\u00e3o h\u00e1 uma regulamenta\u00e7\u00e3o, um conceito legal sobre o que seja a produ\u00e7\u00e3o artesanal. Uma cervejaria pequena, que produza 3 mil litros mensais, tem que estar inscrita no Minist\u00e9rio da Agricultura e cumpre as mesmas exig\u00eancias de uma f\u00e1brica que produza 30 milh\u00f5es de litros mensais\u201d, acrescentou o presidente da Abracerva.<\/p>\n<p>De acordo com Lapolli, embora s\u00f3 detenha 1% do mercado consumidor, as cervejarias artesanais empregam cerca de 10% da m\u00e3o de obra do setor. J\u00e1 a CervBrasil contabiliza que, inclu\u00eddas as grandes fabricantes da bebida, o setor cervejeiro gera R$ 21 bilh\u00f5es de impostos anuais, respondendo por 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e por cerca de 100 mil empregos diretos.<\/p>\n<p>Porteiro de um condom\u00ednio de Santos (SP), Alcemir Emmanuel e o jornalista e produtor musical Eug\u00eanio Martins J\u00fanior decidiram aprender a fazer sua pr\u00f3pria cerveja ao perceber que as marcas populares j\u00e1 n\u00e3o os satisfazia. Com o tempo, perceberam que a receita agradava os amigos. Enxergaram uma oportunidade e decidiram arriscar. Sem recursos financeiros, obtiveram um investimento de R$ 12 mil de uma startup e registraram a marca Cais, nome alusivo ao Porto de Santos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9ramos, basicamente, dois caras cansados de beber cerveja ruim. Quando dei por mim, tinha virado uma esp\u00e9cie de ca\u00e7ador de cervejas artesanais nacionais. Ia a v\u00e1rios eventos, o que sa\u00eda caro. Como nos eventos sempre tem estandes com palestras e cursos, acabou sendo um caminho meio natural aprender a fazer minha pr\u00f3pria bebida\u201d, contou Emmanuel \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. Hoje, produzem 600 litros por lote encomendado a outra microcervejaria e est\u00e3o presentes em 20 estabelecimentos da Baixada Santista. \u201cTodo o dinheiro que entra n\u00f3s reinvestimos. Ainda n\u00e3o d\u00e1 para viver da cerveja, mas espero que, em breve, isso se torne poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sucesso internacional de um estilo de cerveja cuja f\u00f3rmula foi desenvolvida no Brasil \u00e9 respons\u00e1vel pelo bom momento vivido pelas cervejarias artesanais no pa\u00eds. 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