{"id":188113,"date":"2018-08-13T06:02:23","date_gmt":"2018-08-13T09:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=188113"},"modified":"2018-08-13T06:02:23","modified_gmt":"2018-08-13T09:02:23","slug":"epidemia-de-cesareas-ameaca-futuro-de-nossas-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/epidemia-de-cesareas-ameaca-futuro-de-nossas-criancas\/","title":{"rendered":"Epidemia de ces\u00e1reas amea\u00e7a futuro de nossas crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil vive duas novas &#8220;epidemias&#8221; relacionadas aos altos \u00edndices de ces\u00e1rea &#8211; a de beb\u00eas prematuros (menos de 37 semanas de gesta\u00e7\u00e3o) e a dos chamados &#8220;termo precoce&#8221;, que nascem em uma fase posterior, com 37 e 38 semanas. Estudo feito pelas Universidades Cat\u00f3lica e Federal de Pelotas mostra que 4 entre 10 crian\u00e7as nascidas no Brasil em 2015 tinham menos de 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, considerado per\u00edodo ideal.<\/p>\n<p>Beb\u00eas que nascem com essa idade gestacional t\u00eam maior risco de adoecer e, no futuro, de apresentar problemas de aprendizado. &#8220;Vivemos tr\u00eas epidemias interligadas. \u00c9 um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, que pode trazer impacto a curto, m\u00e9dio e longo prazo&#8221;, afirma o coordenador do estudo, professor Fernando Barros.<\/p>\n<p>Publicado na revista cient\u00edfica BMJ Open, o trabalho alerta para as consequ\u00eancias desse fen\u00f4meno, sobretudo no momento em que o Pa\u00eds enfrenta uma crise econ\u00f4mica, com cortes nos investimentos de sa\u00fade p\u00fablica e educa\u00e7\u00e3o. Ele tinha como objetivo mensurar o impacto das ces\u00e1reas na frequ\u00eancia de partos antes do per\u00edodo considerado mais seguro para o nascimento, compreendido entre a 39 e 41 semanas da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos especialistas suspeitam que a ces\u00e1rea, sobretudo de data agendada, aumentava o risco de partos precoces. A pesquisa comprovou a hip\u00f3tese. &#8220;Os dados s\u00e3o important\u00edssimos e mostram a necessidade de se tomar medidas para reduzir a ces\u00e1reas no Pa\u00eds&#8221;, avaliou Maria Albertina Santiago Rego, do Departamento Cient\u00edfico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).<\/p>\n<p>Para fazer o estudo, pesquisadores analisaram individualmente 2,9 milh\u00f5es de registros de nascimentos ocorridos em 2015. Al\u00e9m disso, os autores avaliaram munic\u00edpios que apresentaram diferentes taxas de ces\u00e1reas e concentraram a aten\u00e7\u00e3o naqueles que tinham mais de mil registros de nascimento anuais. Ao todo 520 se encaixavam nessas caracter\u00edsticas; juntos respondiam por 82% dos relatos.<\/p>\n<p>Nas cidades que apresentavam taxas de ces\u00e1rea superiores a 80%, o indicador de partos prematuros era 21% maior do que naquelas que registravam menor propor\u00e7\u00e3o (com 30% de ces\u00e1reas). Mas a diferen\u00e7a mais significativa foi identificada na frequ\u00eancia dos nascimentos a &#8220;termo precoce&#8221; (37-38 semanas). Nas cidades onde as taxas de ces\u00e1rea superam os 80%, a preval\u00eancia dos nascimentos de beb\u00eas nesta fase da gesta\u00e7\u00e3o foi 64% superior quando comparado com munic\u00edpios que tinham menos de 30% de ces\u00e1reas.<\/p>\n<p>Barros avalia que as tr\u00eas epidemias interligadas preocupam igualmente. Crian\u00e7as prematuras t\u00eam maior risco de morte e adoecimento nos primeiro per\u00edodo de vida e de problemas cognitivos mais tarde. Algo que acende o sinal de alerta, sobretudo quando se leva em considera\u00e7\u00e3o de que o Brasil tem o dobro da preval\u00eancia de prematuridade de pa\u00edses riscos. No caso de crian\u00e7as nascidas entre 37-38 semanas, embora o impacto para sa\u00fade e desenvolvimento cognitivo seja menos acentuado, o n\u00famero de crian\u00e7as nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Prematuros respondem por 10% dos nascimentos no Pa\u00eds e os pr\u00e9-termo, por 30% (900 mil nascimentos por ano). &#8220;O risco \u00e9 mais discreto, mas ele pode produzir uma carga de problemas importantes.&#8221; N\u00e3o menos significativa \u00e9 a amea\u00e7a de problemas de sa\u00fades para a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Gr\u00e1vida de g\u00eameos, a servidora p\u00fablica Tatiana Malta h\u00e1 quatro anos pediu para fazer ces\u00e1rea. &#8220;Fiquei com medo da dor. N\u00e3o sabia qual seria meu limite, com dois partos seguidos&#8221;, recorda. Ela, no entanto, fez quest\u00e3o de o procedimento ser feito s\u00f3 depois do in\u00edcio do trabalho de parto. &#8220;Queria que os beb\u00eas estivessem prontos para nascer. E acho que fez diferen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Evid\u00eancias<\/strong> &#8211; &#8220;As fam\u00edlias t\u00eam de ser informadas. O direito de escolher a forma do parto n\u00e3o pode competir com o direito das crian\u00e7as de nascerem depois das 39 semanas&#8221;, afirma Barros. O coordenador cita uma s\u00e9rie de estudos internacionais. Um deles, realizado em Belarus com crian\u00e7as com 6 anos, mostra que o QI de crian\u00e7as nascidas com 37 semanas \u00e9 significativamente menor do que o daquelas nascidas entre 39 e 41 semanas de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro trabalho, da Esc\u00f3cia, mostra que crian\u00e7as nascidas a termo precoce t\u00eam mais necessidades de recorrer a cursos especiais de educa\u00e7\u00e3o do que as que nascem ap\u00f3s 39 semanas. Por fim, taxas de suecos entre 23 e 29 anos que recebem algum aux\u00edlio por problemas de sa\u00fade ou incapacidade \u00e9 maior entre aqueles que nasceram com 37 e 38 semanas de gesta\u00e7\u00e3o do que entre aqueles que nasceram entre 39 e 41 semanas.<\/p>\n<p><strong>Partos por cirurgia<\/strong> &#8211; Dados preliminares do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211; que ainda precisam ser confirmados &#8211; mostram que 55,75% dos partos em 2017 foram por ces\u00e1reas. Os n\u00fameros indicam que as taxas s\u00e3o maiores do que as registradas no ano anterior, quando foram 55,51%, e chamam a aten\u00e7\u00e3o sobretudo pelo fato de ocorrerem logo depois de uma s\u00e9rie de iniciativas para tentar reduzir a epidemia de ces\u00e1reas no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Brasil apresenta a segunda maior taxa de ces\u00e1reas do mundo, atr\u00e1s da Rep\u00fablica Dominicana, com 56,4% de procedimentos em 2013. Diante de n\u00fameros t\u00e3o expressivos, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) e Conselho Federal de Medicina lan\u00e7aram ao longo dos \u00faltimos dois anos medidas para reduzir essa pr\u00e1tica. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o comentou o caso<\/p>\n<p>J\u00e1 o CFM recomenda desde 2016 que a ces\u00e1rea, a pedido do paciente, seja realizada a partir da 39.\u00aa semana. &#8220;Justamente para evitar que partos ocorressem entre 37.\u00aa e 38.\u00aa. Muitos m\u00e9dicos tinham d\u00favidas se seria \u00e9tico j\u00e1 realizar a ces\u00e1rea a partir dessa fase&#8221;, afirma a m\u00e9dica integrante da C\u00e2mara T\u00e9cnica do Conselho Federal de Medicina, Adriana Scavuzzi. Ela diz que n\u00e3o h\u00e1 ainda condi\u00e7\u00f5es de saber qual o impacto da medida.<\/p>\n<p>Fernando Barros, coordenador do estudo sobre ces\u00e1reas, tamb\u00e9m diz n\u00e3o haver condi\u00e7\u00f5es de mensurar. Mas observa que a preval\u00eancia de cesarianas pode ter chegado ao m\u00e1ximo no Pa\u00eds. No entanto, \u00e9 preciso que todos saibam que nascer antes de 39 semanas pode acarretar problemas.<\/p>\n<p>Dados da ANS mostram que as medidas tomadas at\u00e9 agora trouxeram um aumento de 2% dos partos normais e redu\u00e7\u00e3o de 5% das ces\u00e1reas entre 2016 e 2017. Mesmo assim, no ano passado, foram 432.675 cirurgias, quase cinco vezes mais do que os 87.947 partos normais em planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A pesquisa coordenada por Barros revela ainda que entre mulheres com mais de 12 anos de escolaridade a maior parte das ces\u00e1reas \u00e9 antes da entrada no trabalho de parto: 49,2%. Outros 30,5% ocorrem em trabalho de parto. Nesse grupo, 20,3% s\u00e3o por parto normal.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente quando se analisam mulheres com menos de 4 anos de estudo. Nesse grupo, 62,2% dos partos s\u00e3o normais, 24,6% das ces\u00e1reas ocorrem em trabalho de parto e 13,2% s\u00e3o feitos com data marcada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive duas novas &#8220;epidemias&#8221; relacionadas aos altos \u00edndices de ces\u00e1rea &#8211; a de beb\u00eas prematuros (menos de 37 semanas de gesta\u00e7\u00e3o) e a dos chamados &#8220;termo precoce&#8221;, que nascem em uma fase posterior, com 37 e 38 semanas. 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