{"id":188760,"date":"2018-08-20T08:06:54","date_gmt":"2018-08-20T11:06:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=188760"},"modified":"2018-08-20T09:07:42","modified_gmt":"2018-08-20T12:07:42","slug":"cuidado-vai-dar-zika-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cuidado-vai-dar-zika-de-novo\/","title":{"rendered":"Cuidado! Vai dar zika de novo, e o povo n\u00e3o est\u00e1 sabendo"},"content":{"rendered":"<p>A poucos meses do in\u00edcio do ver\u00e3o, especialistas alertam que o Brasil pode voltar a sofrer com epidemias de Zika e Chikungunya. Apesar da redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de casos este ano, as doen\u00e7as transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti podem voltar a ter for\u00e7a a partir de dezembro ou janeiro de 2019, quando j\u00e1 ter\u00e1 passado o per\u00edodo da primeira onda de surto em alguns estados.<\/p>\n<p>O pesquisador colaborador da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz em Pernambuco Carlos Brito, disse que o pa\u00eds se dedicou mais nos \u00faltimos dois anos no estudo dos impactos do Zika, devido ao surto e a perplexidade causada pelos casos de microcefalia nos beb\u00eas. Ressaltou, no entanto, que mesmo assim o pa\u00eds continua despreparado para atender novos casos das arboviroses, principalmente de Chikungunya.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, deixou-se um pouco de lado a Chikungunya que, para mim, \u00e9 a mais grave das arboviroses. E as pessoas geralmente nem t\u00eam ci\u00eancia da gravidade, nem est\u00e3o preparadas para conduzir a Chikungunya. \u00c9 uma doen\u00e7a que na fase aguda n\u00e3o s\u00f3 leva a casos graves, inclusive fatais, mas deixa um contingente de pacientes cr\u00f4nicos, que est\u00e3o padecendo h\u00e1 quase dois anos com dores, afastamento das atividades habituais de trabalho, lazer, vida social\u201d, explicou Brito.<\/p>\n<p>O pesquisador disse que a incid\u00eancia das doen\u00e7as vai variar de regi\u00e3o para regi\u00e3o. Aqueles estados onde muitas pessoas j\u00e1 foram infectadas no in\u00edcio do surto em 2016, como no Nordeste, poder\u00e3o ficar imunes por mais um tempo. No entanto, muitos munic\u00edpios ainda t\u00eam a probabilidade de enfrentar novos surtos, como o Rio de Janeiro, que recentemente registrou v\u00e1rios casos.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil tudo toma uma dimens\u00e3o muito grande, porque \u00e9 um pa\u00eds de dimens\u00e3o continental. Ent\u00e3o, n\u00e3o estamos preparados, nem os profissionais de sa\u00fade foram treinados, nem estamos tendo a dimens\u00e3o da intensidade da doen\u00e7a, nem as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o atentas para uma epidemia de grandes propor\u00e7\u00f5es em um estado como S\u00e3o Paulo, com 40 milh\u00f5es de habitantes, ou no Rio de Janeiro, com 20 milh\u00f5es de habitantes\u201d, alertou Brito.<\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, divulgado na sexta-feira (17), de janeiro at\u00e9 28 de julho deste ano foram registrados 63.395 casos prov\u00e1veis de febre Chikungunya. O resultado \u00e9 menos da metade do n\u00famero de casos reportados no mesmo per\u00edodo do ano passado, de 173.450. Em 2016, foram 278 mil casos.<\/p>\n<p>Mais da metade, 61% dos casos reportados neste ano, est\u00e3o concentrados na Regi\u00e3o Sudeste. Em seguida, aparece o Centro-Oeste (21%), o Nordeste (13%), Norte (7%) e Sul (0,35%).<\/p>\n<p>Nos primeiros sete meses de 2018, foram confirmadas 16 mortes por Chikungunya. No mesmo per\u00edodo do ano passado, 183 pessoas morreram pela arbovirose. A redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de \u00f3bitos foi de 91,2%. J\u00e1 para o Zika, em todo o pa\u00eds foram registrados 6.371 casos prov\u00e1veis e duas mortes at\u00e9 o fim de julho. No ano passado, o v\u00edrus tinha infectado mais de 15 mil pessoas no mesmo per\u00edodo. A maior incid\u00eancia de Zika este ano tamb\u00e9m est\u00e1 no Sudeste (39%), seguida da Regi\u00e3o Nordeste (26%).<\/p>\n<p>Apesar da redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia, o pesquisador Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor do Centro de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), de Ribeir\u00e3o Preto, tamb\u00e9m alerta que, depois do per\u00edodo de seca em que h\u00e1 baixa circula\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus, essas arboviroses podem voltar a qualquer momento, assim como j\u00e1 ocorreu com a dengue e com a febre amarela.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos tendo uma epidemia. Estamos tendo casos espor\u00e1dicos. Mas ainda \u00e9 um problema que pode voltar, sim. As arboviroses s\u00e3o assim mesmo, dengue, Zika. Todas elas t\u00eam momentos em que desaparecem, depois voltam. O v\u00edrus est\u00e1 a\u00ed, est\u00e1 no Brasil, e ainda \u00e9 uma amea\u00e7a. Ele pode voltar agora, inclusive, neste ver\u00e3o. O risco est\u00e1 a\u00ed\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Figueiredo disse que permanece o desafio de diagnosticar com precis\u00e3o o Zika em tempo de prevenir suas consequ\u00eancias. Apesar dos avan\u00e7os nas pesquisas nos \u00faltimos anos, ainda n\u00e3o foi desenvolvida uma forma de detec\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do v\u00edrus Zika que possa ser disponibilizada em todo o pa\u00eds, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cA dificuldade continua. A gente descobriu algumas coisas que podem ajudar o diagn\u00f3stico, mas o problema n\u00e3o est\u00e1 resolvido ainda. O mais eficaz \u00e9 voc\u00ea encontrar o v\u00edrus, isolar \u00e9 mais complicado. Ou voc\u00ea encontrar o genoma do v\u00edrus ou alguma prote\u00edna do v\u00edrus na fase aguda seria muito \u00fatil, a\u00ed voc\u00ea pode detectar na mulher, se estiver gr\u00e1vida inclusive\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam que o ideal para prevenir o impacto de novos surtos seria desenvolver uma vacina. Contudo, eles lamentam que essa solu\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 longe de ser concretizada. Enquanto isso, o foco ainda est\u00e1 no controle do mosquito transmissor dos v\u00edrus. \u201cAs pessoas devem ficar atentas e controlar o vetor nas suas casas e, assim, evitar a transmiss\u00e3o. \u00c9 a \u00fanica [solu\u00e7\u00e3o] que n\u00f3s temos nesse momento\u201d, disse Figueiredo.<\/p>\n<p>O pesquisador Carlos Brito defende que o Estado deve investir em melhorias de qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o e em infraestrutura de saneamento para controlar as epidemias causadas pelas arboviroses.<\/p>\n<p>Por meio de nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que a destina\u00e7\u00e3o de recursos para controle do mosquito vetor e outras a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia s\u00e3o permanentes e passaram de R$ 924,1 milh\u00f5es, em 2010, para R$ 1,93 bilh\u00e3o em 2017. Para este ano, o or\u00e7amento previsto \u00e9 de R$ 1,9 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da mobiliza\u00e7\u00e3o nacional para combater o mosquito, a pasta ressaltou que, desde novembro de 2015, quando foi declarado o estado de emerg\u00eancia por causa do Zika, foram destinados cerca de R$ 465 milh\u00f5es para pesquisas e desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poucos meses do in\u00edcio do ver\u00e3o, especialistas alertam que o Brasil pode voltar a sofrer com epidemias de Zika e Chikungunya. 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