{"id":189920,"date":"2018-09-02T21:23:07","date_gmt":"2018-09-03T00:23:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=189920"},"modified":"2018-09-03T07:26:49","modified_gmt":"2018-09-03T10:26:49","slug":"fogo-consome-o-museu-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fogo-consome-o-museu-nacional\/","title":{"rendered":"Fogo consome o Museu Nacional do Rio, fundado h\u00e1 200 anos"},"content":{"rendered":"<p>Um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es destruiu o acervo do Museu Nacional, na zona norte do Rio, na noite deste domingo, 2. Especializado em hist\u00f3ria natural e mais antigo centro de ci\u00eancia do Pa\u00eds, o Museu Nacional completou 200 anos em junho em meio a uma situa\u00e7\u00e3o de abandono. N\u00e3o houve feridos.<\/p>\n<p>O Corpo de Bombeiros foi acionado \u00e0s 19h30 e rapidamente chegou ao local, mas, na madrugada de segunda, o fogo permanecia fora de controle. Dois andares foram bastante destru\u00eddos, e parte do teto, de madeira, caiu. Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio, o coronel Roberto Robadey, o pr\u00e9dio n\u00e3o corre risco de desabar. As paredes externas do pr\u00e9dio s\u00e3o bastante grossas, diz ele, e, embora antigas, resistiram ao fogo. \u201cAlgumas partes internas desabaram\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es do canal GloboNews, \u00e0s 3h desta segunda-feira, j\u00e1 havia sido iniciado pelos Bombeiros o trabalho de rescaldo ap\u00f3s apagar os \u00faltimos focos do inc\u00eandio. A equipe que trabalha no local trata de resfriar os escombros para, em seguida, fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do estado do edif\u00edcio e, finalmente, adentrar o museu.<\/p>\n<p>O comandante dos bombeiros contou tamb\u00e9m que os dois hidrantes existentes ao redor do im\u00f3vel n\u00e3o funcionaram. Por isso, o combate ao fogo come\u00e7ou com atraso. \u201cTivemos de acionar a Cedae (companhia estadual de \u00e1gua e esgoto), que nos forneceu \u00e1gua. Agora tenho a certeza de que n\u00e3o faltar\u00e1 \u00e1gua, mas no in\u00edcio realmente tivemos problema\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Robadey, o pr\u00e9dio n\u00e3o tinha um sistema adequado de prote\u00e7\u00e3o contra inc\u00eandios. A legisla\u00e7\u00e3o que exige esse tipo de estrutura \u00e9 de 1976, quando o pr\u00e9dio j\u00e1 tinha mais de cem anos. Conforme o comandante dos bombeiros, h\u00e1 cerca de um m\u00eas representantes do museu procuraram os bombeiros para tratar da instala\u00e7\u00e3o de um sistema de prote\u00e7\u00e3o contra inc\u00eandios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vai sobrar praticamente nada. Todo o pr\u00e9dio foi atingido. Um absurdo o descaso e abandono que estava esse museu ic\u00f4nico. \u00c9 como se queimassem o Louvre ou o Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres\u201d, lamentou o vice-diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte. Ele disse acreditar que restar\u00e3o apenas a biblioteca central e as cole\u00e7\u00f5es de bot\u00e2nica e zoologia vertebrada, que estavam em pr\u00e9dio anexo. Bombeiros informaram que uma parte do acervo chegou a ser retirada antes de ser atingida pelo fogo.<\/p>\n<p>\u201cUma cat\u00e1strofe. S\u00e3o 200 anos de patrim\u00f4nio desse Pa\u00eds, s\u00e3o 200 anos de mem\u00f3ria, tudo se perdendo em fogo por falta de suporte dos governos brasileiros e de consci\u00eancia da classe pol\u00edtica\u201d, afirmou Duarte.<\/p>\n<p>Quando o fogo come\u00e7ou, a visita\u00e7\u00e3o ao museu j\u00e1 havia sido encerrada e estavam no pr\u00e9dio quatro vigilantes, que n\u00e3o se feriram. Ainda n\u00e3o se sabe a causa do inc\u00eandio.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7ou por volta das 19h30. Eu moro pertinho e, assim que soube, vim pra c\u00e1. \u00c9 uma pena, acho que n\u00e3o vai sobrar nada\u201d, afirmou o advogado Marcos Ant\u00f4nio Pereira, de 39 anos, enquanto acompanhava o combate ao fogo na mnoite de domingo. Entre os funcion\u00e1rios do Museu Nacional, o clima era de desespero. \u201cQueimou tudo, perdemos tudo\u201d, repetia uma mulher, aos prantos. Ela n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p>Entre os funcion\u00e1rios que, sob l\u00e1grimas, acompanhavam o inc\u00eandio estava o bibliotec\u00e1rio Edson Vargas da Silva, de 61 anos, que trabalha h\u00e1 43 anos no museu. \u201cTem muito papel, o assoalho de madeira, muita coisa que queima muito r\u00e1pido. Uma trag\u00e9dia. Minha vida toda estava a\u00ed dentro\u201d, afirmou. O Zool\u00f3gico do Rio de Janeiro fica bem pr\u00f3ximo do Museu Nacional, mas n\u00e3o foi atingido.<\/p>\n<p>O Museu Nacional, fundado por d. Jo\u00e3o VI, chegou ao bicenten\u00e1rio com goteiras, infiltra\u00e7\u00f5es, salas vazias e problemas nas instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas. V\u00e1rias salas estavam fechadas por total incapacidade de funcionar. O espa\u00e7o que abrigava uma das maiores atra\u00e7\u00f5es, a montagem da primeira r\u00e9plica de um dinossauro de grande porte no Pa\u00eds, fechou por causa de uma infesta\u00e7\u00e3o de cupim.<\/p>\n<p>Para chamar aten\u00e7\u00e3o para o problema, o paleont\u00f3logo Alexander Kellner, que assumiu a dire\u00e7\u00e3o do museu este ano, transformou o antigo quarto de d. Pedro II \u2013 fechado havia 20 anos \u2013 em seu escrit\u00f3rio. No c\u00f4modo antes majestoso, como mostrou o &#8216;Estado&#8217; em abril, havia um lustre quebrado, m\u00f3veis sem restauro, t\u00e1buas de madeira soltas no ch\u00e3o e infiltra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em janeiro, professores de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o se uniram para pagar a passagem de \u00f4nibus da equipe de limpeza. Eles temiam que a sujeira afetasse o acervo, composto de material org\u00e2nico, sens\u00edvel a micro-organismos.<\/p>\n<p>Entre 2013 e 2018, o or\u00e7amento do Museu despencou de R$ 500 mil para R$ 54 mil. Segundo Duarte, o museu lutava h\u00e1 anos para obter recursos. Ele lembra que desde 2000, era pleiteado dinheiro para construir anexos que abrigassem as pesquisas que necessitam de preserva\u00e7\u00e3o em \u00e1lcool e formol, materiais inflam\u00e1veis. S\u00f3 um anexo foi erguido com verba da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o dos 200 anos, o museu assinou com o BNDES contrato de patroc\u00ednio de R$ 21,7 milh\u00f5es. A verba seria usada para restaurar o pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>O Museu Nacional, ligado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro, reunia algumas das mais importantes pe\u00e7as da hist\u00f3ria natural do Pa\u00eds, como Luzia, o esqueleto mais antigo j\u00e1 encontrado nas Am\u00e9ricas. Com cerca de 12 mil anos de idade, foi achado em Lagoa Santa, em Minas Gerais, em 1974. Trata-se de uma mulher que morreu entre os 20 e os 25 anos e foi uma das primeiras habitantes do Brasil. A descoberta de Luzia mudou as teorias sobre o povoamento das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Outra pe\u00e7a marcante do Museu Nacional \u00e9 o meteorito Bendeg\u00f3, o maior j\u00e1 encontrado no Brasil e que tinha destaque no sagu\u00e3o do pr\u00e9dio. Com 5,36 toneladas, a rocha \u00e9 oriunda de uma regi\u00e3o do Sistema Solar entre os planetas Marte e J\u00fapiter e tem cerca de 4,56 bilh\u00f5es de anos. O meteorito foi achado em 1784, em Monte Santo, no sert\u00e3o da Bahia. Est\u00e1 na cole\u00e7\u00e3o desde 1888.<\/p>\n<p>Em janeiro deste ano, professores dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que trabalham no Museu Nacional se uniram para pagar a passagem de \u00f4nibus da equipe de limpeza. Eles temiam que a sujeira afetasse o acervo, composto de muito material org\u00e2nico, sens\u00edvel a micro-organismos.<\/p>\n<p>Frequentadora do pr\u00e9dio hist\u00f3rico do Museu Nacional h\u00e1 21 anos, como estudante, pesquisadora e professora, a antrop\u00f3loga Adriana Facina disse que desde que l\u00e1 chegou os funcion\u00e1rios relatam a falta da manuten\u00e7\u00e3o que a constru\u00e7\u00e3o merece. \u201c\u00c9 um descaso total com a pesquisa, o conhecimento e a cultura. \u00c9 muito triste ver o pr\u00e9dio em chamas\u201d, disse ao Estado aos prantos, ao ver as imagens do inc\u00eandio.<\/p>\n<p>No pr\u00e9dio h\u00e1 atividades de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, pesquisa e extens\u00e3o da universidade. A biblioteca da \u00e1rea de antropologia social \u00e9 uma das mais importantes da Am\u00e9rica Latina, e provavelmente todo o seu conte\u00fado se perdeu, lamentou Adriana. \u201cMuitas pessoas do Rio t\u00eam o museu como \u00fanica refer\u00eancia, \u00e9 muito popular, sempre com fila na porta aos fins de semana\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>\u201cPara al\u00e9m de toda a pesquisa de ponta realizada, \u00e9 um grande centro de cultura. Os professores v\u00eam denunciando as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o anos e anos de desinvestimento. Uma falta de responsabilidade do governo com a cultura e a educa\u00e7\u00e3o. As administra\u00e7\u00f5es se esfor\u00e7am para lidar com aportes sempre menores do que um museu como esse merece. S\u00e3o verbas ocasionais que eles conseguem.\u201d<\/p>\n<p><strong>** Mat\u00e9ria alterada \u00e0s 4h30, para acr\u00e9scimo de informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es destruiu o acervo do Museu Nacional, na zona norte do Rio, na noite deste domingo, 2. Especializado em hist\u00f3ria natural e mais antigo centro de ci\u00eancia do Pa\u00eds, o Museu Nacional completou 200 anos em junho em meio a uma situa\u00e7\u00e3o de abandono. N\u00e3o houve feridos. 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