{"id":190010,"date":"2018-09-04T05:04:43","date_gmt":"2018-09-04T08:04:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=190010"},"modified":"2018-09-04T05:33:18","modified_gmt":"2018-09-04T08:33:18","slug":"e-preciso-agir-para-que-o-museu-nacional-nao-se-repita-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/e-preciso-agir-para-que-o-museu-nacional-nao-se-repita-aqui\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso agir para que o Museu Nacional n\u00e3o se repita aqui"},"content":{"rendered":"<p>A trag\u00e9dia que marcou o fim de domingo no Rio de Janeiro se agravou nesta segunda-feira. O inc\u00eandio que destruiu o Museu Nacional deveria ter provocado uma como\u00e7\u00e3o nacional, um questionamento sobre nossa forma de preservar, de valorizar o passado.<\/p>\n<p>Digo nossa porque n\u00e3o me eximo da parcela de responsabilidade que todos n\u00f3s, brasileiros de nascimento, de ado\u00e7\u00e3o ou de cora\u00e7\u00e3o, temos neste vergonhoso esquecimento, desinteresse que temos para o que aconteceu ontem, semana passada, ano passado e assim vai.<\/p>\n<p>Como imaginar que a humanidade vai progredir, vai evitar erros crassos se n\u00e3o nos lembrarmos de como chegamos a alguns dos maiores absurdos de nossa hist\u00f3ria comum?<\/p>\n<p>O planeta est\u00e1 em perigo porque o homem o destruiu, n\u00e3o a natureza. Os mais de 60 mil brasileiros que morreram de forma violenta aqui o ano passado n\u00e3o o foram por jacar\u00e9s ou terremotos, mas sim pela m\u00e3o de outros homens. Os milh\u00f5es de seres que sucumbiram nas guerras, nos regimes autorit\u00e1rios de direita e de esquerda, nas doen\u00e7as, eles fazem parte de nosso passado infelizmente ainda presente.<\/p>\n<p>S\u00e3o os registros do passado que nos mostram os caminhos perigosos, que j\u00e1 deram errado. Com eles debaixo dos olhos, n\u00e3o d\u00e1 para dizer \u201cn\u00e3o sab\u00edamos\u201d. Uma vez destru\u00eddos, a porta fica escancaradamente aberta para populistas, pregadores, mentirosos e outros fan\u00e1ticos de plant\u00e3o, muitas vezes como segundas inten\u00e7\u00f5es negoci\u00e1veis em pec\u00fania, vender seu peixe fedorento de salvador da p\u00e1tria, de resolve-tudo e de paizinho querido do povo.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o do passado, com seus acertos e erros, n\u00e3o interessa aos poderosos provis\u00f3rios, que adoram remodelar a hist\u00f3ria seguindo os preceitos da moda, da hora. Um dos v\u00e1rios pontos em comum dos nazistas e dos comunistas sempre foi a destrui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, para modelar uma nova, uma narrativa que de tantas vezes repetida devia virar a realidade. George Orwell descreveu perfeitamente o fen\u00f4meno em \u201c1984\u201d, e de Hitler a Stalin, de Kim Jung-il a Erdogan, de Mussolini a Mao Ts\u00e9-Tung, n\u00e3o foram poucos que colocaram a pr\u00e1tica de debilitar uma civiliza\u00e7\u00e3o pela anula\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Digo que a trag\u00e9dia do Museu do Rio piorou porque as inv\u00e9s de questionar nossa rela\u00e7\u00e3o com nosso patrim\u00f4nio e seu uso no nosso dia-a-dia, torcidas dos candidatos \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial atual est\u00e3o sordidamente aproveitando o que deveria ser um momento de reflex\u00e3o nacional para distribuir culpas aos advers\u00e1rios. De hoje. Porque ainda estavam juntos na elei\u00e7\u00e3o geral passada. E podem voltar a estar no mesmo palanque na pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>\u00c9 preocupante que pol\u00edticos de primeiro plano, intelectuais, cientistas ou jornalistas, estejam rejeitando a culpabilidade dos muros carbonizados no seus advers\u00e1rios, porque todos n\u00f3s, e obviamente eles tamb\u00e9m, sabemos que o pecado \u00e9 da coletividade. E os fatos falam por se. Juscelino foi o \u00faltimo Presidente a botar o p\u00e9 no MN, \u00e9 fato. Os alertas de risco de inc\u00eandio pela situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel tinha sido feitos por escrito em 2004, \u00e9 fato. A verba repassada pela UFRJ era s\u00f3 para manuten\u00e7\u00e3o e vinha diminu\u00eddo h\u00e1 anos, \u00e9 fato. O or\u00e7amento 2018 era ridiculamente baixo, \u00e9 fato.<\/p>\n<p>Mas o conjunto de fatos n\u00e3o aponta em qualquer das dire\u00e7\u00f5es apresentadas pelos cabos eleitorais de um ou outro. Indicam todas. E mais: a iniciativa privada, v\u00e1rias vezes chamada, n\u00e3o se apresentou. Enfim, e talvez o mais cruel dos fatos: todos esses mencionados estavam se acotovelando nos luxuosos camarotes de autoridades e capit\u00e3es de ind\u00fastria na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Ol\u00edmpicos de 2016.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro. No Maracan\u00e3. Que fica a 1 quil\u00f4metro do Museu Nacional. Nessas noites de gala regadas a centenas de milh\u00f5es de reais dos or\u00e7amentos p\u00fablicos Federal, Estadual e Municipal, ningu\u00e9m se interessava pelo enorme casar\u00e3o escuro. Que ficou tristemente iluminado demais domingo \u00e0 noite. Pela \u00faltima vez.<\/p>\n<p>Deixemos os canalhas de esp\u00edrito de urubu atribuir a culpa a quem quiser. Enquanto isso, os verdadeiros indignados precisam cobrar das diferentes autoridades uma vistoria em todos os museus, acervos, arquivos, dep\u00f3sitos de mem\u00f3ria do Brasil. Dizem que a Biblioteca Nacional passa pelo mesmo estado de degrada\u00e7\u00e3o. Como est\u00e3o os museus de nosso Distrito Federal? Ent\u00e3o ajamos agora, para que n\u00e3o aconte\u00e7a de novo. Porque se esquecemos, a mem\u00f3ria nacional ter\u00e1 queimado em v\u00e3o. Uma segunda vez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trag\u00e9dia que marcou o fim de domingo no Rio de Janeiro se agravou nesta segunda-feira. O inc\u00eandio que destruiu o Museu Nacional deveria ter provocado uma como\u00e7\u00e3o nacional, um questionamento sobre nossa forma de preservar, de valorizar o passado. 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