{"id":190078,"date":"2018-09-04T16:35:28","date_gmt":"2018-09-04T19:35:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=190078"},"modified":"2018-09-04T16:35:28","modified_gmt":"2018-09-04T19:35:28","slug":"gosta-de-dormir-em-voos-longos-cuidado-com-a-trombose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/gosta-de-dormir-em-voos-longos-cuidado-com-a-trombose\/","title":{"rendered":"Gosta de dormir em voos longos? Cuidado com a trombose"},"content":{"rendered":"<p>Eu me considerava um viajante muito experiente. J\u00e1 pechinchei badulaques no Camboja e passeios de barco no Vietn\u00e3. N\u00e3o caio na l\u00e1bia de taxistas gatunos na Argentina. Aprendi a levar na mala apenas o que vou usar, n\u00e3o monto voos com conex\u00f5es apertadas e sei farejar um restaurante pega-turista a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Ainda assim, vacilei \u2013 e acabei com o diagn\u00f3stico de trombose. Resultado: f\u00e9rias interrompidas e preju\u00edzo com cancelamentos.<\/p>\n<p>O inesperado aconteceu em um voo entre a Europa e o Brasil. Com o cansa\u00e7o acumulado de v\u00e1rios dias batendo perna em Budapeste e uma conex\u00e3o de tr\u00eas horas em Paris, conclu\u00ed que o melhor seria sentar na janela, jantar e engrenar um sono reparador. As gotinhas que eu reservava para essas ocasi\u00f5es j\u00e1 tinham me feito chegar mais descansado a muitos destinos na minha carreira de apaixonado por viagens. Dessa vez, deu t\u00e3o \u201ccerto\u201d que me desconectei at\u00e9 servirem o caf\u00e9 da manh\u00e3, a menos de uma hora para o pouso em Guarulhos.<\/p>\n<p>Senti minhas pernas mais pesadas, mas n\u00e3o dei import\u00e2ncia \u2013 afinal, voo longo em classe econ\u00f4mica, sabemos como \u00e9. Nos dias seguintes, por\u00e9m, fui notando uma dorzinha inconveniente que n\u00e3o cedia.<\/p>\n<p>No quarto dia, eu estava andando de um jeito engra\u00e7ado, e resolvi ir ao pronto-socorro \u201cs\u00f3 dar uma olhada\u201d. Achei que iria tomar algum relaxante muscular potente, voltar logo para casa e terminar de arrumar as malas para a viagem seguinte, dias depois. Fiz cara de interroga\u00e7\u00e3o quando me pediram um ultrassom das pernas \u2013 e de espanto quando o m\u00e9dico disse que minhas f\u00e9rias terminavam ali. Para dar lugar a tr\u00eas dias de interna\u00e7\u00e3o, 15 de licen\u00e7a m\u00e9dica e 180 de tratamento. Para voc\u00ea n\u00e3o vacilar como eu, separei algumas informa\u00e7\u00f5es sobre a trombose, n\u00e3o por acaso conhecida tamb\u00e9m como s\u00edndrome da classe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 &#8211;\u00a0<\/strong>Conversando com o m\u00e9dico que me atendeu e est\u00e1 me acompanhando, o cirurgi\u00e3o vascular Reinaldo Donatelli, aprendi que a trombose ocorre quando o nosso sangue forma co\u00e1gulos (chamados de trombos) dentro dos vasos (podem ser veias ou art\u00e9rias), dificultando a circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se pensa, ela n\u00e3o ocorre s\u00f3 em pessoas mais velhas. \u201cA arterial geralmente ocorre em pacientes idosos que possuam doen\u00e7as como arteriosclerose e arritmias card\u00edacas. J\u00e1 a venosa \u00e9 bem mais comum e n\u00e3o tem necessariamente rela\u00e7\u00e3o com doen\u00e7as preexistentes\u201d, explicou. Na pr\u00e1tica, a idade s\u00f3 passa a ser um fator de risco a partir dos 60 anos \u2013 e isso apenas em pessoas que passam longos per\u00edodos im\u00f3veis em uma cama.<\/p>\n<p><strong>Como evitar &#8211;\u00a0<\/strong>E o que voc\u00ea, que nunca tinha parado para pensar a respeito de trombose, pode fazer para evit\u00e1-la? Prevenir-se \u2013 principalmente em sua pr\u00f3xima viagem.<\/p>\n<p>\u201cEm deslocamentos a partir de seis horas de dura\u00e7\u00e3o, principalmente de avi\u00e3o, procure se levantar e andar pelo corredor\u201d, recomenda o doutor Reinaldo. &#8220;Outra dica \u00e9 movimentar os p\u00e9s, como se estivesse tocando piano com os dedos ou acelerando um carro, a cada duas horas&#8221;. Ou seja, tudo aquilo que este que vos escreve deixou de fazer.<\/p>\n<p>Esse racioc\u00ednio, de evitar passar horas a fio sem mexer as pernas, tamb\u00e9m se aplica a outras situa\u00e7\u00f5es do cotidiano, principalmente para quem trabalha sentado diante de um computador. Fazer intervalos para se movimentar \u2013 e, de modo geral, evitar o sedentarismo \u2013 \u00e9 sempre uma boa ideia para afastar o risco de trombose.<\/p>\n<p><strong>Fatores de risco &#8211;\u00a0<\/strong>Certos pacientes podem ter propens\u00e3o a desenvolver a doen\u00e7a, sobretudo se pais ou irm\u00e3os j\u00e1 tiveram trombose ou embolia (condi\u00e7\u00e3o bem mais grave, em que um trombo se desprende da perna e sobe pela corrente sangu\u00ednea para o pulm\u00e3o, podendo levar \u00e0 morte). \u201cNesses casos, um hematologista poder\u00e1 solicitar exames gen\u00e9ticos para checar se h\u00e1 de fato uma predisposi\u00e7\u00e3o\u201d, diz Donatelli. Outros fatores de risco s\u00e3o o uso de anticoncepcionais que contenham estr\u00f3geno e de drogas injet\u00e1veis, al\u00e9m do tabagismo e do alcoolismo.<\/p>\n<p><strong>Sintomas &#8211;\u00a0<\/strong>Os sintomas variam conforme a sua extens\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o no corpo. Nas pernas, \u00e9 comum haver dor, incha\u00e7o e\/ou um aspecto mais arroxeado. Como nem sempre esses sinais s\u00e3o evidentes, o m\u00e9dico pode pedir exames como o ultrassom doppler (que serviu para o meu caso, em que a trombose foi nas panturrilhas), tomografia computadorizada, resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e at\u00e9 angiografia (tipo de cateterismo).<\/p>\n<p><strong>Tratamento &#8211;\u00a0<\/strong>Se mesmo com todas as dicas voc\u00ea desenvolveu a trombose, o tratamento vai agir no sentido de dissolver os trombos formados, evitando que eles cres\u00e7am, se desprendam e cheguem aos pulm\u00f5es. &#8220;Se a trombose for extensa e n\u00e3o receber o tratamento adequado, al\u00e9m de causar embolia, que pode ser fatal, ela pode deixar sequelas graves no membro afetado&#8221;, alerta o cirurgi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, os pacientes costumam ser internados por alguns dias. Com a medica\u00e7\u00e3o injet\u00e1vel adequada e repouso hospitalar, a melhora \u00e9 r\u00e1pida. A partir da\u00ed, o tratamento prossegue em casa, com consultas peri\u00f3dicas. No meu caso, o tratamento inclui o uso de uma medica\u00e7\u00e3o anticoagulante por tr\u00eas meses e de meias de compress\u00e3o por seis meses.<\/p>\n<p>As meias de compress\u00e3o, ali\u00e1s, s\u00e3o um refor\u00e7o \u00fatil para prevenir a trombose em viagens. \u201cMas apenas as de suave compress\u00e3o podem ser usadas sem receita m\u00e9dica. As de m\u00e9dia e alta compress\u00e3o requerem a avalia\u00e7\u00e3o de um especialista, pois h\u00e1 pacientes com contraindica\u00e7\u00e3o\u201d, explica Donatelli.<\/p>\n<p>O anticoagulante, tamb\u00e9m indicado em alguns casos como medica\u00e7\u00e3o preventiva antes de viagens, \u00e9 outro recurso que s\u00f3 deve ser prescrito por um especialista. \u201cEle tem riscos, j\u00e1 que \u00e9 uma droga que inibe a coagula\u00e7\u00e3o natural do organismo. Seu mau uso pode acarretar hemorragia.&#8221;<\/p>\n<p>Donatelli explica ainda que a trombose pode voltar a acontecer se os fatores de risco se repetirem. Isso vale tanto para aquela desencadeada pelo uso de p\u00edlulas ou medicamentos, como a causada por imobiliza\u00e7\u00e3o (em viagens longas ou em um paciente idoso que teve uma fratura, por exemplo). \u201cEm um segundo evento (de trombose) pode ser necess\u00e1rio o uso cont\u00ednuo de anticoagulante\u201d, alerta.<\/p>\n<p><strong>Quem cuida &#8211;\u00a0<\/strong>O especialista que trata da trombose \u00e9 o cirurgi\u00e3o vascular, ou angiologista. Em caso de embolia pulmonar, entra em cena o pneumologista. O hematologista ajuda na investiga\u00e7\u00e3o da causa da trombose e tamb\u00e9m no acompanhamento do tratamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu me considerava um viajante muito experiente. J\u00e1 pechinchei badulaques no Camboja e passeios de barco no Vietn\u00e3. 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