{"id":190109,"date":"2018-09-05T07:42:03","date_gmt":"2018-09-05T10:42:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=190109"},"modified":"2018-09-05T07:42:03","modified_gmt":"2018-09-05T10:42:03","slug":"brasil-lidera-turma-dos-sedentarios-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-lidera-turma-dos-sedentarios-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Brasil lidera turma dos sedent\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Faz mais de 20 anos que a pedagoga e cuidadora de idosos Marlucy Evangelista Moura, de 51 anos, \u00e9 sedent\u00e1ria. Ela diz que deixou de praticar atividades f\u00edsicas ap\u00f3s o segundo casamento, quando tinha 30 anos. \u201cEu relaxei, \u00e9 o mal do ser humano. Eu me acomodei, porque fazia caminhada e gin\u00e1stica, mas vieram os filhos e eu falava que n\u00e3o tinha tempo.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente, diz que s\u00f3 n\u00e3o fica mais parada por morar em um pr\u00e9dio sem elevador. \u201cMoro no segundo andar e des\u00e7o e subo de escada. A minha sorte \u00e9 essa.\u201d Mas n\u00e3o \u00e9 algo que fa\u00e7a com facilidade. Com 98 quilos, ela diz se sentir cansada com a atividade e faz planos de perder peso. \u201cEstamos montando uma academia no condom\u00ednio. Compramos esteira, bicicleta ergom\u00e9trica. Vamos ver se a gente monta um grupo de mulheres do pr\u00e9dio. Acho que agora vai.\u201d<\/p>\n<p>Marlucy \u00e9 exemplo de uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais comum no Brasil. Estudo publicado nesta ter\u00e7a-feira, 4, pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) na revista The Lancet Global Health Journal apontou que 47% da popula\u00e7\u00e3o brasileira adulta n\u00e3o realiza atividades f\u00edsicas suficientes. Os dados s\u00e3o de 2016.<\/p>\n<p>Em 15 anos, o Brasil foi o pa\u00eds que registrou um dos maiores saltos no que se refere ao porcentual de popula\u00e7\u00e3o com comportamento f\u00edsico inadequado, ocupando a quinta posi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses com as piores taxas no mundo. \u00c9 um quadro mais comum em mulheres \u2013 53% s\u00e3o consideradas como inativas.<\/p>\n<p>O levantamento avaliou 1,9 milh\u00e3o de pessoas em 168 pa\u00edses. A OMS alerta que mais de 1,4 bilh\u00e3o de adultos no mundo correm risco de desenvolver algum tipo de doen\u00e7a por n\u00e3o praticar atividades f\u00edsicas de forma suficiente. Entre os riscos est\u00e3o doen\u00e7as cardiovasculares, diabete, c\u00e2ncer e dem\u00eancia.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o considera que um patamar adequado inclui 150 minutos de atividade f\u00edsica moderada por semana ou 75 de uma pr\u00e1tica intensa. Isso vai de caminhadas a passos r\u00e1pidos e nadar at\u00e9 ir ao trabalho de bicicleta ou fazer esportes.<\/p>\n<p>O estudo mostra que uma em cada tr\u00eas mulheres no mundo e um a cada quatro homens n\u00e3o fazem atividades f\u00edsicas em um n\u00edvel considerado como suficiente. Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, essa taxa tem sem mantida praticamente inalterada.<\/p>\n<p>As taxas mais preocupantes est\u00e3o em pa\u00edses como Kuwait (67%), Samoa Americana (53,4%), Ar\u00e1bia Saudita (53,1%) e Iraque (52%), com mais de metade dos adultos com uma atividade insuficiente. O \u00edndice brasileiro \u00e9 quase duas vezes mais elevado que a m\u00e9dia mundial. Nos EUA, \u00e9 de 40%; no Reino Unido, de 36%. Chama a aten\u00e7\u00e3o a China, com 14%. De 68 pa\u00edses que mantinham os dados entre 2001 e 2016, 37 deles registraram alta no \u00edndice de pessoas inativas. O aumento foi de mais de 15 pontos porcentuais no Brasil, um salto bem acima do incremento de 5 pontos visto nos pa\u00edses ricos. Em 28 pa\u00edses, o problema diminuiu.<\/p>\n<p>Para Regina Guthold, principal autora do levantamento, o fen\u00f4meno no Brasil est\u00e1 relacionado \u00e0s r\u00e1pidas mudan\u00e7as que ocorreram na sociedade nos \u00faltimos 20 anos, com uma maior urbaniza\u00e7\u00e3o, um aumento da classe m\u00e9dia, ocupa\u00e7\u00f5es sedent\u00e1rias e a explos\u00e3o do uso de tecnologias. De acordo com a OMS, telefones e computadores ficaram mais populares e mais baratos nos \u00faltimos anos, tendo impacto direto no comportamento das pessoas. \u201cTudo foi muito r\u00e1pido no Brasil e o Pa\u00eds talvez n\u00e3o tenha encontrado uma solu\u00e7\u00e3o para lidar com essa nova realidade.\u201d<\/p>\n<p>Para a OMS, \u00e9 necess\u00e1rio que pol\u00edticas p\u00fablicas criem oportunidades para que atividades f\u00edsicas passem a fazer parte da rotina, com acesso a locais seguros. \u201cIsso inclui parques, mas tamb\u00e9m a possibilidade de ir de bicicleta ao trabalho\u201d, diz Regina. Campanhas para \u201cconvidar\u201d as pessoas a serem mais ativas precisam ser realizadas, al\u00e9m de mudan\u00e7as na estrutura de trabalho.<\/p>\n<p>Lafayette Lage, ortopedista brasileiro especialista em medicina esportiva, lembra que atividade f\u00edsica \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para o aparelho locomotor como tamb\u00e9m para o cardiovascular. Mas alerta que todos que queiram realizar uma pr\u00e1tica esportiva devem ser avaliados por um m\u00e9dico ortopedista ou fisiatra para descartar problemas nos joelhos, quadris, ombros e articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz mais de 20 anos que a pedagoga e cuidadora de idosos Marlucy Evangelista Moura, de 51 anos, \u00e9 sedent\u00e1ria. Ela diz que deixou de praticar atividades f\u00edsicas ap\u00f3s o segundo casamento, quando tinha 30 anos. \u201cEu relaxei, \u00e9 o mal do ser humano. 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