{"id":190663,"date":"2018-09-13T06:45:47","date_gmt":"2018-09-13T09:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=190663"},"modified":"2018-09-13T06:56:35","modified_gmt":"2018-09-13T09:56:35","slug":"chega-gente-de-todo-canto-ate-de-carroca-para-virar-motoboy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/chega-gente-de-todo-canto-ate-de-carroca-para-virar-motoboy\/","title":{"rendered":"Chega gente de todo canto &#8211; at\u00e9 de carro\u00e7a, para virar motoboy"},"content":{"rendered":"<p>Para os que acharam um cantinho caloroso onde o sol nasce, o motivo de ter sa\u00eddo da terra natal \u00e9 sempre o mesmo: a busca de melhores oportunidades. E n\u00e3o podia ser diferente. A uma hora do Plano Piloto, os que v\u00eam para ficar encontram no Sol Nascente a chance de trabalhar na Capital Federal. Foi assim que pensou Rivelino da Silva.<\/p>\n<p>Hoje aos 42 anos de idade, ele saiu de Brej\u00e3o, munic\u00edpio de Pernambuco, h\u00e1 14 anos para tentar a sorte no quadrado central. Com emprego garantido, as chances de ganhar um sal\u00e1rio mais justo em Bras\u00edlia eram altas. \u201cA minha cidade natal sempre foi muito ruim de emprego, eu n\u00e3o ganhava bem e precisava me estabelecer. Um amigo meu que morava em Bras\u00edlia, garantiu que se eu viesse conseguiria emprego como caseiro em uma ch\u00e1cara. A\u00ed, eu nem pensei duas vezes\u201d, lembra.<\/p>\n<p>O emprego deu certo. \u201cFiquei pouco tempo trabalhando na casa, mas assim que sa\u00ed j\u00e1 arrumei um emprego em uma transportadora. Foi quando conheci a Domingas, minha atual mulher. Depois de uma semana decidimos morar juntos\u201d, revelou Rivelino \u00e0s gargalhadas. Na \u00e9poca, o casal morava no Recanto das Emas de aluguel, ent\u00e3o, depois de juntar uma quantia que considerou razo\u00e1vel, R$ 50 mil, ele se decidiu. Comprou uma casinha no Sol Nascente em uma regi\u00e3o chamada Pinheiros. \u201cEla foi a \u00fanica que nos acolheu. Com essa quantia a gente n\u00e3o teria achado aqui no Distrito Federal em mais nenhum lugar\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Rivelino trabalha como motoboy. Sem carteira fichada, ele tem atrav\u00e9s da moto, duas rendas. \u00c0 noite ele est\u00e1 entregando pizza para moradores da pr\u00f3pria regi\u00e3o, e durante o dia utiliza o ve\u00edculo como moto-t\u00e1xi. Na opini\u00e3o dele, a renda que ganha com a atividade \u00e9 at\u00e9 boa, comparada a dos vizinhos.<\/p>\n<p>\u201cConsigo tirar cerca de R$ 2 mil mensalmente\u201d, comemora. Mesmo assim, o or\u00e7amento fica bem justo para sustentar a esposa e tr\u00eas filhos. \u201cMinha mulher fica em casa cuidando das crian\u00e7as. Quando vamos colocar as despesas na ponta do l\u00e1pis n\u00e3o sobra muita coisa\u201d, revela o motoboy acrescentando que, apesar da renda apertada, n\u00e3o deixa faltar nada para a fam\u00edlia. \u201cPodemos n\u00e3o ter as melhores condi\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o deixamos nossos filhos passar fome. Isso \u00e9 o mais importante\u201d, considera.<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos no Sol Nascente, Rivelino conta sua admira\u00e7\u00e3o pelo desenvolvimento do local. \u201cEu a vi crescer, quando chegamos n\u00e3o tinha nem metade das constru\u00e7\u00f5es que tem hoje. Como as coisas mudam r\u00e1pido. Hoje n\u00e3o me vejo em outro lugar\u201d. Mas isso n\u00e3o significa que ela n\u00e3o precise de mais aten\u00e7\u00e3o. A regi\u00e3o do Sol Nascente n\u00e3o tem registro de cidade sat\u00e9lite ou de bairro.<\/p>\n<p>Quem mora l\u00e1 tem muita dificuldade de identificar seu endere\u00e7o.\u00a0 Google maps? Esque\u00e7a! O GPS ainda n\u00e3o reconhece as esquinas do Sol Nascente. \u201cN\u00f3s somos esquecidos aqui, como se a gente n\u00e3o valesse nada para o nosso pa\u00eds\u201d, lamenta Rivelino.<\/p>\n<p>E as reclama\u00e7\u00f5es de Rivelino fazem coro com as da sua vizinhan\u00e7a. Inseguran\u00e7a, falta de escolas, de hospitais e transporte p\u00fablico, s\u00e3o apenas algumas das queixas recorrentes. Apenas 10% das vias da cidade possuem asfalto. At\u00e9 estrutura de saneamento b\u00e1sico falta na expans\u00e3o habitacional. Mais de 50% das fam\u00edlias que ocupam um lugarzinho no Sol Nascente ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 rede geral de esgoto e aterro sanit\u00e1rio. Recorrem \u00e0 fossa s\u00e9ptica como alternativa para se livrar dos dejetos.<\/p>\n<p>M\u00e9dico sanitarista e professor universit\u00e1rio, Apolo Heringer Lisboa explica a <strong>Notibras<\/strong> que os problemas decorrentes das fossas urbanas podem ser in\u00fameros. Entre as enfermidades se destacam as verminoses e at\u00e9 doen\u00e7as como hepatites. E as complica\u00e7\u00f5es n\u00e3o param por a\u00ed. \u201cOs dejetos, na maioria das vezes, acabam indo para rios e c\u00f3rregos. Junto com urinas e fezes s\u00e3o descartados tamb\u00e9m horm\u00f4nios, medicamentos e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que acabam indo para hortas e alimentos de pessoas e animais\u201d, pontua.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea est\u00e1 no ambiente rural a fossa pode ser uma boa solu\u00e7\u00e3o, mas com uma concentra\u00e7\u00e3o grande de casas \u00e9 preciso haver uma coleta de esgoto e tratamento adequados\u201d, defende o sanitarista. Para ele, \u00e9 preciso haver um tratamento pr\u00e9vio dos dejetos, e o governo, principal respons\u00e1vel pelo saneamento urbano, n\u00e3o o faz de forma adequada. \u201cN\u00e3o \u00e9 certo voc\u00ea coletar o esgoto de uma regi\u00e3o inteira e depois descartar em qualquer lugar, \u00e9 o que o estado faz. Cada casa deveria ter um tratamento adequado e n\u00e3o apenas ser cobrada por isso\u201d, critica Heringer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os que acharam um cantinho caloroso onde o sol nasce, o motivo de ter sa\u00eddo da terra natal \u00e9 sempre o mesmo: a busca de melhores oportunidades. E n\u00e3o podia ser diferente. A uma hora do Plano Piloto, os que v\u00eam para ficar encontram no Sol Nascente a chance de trabalhar na Capital Federal. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":190664,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-190663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasilia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190663"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":190666,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190663\/revisions\/190666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/190664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}