{"id":190973,"date":"2018-09-19T00:20:53","date_gmt":"2018-09-19T03:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=190973"},"modified":"2018-09-19T07:24:39","modified_gmt":"2018-09-19T10:24:39","slug":"profissionais-de-saude-sofrem-agressoes-nas-maos-de-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/profissionais-de-saude-sofrem-agressoes-nas-maos-de-pacientes\/","title":{"rendered":"Profissionais de sa\u00fade sofrem (agress\u00f5es) nas m\u00e3os de pacientes"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa realizada com enfermeiros, m\u00e9dicos e farmac\u00eauticos de hospitais p\u00fablicos mostra que 71,6% desses profissionais j\u00e1 sofreram agress\u00e3o f\u00edsica ou verbal no ambiente de trabalho. Falta de estrutura, filas e demora no atendimento s\u00e3o apontados como principais motivos.<\/p>\n<p>O estudo encomendado pelos conselhos regionais das categorias entrevistou 6.832 profissionais (4.107 enfermeiros, 1.640 m\u00e9dicos e 1.085 farmac\u00eauticos) em agosto deste ano. Diante dos dados preocupantes, os conselhos lan\u00e7aram hoje (18) uma campanha, que ser\u00e1 veiculada na m\u00eddia com objetivo de conscientizar a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os enfermeiros, 21,1% foram v\u00edtimas de agress\u00e3o f\u00edsica e 90,9% sofreram agress\u00e3o verbal. O percentual de v\u00edtimas de agress\u00e3o f\u00edsica \u00e9 de 18,3% entre os m\u00e9dicos, e 47,2% responderam ser v\u00edtimas de ofensas.<\/p>\n<p>No setor de farm\u00e1cia, 7,2% j\u00e1 passaram por agress\u00f5es f\u00edsicas e 89,5% por agress\u00f5es verbais. As agress\u00f5es a farmac\u00eauticos s\u00e3o motivadas, sobretudo, pela nega\u00e7\u00e3o do fornecimento de medicamentos sem receita m\u00e9dica. A aus\u00eancia de rem\u00e9dios em farm\u00e1cias do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) tamb\u00e9m \u00e9 apontada como causa.<\/p>\n<p>A presidente do Conselho Regional de Enfermagem Renata Pietro, cita outras raz\u00f5es para as agress\u00f5es. \u201cQuando vamos conversar e entender o motivo, a fila, o material que est\u00e1 faltando, as condi\u00e7\u00f5es de sucateamento do sistema de sa\u00fade. Esse cen\u00e1rio ocorre tanto na rede p\u00fablica, como na privada\u201d, disse.<\/p>\n<p>As profissionais mulheres est\u00e3o mais sujeitas \u00e0s agress\u00f5es. Elas s\u00e3o 84% das v\u00edtimas em enfermagem, 57% em medicina e 77% em farm\u00e1cia. Os mais jovens, com idade at\u00e9 40 anos, tamb\u00e9m s\u00e3o as principais v\u00edtimas por estarem, geralmente, na linha de frente do atendimento. Em enfermagem, eles respondem por 76% dos casos; em medicina representam 63% das situa\u00e7\u00f5es e, em farm\u00e1cia, s\u00e3o 84%.<\/p>\n<p>S\u00f4nia Regina Esp\u00edrito Santo, 56 anos, \u00e9 t\u00e9cnica de mobiliza\u00e7\u00e3o ortop\u00e9dica h\u00e1 32 anos e trabalha num Pronto-Socorro p\u00fablico. Ela disse ter sofrido muitos insultos no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, inclusive racistas por ser negra. S\u00f4nia contou que, certa vez, foi agredida fisicamente por duas mulheres que acompanhavam o pai doente.<\/p>\n<p>\u201cEu fui tentar acalmar, porque j\u00e1 t\u00ednhamos chamado a pol\u00edcia. Elas estavam no centro cir\u00fargico, num corredor, onde tem parto e sai muita maca. Eu pedi calma. Ali saem muitas m\u00e3es com o beb\u00ea j\u00e1 no peito. Ela falava palavras de baixo cal\u00e3o, deu um salto e caiu em cima de mim, queria me rasgar. Pegou pelo cabelo e bateu, deu um soco na minha bacia. Eu n\u00e3o conseguia reagir\u201d, lembrou S\u00f4nia.<\/p>\n<p>A cirurgi\u00e3 Edwiges Dias da Rosa, 61 anos, foi agredida por um sargento da Pol\u00edcia Militar. Ela se recusou a fornecer o prontu\u00e1rio de uma paciente, documento sigiloso que n\u00e3o pode ser entregue a terceiros, segundo a legisla\u00e7\u00e3o. A m\u00e9dica trabalhava em plant\u00e3o noturno numa unidade de Pronto-Atendimento. \u201cEle me agrediu, me machucou, me pegou pelo bra\u00e7o e me tirou do atendimento a uma senhora em estado grave, que eu estava atendendo. Ele queria me levar para a delegacia presa\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Hospitais p\u00fablicos, como os que S\u00f4nia e Edwiges trabalham, s\u00e3o onde os profissionais est\u00e3o mais vulner\u00e1veis. Entre os m\u00e9dicos, 75,6% das agress\u00f5es ocorreram no Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Entre os enfermeiros, o percentual \u00e9 de 68,4% e, entre os farmac\u00eauticos, \u00e9 de 37%.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Lav\u00ednio Nilton Camarim, acredita que as agress\u00f5es revelam um problema mais profundo do sistema de sa\u00fade brasileiro. \u201cAs autoridades t\u00eam que saber, acima de tudo, que a sa\u00fade tem que ser uma pol\u00edtica de estado e n\u00e3o uma pol\u00edtica de governo\u201d.<\/p>\n<p>Camarim \u00e9 contra a mera constru\u00e7\u00e3o de hospitais sem planejamento. \u201cN\u00e3o adiantar sair construindo hospitais e postos de sa\u00fade se n\u00e3o tiver, depois, como tocar. Por isso, o sucateamento est\u00e1 ficando cada vez maior\u201d, criticou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa realizada com enfermeiros, m\u00e9dicos e farmac\u00eauticos de hospitais p\u00fablicos mostra que 71,6% desses profissionais j\u00e1 sofreram agress\u00e3o f\u00edsica ou verbal no ambiente de trabalho. 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