{"id":191257,"date":"2018-09-22T09:09:29","date_gmt":"2018-09-22T12:09:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=191257"},"modified":"2018-09-22T09:09:29","modified_gmt":"2018-09-22T12:09:29","slug":"preconceito-dificulta-emprego-para-os-deficientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/preconceito-dificulta-emprego-para-os-deficientes\/","title":{"rendered":"Preconceito dificulta emprego para os deficientes"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s ser aprovado no concurso p\u00fablico para professor da rede estadual do Rio de Janeiro, Jo\u00e3o Carlos Carreira Alves foi barrado no exame m\u00e9dico. \u201cO m\u00e9dico alegou a surdez em si, que isso seria um impeditivo para eu exercer o magist\u00e9rio\u201d, conta. Ele recorreu e acabou conseguindo assumir a vaga.<\/p>\n<p>Ensinou geografia a estudantes surdos por quatro anos. \u201cUm cego passou pelo mesmo problema. Mas ele recorreu ao judici\u00e1rio e consegui ser contratado. Eu n\u00e3o tinha consci\u00eancia nem que tinha o direito de ter direito\u201d.<\/p>\n<p>Isso ocorreu em 1978. De l\u00e1 para c\u00e1, segundo Alves, muita coisa mudou, mas ainda h\u00e1 barreiras a serem superadas para ampliar a inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho. Essa \u00e9 uma das bandeiras lembrada hoje (21), no Dia Nacional de Luta das Pessoas com Defici\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cNo geral, a situa\u00e7\u00e3o melhorou. Mas h\u00e1 muita gente esperta. Por\u00e9m, s\u00e3o espertezas dentro da lei. Por exemplo, muitos surdos s\u00e3o contratados por somente quatro horas, que \u00e9 o m\u00ednimo exigido por lei para contrata\u00e7\u00e3o com carteira assinada\u201d, explica.<\/p>\n<p>Hoje, aos 63 anos, Alves trabalha como analista de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. O que viveu aos 24 anos o marcou tanto que ele criou Comiss\u00e3o de Luta pelos Direitos do Deficiente Auditivo. \u201cNo quesito acessibilidade, a situa\u00e7\u00e3o melhorou, mas falta atender os surdos que n\u00e3o falam e usam a l\u00edngua de sinais\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), no Brasil s\u00e3o mais de 45 milh\u00f5es de pessoas com algum tipo de defici\u00eancia. Sendo assim, essa data representa quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o brasileira, cerca de 24%. Em 1991, a Lei de Cotas, Lei 8.213, passou reservar cargos em empresas para pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia Social de 2016 indicam que, caso as empresas seguissem a lei, pelo menos 827 mil postos de trabalho estariam dispon\u00edveis para essas pessoas, que s\u00e3o mais de 7 milh\u00f5es de cidad\u00e3os que se enquadram nas exig\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o. Entretanto, apenas 381.322 vagas foram criadas.<\/p>\n<p>\u201cMuitas empresas preferem pagar multa do que ter pessoas com defici\u00eancia. Falta de vontade, elas est\u00e3o presas ao que \u00e9 c\u00f4modo. Para que vou contratar um cadeirante, se vou ter que me adaptar e n\u00e3o sei se ele vai responder com produtividade\u201d, diz o analista de sistemas Leonardo Knittel, 37 anos.<\/p>\n<p>Com duas forma\u00e7\u00f5es, em an\u00e1lise de sistemas e em rela\u00e7\u00f5es internacionais, Knittel tem baixa vis\u00e3o. \u201cSempre as primeiras vagas que surgem s\u00e3o de qualifica\u00e7\u00e3o muito baixa. \u00c9 dif\u00edcil. Quanto mais se tem qualifica\u00e7\u00e3o, mais dif\u00edcil achar emprego. \u201cEu me orgulho muito quando ou\u00e7o que eu preencher uma cota \u00e9 favor que estou fazendo, porque entrego produtividade e ainda ajudo a empresa a cumprir uma obriga\u00e7\u00e3o legal\u201d.<\/p>\n<p>Para a criadora e superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia (IBDD), Teresa Costa d\u2019Amaral, o Brasil tem muita legisla\u00e7\u00e3o para pessoa com defici\u00eancia, mas ela n\u00e3o \u00e9 cumprida na \u00edntegra. \u201cEmprego e igualdade de condi\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o quest\u00f5es muito dif\u00edceis, empresas ainda n\u00e3o acreditam na compet\u00eancia da pessoa com defici\u00eancia. Temos legisla\u00e7\u00e3o de cotas, mas essa legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fiscalizada\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo Teresa, o grande entrave \u00e9 o preconceito. \u201cA pessoa com defici\u00eancia \u00e9 vista com olhar negativo. Falta o olhar para aquilo que o empregado oferece de importante e no que pode contribuir para a empresa\u201d.<\/p>\n<p>Uma pesquisa feita pelo IBDD e pelo DataSenado mostra que 77% das pessoas com defici\u00eancia acreditam que os direitos n\u00e3o s\u00e3o respeitados no pa\u00eds. A pesquisa, feita em 2010, \u00e9 considerada a mais completa por ter entrevistado diretamente as pessoas com defici\u00eancia. Segundo Teresa, ela ainda reflete o cen\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>A data de 21 de setembro foi a escolhida para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da discuss\u00e3o de propostas e pol\u00edticas p\u00fablicas para integrar essas pessoas na sociedade de forma igualit\u00e1ria. A data foi escolhida porque est\u00e1 pr\u00f3xima do in\u00edcio da primavera, esta\u00e7\u00e3o conhecida pelo aparecimento das flores e coincide com o Dia da \u00c1rvore, datas que representam o renascer das plantas, que simbolizam o sentimento de renova\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es em prol da cidadania, inclus\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o plena na sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s ser aprovado no concurso p\u00fablico para professor da rede estadual do Rio de Janeiro, Jo\u00e3o Carlos Carreira Alves foi barrado no exame m\u00e9dico. \u201cO m\u00e9dico alegou a surdez em si, que isso seria um impeditivo para eu exercer o magist\u00e9rio\u201d, conta. Ele recorreu e acabou conseguindo assumir a vaga. 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