{"id":191501,"date":"2018-09-25T11:14:03","date_gmt":"2018-09-25T14:14:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=191501"},"modified":"2018-09-26T06:31:21","modified_gmt":"2018-09-26T09:31:21","slug":"temer-pede-fim-da-intolerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/temer-pede-fim-da-intolerancia\/","title":{"rendered":"Temer vai \u00e0 ONU e pede fim da intoler\u00e2ncia entre as na\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Ao discursar nesta ter\u00e7a (25) na abertura da 73\u00aa Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Michel Temer criticou o \u201cisolacionismo\u201d, a \u201cintoler\u00e2ncia\u201d e o &#8220;unilateralismo&#8221;. Segundo ele, essas quest\u00f5es podem comprometer o \u201caprimoramento da ordem internacional\u201d, que h\u00e1 d\u00e9cadas vem sendo consolidada.<\/p>\n<p>O debate geral deste ano tem como tema central tornar a ONU Relevante para Todas as Pessoas: Lideran\u00e7a Mundial e Responsabilidades Partilhadas para Sociedades Pac\u00edficas, Equitativas e Sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cQuantos oradores j\u00e1 n\u00e3o vieram a esta tribuna advogar o aprimoramento da ordem internacional que edificamos ao longo de d\u00e9cadas? Muitos foram esses oradores. Eu mesmo me incluo entre eles. E, creio, t\u00ednhamos raz\u00e3o. Ainda temos raz\u00e3o, e as palavras que pronunciamos continuam atuais. Mas, se queremos aprimorar nossa ordem coletiva, hoje se imp\u00f5e ainda outra tarefa: a de defender a pr\u00f3pria integridade dessa ordem. Ordem que, por imperfeita que seja, tem servido \u00e0s causas maiores da humanidade\u201d, disse o presidente no in\u00edcio do discurso.<\/p>\n<p>Temer ainda destacou o papel do Brasil na quest\u00e3o migrat\u00f3ria na Am\u00e9rica do Sul. &#8220;Estamos em meio a onda migrat\u00f3ria de grandes propor\u00e7\u00f5es. Estima-se em mais de um milh\u00e3o os venezuelanos que j\u00e1 deixaram seu pa\u00eds em busca de condi\u00e7\u00f5es dignas de vida. O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso territ\u00f3rio. S\u00e3o dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assist\u00eancia. Com a colabora\u00e7\u00e3o do Alto Comissariado para Refugiados, constru\u00edmos abrigos para ampar\u00e1-los da melhor maneira.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse contexto, Temer ressaltou a capacidade brasileira de integra\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0 primeira dessas tend\u00eancias, o isolacionismo, o Brasil responde com mais abertura, mais integra\u00e7\u00e3o. O Brasil sabe que nosso desenvolvimento comum depende de mais fluxos internacionais de com\u00e9rcio e investimentos. Depende de mais contato com novas ideias e com novas tecnologias. \u00c9 na abertura ao outro, e n\u00e3o na introspec\u00e7\u00e3o e no isolamento, que construiremos uma prosperidade efetivamente compartilhada.\u201d<\/p>\n<p>O presidente lembrou que Brasil e Mercosul t\u00eam aprofundado cada vez mais seus mecanismos de integra\u00e7\u00e3o, inclusive por meio da derrubada de barreiras comerciais. \u201cImpulsionamos a aproxima\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, buscando uma Am\u00e9rica Latina cada vez mais unida, como, ali\u00e1s, determina nossa Constitui\u00e7\u00e3o. E revitalizamos ou iniciamos negocia\u00e7\u00f5es comerciais com parceiros de todas as regi\u00f5es: Uni\u00e3o Europeia, Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Livre Com\u00e9rcio, Canad\u00e1, Coreia do Sul, Singapura, L\u00edbano, Marrocos, Tun\u00edsia.\u201d<\/p>\n<p>Ainda durante o discurso, Temer classificou de \u201cprodutiva\u201d a participa\u00e7\u00e3o brasileira em foros de coopera\u00e7\u00e3o. Entre eles, o G20, o Brics, e a Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa \u2013 espa\u00e7os onde, segundo ele, t\u00eam se obtido \u201cresultados concretos, com impacto direto para o dia a dia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO isolamento pode at\u00e9 dar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. O protecionismo pode at\u00e9 soar sedutor. Mas \u00e9 com abertura e integra\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7amos a conc\u00f3rdia, o crescimento, o progresso. Tamb\u00e9m, ao desafio da intoler\u00e2ncia, o Brasil tem respondido de forma decidida: com di\u00e1logo e solidariedade. S\u00e3o o di\u00e1logo e a solidariedade que nos inspiram, a cada momento, a honrar a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos\u201d, disse o presidente ao reafirmar ser \u201cimperativo\u201d tornar realidade o que est\u00e1 previsto nesse documento.<\/p>\n<p>Veja a \u00edntegra do discurso:<\/p>\n<p>Senhora Presidente desta Assembleia Geral, Mar\u00eda Fernanda Espinosa,<\/p>\n<p>Senhor Secret\u00e1rio-Geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres,<\/p>\n<p>Senhoras e senhores Chefes de Estado e de Delega\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Senhoras e senhores,<\/p>\n<p>\u00c9 uma honra para o Brasil abrir este Debate Geral.<\/p>\n<p>Tenho o prazer de cumprimentar a Presidente da Assembleia Geral, Mar\u00eda Fernanda Espinosa \u2013 primeira mulher latino-americana a desempenhar essa alta fun\u00e7\u00e3o. Reitero a Vossa Excel\u00eancia meus votos de pleno \u00eaxito. Tenha a certeza de contar com o Brasil.<\/p>\n<p>Cumprimento, ainda, o Secret\u00e1rio-Geral, Ant\u00f3nio Guterres. \u00c9 uma particular satisfa\u00e7\u00e3o faz\u00ea-lo em nossa l\u00edngua comum.<\/p>\n<p>Senhoras e senhores,<\/p>\n<p>Quantos oradores j\u00e1 n\u00e3o vieram a esta tribuna advogar o aprimoramento da ordem internacional que edificamos ao longo de d\u00e9cadas<\/p>\n<p>Muitos foram esses oradores. Eu mesmo me incluo entre eles. E, creio, t\u00ednhamos raz\u00e3o. Ainda temos raz\u00e3o, e as palavras que pronunciamos continuam atuais.<\/p>\n<p>Mas, se queremos aprimorar nossa ordem coletiva, hoje se imp\u00f5e ainda outra tarefa: a de defender a pr\u00f3pria integridade dessa ordem. Ordem que, por imperfeita que seja, tem servido \u00e0s causas maiores da humanidade.<\/p>\n<p>Os desafios \u00e0 integridade da ordem internacional s\u00e3o muitos. Vivemos tempos toldados por for\u00e7as isolacionistas. Reavivam-se velhas intoler\u00e2ncias. As reca\u00eddas unilaterais s\u00e3o cada vez menos a exce\u00e7\u00e3o. Mas esses desafios n\u00e3o devem \u2013 n\u00e3o podem \u2013 nos intimidar.<\/p>\n<p>Isolacionismo, intoler\u00e2ncia, unilateralismo: a cada uma dessas tend\u00eancias, temos que responder com o que nossos povos t\u00eam de melhor.<\/p>\n<p>Pois \u00e0 primeira dessas tend\u00eancias \u2013 o isolacionismo \u2013, o Brasil responde com mais abertura, mais integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil sabe que nosso desenvolvimento comum depende de mais fluxos internacionais de com\u00e9rcio e investimentos. Depende de mais contato com novas ideias e com novas tecnologias. \u00c9 na abertura ao outro \u2013 e n\u00e3o na introspec\u00e7\u00e3o e no isolamento \u2013 que construiremos uma prosperidade efetivamente compartilhada.<\/p>\n<p>Assim tem atuado o Brasil.<\/p>\n<p>Levamos adiante uma pol\u00edtica externa universalista.<\/p>\n<p>Em nosso entorno geogr\u00e1fico, temos aprofundado os mecanismos de integra\u00e7\u00e3o. No Mercosul, reafirmamos a voca\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do bloco, derrubamos barreiras comerciais e assinamos novos acordos. Impulsionamos a aproxima\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, buscando uma Am\u00e9rica Latina cada vez mais unida \u2013 como, ali\u00e1s, determina nossa Constitui\u00e7\u00e3o. E revitalizamos ou iniciamos negocia\u00e7\u00f5es comerciais com parceiros de todas as regi\u00f5es \u2013 Uni\u00e3o Europeia, Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Livre Com\u00e9rcio, Canad\u00e1, Coreia do Sul, Singapura, L\u00edbano, Marrocos, Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>Por meio dessas e de outras iniciativas, seguimos estreitando nosso relacionamento com o conjunto das Am\u00e9ricas, com a Europa, com a \u00c1sia, com a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Especialmente produtiva tem sido nossa participa\u00e7\u00e3o em foros de coopera\u00e7\u00e3o como o G20, o BRICS, a Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa. S\u00e3o espa\u00e7os onde produzimos resultados concretos, com impacto direto para o dia a dia de nossas sociedades.<\/p>\n<p>\u00c9 assim, com abertura e integra\u00e7\u00e3o, que nos acercamos de um futuro melhor para todos. O isolamento pode at\u00e9 dar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. O protecionismo pode at\u00e9 soar sedutor. Mas \u00e9 com abertura e integra\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7amos a conc\u00f3rdia, o crescimento, o progresso.<\/p>\n<p>Senhoras e senhores,<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ao desafio da intoler\u00e2ncia o Brasil tem respondido de forma decidida: com di\u00e1logo e solidariedade.<\/p>\n<p>S\u00e3o o di\u00e1logo e a solidariedade que nos inspiram, a cada momento, a honrar a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Tornar realidade esse documento, que em breve completar\u00e1 sete d\u00e9cadas, \u00e9 imperativo que demanda aten\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o permanentes.<\/p>\n<p>Em nome dos direitos humanos, muito j\u00e1 fizemos \u2013 governos, institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos da altura do brasileiro Sergio Vieira de Melo, cuja mem\u00f3ria fa\u00e7o quest\u00e3o de homenagear nestes quinze anos de sua tr\u00e1gica morte.<\/p>\n<p>\u00c9 for\u00e7oso reconhecer, por\u00e9m, que persistem, nos mais diversos quadrantes, viola\u00e7\u00f5es \u00e0s normas internacionais que protegem o indiv\u00edduo na sua dignidade. Na Am\u00e9rica Latina, o Brasil tem trabalhado pela preserva\u00e7\u00e3o da democracia e dos direitos humanos. Seguiremos, junto a tantos outros pa\u00edses, ao lado de povos irm\u00e3os que tanto t\u00eam sofrido.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o di\u00e1logo e a solidariedade se acham na origem do Pacto Global sobre Migra\u00e7\u00e3o, cujas negocia\u00e7\u00f5es acabamos de concluir. Contam-se mais de 250 milh\u00f5es de migrantes em todo o mundo. Trata-se de homens, mulheres e crian\u00e7as que, amea\u00e7ados por crises que se prolongam, s\u00e3o levados a tomar a dif\u00edcil e arriscada decis\u00e3o de deixar seus pa\u00edses. \u00c9 nosso dever proteg\u00ea-los, e \u00e9 esse o prop\u00f3sito do Pacto Global sobre Migra\u00e7\u00e3o. Agora, cabe-nos concluir as negocia\u00e7\u00f5es do Pacto Global sobre Refugiados.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, estamos em meio a onda migrat\u00f3ria de grandes propor\u00e7\u00f5es. Estima-se em mais de um milh\u00e3o os venezuelanos que j\u00e1 deixaram seu pa\u00eds em busca de condi\u00e7\u00f5es dignas de vida. O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso territ\u00f3rio. S\u00e3o dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assist\u00eancia. Com a colabora\u00e7\u00e3o do Alto Comissariado para Refugiados, constru\u00edmos abrigos para ampar\u00e1-los da melhor maneira. Temos promovido sua interioriza\u00e7\u00e3o para outras regi\u00f5es do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no Pa\u00eds. Oferecemos escola para as crian\u00e7as, vacina\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os de sa\u00fade para todos. Mas sabemos que a solu\u00e7\u00e3o para a crise apenas vir\u00e1 quando a Venezuela reencontrar o caminho do desenvolvimento.<\/p>\n<p>No Brasil, temos orgulho de nossa tradi\u00e7\u00e3o de acolhimento. Somos um povo forjado na diversidade. H\u00e1 um peda\u00e7o do mundo em cada brasileiro.<\/p>\n<p>Fi\u00e9is a essa tradi\u00e7\u00e3o, institu\u00edmos, no ano passado, nova Lei de Migra\u00e7\u00e3o \u2013 uma legisla\u00e7\u00e3o moderna, que n\u00e3o apenas protege a dignidade do imigrante, mas reconhece os benef\u00edcios da imigra\u00e7\u00e3o. Ampliamos direitos e desburocratizamos exig\u00eancias para ingresso e perman\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<p>Se o di\u00e1logo e a solidariedade s\u00e3o ant\u00eddotos para a intoler\u00e2ncia, s\u00e3o tamb\u00e9m mat\u00e9ria-prima da paz duradoura.<\/p>\n<p>Diante das diferentes crises no Oriente M\u00e9dio, essa tem sido a t\u00f4nica da posi\u00e7\u00e3o brasileira. Neste ano em que nos associamos \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es pelos 70 anos de Israel, o Brasil renova seu apoio \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de dois Estados \u2013 Israel e Palestina \u2013, vivendo lado a lado, em paz e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, respaldamos os esfor\u00e7os internacionais para p\u00f4r termo ao conflito na S\u00edria, que j\u00e1 se estende h\u00e1 tempo demais. Temos buscado contribuir para mitigar tanto sofrimento. S\u00f3 em 2017, doamos cerca de uma tonelada de medicamentos e vacinas em benef\u00edcio de crian\u00e7as afetadas pelo conflito. Temos, ainda, acolhido n\u00famero expressivo de refugiados.<\/p>\n<p>Na Pen\u00ednsula Coreana, tamb\u00e9m o di\u00e1logo e a solidariedade balizam nossa postura. Reiteramos nosso apoio a solu\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas que promovam a desnucleariza\u00e7\u00e3o e a paz.<\/p>\n<p>\u00c9, reafirmo, com di\u00e1logo e solidariedade que venceremos a intoler\u00e2ncia, que construiremos a paz. Como disse Nelson Mandela \u2013 cujo centen\u00e1rio comemoramos este ano \u2013, \u00e9 nosso dever apontar os rumos de \u201cum mundo de toler\u00e2ncia e respeito pela diferen\u00e7a\u201d, os rumos de \u201cum inabal\u00e1vel compromisso com solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas para conflitos e disputas\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, o desafio do unilateralismo. A ele, respondemos com mais diplomacia, mais multilateralismo. E o fazemos imbu\u00eddos da convic\u00e7\u00e3o de que problemas coletivos demandam respostas coletivamente articuladas. Da\u00ed o significado maior da ONU: esta \u00e9, por excel\u00eancia, a casa do entendimento.<\/p>\n<p>Precisamos fortalecer esta Organiza\u00e7\u00e3o. Precisamos torn\u00e1-la mais leg\u00edtima e eficaz. Precisamos de reformas importantes \u2013 entre elas a do Conselho de Seguran\u00e7a, que, como est\u00e1, reflete um mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe mais. Precisamos, enfim, revigorar os valores da diplomacia e do multilateralismo.<\/p>\n<p>J\u00e1 demos reiteradas provas do que somos capazes, juntos, quando nos movemos por esses valores.<\/p>\n<p>Foi assim que demos passo hist\u00f3rico, no ano passado, ao concluirmos o Tratado sobre a Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares. Tive a honra de ser o primeiro Chefe de Estado a assin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Foi assim, ainda, que, ao longo de d\u00e9cadas, erguemos um sistema multilateral de com\u00e9rcio robusto, com regras cada vez mais abrangentes e com mecanismo de solu\u00e7\u00e3o de controv\u00e9rsias cr\u00edvel e eficaz. S\u00e3o conquistas hist\u00f3ricas de todos n\u00f3s, que devemos prestigiar e ampliar, com a elimina\u00e7\u00e3o de tantas distor\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio agr\u00edcola que afetam, sobretudo, pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 apenas em desarmamento e n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o nuclear, n\u00e3o \u00e9 apenas em com\u00e9rcio internacional que a diplomacia e o multilateralismo nos proporcionam solu\u00e7\u00f5es efetivas. Isso tamb\u00e9m \u00e9 verdade em tantas outras \u00e1reas, como a do desenvolvimento sustent\u00e1vel, crucial para o futuro da humanidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 nos \u00faltimos anos, negociamos a Agenda 2030 e o Acordo de Paris. S\u00e3o verdadeiros marcos, que nos colocam no caminho do crescimento econ\u00f4mico com justi\u00e7a social e respeito ao meio ambiente.<\/p>\n<p>O compromisso de primeira hora do Brasil com o desenvolvimento sustent\u00e1vel permanece inequ\u00edvoco. N\u00e3o faltam exemplos.<\/p>\n<p>Estamos plenamente engajados no movimento em dire\u00e7\u00e3o a uma economia internacional de baixo carbono. Mais de 40% da matriz energ\u00e9tica brasileira \u00e9 limpa e renov\u00e1vel \u2013 uma das mais sustent\u00e1veis do mundo.<\/p>\n<p>T\u00eam sido intensos nossos esfor\u00e7os de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento. A tend\u00eancia de longo prazo \u00e9 encorajadora. Hoje, temos, na Amaz\u00f4nia brasileira, taxa de desmatamento 75% mais baixa do que em 2004.<\/p>\n<p>Criamos e ampliamos, no Brasil, unidades de conserva\u00e7\u00e3o ambiental, que, atualmente, correspondem a mais de quatro vezes o territ\u00f3rio da Noruega.<\/p>\n<p>A causa dos oceanos tamb\u00e9m nos \u00e9 cara. Por ocasi\u00e3o do F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que sediamos em Bras\u00edlia, institu\u00edmos, nos mares brasileiros, \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o dos territ\u00f3rios da Alemanha e da Fran\u00e7a somados.<\/p>\n<p>Em dois anos, dobramos o total das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A diplomacia e o multilateralismo s\u00e3o igualmente instrumentos decisivos para a seguran\u00e7a global \u2013 \u00e9 o que mostram as miss\u00f5es de paz da ONU, nas quais o Brasil se orgulha em desempenhar papel de relevo.<\/p>\n<p>E, n\u00e3o tenhamos ilus\u00f5es, s\u00e3o tamb\u00e9m instrumentos decisivos para vencer o terrorismo, para combater os crimes transnacionais.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de pessoas, o tr\u00e1fico de armas, o tr\u00e1fico de drogas, a lavagem de dinheiro, a explora\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o crimes que n\u00e3o conhecem fronteiras. S\u00e3o flagelos que corroem nossas sociedades e que s\u00f3 s\u00e3o eficazmente combatidos com pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es concertadas.<\/p>\n<p>\u00c9 o que temos feito em nossa regi\u00e3o. Celebramos, em Bras\u00edlia, uma primeira reuni\u00e3o ministerial do Cone Sul sobre seguran\u00e7a nas fronteiras. Desde ent\u00e3o, temos intensificado a coopera\u00e7\u00e3o com nossos vizinhos no combate ao crime transnacional.<\/p>\n<p>Temos que permanecer coesos em torno desta obra coletiva que \u00e9 erguer um mundo em que predominem a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. Nada conseguiremos sozinhos. Nada conseguiremos sem a diplomacia, sem o multilateralismo.<\/p>\n<p>Senhoras e senhores, Senhora Presidente, Senhor Secret\u00e1rio-Geral,<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a \u00faltima vez que, como Presidente da Rep\u00fablica, tenho o privil\u00e9gio de representar meu Pa\u00eds neste Debate Geral.<\/p>\n<p>Em duas semanas, o povo brasileiro ir\u00e1 \u00e0s urnas. Escolher\u00e1 as lideran\u00e7as pol\u00edticas que \u2013 no Executivo e no Legislativo \u2013 dirigir\u00e3o o Brasil a partir de janeiro de 2019.<\/p>\n<p>Assim determina nossa Constitui\u00e7\u00e3o, assim tem sido nos \u00faltimos quase trinta anos e assim deve ser. Porque todo poder emana do povo. Porque a altern\u00e2ncia no poder \u00e9 da alma mesma da democracia. E a nossa, senhoras e senhores, \u00e9 uma democracia vibrante, lastreada em institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>Transmitirei a meu sucessor as fun\u00e7\u00f5es presidenciais com a tranquilidade do dever cumprido.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, podemos olhar para tr\u00e1s e verificar o quanto fizemos em pouco tempo de Governo.<\/p>\n<p>Dissemos n\u00e3o ao populismo e vencemos a pior recess\u00e3o de nossa Hist\u00f3ria \u2013 recess\u00e3o com severas consequ\u00eancias para a sociedade, sobretudo para os mais pobres. Recolocamos as contas p\u00fablicas em trajet\u00f3ria respons\u00e1vel e restauramos a credibilidade da economia. Voltamos a crescer e a gerar empregos. Programas sociais antes amea\u00e7ados pelo descontrole dos gastos puderam ser salvos e ampliados. Devolvemos o Brasil ao trilho do desenvolvimento.<\/p>\n<p>O Pa\u00eds que entregarei a quem o povo brasileiro venha a eleger \u00e9 melhor do que aquele que recebi. Muito ainda resta por fazer, mas voltamos a ter rumo.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 ir adiante. O pr\u00f3ximo Governo e o pr\u00f3ximo Congresso Nacional encontrar\u00e3o bases consistentes sobre as quais poder\u00e3o seguir construindo um Brasil mais pr\u00f3spero e mais justo.<\/p>\n<p>Senhoras e senhores,<\/p>\n<p>Os membros desta Assembleia Geral sabem que t\u00eam e ter\u00e3o sempre, no Brasil, um firme aliado da coopera\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que, diante do isolacionismo, prop\u00f5e mais abertura e integra\u00e7\u00e3o. Que, diante da intoler\u00e2ncia, prop\u00f5e mais di\u00e1logo e solidariedade. Que, diante do unilateralismo, prop\u00f5e mais diplomacia e multilateralismo.<\/p>\n<p>Nas palavras do j\u00e1 saudoso Kofi Annan, \u201cnossa miss\u00e3o \u00e9 confrontar a ignor\u00e2ncia com o conhecimento, o fanatismo com a toler\u00e2ncia, e o isolamento com a m\u00e3o estendida da generosidade.\u201d<\/p>\n<p>Muito obrigado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao discursar nesta ter\u00e7a (25) na abertura da 73\u00aa Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Michel Temer criticou o \u201cisolacionismo\u201d, a \u201cintoler\u00e2ncia\u201d e o &#8220;unilateralismo&#8221;. Segundo ele, essas quest\u00f5es podem comprometer o \u201caprimoramento da ordem internacional\u201d, que h\u00e1 d\u00e9cadas vem sendo consolidada. 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