{"id":191737,"date":"2018-09-28T11:18:55","date_gmt":"2018-09-28T14:18:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=191737"},"modified":"2018-09-28T11:18:55","modified_gmt":"2018-09-28T14:18:55","slug":"gal-setentona-vai-cantar-ate-virar-uma-velha-coroca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/gal-setentona-vai-cantar-ate-virar-uma-velha-coroca\/","title":{"rendered":"Gal, setentona, vai cantar at\u00e9 virar &#8216;uma velha coroca&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Gal Costa senta-se no sof\u00e1. Iniciaria ali, naquela casa nos Jardins, em S\u00e3o Paulo, mais um dia de entrevistas sobre seu novo trabalho. O porte da cantora \u00e9 elegante, de diva. De repente, Gal est\u00e1 descal\u00e7a, muito confort\u00e1vel sem seus sapatos. Eis, ent\u00e3o, que surge naquela cena a imagem da menina Maria da Gra\u00e7a \u2013 seu nome de batismo. Ser\u00e1 que Gal habita a pele de Maria da Gra\u00e7a ou Maria da Gra\u00e7a habita a pele de Gal? Decerto, as duas coisas.<\/p>\n<p>A Pele do Futuro, o novo disco de Gal \u2013 dispon\u00edvel a partir desta sexta, 28, nos formatos f\u00edsico e digital \u2013, diz muito sobre essa mulher, uma das grandes cantoras da m\u00fasica brasileira e tamb\u00e9m a garota tropicalista nascida na Bahia. Traz seu passado e seu futuro. \u201cVejo (esse nome do \u00e1lbum) como um olhar para frente, mas tamb\u00e9m para tr\u00e1s, para tudo o que foi vivido\u201d, explica Gal, que est\u00e1 completando 73 anos. \u201cTem muito a ver com o tempo. Vou fazer muitos discos ainda, at\u00e9 ser velha coroca\u201d, diverte-se.<\/p>\n<p>De fato, a fase de sua carreira p\u00f3s-disco Recanto, de 2011, produzido por Caetano Veloso, assinala fortemente sua inquieta\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Fase essa pavimentada ainda pelos \u00f3timos \u00e1lbuns Estratosf\u00e9rica, com produ\u00e7\u00e3o de Kassin e Moreno Veloso (2015), e agora A Pele do Futuro, sob a chancela do produtor Pupillo e dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Marcus Preto. Desta vez, Gal queria impregnar o trabalho com a atmosfera dos anos 1970. \u201cSempre tive vontade de fazer m\u00fasica dan\u00e7ante, para discoteca, dance music. Ent\u00e3o, meu filho, que adora as m\u00fasicas dos anos 70, entrou no meu quarto com Gloria Gaynor cantando I Will Survive, e disse: \u2018Mam\u00e3e, duvido que voc\u00ea conhe\u00e7a\u2019. Falei que conhecia. A gera\u00e7\u00e3o dele est\u00e1 ouvindo essa m\u00fasica e me deu um estalo\u201d, lembra ela. Seu filho, Gabriel, tinha 12 anos na \u00e9poca \u2013 ele chegou \u00e0 sua vida quando tinha pouco mais de 1 ano. Hoje, est\u00e1 com 13.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou a se desenhar quando Gal pensou em chamar a cantora e compositora sertaneja Mar\u00edlia Mendon\u00e7a para o que seria seu novo disco. Gal imaginava uma sofr\u00eancia em dance music. \u201cEu n\u00e3o a conhecia pessoalmente, mas acho que ela \u00e9 uma cantora, uma compositora incr\u00edvel\u201d, elogia. Dela, Gal escolheu Cuidando de Longe, que a jovem sertaneja comp\u00f4s com seus parceiros. \u201cGravei do jeito que eu queria, com o arranjo que a gente imaginou, e ela veio e p\u00f4s a voz\u201d, conta Gal. Nas redes, houve quem chiasse com esse encontro musical. \u201cMuita gente apoiou, muita gente reclamou. Muita gente falando: voc\u00ea n\u00e3o precisa disso. Sabe essas coisas de \u00f3dio que a internet destila? Isso \u00e9 horr\u00edvel. N\u00f3s somos duas mulheres que fazemos m\u00fasica. O p\u00fablico dela \u00e9 dela, o meu \u00e9 o meu\u201d, defende. \u201cNa m\u00fasica, a gente tem de ser democr\u00e1tico, ainda mais neste momento. Tem m\u00fasica boa em todos os cantos. A gente n\u00e3o pode ser elitista nem radical.\u201d<\/p>\n<p>Na mesma frequ\u00eancia de Cuidando de Longe, tem Sublime, composi\u00e7\u00e3o arrebatadora de Dani Black, que abre o disco e, por tabela, o longo bloco com temas de amor do disco. O amor esperado, conquistado ou que foi perdido. Desse bloco, fazem parte tamb\u00e9m Vida Que Segue, de Hyldon, Puro Sangue (Libelo do Perd\u00e3o), de Guilherme Arantes, Realmente Lindo, de Tim Bernardes (que fez um belo e triste disco solo, mas que queria escrever a alegria quando pensou em Gal) e Dentro da Lei, de Djavan, entre outras. Do amigo-irm\u00e3o Gilberto Gil, recebeu a filos\u00f3fica Viagem Passageira, e um dos versos da can\u00e7\u00e3o inspirou o t\u00edtulo do disco. Ali\u00e1s, h\u00e1 25 anos, Gal n\u00e3o gravava uma m\u00fasica de Djavan nem de Gil.<\/p>\n<p>O \u00e1lbum promoveu outro reencontro, bastante esperado, das vozes de Gal e Maria Beth\u00e2nia. As duas cantam juntas em Minha M\u00e3e, de C\u00e9sar Lacerda e Jorge Mautner. Mautner pensou nas m\u00e3es de ambas para comp\u00f4-la. E a grava\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o p\u00f4s em xeque a hist\u00f3ria de que Gal e Beth\u00e2nia estariam brigadas h\u00e1 anos. Gal desmente. E justifica a dist\u00e2ncia das duas a uma quest\u00e3o geogr\u00e1fica. \u201cA primeira de n\u00f3s quatro do Doces B\u00e1rbaros a fazer sucesso foi Beth\u00e2nia, logo em seguida Gil e Caetano e eu fui a \u00faltima. Desde que comecei a fazer sucesso, as pessoas fazem intriga entre n\u00f3s duas, dizem que a gente brigou. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria que a gente conhece e n\u00e3o leva nem a s\u00e9rio, porque n\u00e3o tem esse neg\u00f3cio de brigar. Me poupe.\u201d<\/p>\n<p>M\u00e3e, menina, mulher, figura libert\u00e1ria desde sempre, Gal fala tamb\u00e9m da uni\u00e3o das mulheres nas redes sociais. Ela conta que aderiu \u00e0 hashtag #EleN\u00e3o, em oposi\u00e7\u00e3o ao candidato a presidente Jair Bolsonaro. \u201c\u00c9 por causa da maneira como ele trata as mulheres, os gays, os negros\u201d, diz. \u201c\u00c9 uma atitude pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gal Costa senta-se no sof\u00e1. Iniciaria ali, naquela casa nos Jardins, em S\u00e3o Paulo, mais um dia de entrevistas sobre seu novo trabalho. O porte da cantora \u00e9 elegante, de diva. De repente, Gal est\u00e1 descal\u00e7a, muito confort\u00e1vel sem seus sapatos. 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