{"id":191807,"date":"2018-09-29T07:00:56","date_gmt":"2018-09-29T10:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=191807"},"modified":"2018-09-29T15:26:05","modified_gmt":"2018-09-29T18:26:05","slug":"deu-a-louca-nas-pesquisas-no-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/deu-a-louca-nas-pesquisas-no-df\/","title":{"rendered":"Deu a louca nas pesquisas eleitorais para o governo de Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>A (im) precis\u00e3o das pesquisas eleitorais na disputa pelo Governo do Distrito Federal est\u00e1 dando o que falar. E deixando o eleitor \u00e0 deriva. \u00c9 o que se conclui ap\u00f3s an\u00e1lise, por superficial que seja, nos levantamentos feitos por institui\u00e7\u00f5es distintas em universos e per\u00edodos iguais. Os n\u00fameros apontados por um e por outros s\u00e3o infinitamente distantes. Qual o motivo?<\/p>\n<p>Esse desencontro de dados tem virado motivo de chacota. E gerado memes que se espalham como erva daninha pelas redes sociais em dia de Ibope, Datafolha, Bigdata&#8230; &#8220;Hoje \u00e9 dia da Independ\u00eancia do Brasil, 7 de fevereiro. Mas, considerando a margem de erro dos institutos de pesquisa, feliz Ano Novo\u201d.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o \u00e9 tanta, que graduados cientistas pol\u00edticos n\u00e3o se atrevem a dar opini\u00e3o sobre os resultados de A ou B. Principalmente quando se aprofunda o distanciamento entre os resultados de um mesmo contingente do col\u00e9gio eleitoral.<\/p>\n<p>Avalia-se inconceb\u00edvel, por exemplo, que em um mesmo dia, dentro de uma mesma casa, a tabula\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros, se colocados na mesma panela, se transforme em \u00e1gua e \u00f3leo. N\u00e3o d\u00e3o liga e aumentam a desconfian\u00e7a. E nessa hora vale recordar manifesta\u00e7\u00e3o de Ciro Gomes: tem instituto que vende at\u00e9 a m\u00e3e. Resumindo: quem pagar mais, aparece na frente.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso dos cinco principais concorrentes ao Pal\u00e1cio do Buriti. Eliana Pedrosa, do Pros, navega tranquila em uma pesquisa. Em outra, d\u00e1 Ibaneis Rocha (MDB). E para surpresa geral, Rodrigo Rollemberg (PSB) passa Alberto Fraga (DEM) que se v\u00ea amea\u00e7ado por Rog\u00e9rio Rosso (PSD).<\/p>\n<p>Na ponta de baixo, em uma pesquisa, o General Paulo Chagas (PRP) e Alexandre Guerra (Novo) est\u00e3o tecnicamente empatados com o quinto colocado. Outro levantamento, por\u00e9m, faz os dois desabarem, ultrapassados por J\u00falio Miragaya (PT) ou mesmo F\u00e1tima Sousa (Psol).<\/p>\n<p>Como numa corrida de bigas, seria de supor que muita gente estivesse emparelhada. O que n\u00e3o se entende \u00e9 que uma carro\u00e7a puxada por cavalo xucro pare de capengar e saia l\u00e1 de atr\u00e1s para abrir a dianteira de uma reta, como impulsionado por uma dupla puro sangue de um b\u00f3lido da F\u00f3rmula 1.<\/p>\n<p>Fossem o universo e o per\u00edodo estudado diferentes, seria mais f\u00e1cil explicar esse fen\u00f4meno que tem provocado uma verdadeira loucura nos n\u00fameros dos institutos de pesquisa. Por\u00e9m, quando essas disparidades acontecem em curtos espa\u00e7os de tempo e com os mesmos eleitores pesquisados, o que acontece? O eleitor pode contar com pesquisas mais confi\u00e1veis no futuro?<\/p>\n<p>Al\u00e9m do preju\u00edzo de imagem que os institutos de pesquisa sofrem, as piadas revelam um cen\u00e1rio preocupante para o xadrez pol\u00edtico. As pesquisas servem de ferramenta de decis\u00e3o para eleitores, partidos e candidatos. \u00c9 comum que o cidad\u00e3o use os n\u00fameros para tomar decis\u00f5es cruciais. Mas, como o quadro se entregou ao Deus dar\u00e1, ao sabor dos ventos, fica dif\u00edcil confiar nesses levantamentos.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas 48 horas o eleitor brasiliense foi surpreendido com tr\u00eas pesquisas. Todas realizadas por institutos sediados em outras capitais. Os n\u00fameros n\u00e3o bateram. Foram uma aberra\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m entendeu nada. Muito menos \u2013 e a figura mais importante nesse cen\u00e1rio \u2013 o eleitor.<\/p>\n<p>Na noite desta sexta, 28, rep\u00f3rteres de <strong>Notibras<\/strong> foram \u00e0 Rodovi\u00e1ria do Plano Piloto fazer sua pr\u00f3pria pesquisa. Os n\u00fameros foram d\u00edspares, vindos de pessoas dos dois extremos do Distrito Federal. A ideia era conversar com eleitores para sentir o clima eleitoral. E ouvir do pr\u00f3prio povo sua opini\u00e3o acerca dos institutos de pesquisa. Mas, como tratou-se de uma consulta informal, fora das regras da Justi\u00e7a Eleitoral, os dados n\u00e3o podem ser divulgados.<\/p>\n<p>Os depoimentos, por\u00e9m, podem ser transcritos. Como o de Eleonora Silva, secret\u00e1ria executiva, 38 anos, casada, m\u00e3e de dois filhos. Ela tem uma vis\u00e3o clara sobre o processo eleitoral. E Eleonora, surpresa com os \u00faltimos n\u00fameros, diz que n\u00e3o condizem, segundo sua opini\u00e3o, com a realidade.<\/p>\n<p>\u201cNunca vi um funcion\u00e1rio dessas empresas de pesquisa na minha vida. Ali\u00e1s, n\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m que j\u00e1 foi entrevistado por algum desses institutos. Os nomes que de repente aparecem na imprensa como campe\u00f5es de voto nem de longe s\u00e3o os que eu escolheria\u201d, garante.<\/p>\n<p>Outro eleitor ouvido por <strong>Notibras<\/strong> foi o motorista Pedro Gon\u00e7alves, 42 anos, casado. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, as pesquisas s\u00e3o mentirosas. \u201cEu escuto a conversa das pessoas aqui no \u00f4nibus. Raramente algu\u00e9m fala o nome desses homens que aparecem como favoritos para governador. Tem algo errado com essas pesquisas. Tem algo errado com a pol\u00edtica\u201d, completa Pedro Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>A literatura dos processos eleitorais mostra erros ainda mais destacados no passado. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, por exemplo, feitas com eleitores logo ap\u00f3s o momento do voto, erraram ao estimar os resultados para dez candidatos \u2013 entre eles Dilma Rousseff (PT) e Anthony Garotinho (PR) \u2013 para mais \u2013, e A\u00e9cio Neves (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Rui Costa (PT) \u2013 para menos.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, ber\u00e7o da democracia moderna, um dos maiores erros de pesquisa dos \u00faltimos tempos tamb\u00e9m colocaram em xeque a validade dos institutos. A t\u00edtulo de recorda\u00e7\u00e3o, um respeitado instituto, o FiveThirtyEight, na v\u00e9spera de o americano ir \u00e0s urnas, apontou para o mundo que Hillary Clinton tinha 70% das inten\u00e7\u00f5es de voto e Donald Trump apenas 30%. O resultado disso \u00e9 sabido por todos.<\/p>\n<p>Na metodologia empregada por grandes institutos, seleciona-se um universo que costuma variar entre 2 mil e 3 mil pessoas. A amostragem apurada representa a diversidade do eleitorado, com crit\u00e9rios como sexo, idade, regi\u00e3o de resid\u00eancia e classe socioecon\u00f4mica. A partir da\u00ed os pesquisadores procuram indiv\u00edduos que preencham os crit\u00e9rios. Assim, a cada 100 pesquisas feitas, em 95 o resultado real deveria ficar dentro da margem de erro. Pode-se aumentar esse indicador com uma amostra maior ou mais refinada. Mesmo assim, as estat\u00edsticas n\u00e3o batem.<\/p>\n<p>Parece haver, contudo, uma luz no fim do t\u00fanel. A r\u00e1pida democratiza\u00e7\u00e3o da tecnologia pode fazer sumir a preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade das amostras. Nos Estados Unidos, os institutos fazem pesquisa enviando aleatoriamente mensagens para os celulares dos cidad\u00e3os. Assim, t\u00eam acesso a um grande n\u00famero de adultos. No Brasil, estamos perto disso: o percentual de adultos que t\u00eam celulares aumentou. Se o p\u00fablico for capaz de entender perguntas por escrito e respond\u00ea-las, \u00e9 de se esperar resultados de pesquisas mais fi\u00e9is \u00e0 realidade do momento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Talvez seja este o caminho para que os institutos deixem de ser motivo de piada \u2013 e para que o eleitor possa contar com pesquisas s\u00e9rias, isentas, para a tomada de decis\u00f5es, sem se deixar contaminar por candidatos que vivem da euforia \u00e0 beira de um ataque de nervos, fruto da loucura em que se transformou o levantamento de inten\u00e7\u00e3o de voto em Bras\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A (im) precis\u00e3o das pesquisas eleitorais na disputa pelo Governo do Distrito Federal est\u00e1 dando o que falar. E deixando o eleitor \u00e0 deriva. \u00c9 o que se conclui ap\u00f3s an\u00e1lise, por superficial que seja, nos levantamentos feitos por institui\u00e7\u00f5es distintas em universos e per\u00edodos iguais. 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