{"id":192575,"date":"2018-10-10T05:07:48","date_gmt":"2018-10-10T08:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=192575"},"modified":"2018-10-10T05:07:48","modified_gmt":"2018-10-10T08:07:48","slug":"a-comida-ta-engasgando-e-sintoma-da-ma-digestao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-comida-ta-engasgando-e-sintoma-da-ma-digestao\/","title":{"rendered":"A comida t\u00e1 engasgando? \u00c9 sintoma da m\u00e1 digest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Um levantamento in\u00e9dito da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gastroenterologia aponta que quase metade dos brasileiros sente algum sintoma de m\u00e1 digest\u00e3o, como refluxo, azia e tosse seca. A azia foi o sintoma mais relatado nas cinco regi\u00f5es do Pa\u00eds e o Nordeste apresentou mais relatos de sintomas, totalizando 48% das queixas. Os dados, segundo a entidade, ajudam a montar um perfil dessas doen\u00e7as com um recorte nacional e servir\u00e3o como base para o trabalho de especialistas da \u00e1rea.<\/p>\n<p>O levantamento considerou n\u00e3o s\u00f3 os sintomas, mas o impacto no dia a dia. &#8220;Atrapalha a qualidade de vida. Sab\u00edamos que era muito frequente, mas n\u00e3o t\u00ednhamos ideia de que quase metade da popula\u00e7\u00e3o apresentava (m\u00e1 digest\u00e3o) &#8211; e quem mais sofre s\u00e3o as mulheres. T\u00ednhamos o interesse em descobrir at\u00e9 para ajudar essa popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Fl\u00e1vio Quilici, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gastroenterologia.<\/p>\n<p>A pesquisa, realizada em junho, mostrou que os sintomas causam preju\u00edzos na vida pessoal e profissional para 93% dos entrevistados, que relataram sentir a qualidade do sono afetada (74%) e disseram que j\u00e1 apresentaram sintomas durante o hor\u00e1rio de trabalho (70%).<\/p>\n<p>Embora a azia, a sensa\u00e7\u00e3o de queima\u00e7\u00e3o no peito, tenha liderado entre os sintomas, ficando entre 88% e 90% das respostas, o refluxo, quando o conte\u00fado do est\u00f4mago volta para o es\u00f4fago e pode ser sentido na garganta, \u00e9 o problema que mais causa desconforto. Ele foi apontado por cinco em cada dez entrevistados entre os problemas que ocorrem semanalmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas, a pesquisa tamb\u00e9m destacou outras reclama\u00e7\u00f5es dos pacientes que nem sempre podem ser associadas a problemas de digest\u00e3o, como a tosse seca e o mau h\u00e1lito. &#8220;Conseguimos ver que alguns fatores correlatos, como o sobrepeso e o h\u00e1bito de fumar, pioram esses sintomas. E isso n\u00e3o escolhe classe social nem idade&#8221;, diz Quilici.<\/p>\n<p>Segundo ele, os dados permitem elaborar o perfil do paciente que tem problemas de m\u00e1 digest\u00e3o no Pa\u00eds. &#8220;\u00c9 mulher, jovem e com sobrepeso &#8211; e, talvez, fumante. A mulher se preocupa mais com a sa\u00fade, mas os casos s\u00e3o mais frequentes entre elas. N\u00e3o deve ser alimentar, porque o homem se alimenta pior. A mulher \u00e9 mais sobrecarregada no ponto de vista social, ela trabalha e \u00e9 mais importante no comando da vida familiar, porque trabalha diretamente na sua casa, na manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de vida da fam\u00edlia. Com os filhos, se preocupa desde ensinar a falar at\u00e9 a escola. Ela \u00e9 muito mais sobrecarregada em responsabilidades do que o homem.&#8221;<\/p>\n<p>Em agosto, a enfermeira Larissa Rodrigues de Oliveira, de 25 anos, recebeu um diagn\u00f3stico de refluxo. Ela procurou ajuda m\u00e9dica ap\u00f3s medicar-se com anti\u00e1cido, rem\u00e9dios para a garganta e o est\u00f4mago, e n\u00e3o melhorar. &#8220;Estava sentindo muita queima\u00e7\u00e3o, principalmente quando acordava, engasgando. Tomei bastante anti\u00e1cido, mas n\u00e3o estava resolvendo nada. Era uma queima\u00e7\u00e3o que parecia que a garganta estava inflamada, j\u00e1 cheguei a tratar pensando que era inflama\u00e7\u00e3o, gastrite.&#8221;<\/p>\n<p>Larissa tamb\u00e9m tem sintomas de azia e acredita que seu problema de sa\u00fade est\u00e1 ligado aos h\u00e1bitos. &#8220;No meu caso, tem rela\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o, porque sempre me alimentei mal, nunca fui regrada nem comia nada saud\u00e1vel. Fumo h\u00e1 um ano, mas j\u00e1 diminu\u00ed bastante, \u00e9 mais nos fins de semana.&#8221;<\/p>\n<p>Agora, est\u00e1 tentando ter uma nova rotina e tamb\u00e9m perder peso, outro fator que contribui para reduzir os sintomas do refluxo. &#8220;Perdi 24 quilos e ainda quero perder mais oito. Mudei a minha alimenta\u00e7\u00e3o, comecei a comer mais frutas e estou tentando diminuir as frituras, que era algo que eu comia quatro, cinco vezes por semana.&#8221;<\/p>\n<p>Alimentos fritos ou gordurosos e refrigerantes lideram entre os produtos que desencadeiam os sintomas de m\u00e1 digest\u00e3o. De acordo com Quilici, os h\u00e1bitos justificam as diferen\u00e7as regionais, considerando que o Nordeste lidera as queixas. &#8220;Sem d\u00favida, tem o clima. Sabe-se do h\u00e1bito das pessoas que vivem na regi\u00e3o equatorial de comer e descansar para fazer a digest\u00e3o. Al\u00e9m disso, tem uma comida pesada, condimentada, com alimentos mais secos, como a farinha.&#8221;<\/p>\n<p>Ele afirma que, com os dados divididos por regi\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel oferecer um atendimento mais espec\u00edfico aos pacientes. &#8220;Essa pesquisa trouxe para a gente base cient\u00edfica. A federa\u00e7\u00e3o tem uma sociedade em cada Estado. Poderemos fazer um trabalho regionalizado, porque falamos em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica diferente e um clima diferente em cada regi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Uma altera\u00e7\u00e3o na voz come\u00e7ou a incomodar o economista e professor aposentado Frederico Mazzucchelli, de 71 anos, h\u00e1 cinco anos. Como sempre usou muito a voz, dando aulas e cantando em uma banda de rock e samba, acreditou que seu problema poderia ser resolvido por um otorrinolaringologista. &#8220;Nunca tratei adequadamente. Fazia exames nas cordas vocais e aparecia uma irrita\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo m\u00eas, piorou. Fiz quatro exames no otorrino e fui no gastro. Ele falou que isso era consequ\u00eancia do refluxo e tinha de atacar o problema pela raiz.&#8221;<\/p>\n<p>Ele conta que n\u00e3o tem os sintomas cl\u00e1ssicos, como a sensa\u00e7\u00e3o de que o conte\u00fado do est\u00f4mago est\u00e1 voltando, e nunca imaginou que poderia ter refluxo. &#8220;Para mim, \u00e9 s\u00f3 na voz que tem as manifesta\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 chato, desagrad\u00e1vel. Tenho ensaiado, mas n\u00e3o tenho cantado. Isso me causa frustra\u00e7\u00e3o. Espero que melhore, porque achava a minha voz o m\u00e1ximo.&#8221;<\/p>\n<p>Mazzucchelli foge do padr\u00e3o da pesquisa. Tem h\u00e1bitos saud\u00e1veis, evita frituras e, tr\u00eas vezes por semana, faz caminhada, muscula\u00e7\u00e3o e alongamento. Al\u00e9m do tratamento indicado pelo gastroenterologista, inclinou a cama em 15 cent\u00edmetros. &#8220;Estou me tratando. No limite, existe uma cirurgia que corrige isso. O m\u00e9dico pediu para eu tomar o rem\u00e9dio por dois meses para ver como fica.&#8221;<\/p>\n<p>Gastroenterologista cl\u00ednico do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (HC-FMUSP), Ricardo Barbuti diz que, independentemente da queixa, o paciente deve manter h\u00e1bitos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;A dieta tem de ser equilibrada. Os exerc\u00edcios s\u00e3o importantes para ter um funcionamento saud\u00e1vel da parte digestiva. Essas doen\u00e7as t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com maus h\u00e1bitos, com o uso excessivo de medicamentos.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, at\u00e9 a internet pode ser um inimigo. &#8220;Porque as pessoas tomam medicamentos (usando consultas \u00e0 web), sem respaldo cient\u00edfico, e retardam a vinda ao m\u00e9dico, o que pode fazer com que demorem a receber o tratamento adequado e com que a doen\u00e7a evolua.&#8221;<\/p>\n<p>O gastroenterologista alerta para o uso indiscriminado de anti-inflamat\u00f3rios. &#8220;Eles podem lesar o est\u00f4mago, provocar sangramentos e n\u00e3o precisa tomar por muito tempo. E a les\u00e3o ocorre independentemente da via, oral ou intravenosa.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, ao ter os sintomas, 45% dos consultados se medicam &#8211; 52% tomam anti\u00e1cido. Entre as justificativas para n\u00e3o ir ao m\u00e9dico, aparecem: n\u00e3o achei necess\u00e1rio (30%), melhorei (26%) e n\u00e3o costumo ir (21%).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um levantamento in\u00e9dito da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gastroenterologia aponta que quase metade dos brasileiros sente algum sintoma de m\u00e1 digest\u00e3o, como refluxo, azia e tosse seca. A azia foi o sintoma mais relatado nas cinco regi\u00f5es do Pa\u00eds e o Nordeste apresentou mais relatos de sintomas, totalizando 48% das queixas. 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