{"id":192927,"date":"2018-10-14T11:50:48","date_gmt":"2018-10-14T14:50:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=192927"},"modified":"2018-10-15T08:18:32","modified_gmt":"2018-10-15T11:18:32","slug":"portas-abertas-para-a-maconha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/portas-abertas-para-a-maconha\/","title":{"rendered":"Mercado brasileiro est\u00e1 pronto para abrir as portas para a maconha"},"content":{"rendered":"<p>O mercado da maconha sempre foi rent\u00e1vel &#8211; mas ilegal. No continente americano, um dos primeiros pa\u00edses a mudar as regras foi o Uruguai, que regulamentou a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o da cannabis em 2013. Canad\u00e1, Col\u00f4mbia, Peru, M\u00e9xico e mais de 20 Estados americanos tamb\u00e9m alteraram as legisla\u00e7\u00f5es, cada um com suas particularidades, a favor do com\u00e9rcio legal da droga. O resultado foi o surgimento de novos neg\u00f3cios promissores.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a Tilray, empresa canadense cujo capital foi aberto em julho. Suas a\u00e7\u00f5es se valorizaram 500% em apenas dois meses. Atualmente, cerca de 50 companhias do setor t\u00eam a\u00e7\u00f5es listadas em Bolsa, com \u00edndices publicados na plataforma online New Cannabis Ventures. Esse aquecimento do mercado est\u00e1 atraindo brasileiros a abrir novas empresas no exterior e tamb\u00e9m no Pa\u00eds, onde esperam uma poss\u00edvel mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma dessas empresas \u00e9 a VerdeMed Cannabis Latino Am\u00e9rica, que fez no m\u00eas passado sua primeira chamada de investidores. Os s\u00f3cios t\u00eam planos de aplicar US$ 20 milh\u00f5es em dois anos. Metade dessa quantia seria investida na opera\u00e7\u00e3o nacional e o restante em outras pra\u00e7as da Am\u00e9rica Latina. &#8220;At\u00e9 2022, pretendemos atingir US$ 80 milh\u00f5es em investimentos&#8221;, diz o presidente da empresa, Jos\u00e9 Bacellar, de 53 anos, ex-presidente da Bombril.<\/p>\n<p>No Brasil, o com\u00e9rcio da maconha \u00e9 ilegal. \u00c9 permitido apenas o uso do canabidiol (CBD), subst\u00e2ncia extra\u00edda do \u00f3leo da cannabis, um rem\u00e9dio para o tratamento de doen\u00e7as como epilepsia infantil. A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) permite a importa\u00e7\u00e3o individual direta por pacientes cadastrados com prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. \u00c9 um processo lento e caro. Um paciente com epilepsia gasta R$ 3 mil por m\u00eas, em m\u00e9dia. Estima-se que o pre\u00e7o do produto nacional seria 20% disso.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora apenas um medicamento foi registrado para ser comercializado nacionalmente, o Mevatyl (spray) &#8211; conhecido no exterior como Sativex. Formulado \u00e0 base de CBD e de tetraidocanabidiol (THC) &#8211; subst\u00e2ncia que causa euforia -, ele \u00e9 usado no tratamento de esclerose m\u00faltipla. \u00c9 nesses segmentos, de comercializa\u00e7\u00e3o e registro de novos rem\u00e9dios, que a VerdeMed pretende atuar.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria-prima, o CBD, sair\u00e1 da Col\u00f4mbia, onde a empresa tem produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, direto para o Canad\u00e1, pa\u00eds que a partir de 17 outubro ser\u00e1 o primeiro do G-7 a aprovar o uso recreativo da maconha. L\u00e1 funcionam a sede e o laborat\u00f3rio da VerdeMed. O Brasil receber\u00e1 o rem\u00e9dio pronto. &#8220;A VerdeMed fabricar\u00e1 o CBD para tratamento de epilepsia infantil e o Nabiximol para reduzir os espasmos musculares ligados aos dist\u00farbios neurol\u00f3gicos&#8221;, diz Bacellar.<\/p>\n<p>Para que isso aconte\u00e7a, a empresa ainda ter\u00e1 de registrar os medicamentos na Anvisa. &#8220;Mesmo que o processo burocr\u00e1tico demore um pouco, o neg\u00f3cio j\u00e1 \u00e9 sustent\u00e1vel apenas com a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo na Col\u00f4mbia&#8221;, diz o gerente nacional da empresa, Nelson Margarido.<\/p>\n<p>Mercado reprimido &#8211; &#8220;O Brasil tem hoje uma demanda reprimida na \u00e1rea, isso falando apenas de medicamentos&#8221;, afirma Alan Vendrame, coordenador do curso de Direito do Ibmec e doutor em Sa\u00fade P\u00fablica pela Universidade de Connecticut. &#8220;Uma s\u00e9rie de doen\u00e7as pode ser beneficiada pelo uso de medicamento \u00e0 base de maconha. H\u00e1 pesquisas cient\u00edficas aos borbot\u00f5es que comprovam efici\u00eancia principalmente em doen\u00e7as cr\u00f4nicas.&#8221;<\/p>\n<p>O custo do processo produtivo, segundo ele, \u00e9 baixo. &#8220;Um grama de \u00f3leo de maconha custa R$ 3 para o fabricante, se for cultivo pr\u00f3prio. Isso explica os altos \u00edndices de rentabilidade do mercado&#8221;, diz Vendrame.<\/p>\n<p>&#8220;Nenhum outro investimento apresenta rentabilidade t\u00e3o alta&#8221;, acrescenta o advogado Caio dos Santos Abreu, da Entourage Phytolab, de pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de medicamentos desenvolvidos a partir de subst\u00e2ncias de cannabis, de Valinhos, interior de S\u00e3o Paulo. &#8220;Em tr\u00eas anos, a Entourage valorizou mais de 30 vezes&#8221;, diz Abreu. Ou seja, uma m\u00e9dia de dez vezes ao ano, como estimam os s\u00f3cios da VerdeMed.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rico &#8211; Abreu despertou para as propriedades terap\u00eauticas da maconha, quando a m\u00e3e dele teve c\u00e2ncer. A vaporiza\u00e7\u00e3o da erva ajudava a amenizar as dores e a falta de apetite provocados pela doen\u00e7a. Em 2009, ela faleceu.<\/p>\n<p>Seis anos depois, a Anvisa tirou o CBD da lista de psicotr\u00f3picos proibidos. Nessa \u00e9poca, Abreu teve a ideia de montar uma empresa de pesquisa. Conseguiu um s\u00f3cio de peso, a canadense Canopy Growth, fundada em 2014 e hoje l\u00edder mundial do setor de maconha medicinal. A empresa, que tem a\u00e7\u00f5es negociadas na Bolsa de Nova York e est\u00e1 avaliada em mais de R$ 50 bilh\u00f5es, investiu US$ 700 mil na brasileira. No m\u00eas passado, um investidor brasileiro aportou mais US$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Paralelamente, a canadense anunciou a abertura da Canopy Latam, que pode vir a ser a maior empresa de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos de maconha. Comandada pelo brasileiro Ant\u00f4nio Droghetti, o bra\u00e7o latino-americano come\u00e7ou as atividades no Chile e na Col\u00f4mbia, mas tamb\u00e9m est\u00e1 de olho no potencial do mercado brasileiro.<\/p>\n<p>&#8216;Ch\u00e1 a base de canabidiol&#8217; &#8211; Os irm\u00e3os mineiros Thiago e Jos\u00e9 Felipe Carneiro, ambos de 36 anos, levaram a experi\u00eancia adquirida no mercado de cerveja artesanal brasileiro para a Calif\u00f3rnia, onde montaram uma empresa de ch\u00e1s em sach\u00ea \u00e0 base de canabidiol, subst\u00e2ncia extra\u00edda do \u00f3leo da maconha. Investiram US$ 3 milh\u00f5es no projeto<\/p>\n<p>Em 2015, os dois haviam transformado a tradicional cervejaria de chope da fam\u00edlia em uma marca artesanal jovem de sucesso. Naquele ano nascia a W\u00e4ls, empresa que arrebatou o mercado de bebidas nacional e foi comprada pela Ambev. Os s\u00f3cios n\u00e3o divulgaram o valor da negocia\u00e7\u00e3o, mas a empresa faturava cerca de R$ 9 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2018, a Calif\u00f3rnia, sexto Estado americano a legalizar a cannabis, autorizou a venda de produtos da maconha para pessoas com mais de 21 anos. Quando isso aconteceu, j\u00e1 havia 50 empresas rec\u00e9m-licenciadas esperando para atender o mercado.<\/p>\n<p>Nesse movimento, os irm\u00e3os Carneiro come\u00e7aram a montar a nova f\u00e1brica de ch\u00e1s. &#8220;At\u00e9 o fim do ano lan\u00e7aremos nossos produtos&#8221; afirma Jos\u00e9 Felipe. &#8220;Est\u00e1 tudo pronto. Mas ainda faltam licen\u00e7as Algumas custaram US$ 300 mil. Nos Estados Unidos, a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 dura.&#8221;<\/p>\n<p>Equil\u00edbrio &#8211; &#8220;Apesar de muita pol\u00eamica, a experi\u00eancia no Estado do Colorado mostra que a regulamenta\u00e7\u00e3o tem um impacto positivo na economia e na sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, diz Alan Vendrame, coordenador do curso de Direito do Ibmec e doutor em Sa\u00fade P\u00fablica pela Universidade de Connecticut. &#8220;Em 2014, ano da legaliza\u00e7\u00e3o, a arrecada\u00e7\u00e3o dos setor foi de US$ 50 milh\u00f5es. O valor superou o teto que o governo poderia recolher, sem restituir aos contribuintes. Ent\u00e3o, cada cidad\u00e3o recebeu de volta cerca de US$ 10&#8221;, conta o professor. No Colorado, 15% da arrecada\u00e7\u00e3o vai para a educa\u00e7\u00e3o, 10% para a sa\u00fade p\u00fablica, e o restante para o er\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Esse mercado ainda est\u00e1 muito desbalanceado. E, por isso, as cifras s\u00e3o t\u00e3o altas&#8221;, acrescenta F\u00e1bio Lampugnani, da UPF Consulting, contratada para levantar capital para a VerdeMed, empresa de s\u00f3cios brasileiros que est\u00e1 entrando nesse mercado. &#8220;N\u00e3o se trata de uma bolha, mas de um mercado ainda n\u00e3o explorado que tende a se equilibrar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>J\u00e1 outras medidas propostas por Haddad t\u00eam o apoio de especialistas, como o controle de armas de fogo e concentrar o uso das pol\u00edcias no ataque a crimes violentos, al\u00e9m do combate \u00e0 lavagem de dinheiro do crime organizado. &#8220;Mas o PT esteve 13 anos no poder e n\u00e3o as p\u00f4s em pr\u00e1tica&#8221;, diz Kahn.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado da maconha sempre foi rent\u00e1vel &#8211; mas ilegal. 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