{"id":194590,"date":"2018-11-04T08:32:22","date_gmt":"2018-11-04T10:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=194590"},"modified":"2018-11-04T08:32:22","modified_gmt":"2018-11-04T10:32:22","slug":"cuidador-de-idoso-uma-profissao-rentavel-que-cresce-muito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cuidador-de-idoso-uma-profissao-rentavel-que-cresce-muito\/","title":{"rendered":"Cuidador de idoso, uma profiss\u00e3o rent\u00e1vel que cresce muito"},"content":{"rendered":"<p>Desde que se formou no ensino m\u00e9dio, Sheldon Patrick dos Santos, de 28 anos, sempre trabalhou com vendas ou eventos. H\u00e1 um ano, insatisfeito com o tipo de trabalho que desempenhava e com a baixa remunera\u00e7\u00e3o, decidiu mudar o rumo da carreira. Matriculou-se em um curso de cuidador de idosos e se apaixonou pela \u00e1rea. &#8220;Sempre gostei de trabalhar com idosos e vi que essa profiss\u00e3o estava em alta&#8221;, conta. A aposta deu certo. Santos j\u00e1 saiu do curso empregado. Foi contratado por uma casa de repouso da zona sul da capital paulista.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do jovem vem se tornando cada vez mais comum, sema em S\u00e3o Paulo, Bras\u00edlia ou outras grandes cidades do Pa\u00eds. Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira em ritmo acelerado, a ocupa\u00e7\u00e3o de cuidador de idoso foi a que mais cresceu no Pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada entre 2,6 mil profiss\u00f5es pesquisadas pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE).<\/p>\n<p>O balan\u00e7o, feito pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), com base em dados do minist\u00e9rio, mostra que o n\u00famero de profissionais do tipo passou de 5.263 em 2007 para 34.051 em 2017, alta de 547%.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo com o desempenho ruim da economia nos \u00faltimos anos, essa ocupa\u00e7\u00e3o cresce porque h\u00e1 cada vez mais idosos no Pa\u00eds e porque \u00e9 um servi\u00e7o de sa\u00fade, os \u00faltimos a serem cortados em cen\u00e1rio de crise. As fam\u00edlias sacrificam outro tipo de consumo, mas mant\u00eam os cuidados com a sa\u00fade&#8221;, explica Fabio Bentes, economista-chefe do CNC. &#8220;Os dados do MTE n\u00e3o consideram trabalhadores informais, somente os com registro em carteira ou estatut\u00e1rios. Mas deve ter muita gente atuando nessa \u00e1rea na informalidade&#8221;, opina o especialista.<\/p>\n<p>O crescimento e a formaliza\u00e7\u00e3o desse mercado esbarram na falta de regulamenta\u00e7\u00e3o e na ainda escassa capacita\u00e7\u00e3o adequada dos profissionais. Como a ocupa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi regulamentada como uma profiss\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 regras claras sobre a forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima que deveria ser exigida nem qual seria o conte\u00fado obrigat\u00f3rio dos cursos.<\/p>\n<p>Um projeto de lei tramita na C\u00e2mara para criar e regulamentar a profiss\u00e3o de cuidador n\u00e3o s\u00f3 de idosos, mas de crian\u00e7as e de pessoas com defici\u00eancia ou doen\u00e7a rara. Ele aguarda designa\u00e7\u00e3o do relator. H\u00e1 tamb\u00e9m um projeto de lei do Senado para determinar as atribui\u00e7\u00f5es de quem desempenha essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem a regulamenta\u00e7\u00e3o, as atribui\u00e7\u00f5es e o perfil de quem desempenha essa tarefa est\u00e3o descritos apenas na Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es (CBO). A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que devem ser contratados maiores de idade, que fizeram cursos livres entre 80 e 160 horas e que demonstrem empatia e paci\u00eancia. Entre as atribui\u00e7\u00f5es est\u00e3o ajudar nas atividades di\u00e1rias, observar o comportamento e estimular a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;O cuidador deve ficar atento \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e ao risco de queda e tem de saber lidar com situa\u00e7\u00f5es da vida de um idoso, que pode estar confuso, ter dificuldade para caminhar. Ele n\u00e3o deve infantilizar o idoso. Pode ajud\u00e1-lo a se vestir, mas n\u00e3o assumir a fun\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Carlos Andr\u00e9 Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.<\/p>\n<p>Muito ativo e com h\u00e1bitos saud\u00e1veis durante toda a vida, o representante comercial aposentado Joseph Cesar Sassoon, hoje com 93 anos, tentou manter, mesmo na terceira idade, a autonomia e a independ\u00eancia dos anos em que era mais jovem. Aos 90 anos, ainda dirigia, passeava pelas ruas do bairro onde mora e ia ao clube.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, h\u00e1 tr\u00eas anos, o idoso sofreu uma queda em casa e, sem conseguir se levantar sozinho, ficou horas naquela situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 um familiar o encontrar. &#8220;Ele ficou l\u00e1, ca\u00eddo, sem conseguir pedir ajuda. Levamos para o hospital, ele acabou desenvolvendo uma pneumonia e ficou uma semana internado. Naquele momento vimos que n\u00e3o pod\u00edamos mais deix\u00e1-lo sozinho&#8221;, conta o engenheiro Cesar Sassoon, de 62 anos, filho de Joseph.<\/p>\n<p>Foi a partir da\u00ed que o aposentado passou a contar com cuidadores 24 horas por dia. Eles o auxiliam nas refei\u00e7\u00f5es, no banho, na hora de tomar rem\u00e9dios e nos passeios pelo bairro. &#8220;Eu gosto muito de passear, gosto de caminhar no sol. Se eu n\u00e3o tivesse algu\u00e9m para ir comigo, eu n\u00e3o poderia caminhar sozinho e ficaria s\u00f3 dentro de casa. Eu me sinto mais sossegado por eles estarem aqui&#8221;, comenta o aposentado.<\/p>\n<p>A companhia das caminhadas di\u00e1rias \u00e9 a cuidadora do per\u00edodo diurno, Luciana Silvia de Souza Nery, de 35 anos, que trabalha na casa de Joseph h\u00e1 um ano. &#8220;Uma das coisas mais importantes \u00e9 tentar manter o idoso ativo, conversar bastante com ele, entender os gostos e manias. Tem de saber ouvir&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Para os filhos de Joseph, que moram na regi\u00e3o, mas que n\u00e3o podem ficar em per\u00edodo integral com o pai por compromissos profissionais, a presen\u00e7a de um cuidador de confian\u00e7a na casa do pai traz tranquilidade. &#8220;Apesar de ele n\u00e3o ter nenhuma doen\u00e7a s\u00e9ria e estar l\u00facido, ele tem limita\u00e7\u00f5es de locomo\u00e7\u00e3o e defici\u00eancia auditiva. Ent\u00e3o n\u00f3s tamb\u00e9m ficamos mais sossegados de saber que tem algu\u00e9m dando esse apoio&#8221;, diz Cesar.<\/p>\n<p>Mesmo sentimento tem a professora Maria Luiza Camargo Fleury de Oliveira, de 59 anos, que contratou cuidadoras para a m\u00e3e, Therezinha, de 88. &#8220;Elas s\u00e3o meu bra\u00e7o direito. Sabem tudo da rotina da minha m\u00e3e, mandam mensagem para a geriatra quando t\u00eam d\u00favidas, est\u00e3o sempre em contato comigo e com os meus irm\u00e3os. Se aparecer uma manchinha nova no corpo da minha m\u00e3e, elas v\u00e3o saber&#8221;, conta Maria Luiza, que optou pelo servi\u00e7o tamb\u00e9m por n\u00e3o ter disponibilidade integral para os cuidados que a m\u00e3e necessitava.<\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e perdeu a vis\u00e3o por causa do diabete e tem Alzheimer e Parkinson. Meu irm\u00e3o mora fora de S\u00e3o Paulo e eu e minha irm\u00e3 trabalhamos o dia inteiro. N\u00e3o daria para deix\u00e1-la sozinha nessas condi\u00e7\u00f5es&#8221;, relata ela, que diz que \u00e9 preciso analisar com cuidado o perfil do profissional a ser contratado. &#8220;J\u00e1 tivemos outras cuidadoras que n\u00e3o deram certo. Uma delas maltratava a minha m\u00e3e. As que est\u00e3o conosco agora vieram por indica\u00e7\u00e3o de outras pessoas e j\u00e1 est\u00e3o aqui h\u00e1 quatro anos. Agora tenho tranquilidade e confian\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Com a demanda crescente por cuidadores, tem aumentado tamb\u00e9m o n\u00famero de pessoas que buscam cursos na \u00e1rea. A Central Nacional Unimed come\u00e7ou a oferecer curso gratuito de cuidador em 2014, com 22 vagas. Em 2018, o n\u00famero de postos oferecidos saltou para mais de 600 e, mesmo assim, a expans\u00e3o n\u00e3o foi suficiente.<\/p>\n<p>&#8220;Foram 5 mil inscritos. Ofertar esse curso \u00e9 necess\u00e1rio porque h\u00e1 muitas pessoas trabalhando na \u00e1rea sem a capacita\u00e7\u00e3o adequada Entre nossos participantes, 30% j\u00e1 atuavam na \u00e1rea mesmo antes do curso&#8221;, diz Alexandre Ruschi, presidente da entidade. &#8220;No sistema Unimed, temos promovido mudan\u00e7as na assist\u00eancia para oferecer mais a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e a capacita\u00e7\u00e3o do cuidador vai nessa linha.&#8221; Segundo Ruschi, 70% dos alunos saem do curso empregados.<\/p>\n<p>No Senac-SP, a demanda tamb\u00e9m \u00e9 grande. Desde 2009, 9 mil profissionais j\u00e1 se formaram. A montagem da grade levou em considera\u00e7\u00e3o as orienta\u00e7\u00f5es contidas na Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es (CBO), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE). Embora o cuidador n\u00e3o possa realizar procedimentos invasivos, como aplicar inje\u00e7\u00f5es, a parte de sa\u00fade tamb\u00e9m \u00e9 inclu\u00edda no curso.<\/p>\n<p>&#8220;Precisa dar conta das quest\u00f5es de sa\u00fade e emocionais e trabalhar para que o idoso seja inserido no contexto social, com atividades que ele gosta. Tem de ajudar, mas desenvolvendo a independ\u00eancia&#8221;, diz a geront\u00f3loga Karen Elise de Campos, professora do Senac-SP.<\/p>\n<p>Na Cruz Vermelha de S\u00e3o Paulo, o n\u00famero de formados quase quadruplicou nos \u00faltimos dez anos, passando de 102 em 2008 para 401 neste ano. &#8220;A sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para o cuidador entender por que o idoso age daquele forma. O curso \u00e9 pertinente para quem quer atuar na \u00e1rea e para a fam\u00edlia&#8221;, conta M\u00e1rcio Jos\u00e9 da Silva, especialista em gerontologia e coordenador do curso.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Karen, o perfil de interessados pela forma\u00e7\u00e3o mudou. &#8220;Antes, eram mulheres de meia idade, que estavam voltando para o mercado. Hoje, recebemos pessoas com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, assistentes sociais, estudantes de Enfermagem e de Fisioterapia &#8221;<\/p>\n<p>Dados do MTE mostram que, de fato, os cuidadores hoje t\u00eam n\u00edvel de escolaridade maior do que h\u00e1 dez anos. Em 2007, 63,2% deles n\u00e3o tinham nem ensino m\u00e9dio completo. No ano passado, esse \u00edndice caiu para 25,1%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que se formou no ensino m\u00e9dio, Sheldon Patrick dos Santos, de 28 anos, sempre trabalhou com vendas ou eventos. 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