{"id":194995,"date":"2018-11-10T00:52:45","date_gmt":"2018-11-10T02:52:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=194995"},"modified":"2018-11-10T08:55:59","modified_gmt":"2018-11-10T10:55:59","slug":"cerca-eletronica-da-policia-ajuda-a-combater-crimes-virtuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cerca-eletronica-da-policia-ajuda-a-combater-crimes-virtuais\/","title":{"rendered":"&#8216;Cerca eletr\u00f4nica&#8217; da pol\u00edcia ajuda a combater crimes virtuais"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras do segundo turno, um eleitor de Itaquera, zona leste de S\u00e3o Paulo, decidiu publicar uma mensagem no Facebook: &#8220;Vou matar todos os fascistas na minha zona eleitoral&#8221;. Pouco depois, a amea\u00e7a foi detectada pelo delegado Guilherme Caselli, que atua em setor de Intelig\u00eancia da Pol\u00edcia Civil, monitorando redes sociais.<\/p>\n<p>Com base em dados dispon\u00edveis na rede, os investigadores conseguiram levantar outras informa\u00e7\u00f5es, como o endere\u00e7o do internauta. A delegacia da \u00e1rea foi acionada. No dia da vota\u00e7\u00e3o, o rapaz foi monitorado de perto. Compareceu \u00e0 urna e saiu sem atacar ningu\u00e9m. Se tivesse tentado, havia policiais preparados para evitar o crime.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio ilustra, na pr\u00e1tica, a aplica\u00e7\u00e3o de uma t\u00e9cnica que tem sido usada pela Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo para prevenir delitos e mapear suspeitos: a &#8220;cerca eletr\u00f4nica&#8221;. O m\u00e9todo, tamb\u00e9m chamado de coleta em fonte aberta, permite acompanhar, em tempo real, informa\u00e7\u00f5es de redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter.<\/p>\n<p>Para isso, os agentes usam filtros de geolocaliza\u00e7\u00e3o, delimitando uma \u00e1rea espec\u00edfica, ou por palavras-chave, as tags. Nesse caso, se alguma postagem contiver um dos termos selecionados (&#8220;assalto&#8221;, &#8220;tiro&#8221;, &#8220;arma de fogo&#8221;, por exemplo), o policial recebe um alerta. &#8220;N\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo intrusivo, a coleta \u00e9 feita com informa\u00e7\u00f5es que os pr\u00f3prios usu\u00e1rios disponibilizam&#8221;, explica Caselli. &#8220;A grande t\u00e9cnica \u00e9 conseguir \u2018minerar\u2019 as informa\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Na capital, a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP) tem um n\u00facleo de intelig\u00eancia que, entre as suas atribui\u00e7\u00f5es, monitora publica\u00e7\u00f5es na internet. J\u00e1 Caselli integra a equipe da delegacia de Jacare\u00ed, no Vale do Para\u00edba. &#8220;Hoje, a informa\u00e7\u00e3o de um crime chega mais r\u00e1pido na rede social do que na delegacia&#8221;, afirma. &#8220;Se vejo um popular postando sobre um roubo na rua dele, imediatamente consigo acionar a Pol\u00edcia Militar.&#8221;<\/p>\n<p>O delegado vai abordar o tema no F\u00f3rum Nacional da Intelig\u00eancia Aplicada para o Combate \u00e0 Criminalidade (IACC), que ocorrer\u00e1 na segunda e na ter\u00e7a-feira, em S\u00e3o Paulo. A iniciativa \u00e9 de sindicatos e associa\u00e7\u00f5es de delegados das Pol\u00edcias Civil e Federal de S\u00e3o Paulo. O evento tamb\u00e9m vai discutir combate a crime organizado, corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro, al\u00e9m de novas tecnologias de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Aplica\u00e7\u00f5es &#8211; Informa\u00e7\u00f5es de redes sociais servem, ainda, para outras fases da atividade policial, entre elas na identifica\u00e7\u00e3o de autores de crimes. Neste ano, por exemplo, investigadores do 14.\u00ba Distrito Policial (Pinheiros) conseguiram obter mandado de pris\u00e3o contra um suspeito de praticar uma s\u00e9rie de assaltos na Vila Ol\u00edmpia, ap\u00f3s cruzar filmagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a com fotos dele no Facebook. Nas imagens, ele estaria com as mesmas roupas, segundo investigadores.<\/p>\n<p>Para Rafael Velasquez, gerente regional da TechBiz Forense Digital, empresa especializada em tecnologia contra cibercrimes, o uso desses dados \u00e9 uma tend\u00eancia &#8220;irrevers\u00edvel&#8221;. &#8220;Na Inglaterra, h\u00e1 estudo que aponta que 85% das investiga\u00e7\u00f5es envolvem informa\u00e7\u00f5es digitais&#8221;, diz. &#8220;Hoje, h\u00e1 celulares apreendidos com 80 mil fotos. Parte do desafio da pol\u00edcia \u00e9 analisar esses dados, trabalho que, sem aplica\u00e7\u00e3o de tecnologia adequada, pode durar meses.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 para extrair dados restritos, como mensagens de WhatsApp, \u00e9 preciso de autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. Foi assim que a pol\u00edcia descobriu os autores do crime contra a policial militar Juliane Duarte, morta em Parais\u00f3polis, em agosto.<\/p>\n<p>Outro caso emblem\u00e1tico \u00e9 o da chacina de Osasco e Barueri, ocorrida em 2015. Em mar\u00e7o, o Tribunal do J\u00fari condenou um dos r\u00e9us, o PM Victor Cristilder, a 119 anos de pris\u00e3o: a principal prova contra ele era uma troca de &#8220;joinhas&#8221; no WhatsApp em horas que coincidiam com o in\u00edcio e o fim dos ataques.<\/p>\n<p>As mensagens haviam sido apagadas do aparelho, mas foram recuperadas pela pol\u00edcia. A defesa recorreu da senten\u00e7a, sob argumento de que a prova havia sido produzida sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial. Recentemente, uma procuradora de Justi\u00e7a recomendou que o PM seja a absolvido em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras do segundo turno, um eleitor de Itaquera, zona leste de S\u00e3o Paulo, decidiu publicar uma mensagem no Facebook: &#8220;Vou matar todos os fascistas na minha zona eleitoral&#8221;. Pouco depois, a amea\u00e7a foi detectada pelo delegado Guilherme Caselli, que atua em setor de Intelig\u00eancia da Pol\u00edcia Civil, monitorando redes sociais. Com base em dados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":194996,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-194995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194995"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":194997,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194995\/revisions\/194997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}