{"id":195425,"date":"2018-11-15T09:34:09","date_gmt":"2018-11-15T11:34:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=195425"},"modified":"2018-11-15T15:20:50","modified_gmt":"2018-11-15T17:20:50","slug":"calote-de-17-bi-da-venezuela-cuba-e-mocambique-preocupa-o-bndes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/calote-de-17-bi-da-venezuela-cuba-e-mocambique-preocupa-o-bndes\/","title":{"rendered":"Calote de 1,7 bi da Venezuela, Cuba e Mo\u00e7ambique preocupa o BNDES"},"content":{"rendered":"<p>Venezuela, Mo\u00e7ambique e Cuba devem R$ 1,7 bilh\u00e3o (US$ 459,2 milh\u00f5es) ao BNDES em pagamentos atrasados. A maior parte das d\u00edvidas \u00e9 de empr\u00e9stimos para obras tocadas nesses pa\u00edses por construtoras brasileiras, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corr\u00eaa. Como os financiamentos t\u00eam garantia do Tesouro, a conta poder\u00e1 ficar em Bras\u00edlia. O projeto de Or\u00e7amento de 2019 j\u00e1 prev\u00ea R$ 1,4 bilh\u00e3o de gastos para cobrir calotes.<\/p>\n<p>O caso que mais preocupa \u00e9 o da Venezuela, que enfrenta crise pol\u00edtica, recess\u00e3o e hiperinfla\u00e7\u00e3o, e come\u00e7ou a atrasar o pagamento da d\u00edvida em setembro do ano passado. O pa\u00eds vizinho tem um total de US$ 274 milh\u00f5es de pagamentos da d\u00edvida em atraso com o BNDES &#8211; US$ 159 milh\u00f5es atrasados h\u00e1 mais de 180 dias. Pelo c\u00e2mbio m\u00e9dio do terceiro trimestre, o total atrasado h\u00e1 mais de 180 dias equivale a R$ 628 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso de Cuba, os atrasados somam US$ 71,2 milh\u00f5es &#8211; US$ 26 milh\u00f5es em financiamentos de exporta\u00e7\u00e3o do BNDES e cerca de US$ 40 milh\u00f5es no Proex Financiamento, linha com subs\u00eddios federais para apoiar exporta\u00e7\u00f5es de empresas de menor porte -, mas o quadro piorou recentemente.<\/p>\n<p>A ilha caribenha chegou a pagar, com atraso, a parcela de maio, mas agora deve parcelas desde junho. A economia cubana foi atingida neste ano pela crise da Venezuela, que subsidiava o fornecimento de petr\u00f3leo \u00e0 ilha. Tamb\u00e9m foi afetada pela revers\u00e3o de parte da distens\u00e3o diplom\u00e1tica com os EUA, ap\u00f3s a posse de Donald Trump.<\/p>\n<p>J\u00e1 os atrasos de Mo\u00e7ambique s\u00e3o mais antigos, come\u00e7aram em novembro de 2016. O pa\u00eds da Costa Leste da \u00c1frica est\u00e1 com US$ 114 milh\u00f5es em atraso superior a 180 dias.<\/p>\n<p>Os atrasos fizeram o BNDES elevar as provis\u00f5es para cr\u00e9dito duvidoso &#8211; o montante que os bancos separam em seus balan\u00e7os financeiros para fazer frente a poss\u00edveis calotes. O diretor de Estrat\u00e9gia e Transforma\u00e7\u00e3o Digital da institui\u00e7\u00e3o de fomento, Ricardo Ramos, frisou que esses empr\u00e9stimos t\u00eam garantia do Tesouro, por meio do Seguro de Cr\u00e9dito \u00e0 Exporta\u00e7\u00e3o (SCE), bancado pelo Fundo de Garantia \u00e0s Exporta\u00e7\u00f5es (FGE). Por causa da Venezuela, o BNDES j\u00e1 foi indenizado em US$ 139 milh\u00f5es pelo FGE.<\/p>\n<p>As indeniza\u00e7\u00f5es por conta dos atrasos de Mo\u00e7ambique somam US$ 29,7 milh\u00f5es. Os atrasos de Cuba ainda n\u00e3o excederam o prazo necess\u00e1rio para executar a garantia. Quando aciona o SCE, o BNDES retira aquele valor do provisionamento e quem cobra o pa\u00eds devedor \u00e9 o governo. &#8220;Esses pa\u00edses, de forma muito semelhante aos Estados da federa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quebram. Pa\u00edses passam por ciclos econ\u00f4micos&#8221;, disse Ramos.<\/p>\n<p><strong>Venezuela<\/strong><br \/>\nO BNDES contratou US$ 2,7 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos para a Venezuela, entre 2001 e 2015. O maior, de US$ 865 milh\u00f5es, de 2010, foi para a constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica da Usina Sider\u00fargica Nacional, tocada pela Andrade Gutierrez. As obras do Metr\u00f4 de Los Teques, tocadas pela Odebrecht, receberam US$ 862 milh\u00f5es. J\u00e1 a expans\u00e3o de linhas do Metr\u00f4 de Caracas, tamb\u00e9m da Odebrecht, teve US$ 605 milh\u00f5es. Nem todos os valores foram liberados &#8211; sete opera\u00e7\u00f5es tiveram desembolsos suspensos pelo BNDES em maio de 2016, por suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o. Segundo a Transpar\u00eancia Venezuela, entidade de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, a pedra fundamental da Linha 5 do Metr\u00f4 de Caracas foi lan\u00e7ada por Hugo Ch\u00e1vez em 2006, mas, at\u00e9 hoje, s\u00f3 uma esta\u00e7\u00e3o foi inaugurada.<\/p>\n<p><strong>Cuba<\/strong><br \/>\nO destaque \u00e9 o empr\u00e9stimo de US$ 682 milh\u00f5es, contratado em cinco opera\u00e7\u00f5es entre 2009 e 2013, para o Porto de Mariel, a 45 km da capital, Havana. As obras, tocadas pela Odebrecht, foram inauguradas em janeiro de 2014, com a presen\u00e7a da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff. Em maio, a ag\u00eancia &#8216;Reuters&#8217; noticiou que a administra\u00e7\u00e3o do porto aguarda o t\u00e9rmino de obras de dragagem, em 2019, para converter o terminal em centro regional<\/p>\n<p><strong>Mo\u00e7ambique<\/strong><br \/>\nO maior empr\u00e9stimo contratado com Mo\u00e7ambique \u00e9 de US$ 320 milh\u00f5es, para a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Moamba Major, mas essa opera\u00e7\u00e3o foi suspensa em maio de 2016 pelo BNDES, por suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o. Os atrasos se referem ao financiamento de US$ 125 milh\u00f5es para o Aeroporto de Nacala, no norte do pa\u00eds, constru\u00eddo pela Odebrecht.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Venezuela, Mo\u00e7ambique e Cuba devem R$ 1,7 bilh\u00e3o (US$ 459,2 milh\u00f5es) ao BNDES em pagamentos atrasados. 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